Notas iniciais
Yoo, trazendo pra vocês uma fanfic de presente para a minha amiga Miyu-Chan.
Miyu-Chan, eu te amo ♥ !
Como já tinha avisado, tentei sair do meu clássico clichê, então não sei se ficou lá muito bom, além de que é complicado interpretar uma garota animada como ela em estado de depressão =x
Feliz aniversário ^^

Boa leitura ^^

Estava novamente encolhida no canto daquela cama tão familiar. Os edredons grossos jogados ao pé do móvel, quase esparramados no chão, enquanto que uma fina coberta roxa tratava de cobrir parcialmente minhas pernas dobradas. De fato, eu deveria ser um tanto louca para estar de camisola e somente uma coberta no inverno, mesmo sabendo da saúde frágil que possuo, mas o que posso fazer?

Suspirei pesadamente e afundei-me no colchão, fazendo com que a coberta escorregasse pelas minhas pernas, cobrindo assim somente os meus pés. Terumi-Nii-Sama havia ido trabalhar, e de certeza não estava conseguindo concentrar-se no serviço por minha causa, minha culpa. Nii-Sama estava tão preocupado comigo... Todos estavam preocupados comigo, e é nestas horas em que me sinto uma idiota por fazer com que os meus amigos e familiares sintam-se assim, novamente por minha culpa.

Perdão... Esqueci-me de apresentar-me. Sou Afuro Miyuki, irmã mais nova de Afuro Terumi, de certa já deve conhecer ou ter ouvido falar. Sempre fui uma garota alegre, energética, feliz – se não contar alguns anos de minha infância, claro -, mas a algumas semanas que essa minha personalidade não se mostra presente, por que ele não se mostra presente.

Flash Back On.

Sete meses atrás:

-Miyu-Chan! – Hakuryuu chamou-me assim que pus os pés no parque

-Yo Hakuryuu! – Fui em direção á ele e para minha surpresa, fui recebida com um abraço — Me atrasei? — Per–untei corada, após o contato físico ser desfeito por ele.

-Não, acabei de chegar – Sorriu e entrelaçou nossos dedos em um doce aperto de mãos, fazendo o rubor em minha face aumentar consideravelmente – Vamos?

Concordei com um sorriso tímido e iniciamos uma caminhada pelo parque.

Havia me mudado para Inazuma no final do Primeiro ano, e só conhecia Hakuryuu, meu amigo de infância e companheiro na época do Fifth Sector. Durante o último semestre, não fiz muitas amizades, na verdade, não fiz amizade nenhuma. Aposto que todos devem ter achado – novamente – que era uma patricinha por conta dos mimos de meu Nii-Sama, mas eu nunca fui e nunca serei algo do gênero. Quando ingressei no Segundo ano, e Hakuryuu me convenceu a tentar entrar no time de futebol da Raimon, tudo mudou. Fiz amizades com os jogadores e manegers, ajudei garotas a entrarem para o time e as pessoas de minha classe se mostraram cada vez mais presentes em minha vida. Foi maravilhoso.

Duas semanas após a entrada dos novatos do Primeiro ano no time, Hakuryuu me chamou para uma conversa séria. Claro que de inicio me assustei, Hakuryuu nunca foi de ter conversas sérias comigo, mas mesmo assim encontrei com ele no local marcado. Conversamos um pouco, assistimos a um filme e até tomamos um sorvete e o garoto me enrolou o passeio todo, não disse uma só palavra sobre o real motivo de estarmos ali naquela tarde de domingo. Durante o final do passeio, insistiu para levar-me para casa, dando a desculpa sobre o filme ter demorado muito e já ter escurecido, mas só depois de muita insistência vindo de sua parte, concordei em deixa-lo acompanhar-me até em casa. Tentei pela milésima vez naquele dia fazê-lo dizer sobre a tal conversa séria, mas não consegui nada. Quando estávamos quase no quarteirão de minha casa – a essa altura já havia desistido de fazê-lo falar algo -, Hakuryuu finalmente decidiu se manifestar sobre o assunto.

-Miyu-Chan, sobre o que eu queria te dizer hoje...

-O que? – Perguntei quase que no mesmo segundo, estava curiosa demais para enrolações.

-E-eu... – Vi o garoto parar de caminhar, e parei junto com ele. Fechou os olhos e respirou fundo, para no momento seguinte fitar as minhas orbes esverdeadas de modo que não consigo explicar. Sua face estava séria e um pouco vermelha... Espera, vermelha? Em todos esses anos nunca vi Hakuryuu corado! – Nós sempre fomos amigos, desde pequenos, mas eu acho que está na hora de dizer... Que eu gosto de ti.

-Ora Hakuryuu, eu também gosto de você – Sorri para o garoto – Você é meu melhor amigo, deveria até ganhar um prêmio!

-Não Miyu-Chan... – Ele pareceu desapontado. Eu disse algo de ruim? – Eu quero dizer que eu amo você! – Soltou com a face rubra

Arregalei os olhos, meu coração disparou e eu perdi o fôlego.

-A-amigavelmente falando? – Perguntei incerta, não queria interpretar nada errado.

-Romanticamente falando – Concluiu minhas suspeitas e fechou os olhos – Eu sempre estive te olhando, te admirando, e não me contento em ser só seu melhor amigo... – E novamente fincou seus olhos nos meus – Miyu-Chan me deixa cuidar de você? Prometo que vou te fazer feliz e estarei sempre lá para ti

Não conseguia pensar em uma resposta coerente, aliás, não conseguia pensar em mais nada! Estava vermelha, assustada, perplexa, meu melhor amigo acabou de se confessar pra mim? É isso mesmo?

-E-eu... – Comecei tentando pensar em algo, mas o meu cérebro pareceu dar um belo de um leg

-Miyu-Chan... – Sussurrou o meu apelido quase que de um modo inaudível e aproximou-se de mim. Mais, mais, mais, cada vez mais Hakuryuu avançava em minha direção, e quem disse que conseguia impedi-lo? Antes que me desse conta, estávamos a milímetros de distância, os corações acelerados, olhos fechados e as respirações unidas. Unidos... No segundo seguinte nossos lábios estavam unidos, tiveram a distância rompida pelo jovem atacante, e sem pensar duas vezes, me entreguei aquele momento.

Foi inesperado, mas eu queria... Sim, eu queria... Não sei se amo Hakuryuu, mas eu queria aquele beijo, sim, eu o queria.

E agora cá estamos nós, cinco meses depois caminhando pelo parque de mãos dadas como se fossemos namorados. Sim, eu sou a namorada do Hakuryuu!

Seguimos o passeio em uma trilha dentre as árvores, paramos em um banco para tomar sorvete, trocamos algumas carícias – beijos e abraços, não pensem mais nada além disto! – e pela primeira vez em anos, não se ofereceu para levar-me em casa.

-Miyu-Chan... Eu preciso falar com você... – Me virei para ele, isso nunca é um bom começo de conversa, nunca. – Eu vou me mudar.

Flash Back Off.

E cá estou eu, sofrendo pela ausência do único garoto pelo qual fui apaixonada. Claro, Hakuryuu não esconderia um fato importante desses de mim, não o meu Hakuryuu, mas ele recebeu uma proposta irrecusável e não conseguia me contar. Manteve em segredo, e decidiu sozinho. Eu só fiquei sabendo uma semana antes de sua mudança, meu Hakuryuu havia ido jogar em um time mirim preparatório para a seleção internacional. País? Inglaterra.

É... Meu Hakuryuu havia se mudado para a Inglaterra. No começo, até tentamos manter contato, não permitir que a distância atrapalhasse o nosso relacionamento, mas não deu certo. Fuso-horário, treinos mais puxados, responsabilidade com os estudos, cursos... Tudo isso interferiu, e já fazem quase trinta dias que eu não falo com ele, trinta dias que terminamos definitivamente. Sem contar os setenta e oito que não o vejo. Sim, estou nesse estado a setenta e oito dias.

A brisa gélida entrou pela janela e tocou minha pele fria, causando-me arrepios. Suspirei pela centésima vez naquela tarde, e após muita relutância de minha própria parte, peguei uma peça de roupa um pouco mais quente no guarda-roupa e dirigi-me ao banheiro.

Queria tomar banho de água fria, pouco me importa se estamos no inverno ou não, mas sabia que se fizesse isto minha gripe iria piorar e meu Nii-Sama só se preocuparia mais comigo.

Abri a torneira e esperei com que a banheira enchesse. Andei um pouco e pendurei minhas roupas, roupão e toalha, olhando de relance para meu reflexo no espelho. Cabelos bagunçados e sem brilho, resquícios de lágrimas nas maçãs do rosto e pescoço, lábios secos e com uma tonalidade esbranquiçada, olhos horrivelmente avermelhados e bolsas arroxeadas em volta deles. Deplorável.

Despejei alguns sabonetes e sais minerais na água da banheira, sem prestar muita atenção na quantidade, e assim que a banheira encheu-se por completa, despi-me lenta e vagarosamente, entrando na mesma em uma velocidade mais lenta ainda.

Senti o corpo arrepiar e tremer assim que a água quente fez contato com a minha pele até então fria. Inalei o vapor que saia da água e fechei os olhos, deixando-me levar por aquele prazer momentâneo. Os músculos tensos por conta do frio relaxavam pelo delicioso choque térmico, e sem pensar muito, afundei-me naquela imensidão quentinha.

Após dar-me por satisfeita, levantei da banheira – retirando o ralo para que esvaziasse, claro -, vesti-me adequadamente com uma roupa mais quente e agasalhos e saí do banheiro.

Joguei-me de qualquer forma na cama, e puxei um edredom para fazer-me companhia. Suspirei e retirei algumas mechas louras que insistiam em cair sobre minha face. Suspirei novamente e afundei-me em um mar de lembranças e momentos, podia jurar que sentia a mão dele acariciando minha face suavemente, como sempre fazia. Ah, Hakuryuu...

Fui fraca e cedi novamente; cedi novamente à tristeza, a dor, a saudade e chorei mais uma vez como se não houvesse o amanhã. Chorei a ponto de sentir as lágrimas quentes queimarem e marcarem minha pele branca. Chorei até o ar faltar-me, até engasgar-me em soluços, chorei até espernear, gritar, por que queria por aquela dor, aquela angústia para fora. Chorei alto, sem me importar com os quase gritos histéricos que escapavam pela minha garganta, chorei na esperança de fazer sumir aquele nó apertado em minhas cordas vocais, chorei querendo retirar tudo aquilo de ruim de meu peito, desejando que escorresse com as lágrimas, assim como a água escorreu pelo ralo da banheira. Chorei por minutos, horas e mais horas, até finalmente adormecer.

Abri vagarosamente meus olhos por conta do barulho incômodo do celular. Senti uma ardência na vista assim que a abri por completo, mas sem dar muita atenção, movi meu braço direito em direção ao celular em cima da escrivaninha e novamente senti as vistas arderem ao entrarem em contato com a claridade do aparelho eletrônico.

“Kirino-Kun”. Estava escrito na tela do celular. Suspirei, desliguei o celular e o joguei de qualquer forma em cima da escrivaninha, pouco me importa se o aparelho for de encontro ao chão, melhor ainda seria se quebrasse, por que o time da Raimon parece se revezar para me ligarem. Tenma-Kun, Shindou-Kun, Kirino-Kun... Desculpem-me ser ingrata e mesquinha com vocês neste momento meus amigos.

Não tinha nada contra eles, até agradecia mentalmente por algumas distrações que eles – e todos os meus amigos – se esforçavam para fazer por mim, mas nesse momento eu realmente quero ficar sozinha.

Sentei na cama, sentindo uma dor de cabeça incômoda, mas não liguei, ultimamente não tenho ligado para mais nada mesmo. Olhei em volta e fitei o relógio em cima da mesa, logo Nii-Sama chegaria em casa e não seria muito bom se ele me visse nesse estado... Horrível.

Calcei minhas pantufas e levantei da cama, sentindo todos os nervos e músculos de meu corpo doerem por conta da gripe, mas novamente não liguei. Andei sem ânimo até a cozinha e comecei a procurar algo para comer, não estava com fome, mas não mastigo nada desde o café da manhã, então pior seria se Nii-Sama chegasse e me encontrasse desmaiada em algum canto por fraqueza.

Esquentei o resto da sopa que havia na geladeira e pus-me a alimentar-me. Assim que terminei minha refeição e depositei o prato com a colher na pia, ouvi a campainha tocar. Será que a encomenda do Nii-San chegou? Ele vive encomendando coisas estranhas...

Comecei a andar em direção a porta e sem nem sequer espiar pelo olho mágico da mesma, girei a maçaneta sem ânimo e abri.

-Se for a encomenda pro Nii-San, ele não está em ca--

-Miyu-Senpai, sou eu – Uma voz rouca e muito conhecida por mim cortou-me, e eu só fiz arregalar os olhos em sinal de surpresa.

-Kyousuke-Kun... – Sussurrei sem sair do meu estado, o que ele está fazendo aqui uma hora dessas?

-Miyu-Senpai, tudo bem se eu lhe fizer companhia hoje? – Perguntou normalmente. Mas hein?

Suspirei e abri passagem para o atacante azulado, que após murmurar um pequeno e baixo “licença” entrou no recinto. Tranquei devidamente a porta e sem dizer mais nada, subi de volta para o meu quarto, sendo obviamente seguida pelo jovem mais novo.

Após finalmente alcançar a paz de meu dormitório, sentei-me encostada a cabeceira da cama e esperei uma reação qualquer vinda da parte do garoto.

-Credo, que ar mais depressivo – Fez uma careta ao entrar no recinto. Caminhou um pouco e sentou-se a beira da cama, quase que nos meus pés – Como você está Senpai?

-Como pareço? – Perguntei sem muito ânimo

-Está parecendo àquela mulher do Crepúsculo depois que deu a luz – Soltou irônico

-Ah, cala a boca – Agarrei um travesseiro e atirei no rosto do garoto. Kyousuke-Kun e eu nos tornamos amigos um tempo depois do mesmo ter ingressado no time de futebol. Claro que no começo ele achou muito estranho ter uma garota no time, e até implicou comigo algumas vezes, mas nós nos tornamos amigos, e ele tem sido o que mais me dá forças nesse momento.

-Pelo menos você se moveu não tão parecida com um zumbi – Disse com um sorriso após retirar o travesseiro de seu rosto

-Zumbi? – Repeti incrédula

-É, você tá andando como um Zumbi, e falando como um... Um... Um...

-Um...? – Perguntei, queria saber o que se passava na cabeça dele.

-É, tá falando que nem ele – Concluiu satisfeito.

-Que nem ele quem? – De quem raios ele tá falando?

-Meu precioso – Fez uma tentativa falha de imitar aquele ser do filme O Senhor Dos Anéis, qual o nome dele mesmo...? Espera, ele me chamou mesmo daquela coisa estranha?

-Baka! – Joguei outro travesseiro nele, mas para a minha surpresa, o garoto atirou de volta, bem no meu rosto. E ficamos assim, jogando almofadas, travesseiros, bichos de pelúcia e tudo de fofinho e não tão machucável que havia no meu quarto.

-Ah, tá bom, chega, eu me rendo! – Kyousuke disse entre cortado graças aos risos espontâneos que escapavam de seus lábios

-Não senhor, agora aguente o meu “Big Ataque do Senhor Teddy!” – Disse e em seguida comecei a bater com um urso de pelúcia no rosto do azulado.

-Cheeeegaaa! – Pediu rindo, e só após mais algumas bofetadas eu parei. Era incrível como ele conseguia quebrar aquela atmosfera melancólica e deplorável que se fazia presente a minha volta — Certo, agora que já nos divertimos você pode me ajudar com o meu dever de História, Geografia e Filosofia, não é?

-História? Geografia? Filosofia? – Repeti incrédula, e o garoto assentiu com a cabeça – Credo! Vá pedir ajuda pra outro por que a Miyuki não gosta dessas matérias não! – Soltei com uma careta no rosto, o que arrancou mais risos do garoto abaixo de mim. Espera... Abaixo?!

Movi o olhar lentamente e só então percebi como estávamos. Kyousuke estava deitado em minha cama e eu estava sentada em cima de seu abdômen, como é que ele está conseguindo respirar?

-Gomen! – Pedi desesperada após retirar-me de forma apressada de cima dele

O garoto pareceu refletir um pouco e seus lábios se contorceram por desgosto

-Não precisa pedir desculpas Miyu-Senpai – E sentou-se de frente para mim – Amanhã você vai sair desse quarto e vir dar uma volta comigo, certo?

-Mas amanh—

-Não aceito um não como resposta, o natal está quase chegando e você não sai desse quarto – Disse firme e fitando-me nos olhos. Não tem como discutir com ele, esse teimoso...

-Mas ainda falta quase um mês para o natal!

-Sem desculpas – Disse autoritário

-Okay – Confirmei com um suspiro e um sorriso brotou em seus lábios

Andava sobre a neve fofinha distraída com a música que rolava em meu mp3. Antes de dar-me conta, estava no local marcado. Comecei a procurar pelo jovem de cabelos exóticos em meio a multidão que teimava em atrapalhar minha busca.

-Miyu-Senpai – Acenou para mim não muito longe de onde eu estava

Lancei um meio sorriso e andei em passos um pouco mais apressados em direção ao garoto

-Gomene, te fiz esperar muito?

-Não, acabei de chegar – Concluiu após colocar as mãos dentro do casaco grosso.

-Aonde vamos Kyousuke? – Eu tinha o direito de saber, ele me tirou de casa em pleno domingo de inverno

-Já vai ver Miyu-Senpai – Sorriu e começou a andar, claro que o segui para não nos perdermos ou ficar muito para trás. Eu nem sabia para onde estávamos indo!

-Pista de patinação no gelo? – Perguntei após ler a placa enorme do edifício

-Faz tempo que não vamos juntos patinar não é? – Sorriu e voltou a andar, desta vez para dentro do local

Após terminarmos todos os preparativos – patins e equipamentos básicos de segurança -, Kyousuke praticamente me arrastava para o centro da pista. Apesar de estar mais feliz com a presença dele, não estou com ânimo para patinar... Queria agradecer por tudo e voltar para debaixo das minhas cobertar, enquanto assistia um filme qualquer e me entupia de chocolate com morangos, mas... Kyousuke estava se esforçando para me animar, não estava?

-Vamos Miyu-Senpai, vai ficar parada aí no meio da pista? Por que não faz uma performance para mim?

-Mas Kyousuke... – Não acredito que ele queira me ver patinar em um momento desses! O que ele tem na cabeça, minhocas?

-Miyu-Senpai, eu vou ficar bravo contigo – Cruzou os braços e me mandou um olhar frio, sem emoção, como se calculasse a minha possível morte. Isto me causou um longo arrepio na espinha

-T-tá... Eu faço uma performance... – Suspirei derrotada e vi o garoto deslizar até a beira do ring, voltando logo em seguida com um rádio nas mãos

-Pronta? – Perguntou e me posicionei devidamente

-Pronta – Consegui lançar-lhe um sorriso fraco, e assim que a música começou a rolar, iniciei a minha performance, sem me importar com as pessoas que paravam para observar. Assim que terminei, fiz uma reverência e ouvi aplausos vindo do meu amigo e das pessoas ali presentes — Satisfeito? – Perguntei assim que se aproximou de mim

-Só vou ficar quando patinar comigo – Respondeu-me sorrindo e dei-me por vencida – Miyu-Senpai, está pra nascer uma garota que patine melhor que você

-Exagerado! – Ri um pouco e comecei a patinar por ali, sendo acompanhada pos Kyousuke. Realmente, ele consegue mesmo quebrar aquele ar pesado e monótono que me rodeia.

Funguei uma, duas, três, quatro vezes e afundei meu rosto no travesseiro fofo e macio. Kyousuke havia me resgatado no dia anterior, mas fui fraca, novamente fui fraca. Cedi outra vez aqueles sentimentos pesados, dolorosos e impuros, que insistiam em perfurar meu peito cada vez mais forte e fundo. Meu corpo parecia ser pequeno demais para aguentar tal sentimento que eu nem sei explicar mais do que é, só me resta chorar na falha esperança de arrancar tudo isso de mim, até as lágrimas ficarem quentes e queimarem, marcarem minha pele já pálida, só me resta chorar até que esses sentimentos desapareçam de vez da minha vida.

~~Três meses depois.~~

-Já vai... – Respondi sem um pingo de ânimo enquanto ia atender a porta

-Miyu-Senpai – Kyousuke disse sério após ter uma visão completa de mim

-Kyousuke-Kun... – Disse o nome do garoto bem baixo

-Precisamos conversar, e é sério – Permaneceu com a mesma expressão de antes e vendo que não conseguiria arrancar nada dele ali naquele local, abri passagem para que entrasse em minha casa.

Nos sentamos no sofá da sala e fiquei em silêncio, esperando qualquer manifestação vindo da parte do azulado

-E então... ?

-Miyu-Senpai, você sumiu dos treinos, mal tem ido ao colégio, não apareceu nas festas de natal e ano novo nem nas excursões escolares de fim de ano. Estamos todos preocupados com você! – Me encarou com um olhar de pouquíssimos amigos – Sei que foi dificil pra você perder seu melhor amigo e namorado, mas você já deve estar é em estado de depressão!

-Depressão... ? Ora Kyousuke-Kun, você já está exagera...—

-Não Miyu-Senpai, eu não estou exagerando! – Pude vê-lo ficar irado – Não dou a mínima se o Hakuryuu está na Inglaterra jogando, estudando ou fazendo sabe-se sei lá o que, mas você já parou pra ver o que ele fez com você? Ou pior, o que está fazendo consigo mesma?

-Eu....

-Miyu-Senpai, você está em estado de depressão, não sai dessa casa a dias, seu irmão disse que está sem se alimentar direito.

-Kyousuke, não fale como…

-Que droga Miyuki! – Pela primeira vez ele gritou o meu nome sem usar qualquer sufixo, e isso me assustou. No segundo seguinte, o garoto estava me segurando pelos ombros – Se você não sabe se cuidar, eu cuido!

-O…. O que? – Perguntei artuida

-Se você está em um estado tão ruim a ponto de não se cuidar, eu cuido de você. Se você não está ligando para a sua vida, eu ligo, então a dê para mim!

-Kyousuke, o que voc—

-Miyu-Senpai, você está me matando simplesmente por estar nesse estado. Eu te amo e não aguento mais te ver assim! Sei que tudo isso foi pela perda daquele… Garoto – Pareceu rosnar para não dizer o nome dele – E que você ainda o ama, mas me deixe cuidar de você… Miyu-Senpai, me deixe curar o seu coração – Estava me olhando nos olhos, tão fundo que parecia ver a minha alma.

Retirou uma mecha de meu cabelo que atrapalhava minha vista, colocando-a atrás de minha orelha e no segundo seguinte estava acariciando o meu rosto. Aquele toque foi demais para mim… Ele estava sendo tão gentil comigo que eu… Que eu… Eu sei que é errado por que ainda amo Hakuryuu mas… Com o Kyousuke sendo tão amavel comigo…

-Kyousuke… — Me aproximei dele e o garoto fez o mesmo. Nos aproximamos mais, mais e finalmente pude sentir seus lábios nos meus.

Abracei seu pescoço e me deixei levar por aquele mar de sensações até que o oxigênio se fez necessário

-Miyu-Senpai... Vai me deixar cuidar de você?

-Sim... – Sussurrei de olhos fechados

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Desde aquele dia quase duas semanas haviam se passado. Kyousuke nesse tempo havia se aproximado ainda mais de mim, e eu realmente não compreendo o motivo de sua preocupação tão elevada. Conseguiu me passar em um psicólogo, foi complicado no começo, mas eu consegui me abrir. Estou tomando anti-depressivos e ele sempre dá um jeito de me ligar cinco minutos antes do horário da medicação, só para mim não esquecer. Uma vez ele me disse que se tivesse que tomar o remédio três da manhã, ele me ligaria três da manhã só para cuidar de mim. Kyousuke sempre foi gentil comigo, mas depois desse “quase-namoro” ele tem se tornado uma pessoa mais amável e protetora comigo, de certa forma eu gosto de tal sensação, fiquei tanto tempo chorando sozinha que sentir calor humano novamente é algo realmente revigorante.

-Miyu-Senpai? – Ouvi a voz grave e rouca dele chamar-me na porta

-Entra – Respondi de imediato

Pude ver o atacante de cabelos exóticos entrar no meu quarto e se encostar a porta, ficando ali a me obervar

-O que? – Perguntei corando

-Kawaii – Ele sorriu para mim e eu só fiquei mais vermelha

-Aonde vamos hein? – Perguntei ao me aproximar dele

-Passear por aí – Segurou minha mão levemente e pôs-se a arrastar-me para fora do cômodo, em direção a porta da casa

Nos despedimos de Nii-Sama – que pareceu fuzilar o pobre Kyousuke por breves instantes – e começamos a andar por um caminho que não era muito conhecido por minha pessoa. Estavamos conversando, então nem notei no tempo passando, e antes que me desse conta, estavamos na frente de um centro de jogos, tipo assim... Enoooorme!

-O que nós viemos fazer aqui? – Perguntei perplexa

-Sua psicóloga disse que precisava descontar sua frustração em algo, então vamos aos jogos de tiros e pancadarias

-Isso é sério? – Olhei para o rosto do garoto ao meu lado incrédula

-É, é sério – Respondeu com as mãos nos bolsos como se fosse a coisa mais normal do mundo levar uma garota pra atirar em algum bicho

No segundo seguinte estava tendo uma breve crise de risos ali mesmo

-Vamos – Segurou-me gentilmente pelo braço e me arrastou para dentro do local. Esse Kyousuke é doido!

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Voltava para casa junto com ele enquanto quase morria de tanto rir. Acredita que consegui ganhar dele no jogo de tiro? É, ele mesmo não estava acreditando, e eu quase rolava no chão de tanto rir

-Na próxima eu venço! – Disse convencido

-Tá bom, vamos ver se vence mesmo – Respondi entre-cortada devido a crise de risos

Mais alguns metros conversando e estava na porta de minha casa, olhando para Kyousuke esperando qualquer reação vindo de sua parte

-É tão bom ver você sorrindo de novo... – Sorriu para si mesmo e acariciou suavemente meu rosto. Eu corei e fechei os olhos, aproveitando o toque

-Arigatou... – Sussurrei para ele, que só fez depositar um beijo em minha testa

-Até mais Miyu-Senpai – Se despediu de mim e começou a andar em direção a sua casa.

Parando para refletir, até pouco tempo atrás eu estava um caco para não dizer outra coisa, mas Kyousuke conseguiu me resgatar de tudo aquilo. É... Eu sei por que ele conseguiu me tirar de todo aquele sofrimento, sabia o tempo todo, até mesmo quando namorava Hakuryuu, só não queria admitir...

-Kyousuke! – Gritei o seu nome quando estava quase sumindo de minha vista. O garoto se virou para mim e eu respirei fundo. É agora, vou gritar isso pra fora de mim, ele merece ouvir – Eu te amo! Aishiteru! – Gritei de olhos fechados e a face toda vermelha

Antes que ele decidisse vir atrás de mim entrei dentro de casa, tranquei a porta e escorei-me a porta, deslizando até o chão. Estava vermelha, com o coração terrívelmente acelerado e um sorriso bobo no rosto

-É... Eu o amo – Sussurrei para mim mesma e subi para o meu quarto.

Se Kyousuke foi o único que conseguiu me tirar daquele mar intenso de dor e sofrimento, é por que ele sempre foi o único a quem eu realmente amei. O tempo todo.

Notas finais
E aí? Mereço rewiens? Flores? Chocolates? Xingamentos? Pedradas? Tudo menos tijolos, por favor =x
Miyu-Chan, espero que tenha gostado ^^

Arigatou a quem leu isso ^^

Kissus da Haru-Chan ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!