Only You
1 Único
JEON JUNGKOOK
Estar sendo julgado pelo olhar de seu funcionário e, pior que isso, estar temendo tal olhar não é nada bom. Mesmo sendo superior dentro da empresa — apenas por conta da hierarquia mesmo — sinto que sou somente um gatinho assustado hoje.
E que péssima comparação quando sou mesmo só um gatinho.
Um híbrido, mas ainda assim um gatinho.
Jimin parece aterrorizado enquanto me observa, cheguei até mesmo a pensar que ele iria sair gritando horrorizado após ter me visto.
Durante minha vida inteira escondi minha parte animal para as pessoas, mesmo ficando com dor por conta das toucas que cobriam minhas orelhas ou da forma que meu rabinho era enrolado para não ficar visível.
E mesmo que fosse estranho estar dentro de uma empresa, usando terno e ainda assim uma touca, era melhor do que ter todos meus funcionários me encarando como se eu fosse inferior somente por ser híbrido, algo tão criticado em nossa sociedade.
Sendo honesto, eu nem sou tão diferente assim das outras pessoas, ora! Tenho diferenças físicas? Sim, mas é apenas isso.
— Você é um híbrido. — Jimin não parecia mais assustado, pelo menos não tanto quanto no momento em que entrou em minha sala e me encontrou sem meu gorro. — Você é um híbrido de gato, Sr. Jeon!
Então ele sorriu e se aproximou mais de mim, mas me afastei por não estar acostumado. E embora ele tenha aparentado certa tristeza com meu afastamento, também pareceu compreender meu receio. Jimin era um funcionário exemplar, já trabalhava como meu secretário há quase quatro anos e eu não me via sem sua presença na empresa.
Por isso eu sabia que ele manteria para si o meu segredo, não faria fofoca sobre isso ou um sequer comentário.
— Não precisa ter medo. Não vou machucar você. — Sussurrou, sorrindo e tornando a se afastar. — Tenho uma certa paixão por híbridos, me perdoe por ter quase encurralado você contra a parede.
E foi impossível segurar o sorriso que tanto tentou me escapar.
Talvez eu não precisasse temer tanto assim a minha exposição.
— T-tudo bem. — Acabei me acalmando, lhe dirigindo um sorriso também. — Você não vai contar isso para alguém, vai?
Quando Jimin sorriu percebi que não, ele não iria falar.
E tudo pareceu simplesmente se tornar certo.
~#~
Nos dias que se seguiram, Jimin e eu começamos a sair. Todas as noites nos encontramos em algum lugar, fomos a restaurantes, cinemas e praças, conversamos sobre tudo e sobre nada, nos conhecemos muito melhor do que conhecíamos até então e as coisas pareciam estar tendo mais sentido em minha vida.
Um mês acabou se passando desde que fui descoberto por ele e nada mudou entre nós na empresa, embora ele me dirija sorrisos a todo instante e, de tempos em tempos, entre em minha sala e tranque a porta para que eu possa ficar sem o gorro por alguns minutos.
E ele é tão fofo, tão diferente do que aparenta quando o vemos pela primeira vez.
Jimin é divertido, inteligente, gosta de estudar idiomas, gosta de aprender sobre a cultura de outros países e curte um bom rock clássico, assim como um hip hop de vez em quando.
Ele é tudo que eu queria sem nem imaginar do quanto precisava.
Afinal todos os casos que tentei ter deram errado no instante em que fui observado, e em um mês eu nem queria mais que Jimin fosse um caso. Por alguma razão queria que fosse mais.
Por isso hoje era um dia de tamanho nervosismo, tendo em vista que Jimin viria para a minha casa. Estava temendo que algo desse errado, embora já tivesse preparado metade do jantar e arrumado tudo para sua chegada.
Odiava me sentir nervoso dessa forma, mas não tinha o que fazer.
Quando o barulho da campainha soou pelo ambiente me senti ainda mais nervoso. Ao contrário de normalmente não estava usando gorro, deixando assim minhas orelhinhas de pelagem preta aparentes. E meu rabinho não estava enrolado, mas não estava tão visível, também.
— Boa noite. — Cumprimentei ele, que não fez cerimônia alguma, apenas entrou e me abraçou, em seguida me entregando uma garrafa de vinho. — Sinta-se em casa.
Ele apenas riu e concordou, adentrando a casa e se aconchegando no sofá quando lhe direcionei ao mesmo. Jimin era uma pessoa muito tranquila, ele gostava de conversar e adorava demonstrar seu afeto por mim. Pela forma que encarava minhas orelhinhas eu sabia que ele desejava tocá-las, mas por algum motivo eu sempre me afastava e fingia que não percebia.
— Kookie, por que se afasta quando me aproximo? — Outra mania que ele pegou foi a de me chamar por um apelido, esse que me deixava sorrindo feito bobo.
— Não estou acostumado. — Proferi com calma, afinal era verdade. — Você é o único que chega perto de mim sabendo a aberração que sou... é só você... e isso me assusta.
Jimin sorriu e chegou um pouco mais perto, em seguida pedindo que eu fechasse meus olhos. Embora temesse o que aconteceria acabei por obedecê-lo e fechei.
Não demorou para que eu sentisse sua mão encostando em meus cabelos. Em um primeiro instante tomei um grande susto, mas acabei relaxando a partir do momento em que ele gentilmente foi aproximando seus dígitos de uma das minhas orelhinhas, parecendo perceber que eu não estava acostumado e que precisava me habituar.
— Não vou te machucar. — Sussurrou próximo o meu ouvido, sua mão desocupada chegando na minha, seus dedos se entrelaçando nos meus. — Quero somente lhe dar muito carinho.
E eu apenas permiti, quase derretendo quando as carícias se intensificaram. Eu sabia que ronronava feito um verdadeiro gatinho, e a risada baixinha de Jimin apenas me fez ter mais vontade de deixar tal som me escapar. Ele era incrivelmente fofo e fazia com que eu sentisse sensações indescritíveis e até então desconhecidas por mim.
Mal podia acreditar que tinha me apaixonado por Park Jimin.
— Você é tão fofo... sinto vontade de fazer isso desde que vi você assim pela primeira vez. — Sua voz me trouxe uma paz sem igual, só faltei derreter ainda mais. — E eu também sinto um pouco de medo, principalmente quando penso que você é meu chefe e que estou te olhando de uma forma talvez proibida.
Abri meus olhos e direcionei-os até Jimin. A carícia não parou, ela apenas ficou mais leve e lenta, porque Jimin parecia concentrado demais em me encarar de volta.
Não sei dizer exatamente como aconteceu ou quem foi o responsável por tomar atitude, apenas sei que nossas bocas se encontraram sutilmente e minha mão foi parar em sua cintura. Jamais saberia descrever o que seus lábios foram capazes de me provocar, tampouco como definir a bagunça que se instaurou dentro de mim apenas por conta disso.
Jimin era um ser humano precioso que eu queria proteger, cuidar, fazer feliz todos os dias. Queria a chance de poder amá-lo, de poder fazê-lo entrar no meu mundo de vez de uma forma que ninguém mais ousou entrar.
Queria tê-lo todos os dias ao meu lado, compartilhando comigo suas alegrias e tristezas, as frustrações, os acontecimentos positivos e negativos, os sorrisos e também as lágrimas. Queria compartilhar a minha vida com ele.
— Pouco importa que sou seu chefe. — Sussurrei para ele, nossas testas grudadas. — Você foi o primeiro que não fugiu de mim ao ver como realmente sou, o primeiro que quis ficar do meu lado e que permaneceu mesmo vendo que ninguém mais ficaria por perto. E ser seu chefe ou o que for não muda a bagunça que você me causa, o jeito que acelera o meu coração ou a forma que me deixa nervoso. Não escolhemos por quem nos apaixonamos, mas eu certamente escolheria mil vezes me apaixonar por você caso fosse necessário.
Jimin sorriu, parecia tão radiante, tão feliz, que abracei-o sem pensar duas vezes. Não sabia como explicar tudo que estava sentindo, mas sabia bem que paixão e amor não são sentimentos que precisam de qualquer explicação.
A única coisa que importa é sentir.
— Quando foi que minha vida virou um clichê? — Ele perguntou risonho, voltando a acariciar minha orelhinha. — Bom, não é como se isso importasse. A única coisa que importa é que eu tenho um gatinho para dar carinho agora.
Acabei rindo feito um idiota apaixonado, o puxando para mais perto de mim.
— Tem um gatinho, é? E quem é o gatinho? — Provoquei em tom de brincadeira, recebendo uma sequência de selares por meu rosto e também em minha boca.
— Você, Sr. Jeon. O meu gatinho.
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