Onna Kokoro to Aki no Sora
5 Ingratidão
Carroças, crianças brincando, mulheres felizes com seus cestos fartos da última colheita antes do inverno do norte chegar era sinais de que eu havia entrado no bairro dos agricultores de Konoha. Avistei a cerejeira da minha pequena casa.
– Sakura-hime. – No quarto vi a vizinha colocando panos úmidos sobre a testa do homem o cujo estava ofegante e tremendo. – Ele está assim faz alguns minutos.
– Obrigada por olha-lo Tezune-san. – Toquei seu pescoço o que me deixou em alerta já que estava queimando de febre. – Eu assumo daqui em diante, você poderia colher umas ervas com flores rosa que estão na horta do quintal, por favor? – Pedi tentando ficar o mais calma possível. Ela assentiu e saiu às pressas.
A planta tem efeito rápido para parar a febre e é um poderoso antibiótico porque eu tinha certeza de que era alguma infecção. Ele estava começando a ficar vermelho e com dificuldade para respirar, meu coração começou a disparar. Eu só tinha sentido essa aflita sensação uma vez.
– Aqui está. – Depois de alguns minutos a mulher me entregou um ramo da planta e eu começo a pila-la com mel. — Sakura-hime ele parou de respirar!
Sem pensar coloquei o copo no chão e fiz respiração boca á boca. Era a primeira vez que eu tocava nos lábios de um homem.
São macios.
Afastei esses pensamentos o máximo que pude porque era uma falta de respeito da minha parte e tentei me concentrar, sua respiração não tinha voltado, coloquei meu ouvido em seu peito.
Não ouço batimentos cardíacos.
Tudo que eu podia ouvir era o meu coração disparado e o dele não dava nem uma palpitação sequer, uma tempestade de emoções veio á tona, era a mesma sensação de quando eu descobri que os meus pais estavam...
– E-eu... Eu me recuso a aceitar isso. – Sussurrei entre soluços. Comecei a fazer massagens cardíacas. Não podia ouvir sequer uma única brisa, a cada minuto a atmosfera no quarto se tornava mais tensa e pesada, Tezune estava imóvel provavelmente fazendo uma prece silenciosa enquanto eu intercalava a massagem cardíaca com a respiração.
Por favor, volte.
Coloquei meu ouvido em seu peito esquerdo novamente e escutei fracas palpitações. Puxei o ar para uma ultima vez ajuda-lo a respirar, quando me aproximei de seus lábios percebi que seus olhos estavam semiabertos, o que fez com que instantaneamente toda a minha tensão passasse, o mesmo par de olhos ônix que encontrei na floresta estavam me fitando agora inexpressíveis. Ele voltou a dormir de novo, mas respirando normalmente.
Peguei o copo com o xarope e coloquei um pouco em sua boca com cuidado para que não engasgasse.
– Ele está bem Sakura-hime? – Tezune finalmente abriu os olhos que se encontraram aos meus.
– Está. – Era um alivio tão grande poder dizer aquilo. – Muito obrigada Tezune-san por me ajudar e agradeço também a sua filha Tenten, sem vocês eu não teria sucesso com meu primeiro paciente.
– Não precisa agradecer querida, olha eu já passei por muita coisa, mas nunca fiquei tão temerosa como fiquei agora, me perdoe por minha fraqueza, eu fiz tudo que pude. Mas você nem precisaria de ajuda, porque deu conta de tudo e foi muito sábia, esse rapaz tem muito que agradecer a você.
– Muito obrigada Tezune-san, você fez tudo certo e eu serei eternamente grata. – Eu não consegui falar mais naquele momento, eu estava muito feliz.
Não me sentia assim há muito tempo.
– Eu tenho que ir agora, mas qualquer coisa é só me chamar. – Ela se despediu.
– Eu chamo, mais uma vez obrigada. – A senhora se curvou e saiu do quarto. A atmosfera estava mais calma e com isso meus olhos começaram a pesar, eu estava cansada, pensando no que aconteceu á alguns minutos deitei no tatame e adormeci.
**
Acordei com a luz da lua atravessando a janela indo de encontro aos meus olhos, dava para perceber que eu dormira a tarde inteira e sem sonhar. Iria fazer dois dias desde que eu estava cuidando de um jovem gravemente ferido que achei perto de casa, foram dois longos dias, mas eu estava conseguindo traze-lo de volta ao normal, infelizmente ele ainda não acordou.
Aquele olhar, diferentemente do primeiro que demonstrava pânico e dor, esse estava inexpressível, era como se ele estivesse tentando compreender algo. Minha barriga começou a protestar, eu não tinha comido nada desde o chá na casa do Minato-sensei, me levantei para ir em direção á cozinha, dou uma última olhada nele.
Estava dormindo tranquilamente, esbocei um sorriso porque sabia que ele iria sair dessa situação bem.
Vou para a cozinha porque ninguém se sustenta sem uma boa refeição, e eu sinto fome a cada minuto, não sei ainda como não cai de fraqueza, chequei o fogão a lenha, mas só tinha cinzas e o estoque estava quase acabando, tinha que ir para a loja do madeireiro ao lado para comprar algumas pilhas. Apaguei a lamparina da cozinha, peguei minha capa e o dinheiro e fui até a lá.
– Por sorte essa é a última pilha no estoque. – O senhor me disse trazendo três médias toras amarradas juntas, ele me entregou.
– Obrigada, boa noite. – Paguei e tomo o caminho de casa.
No quintal escuto um estranho barulho entre as árvores, fitei meus olhos para a escuridão da floresta, mas não vi nada. Adentrei a casa, liguei a lamparina e procurei meu machado para cortar uma lenha.
– Quem é você?
!!!
Essa voz fez com que me assustasse e derrubasse as madeiras. Julgando pelo vulto que vi nas árvores possivelmente poderia ser um bandido, virei lentamente e lá estava ele no portal entre um cômodo e outro.
O rapaz que eu cuidei.
– Eu fiz uma pergunta. – Sua voz era fria e direta, levemente rouca, sua postura estava firme e seu olhar intimidador.
Eu... – engoli seco- Meu nome é Sakura, eu te salvei da floresta. – Também mantive uma postura firme afinal eu não sabia quem ele era então não podia abaixar minha guarda.
Apesar de que por nenhum momento eu tivera medo dele.
Parece que ele estava me lendo, analisando cada piscada de olhos, cada tomada de ar que eu fazia.
– E quem é você? – Finalmente depois de um curto silêncio resolvo perguntar. O homem parecia estar pensando em uma resposta, pois desviou o olhar para a janela.
– Preciso ir embora. – Dando as costas para mim, ele saiu de casa.
Ei! – O chamo, rapidamente corro atrás. Seus passos eram largos, em poucos segundos já estava chegando à rua. – Você não pode ir seus ferimentos vão inflamar, o tratamento ainda não acabou. – O moço assobiou.
De repente algo começou a se mexer entre as árvores, passos rápidos ecoavam até que um animal saiu da floresta, era o cavalo que estava perdido. O enorme cavalo negro foi ao encontro do rapaz o cujo subiu nele.
– Por favor, não vá! Eu te tirei do risco de vida, mas ainda sim você não está em condições de viajar, eu quero muito que você volte para casa, mas em bom estado. –Pedi.
Ele estava me fitando ainda sem expressão nenhuma, o vento começou a ficar mais forte fazendo com o resto das pétalas de cerejeira caíssem e dançassem entre nós, seus cabelos negros balançavam em harmonia. Eu estava maravilhada com o homem que estava diante de mim, mas meu coração se apertou porque ele iria embora sem nenhuma garantia de que iria ficar bem.
– Leve minha capa. – Tirei a capa preta que coloquei para comprar as lenhas, me aproximando ofereço, pois ele estava sem a parte do kimono de cima fazendo com que a bandagem do ferimento do tórax ficasse a mostra. Ele encara o tecido balançando em minhas mãos e depois dá meia volta galopando rapidamente estrada a cima me deixando abismada debaixo da lua cheia. Sua ingratidão fez com que meu peito apertasse.
Derramei uma lágrima inconsciente.
**
No dia seguinte fui para a biblioteca do quartel general estudar um pouco, pois precisava colocar a cabeça no lugar, não conseguira dormir direito preocupada com o estado dele. Estou tão preocupada assim porque uma pessoa morreu em meus braços, ele perdeu a vida diante dos meus olhos e ainda sim eu consegui traze-lo de volta, será que ele não poderia ficar até se recuperar totalmente?
– Sakura-hime, porque você está tão pensativa? Ainda nem abriu o livro. – Na minha frente sentou minha tutora Chiyo carregando alguns pergaminhos.
– Olá Baa-chan. É só que...
– Você conseguiu um paciente não foi?
– Quem lhe disse? – Pergunto surpresa.
– Naruto. — Ela responde. Só podia ser. – Parabéns Sakura, você adquiriu muita experiência. Onde o achou?
– Eu estava em missão e acabei o encontrando quase morto na floresta então cuidei dele. Mas já foi embora. – Tentei não demonstrar preocupação.
– Ah... Ele deve ser muito grato por você tê-lo salvado. – Ela disse mostrando o sorriso banguela.
– É. – Não era o caso, talvez ele só estivesse desconfiado de mim por ser uma estranha, mas sorri um pouco e abri o primeiro livro de anatomia tentando preencher minha mente barulhenta com a simplicidade de suas teorias.
Sai da biblioteca no final da tarde, o vento forte sussurrava pela rua movimentada. Olhei para o céu cheio de nuvens.
– Parece que esse é o último dia de céu claro. – Digo.
– Também acho. – Olhei para o lado.
– É você Naruto. – Coloquei a mão no coração. – Por que as pessoas tem mania de me assustar?
– Porque você fica com a cara engraçada. – Ele colocou as mãos atrás da cabeça rindo.
– Você acha engraçado? – mostro meu punho.
– Nem um pouco Sakura-chan, e tenho raiva de quem acha. – O loiro nega suando de medo. – Ei! Vamos para o Ichiraku?
– Sim, acho que preciso de um bom ramén. – Fomos ao Ichiraku, um restaurante antigo famoso por seus ramens, o preferido do Naruto. Pedi dois pratos já que eu devia um para ele.
– Naruto, porque você contou para a Baa-chan? – Perguntei depois de comer um pouco.
– Coutaoque?
– Não fale de boca cheia. – O repreendi. – Você disse para ela que eu estava com um paciente.
– Ah. – Ele engoliu – Eu a encontrei e ela perguntou por você, não era para contar Sakura-chan?
– Não, não é isso. Tudo bem. – Voltei ao meu ramén . Isso me fez refletir de que talvez ele tenha ido embora porque estava desorientado, confuso por acordar em um lugar desconhecido depois de um trauma daquele, acho que até eu fugiria. Se não houvesse ninguém para cuidar de mim.
– E como que ele está? Quer que eu fique lá de novo? – Se ofereceu.
– Não será necessário, ele já foi embora.
– Já? Isso quer dizer que ele sobreviveu, graças a você Sakura-chan. – Naruto encheu a boca do viscoso macarrão.
O rapaz estava vivo, isso era o que importava e também iria ficar bem já que sobreviveu, deixei de lado minhas preocupações e aproveitei o ramén que por sinal já tinha acabado.
– Mais um, por favor. – Pedi alegremente.
**
Os comércios de Konoha já estavam fechando quando saímos do restaurante, Naruto seguiu para sua casa, mas eu passei numa loja para comprar uma lembrança para a Tezune e sua filha que me ajudaram gentilmente. Cheguei na entrada da propriedade e alguns agricultores que iam passando me reverenciaram. Bati na porta e quem abriu foi Tenten.
– Sakura-hime. – Ela se curvou.
– Olá. – Fiz o mesmo. — Eu trouxe uns presentes para agradecer tudo o que você e sua mãe fizeram ontem por mim. – Tezune apareceu na porta.
– Sakura-hime? – disse curvando. – Presente?
Assenti confirmando e entreguei duas pequenas caixas de mogno. Tenten sorriu de ponta a ponta quando abriu.
– Oh! – Os olhos castanhos de Tezune brilharam admirados quando retirou o cordão de ouro com uma pequena pedra de safira como pingente. – Sakura-hime, não precisava comprar algo tão caro, nós nos voluntariamos e só.
– Palavras não são o suficiente, não é de hoje que a senhora tem me ajudado. – Tenten colocou o colar em seu pescoço e soltou a trança do cabelo formando pequenas ondas de fios castanhos. – Está muito bonita. – Elogiei.
– Obrigada Sakura-hime, tanto pelo elogio quanto pelo presente. – Nunca a tinha visto tão radiante, ela vivia no plantio ajudando seus pais na renda e às vezes passava na biblioteca para pegar alguns livros, mas sempre andava com um traje conservador e raramente soltava os cabelos.
– Também agradeço. – Sua mãe disse pronta para chorar. – Eu a vi e cuidei de você desde pequena e vejo que se tornou tão forte e mais bonita do que era. – É, ela chorou.
– Tudo bem mãe. – Tenten a abraçou a qual assuou o nariz na manga de seu simples kimono. – Tenha uma boa noite e mais uma vez nós agradecemos Sakura-hime.
– De nada, boa noite. – Me despedi e fui para casa.
A lua que estava encoberta pelas nuvens apareceu um pouco iluminando o quintal de minha casa, eu podia ver a cerejeira sem nenhuma folha e...
Ele.
Encostado nela estava o homem de olhos negros segurando as rédeas de seu cavalo, uma espada na bainha estava presa por um cinto em seu quadril. Pisquei para ver se era verdade.
– Você... Qual é o seu nome? – Eu poderia perguntar o porquê dele ter voltado, de onde ele era, mas eu queria realmente saber seu nome. Sua expressão ficou levemente surpresa, mas logo se recompôs.
– Sasuke. – Respondeu. – Eu não sei onde estou por isso não sei voltar para casa. – Disse, acho que ele esperava que eu perguntasse em seguida.
– Posso dizer o caminho, mas antes te aconselho a não ir, pois não está em condições de viajar com esses ferimentos o que precisa fazer é tratar da infecção e esperar que eles sarem. – Eu disse tudo logo porque mesmo que não admitisse ele estava visivelmente debilitado, talvez deixasse tratar dele.
– Onde estou? — Dava para perceber que ele era uma pessoa teimosa.
– Você está na Tribo do Norte, na vila chamada Konoha.
– Há quanto tempo eu estive dormindo? – Perguntou.
– Dois dias. – Respondi. Sua face ficou sombria e preocupada. – Você tem algo que me cure rápido?
Finalmente.
– Entre, eu cuidei de você esses dois dias não estou disposta a deixar o serviço incompleto. – Fui pegar as rédeas de seu cavalo, mas ele as segurou firme. Mãos geladas.
– Tenho um estabulo para deixa-lo. – Fui até o local e ele o colocou no lugar. Sasuke cerrou os dentes provavelmente sentindo dor, então coloquei seu braço ao redor dos meus ombros e entrei em casa.
Eu estava feliz por tê-lo de novo sobre meus cuidados.
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