Notas iniciais
Olá, olha eu aqui! Estou muito feliz com os comentários *-* Boa leitura!

Astória

Cheguei ensopada no prédio e recebi um olhar cortante do porteiro que gritou por eu molhar o piso do hall, mas apenas revirei os olhos em resposta. Sempre tive respeito por trouxas, mas alguns realmente pedem para ser esculachados, e esse porteiro é um desses, afinal o prédio nem é muito chique, é no máximo habitável.

Já no segundo lance de escadas eu seguro uma risada seca em pensar o que a Sra. Greenglass diria se soubesse que sua filha mais nova está morando de favor em um prédio trouxa decadente. Ela provavelmente me arrastaria para fora dali, falando uma lista enorme de coisas ruim e como os trouxas são a escória.

Suspirei quando finalmente cheguei no quinto andar abrindo a porta do apartamento 53. Aquele pequeno lugar era lar de uma das poucas verdadeiras amigas que eu tinha. Margareth, ou Mia, como ela prefere, é uma jovem da minha idade, com a pele morena que me faz parecer uma albina perto dela, olhos azuis escuros e manequim tamanho 38. Ela é bruxa, de origem americana e com um coração enorme, apesar de preferir não mostrar isso.

_ Merlin Asty! Eu limpei o chão hoje!- ela exclama a guisa de boa noite. – Porque saiu assim na chuva? Somos bruxas, aparata-se de um lugar seco para outro lugar seco!

_ Somos bruxas, podemos secar isso rapidinho. – digo com sarcasmo e puxo minha varinha para secar minhas roupas e o chão do apartamento. – Viu só?

_ Você é impossível. Onde passou o dia inteiro? Foi falar com seus pais? – Mia pergunta voltando para a cozinha enquanto eu me joguei no sofá tirando os sapatos.

_ Ah claro, a propósito minha mãe quer jantar aqui um dia. – respondo suspirando e segundos depois a cara de Mia aparece no batente da porta me encarando.

_ Sem sarcasmo para cima de mim Astória! – ela volta a fazer sei lá o que, e grita de lá. – Você não pode fugir da sua família para sempre.

_ Minha família acha que ainda estou na Bulgária. – afirmo fechando os olhos e de repente lembrei do loiro amargurado do bar. Malfoy era interessante com toda aquela posse de depressivo misterioso que na verdade só é um perdido no mundo.

_ Ei, eu falei com você. – Mia diz batendo um papel na minha cara. – Que sorrisinho bobo é esse?

_ Do que estava falando? – resmungo me aprumando e ela se senta ao meu lado com um pote de pipoca.

_ Chegou uma carta dos seus queridos progenitores. – Mia responde me entregando o papel que tinha jogado na minha cara, o brasão dos Greenglass era evidente na frente do envelope pardo. – Desfaz essa careta e abre logo.

_ Como isso chegou aqui? – pergunto abrindo a carta. – Oh meu Merlin! – exclamo. – Eles descobriram que estou aqui?

_ Não, eu pedi para Halley mandar as cartas que chegavam lá na Bulgária. – ela explico enquanto eu leio a carta escrita pela minha mãe. – O que diz?

_ Um monte de falsidades e que eu preciso comparecer a um jantar daqui a um mês. – respondo gemendo em seguida. – Um mês!

_ Você já está escondida deles tempo demais. – Mia diz pegando um livro. – Mas porque o jantar?

_ Ela não disse, é surpresa. – digo com desdém. Algo que vem da minha família não deve ser boa coisa, principalmente quando envolve jantares com a alta sociedade.

O núcleo social que minha família vive a anos sempre foi considerado o mais fino, elegante, rico e honroso. O grupo dos mais celebres bruxos. Mas quando se vê de perto, ou melhor, quando você nasce nesse meio, você percebe que na verdade é uma sociedade marcada por falsidade, ambição e intrigas.

Meu desgosto por esse meio social não passou despercebido pelos meus pais, e desde cedo eles tentavam mostrar minha irmã mais velha como um modelo para se seguir. Quando eu era eu mesma, eles me castigavam, desprezavam. Com medo da rejeição e em busca da aceitação da minha família, com 12 anos eu comecei a fingir. Me comportava como uma perfeita dama e filha em público e na frente dos meus pais.

Viajar depois de Hogwarts foi uma libertação para mim. Sair de perto dos meus pais, conhecer o mundo e ser eu mesma ao lado de minha melhor amiga. Foi tão bom que estou a dois meses de volta a Inglaterra fingindo para minha família que ainda estou em outro pais.

Os Greenglass nunca foram comensais, apesar de sempre apoiar a causa em silencio. Isso sempre me irritou, afinal era obvio que Voldemort não passava de um louco desalmado que seria derrotado uma hora ou outra levando todos os seguidores juntos para o buraco.

Talvez seja isso que me impediu de recuar quando soube que o loiro era um Malfoy. Draco Malfoy. Com certeza nasceu no mesmo meio que eu, ainda em um patamar maior em riqueza e influencia. Sempre se mostrou arrogante, metido, mimado e ridículo na escola, estudando no mesmo ano que minha irmã Dafne. Mas aquele moço no bar me mostrou bem diferente disso.

Era arrogante, sem duvida, e metido, mas algo dele me deixava curiosa... Eu não o conheço, mas com certeza foi uma ótima primeira impressão.

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Draco

Como pode alguém agir de forma tão natural depois de saber quem eu sou? É obvio que ela sabe tudo, afinal é uma Greenglass, sangue puro e muito estranha por sinal.

_ Astória? – Blás pergunta franzindo a testa. – Eu podia jurar que sua mãe tinha dito que sua noiva era a Dafne...

_ Minha noiva é a Dafne. – respondo ainda encarando o teto do meu quarto.

_ Então porque você falou da Astória? – suspirando reunindo paciência para não ser grosso com meu único amigo.

_ Eu já expliquei Blás... Dafne é minha noiva, eu conheci Astória em um bar por coincidência semana passada. – explico pausadamente para ver se aquele idiota entendia.

_ Ah bom... Mas porque está me contando sobre Astória? Está querendo provar a caçula para ter uma ideia do que esperar na noite de núpcias? – me levanto apoiando nos cotovelos e encaro o moreno que abre um sorriso malicioso.

_ Como se eu precisasse esperar até depois do casamento... Dafne nunca foi santa, ela vai abrir as pernas para mim na primeira oportunidade. – Blás solta uma risada e eu me deito novamente pensando em Astória. Ela era diferente, confusa... Ela me deixava confuso, e eu odiava essa sensação. Isso não era uma boa impressão.

_ Ok garanhão... Mas Astória é bem bonitinha não?

_ É, não é feia. – resmungo pensando que aqueles olhos azuis eram tudo menos feio, ela era linda. – Porque?

_ Nada. – ele diz rindo.

_ Você não presta Blás...

_ Muito menos você Draco.

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Astória

Sinceramente, eu sou a melhor amiga que alguém pode ter e com certeza Mia vai me pagar caro por isso. Eu estava com uma roupa comportada, saia lápis preta, camisa de seda verde e com os cabelos escovados escondendo meu rosto enquanto tentava atravessar o Ministério mais furtivamente possível.

_ Até que enfim você chegou! – Mia exclama quando entro na sala dela. – Eu preciso desse papéis para o próximo julgamento.

_ Se é tão importante porque esqueceu em casa? Tinha que me fazer vir até aqui vestida como uma aristocrata? – indago irritada, meus pés estavam apertados naqueles saltos.

_ Eu não mandei se vestir assim. – ela rebate dando de ombros. – Mas devia usar mais essa roupa, você fica mais adulta, madura e bonita.

_ Estou reservando esse meu lado para quando voltar a casa dos Greenglass. – resmungo. – E vestida assim eu me camuflo aqui no Ministério.

_ Oh sim... A propósito, sua irmã vai vir para essa audiência. – Mia comenta folheando um monte de papéis e eu arregalo os olhos.

_ O que disse?

_ Que sua irmã vai v...

_ Eu ouvi isso! Mas como pode disser que minha irmã vai estar nesse andar com essa calma? E se ela me ver Mia? – digo respirando fundo enquanto minha amiga apenas continua folheando os malditos papéis.

_ A audiência é daqui uma hora, você pode ir tranquilamente.

_ Você ainda vai me pagar Mia Holland! – ameaço antes de sair para o corredor cheio de funcionários apressados que estavam mais preocupados com seus papeis do que com as pessoas andando ali, e isso é bom. Olhei para os dois lados e não vi a cabeleira loira da minha irmã, então me virei para ir embora olhando de três em três segundos para trás para ver se ela não surgia do nada e me seguisse.

Eu já devia ter aprendido que andar distraída não é bom, mas como não aprendi trombei com alguém alguns metros do elevador. Como sou muito equilibrada acabei no chão.

_ Não olha para onde anda? – uma voz fria disse e eu levantei sozinha.

_ Me desculpa, eu est... Malfoy? – pergunto encarando surpresa o rapaz loiro que arqueou as sobrancelhas confuso. – Malfoy... Sou eu! Astoria!

_ Eu sei que é você. – ela responde revirando os olhos e enfim os fixando em mim com uma curiosidade meio disfarçada. – Porque está vestida assim?

_ Longa história. – suspiro remexendo meus pés doloridos. – O que faz aqui?

_ Vim... resolver... coisas. – Draco diz desviando os olhos.

_ Oh, coisas, entendi. – digo piscando um olho risonha mas ele não demonstra qualquer reação. Eu realmente queria falar mais alguma coisa mas, graças a Merlin, desviei meu olhar para o elevador. – Malfoy... entra no armário.

_ O que? – ele indaga confuso enquanto eu já abria a portinha do nosso lado e o puxava para dentro. Fechei a porta e olhei por uma fresta minha irmã parar ali perto para conversar com um homem barbudo. – O que está fazendo? – Draco sussurra no meu ouvido me fazendo arrepiar e então me lembrou que ele está ali provavelmente me achando uma louca. Me viro e coro um pouco ao perceber o quando o lugar é apertado e como estou praticamente grudada nele.

_ É que.. eu... eu não sou l-louca. – digo tentando me concentrar mas o desgraçado parece perceber meu desconforto e se aproximou mais inclinando levemente o canto dos lábios.

_ Se queria ficar as sós comigo era só dizer. – Draco diz com uma voz rouca extremamente... Argh!

_ Não é isso. – digo respirando fundo e o empurrando alguns centímetros. – Resumindo, eu estou meio escondida da minha família, eles acham que estou fora do país, e minha irmã acabou de entrar no corredor.

_ Ah. Sua irmã... – Draco murmura.

_ Sim, Dafne. – respondo me virando para olhar na fresta mas a tagarela continua conversando ali na frente. Ela não tem que trabalhar não? Esses sapatos estão me matando! – Você estudou com ela.

_ Eu sei. – ele diz meio seco. – Não que seja ruim, mas eu tenho que ficar aqui até quanto tempo?

Eu reviro os olhos em resposta e ele ri descendo os olhos até minha boca e se aproximando. Eu sabia o que estava prestes a acontecer, e realmente não sei de onde veio esse meu controle para me virar o olhar pela fresta não encontrando minha irmã.

_ Ela foi embora. – digo meio ofegante e abro a porta rápido com Malfoy atrás de mim com uma cara meio emburrada que me fez rir. – Oh, tá emburradinho Malfoy?

_ Pare de graça Astória. – Draco resmunga com sua típica voz fria. – Eu tenho que ir... Nos vemos novamente?

_ Quem sabe eu não trombo com você de novo? – digo dando de ombros e o vejo sorrir, mas ainda um sorriso meio convencido.

_ É... quem sabe. – ele olha para trás e então se aproxima até colocar a boca perto do meu ouvido. – Ou... Nós podíamos nos encontrar por acaso naquele novo restaurante de Godric’s Hollow.

Ele não espera minha resposta e dá as costas indo para o elevador, me deu uma piscadela antes das portas se fecharem e me deixou ali, confusa.

_ Astória Greenglass! – me viro assustada mas suspiro ao encontrar Mia.- O que pensa que está fazendo conversando com Draco Malfoy?

_ Não sei. – respondo olhando o elevador. – Realmente não sei... Mas vou descobrir.

Notas finais
Gostaram? Espero comnetários... favoritem e acompanhem!! Novos capitulos em breve, beeeijos! Essa na foto é a "Asty"...