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13 Eu a afeto
Notas iniciais
Tradução: Eu a afeto
Encarava o mar à minha frente faz um bom tempo. As ondas batiam com força nas rochas, mostrando que não seria uma boa ideia mergulhar. O que me fez mais vontade ainda de largar tudo, e ir correndo para o mar, se eu me afogasse, talvez não tivesse que vê-lo mais.
Fecho os olhos para escutar o som mais atentamente. As ondas que se chocavam com as rochas, faziam um som reconfortante, o que, de fato, era um pouquinho estranho. Todas as preocupações que eu tinha, havia sumido, por alguns segundos nessas duas semanas malucas, eu me senti bem, até escutar o barulho da porta.
Abro meus olhos devagar, e pelo reflexo da janela, vejo-me extremamente maquiada. Há alguns passos atrás de mim, Mila encarava-me com um grande sorriso no rosto, segurando um vestido branco rendado, mostrando-o com orgulho.
Mila foi encarregada de ser minha estilista por Jason, apesar dela ser escolha dele, foi a única coisa que gostei de ganhar do mesmo. Mila é um amor de pessoa. Apesar de ser um ano mais velha que eu, ela é como uma mãe para mim aqui. Neste pouco tempo que com vivi com ela, eu me a apeguei à mesma.
— Eu não deveria colocar o vestido e depois fazer a maquiagem? — Pergunto virando-me para encara-la — assim vai estragar a maquiagem, e o vestido...
— Não seja boba, Pipes — diz ela gentil — Não vai estragar nem um dos dois, e se estragar, podemos fazer novamente, Jason pagará.
— Não quero que ele pague nada para mim — digo rude — A única coisa que quero dele, e que ele nós leve para casa, e fique longe de nós.
— Sabemos que isso não irá ocorrer, querida — ela sorri triste — Ele a ama demais, para deixa-la partir.
— Dizer que ele me ama, não vai me fazer sentir o mesmo por ele — respondo-a cruzando os braços.
— Essa não é a intenção — explica ela — A intenção é que você entenda o lado dele.
— Não da para entender o lado de alguém se sofre por possessão — reviro os olhos
— Talvez você entenda quando conhecer a maluquinha da Samantha — responde ela feliz — Ela não sabe guardar segredos quando acha que alguém deve saber.
— O que quer dizer? — Pergunto
— Nada, querida — diz ela — Só que na próxima vez que iremos nos encontrar, vai ser uma grande ocasião.
— Então não a verei — digo decidida — Nessa festa, eu e Annabeth vamos fugir.
Ela encara-me por alguns segundos, como se estivesse pensando no que iria dizer, após alguns segundos em silencio, ela finalmente fala:
— Tem certeza? – Pergunta ela
— O quê? – Pergunto confusa. Não era isso que imaginei que ela falaria.
– Nunca passou pela sua cabeça em dar uma chance para ele?
— Nunca passou, e nunca passará — digo rindo. Que ideia absurda – Eu não posso dar chance a alguém que me sequestrou
— Eu não diria coisas da qual eu não possa ter certeza que vou seguir – diz ela sorrindo
— No dia em que eu der uma chance a ele, eu vou estar maluca – respondo indo em sua direção, e pegando o vestida em minhas mãos, zangada. Como ela pode ter imaginado isso?
Mando-a sair do quarto feito especialmente para mim, como se disse-se que ali era a minha casa, o que, não era. Visto-me rapidamente, foi fácil colocar o vestido, e fecha-lo também, já que o zíper era ao lado do corpo. O mesmo era lindo, mas não diria a ninguém, não iria dar esse gostinho para Jason, já que foi o mesmo que escolheu.
Viro-me para o espelho. Eu estava linda, uma verdadeira dama, nunca me senti mais bela.
— Aqui está a sua dama, Sr. Grace – diz Mila ao entrar no quarto sem bater.
Ela estava atrás de mim, com Jason ao seu lado. Pelo reflexo do espelho vejo-o encaram-me encantado, por algum motivo, começo a ficar com vergonha.
— Você está linda – diz ele
— É? – Pergunto virando-me para encara-o, rezando para que ele não perceba que eu estou envergonhada – Eu não me importo.
Passo por ele com a cabeça erguida, indo em direção a entrada da casa. Sinto-o seguindo-me como um cão abandonado atrás de um dono, quando chego perto da escada, escuto-o rindo, como se estivesse escutado a melhor piada do mundo. Encaro-o irritada:
— Do que está rindo? – Pergunto cruzando os braços
— De você, é claro! – responde ele rindo um pouco mais – Você acha que eu não lhe conheço, mas eu a conheço muito bem.
— Sobre o que está falando? – Pergunto curiosa. Ele não pode me conhecer, apenas por conviver duas semanas comigo.
— Você, e essa postura de ‘Não ligo para o que está falando’ – responde ele com um sorriso de lado – Como se eu não a afetasse, mas eu a afeto.
— Pare de se iludir, Jason – respondo revirando os olhos – Você não afeta nada em mim!
Ele dá um sorriso malicioso, como se tivesse a melhor ideia do mundo. O mesmo dá um passo em minha direção, ficando bem na minha frente. Respiro o seu cheiro de menta e cigarro, duas coisas que normalmente não combinam muito bem, mas com ele, parece que foram feitos um para o outro. Sinto-o colocar a mão em meu rosto com ternura, passando um dos dedos pelo meu lábio, ele inclinasse para frente como se fosse me beijar, suspiro, mas seu lábios não chegam aos meus.
— Como eu disse – responde ele perto da minha orelha – Eu a afeto.
—-*--
Depois que Jason um confirmou fato não existente, Percy apareceu com uma venda na mão. Ele sorriu quando viu, o qual próximo Jason e eu estávamos, pude até imaginar o que ele pensou que tínhamos abado de fazer, o que, eu posso confirmar que nunca vai acontecer. Jason sorriu, assim que vê o olhar de Percy, mas apenas negou com a cabeça rindo, beijou minha testa com carinho, e deixou Percy e eu sozinhos. Percy teve que colocar a venda em meus olhos, para que eu não veja o caminho que iríamos seguir.
— Eu já disse que essa venda está apertada, Jackson? — Pergunto tentando tirar a venda dos meus olhos, mas sou impedida por alguém que segura a minha mão delicadamente.
— Já, milhares de vezes — diz uma voz doce e familiar. Jason- Mas não posso tira-la de você.
— E por que não respondeu antes? — Pergunto irritada jogando os braços no ar e acertando o teto do carro. — Faz um bom tempo que estou reclamando, e é horrível andar de carro com os olhos vendados. Deixa-me tonta.
— Você não perguntava a mim, perguntava para Percy — responde ele rindo, sinto sua mão passar em meu rosto, em forma de carinho — E você já disse isso também.
— Por que, diabos, as vendas? — Pergunto cruzando os braços.
— Para vocês não souberem onde estão — diz ele ainda com a mão em meu rosto
— Isso não muda nada. Nem sei onde estávamos – digo tirando sua mão de me rosto com um tapa. Escuto-o rir
— Vocês acham que não – Ele responde ainda rindo – A cidade e pequena, e fácil você se achar.
— Obrigada pela dica – digo sorrindo
— Mas não tão fácil se não souber onde vai – responde ele sério.
Não o respondo. Sei que se eu falar alguma coisa vai irrita-lo, e não é isso que eu quero agora. Não quero deixa-lo irritado nem por um segundo.
Após alguns minutos, que pareciam uma eternidade, sinto a faixa cair sobre o meu colo. Olho para o lado e vejo Jason olhando-me atentamente. Seus olhos azuis encaravam-me intensamente, sua boca em linha rígida, sua cicatriz brilhava chamando minha atenção.
Sinto-o inclinar para frente, agora encarando-me como se pedisse permissão para o que iria fazer. Não encontrando a voz, apenas solto um suspiro leve, vejo-o sorrir, considerando meu suspiro como um sim. Droga! Por que não consigo dizer o maldito não?
— Senhor, chegamos. – responde o motorista atrapalhando-nos
Jason para a alguns centímetros de minha boca. Ele suspira pesadamente como se estivesse irritado, virando-se lentamente para o motorista o agradece irritado.
Jason olha-me novamente, mas desvio o olhar para a janela. Vejo meu reflexo na janela, e vejo que estou vermelha. Jason iria me beijar, e eu queria isso.
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