Ontem, hoje e sempre
3 Capítulo 3 - O natal dos Torres
Notas iniciais
Faz duas semanas que estou fora de casa, e agora faz dez horas que estou sentada nessa poltrona de avião voando da Africa direto para Seatle, Alex deveria ter vindo, mas seu filho caçula sofreu um pequeno acidente de bicicleta e teve que ser concertado cirurgicamente pela minha Deusa Ortho, então em retribuição às muitas vezes que ele me cobriu para que eu estivesse junto de minha família em momentos importantes, fui para África fazer a inspeção semestral das clínicas, olhando pela janela do avião e vendo as nuvens me veio a cabeça a primeira vez que viajamos com nossos filhos de avião, foi a primeira viagem de nossa família a Miami.
"Callie sentou em nossa cama de costas para mim, deu um longo suspiro e deitou de uma só vez ao meu lado fazendo o colchão afundar e encarou o teto perdida em seus pensamentos, levantei meus olhos da revista que muito atenciosa e calmamente tinha ocupado minha mente nos últimos trinta minutos em que minha esposa estava ao telefone com seus pais, era claro que algo a estava incomodando, fazia alguns meses que Lucia havia batido em nossa porta e começado a interagir com nossa família.
– Aconteceu alguma coisa? Seus pais ligando e hoje não é domingo.
– Não eles só queriam nos convidar com antecedência para o natal em Miami, para não termos desculpa de recusar.
– Ah! E isso é ruim?
– Não sei se é ruim ou bom, ainda estou administrando essa aproximação com minha família.
– Pensei que essa aproximação fosse o que você queria e te deixaria feliz.
– Você disse bem eu queria não sei se isso está se tornando um bom negócio.
– O quê está te incomodando?
– Tim e Sofia, das pessoas os machucarem, antes era somente eu sendo colocada de lado em uma família extremamente católica e preconceituosa, eu posso sobreviver ao preconceito deles, mas não vou aceitar ou deixar que machuquem meus filhos.
– Acho que seus pais já passaram dessa fase homofóbica, a última vez que eles nos visitaram pareceram bem felizes com os netos e de bem com nossa família, acho que deve dar uma chance a eles.
– Não são eles que me preocupam, mas o restante da família que vai estar lá, fazem quase sete anos que não vejo ou falo com a maioria deles, primos, tios e avós, não tenho ideia de como vão reagir ao se deparem com minha família gay.
– Se você tem tanto receio disso podemos dizer que vamos passar o natal com meus pais e depois podemos visitar os seus em uma data que não tenha tanta gente reunida.
– Isso não é um opção, seus pais foram convidados antes de nós, parece que nossas mães estão tendo uma espécie de amizade terapêutica, minha mãe está se aconselhando com a sua sobre como ligar com a família gay da filha e eles aceitaram o convite.
– Ow!
– Ow! Só isso que você vai dizer?
– Fiquei sem palavras agora, vai ser um natal divertidíssimo, tem certeza que temos que ir?
– Se tiver algum dos seus maravilhosos planos para nos tirarmos disso me diga terei imenso prazer em ouvir.
– Acho que fiquei sem ideia agora.
– O que você está lendo nessa revista de tão interessante?
– Vinte e nove posições sexuais para lésbicas.
– Nossa! isso parece... onde conseguiu isso?
– Hoje á tarde quando fui ao shopping com Sofia e Tim.
– Arizona Robbins, você está comprando pornografia junto com nossos filhos?
– Isso não é pornografia é uma revista muito informativa e instrutiva, e eles estavam na sessão infantil ouvindo uma contadora de história e não tirei os olhos deles.
– Posso ver?
– Claro, Callie você acha que depois do acidente, eu digo da amputação o sexo ficou diferente?
– Diferente como? Seja mais específica.
– Assim, bem, nós fazemos um sexo mais calmo, eu digo menos selvagem, ou não tentamos mais posições difíceis.
– Não acho que o sexo ficou diferente, nós mudamos, mudamos nossa vida, não só porque você sofreu uma amputação, nós envelhecemos, temos mais responsabilidades no trabalho e duas crianças andando pela casa o tempo todo, e confesso que tem algumas posições ou brincadeiras que fizemos que só se deve tentar uma ou duas vezes na vida, outras que tivemos sorte de não provocarmos um acidente e irmos parar no pronto socorro do hospital.
– Você acha que ficou ruim, sabe sonso, sem emoção, sabe não fazemos tanto quanto fazíamos antes?
– Sério Arizona que está me perguntando isso? Acho que até o melhoramos em muito, lógico que reduzimos um pouco a quantidade, mas não tem muita a haver com sua amputação, mas com nossa carga de trabalho e criação de filhos, nossa casa triplicou de tamanho, temos roupa suja para um batalhão da marinha e fora supermercados e noites de febre, cólicas, dentição, quedas, não sei como damos conta e ainda sobra tempo e forças para o sexo, mas a qualidade posso te garantir tem sido cada dia melhor.
Sorri para a morena que me olhava com o olhar mais sexy do mundo.
– É verdade, fizemos algumas coisas muito loucas, as vezes sinto falta desse tempo, sabe em que éramos livres para transarmos onde queríamos e tínhamos tempo e fôlego para isso.
– Nossa gostei dessa, ah! essa a gente já fez e essa também e aquela outra, o que acha dessa?
– Eu quero tentar essa posição.
– Essa?
– O que foi acha que eu não consigo?
– Não, estou imaginado se eu vou conseguir.
– Podemos fazer um ensaio.
– Ah! Podemos fazer muitos ensaios.
Callie me respondeu com seu olhar sexy tratei logo de me aproximar mais da minha morena sexy e quente e agarrá-la em um beijo quente molhado com muito tesão enfiei a mão por baixo da camisola encontrei uma bela surpresa ela não tinha nada cobrindo seus seios apetitosos, a ergui e fui presenteada por um par de seios fartos, lindos e redondos, não me contive a arranquei jogando em algum lugar no meio dos lençóis, a morena desceu sua mão por dentro do meu short apertando minha bunda com força soltei um gemidos alto, abocanhei um dos seus seios quando ouvimos barulho da porta se abrindo, instantaneamente nos largamos e cobrimos, então vi nossa filha mais velha de pé na porta segurando seu coelhinho de pelúcia.
– Sof o que aconteceu?
– Mamãe minha barriga dói, eu preciso de uma consulta médica.
– Claro querida que você precisa, vamos lá para sua cama que é melhor para mamãe ver sua barriga e mama já nos encontrará lá.
Deu um olhada para minha esposa que se encolhia debaixo do lençol na tentava cobrir sua nudez, coloquei minha prótese, peguei minha filha no colo que me olhava sem saber o que acontecia na cama das mães, e a levei para seu próprio quarto dando tempo a Callie de se vestir e nos seguir, poucos minutos depois ela entra no quarto de Sofia.
– E ai o que ela tem?
– Mama tá doendo a barriga.
Sofia respondeu chorosa enquanto eu apertava sua barriga e tentava ouvir seu coração, Callie se aproximou e segurou a mão da filha.
– Ei bebê, mama vai ficar aqui com você e já vamos resolver isso está bem.
A menina apenas balançou a cabeça e a encostou no peito da sua mãe.
– Não sei talvez um pouco de gases, é normal nessa idade.
– Pode ser um apendicite.
– Ela não sentiu dores nos outros teste, vou dar um antigases e observar.
– Vou dormir aqui com ela.
– Ok vou buscar o remédio.
Voltei trazendo a remédio para nossa filha que agora estava deitada no peito da mãe, enquanto recebia carinho em seus longos cabelos escuros, juntei-me a elas e mediquei Sofia que logo dormiu.
– Amor você esqueceu de trancar a porta.
– Eu não sabia que você estava pensando em, tentar algo novo essa noite.
– Temos que ter mais cuidado, eles estão crescendo e ficando mais espertos, ela está dormindo sinal de que a dor passou, vai dormir mesmo aqui?
– Vou ficar um pouco mais se ela não acordar de novo volto para nossa cama, ela anda meio carente, acho que é um pouco disso também.
– Então boa noite
Beijei os lábios de minha esposa e voltei para nossa cama desanimada, tinha certeza que essa noite dormiria sozinha, Callie cairia no sono em minutos e só iria acordar no outro dia ou se a filha a jogasse fora da cama o que não estava longe de acontecer, Sofia parecia uma minhoca dormindo."
Fale com o autor