Only You
8 Ao Menos Um Amigo
Notas iniciais
Quando entrei no salão, dei de cara com um garoto convencido, fingindo ser pegador. Argh três meses aturando esse tipo de gente,não sei se vou sobreviver!
Ele se apresentou como Zayn e já não fui com a cara dele.
- Nossa, que ridículo. –disse seca e sai andando. Ele me seguiu.
-Ei, calminha estressada. Se não quer a oportunidade de ficar com o garanhão aqui pela noite toda, quem sai perdendo é você –ele disse com um sorriso malicioso! Que otário, duvido que já pegou uma hoje! Se bem que as garotas aqui estão se oferecendo até para o jardineiro do acampamento. Zayn fala “a noite toda” com se fosse um período realmente longo. Mas para garotos como ele era mais que suficiente para usar a garota e jogá-la de volta, como um pedaço de carne suculento em uma jaula cheia de leões.
-Não me chama assim, sou estressada com quem eu quero e aonde eu quero. –disse grossa. As vadias que ali dançavam se pegando a vários garotos diferentes, me encaravam. Analisavam-me de baixo para cima, olhavam minha roupa e em suas mentes me julgavam, eu sabia que aqui seria assim. Igualzinho da ultima vez, três meses sem amigos, sem diversão e sem nada que um acampamento deveria te proporcionar. Apenas pessoas interesseiras te julgando. Como odiava tudo aquilo, se bem que onde moro não era muito diferente.
-Está bem então, se precisar de alguma coisa –ele deu uma pausa e sorriu malicioso- qualquer coisa, é só me chamar.
-Quero que saia da minha frente. –disse grossa, o empurrando, sabia que essa festa seria assim. Não sei por que insisti em vir, sai do salão desistindo. Lembrei-me da ultima vez que estive aqui, me perdi em minhas lembranças.
Flashback On
Era meu primeiro dia no acampamento, meus pais me mandaram aqui porque tinham que viajar a trabalho e eu não tinha ninguém para ficar. Talvez esses fossem os melhores meses da minha vida. Quem sabe ao menos aqui eu faria amigos?!
-Oi — disse tímida. –posso sentar com vocês? –perguntei gaguejando. Elas riram, debocharam de mim, como se eu não conseguisse ouvi-las.
-Será meninas, que devemos deixar essa gorda do cabelo de Bombril sentar conosco? –A loira oxigenada disse, e elas riram. Fiquei sem jeito, comecei a suar frio. –Volta para onde você veio menina! –ela disse apontando para o lixo e todas riram. Larguei minha bandeja com minha comida lá e fui correndo para o banheiro onde me afoguei em minhas próprias lágrimas. Enxuguei meu rosto e voltei ao refeitório, todos estavam rindo de mim. Os piores meses da minha vida.
Flashback Off
Sem querer esbarrei em um garoto, loiro com o casaco nas mãos, parecia chateado. Voltei à realidade quando seu ombro esbarrou no meu.
-Ah, me desculpa. –disse e fitei aqueles lindos olhos azuis.
-Não tem problema. –ele disse com a cabeça baixa.
-Você está bem? –perguntei preocupada.
-Sim, claro. É que todas as vezes que venho a este acampamento coisas ruins acontecem. –ele disse desabafando, todo triste.
-Então somos dois. –ele levantou a cabeça e olhou em meus olhos, com um sorriso no canto da boca. –Sou Lucy.
-Prazer, Niall. –disse se sentindo um pouco melhor. –Está indo para o quarto?
-Sim, fui à festa sabendo que seria ruim e acabo de me certificar disso. –disse um tanto conformada. –Enfim, qual seu quarto? Ah, não precisa responder essa se não quiser acabamos de nos conhecer. –eu disse sendo inconveniente, queria muito ao menos um amigo nesse lugar. Ele riu e respondeu.
-Não tem problema, seria bom ter ao menos uma amiga nesse lugar. –arregalei os olhos involuntariamente, ele acabara de ler minha mente. – É aqui perto, quarto 26.
-Está brincando?
-Não –ele riu- Por quê?
-O meu é o 27. –ele arregalou os olhos.
-Nos veremos bastante pelo visto. –ambos soltamos um riso abafado. –Vamos então, conversamos no caminho. Está frio aqui. –concordei com a cabeça.
-Vai me contar por quê estava quase engolindo o choro quando esbarrei em você? –perguntei curiosa.
-Você é sempre tão intrometida com todos que esbarra? –ele disse brincando, nós rimos.
-Você se acostuma. –sorri, ele retribuiu.
-Bom — ele deu uma pausa e coçou a cabeça. – É uma longa história.
-Tenho tempo — disse rindo. Queria conversar com alguém, mesmo não o conhecendo direito, mesmo com a chance de ele ser igual aos outros aqui, mesmo assim. Sentia falta de ter uma conversa sensata com alguém.
-Como posso explicar isso para você? Digamos que eu fiquei com uma garota aqui no acampamento, na verdade foi mais que isso. Mas foi dois anos atrás, e hoje a reencontrei aqui! Nós não tínhamos ideia que isso iria acontecer, e — ele parou, engoliu seco. Pude ver que seus olhos estavam encharcados, mas ele segurava. – perguntei a ela por que ela me traiu...
-Ela o que?? –o interrompi nervosa. Já me sentia dentro da história como se fosse amiga dele há um bom tempo
-Me traiu – ele disse com entonação. – Não sei por quê, foi do nada, e ela não quer me falar. Quando nos esbarramos, eu tinha acabado de ter uma discussão com ela. E odeio isso.
Ele parecia diferente dos outros garotos, ele ficou dois anos pensando em uma menina que ele ficou no acampamento, e que ainda traiu ele! Senti muita pena, queria ajudar, mas não sabia como.
-Não fique assim, ela te deve explicações!
-Foi o que eu disse a ela! Mas ela é orgulhosa, e continua achando que fez a coisa certa. Ela pensa que eu sei o motivo, mesmo eu já tendo dito que não sei! Estou tão angustiado com tudo isso. Só acontece merda na minha vida! –ele disse com voz de choro, segurando suas lagrimas até que uma delas caiu sobre seu rosto. Estremeci, senti muita pena. Que monstro faria isso com um garoto desses?! Um garoto que chora por uma menina que só o esnoba, isso é raridade hoje em dia. Ele virou-se de costas para esconder o choro, limpou em sua blusa e respirou fundo virando-se novamente para mim.
-Ei, se acalma tá bem? Ela não te merece, sei que não a conheço, mas, nenhuma garota com coração faria isso com você. –tentei confortá-lo.
-Talvez você esteja certa. –ele respirou fundo, com o rosto vermelho pelo choro que havia segurado. –Mas e você? Qual a sua história? Por que também estava chateada?
-Nunca fiz amigos aqui, e meus pais ficaram sabendo que odeio esse lugar. Então toda vez que faço algo errado me mandam para cá. –disse conformada, pois já estava acostumada com a situação.
-O que fez você odiar tanto esse lugar? –ele disse, esquecendo-se do assunto passado e sentindo-se melhor.
-Não é quem, é o quê! E são as pessoas daqui! –disse revirando os olhos. Chegamos na porta do meu quarto, haviam alguns degraus, e neles nos sentamos.
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