Only Human
1 Capítulo 1 - This Is The Start
Notas iniciais
Não escolhemos a morte. Ela nos escolhe.

Pessoas morreram e voltaram à vida. O mundo se tornou mais difícil do que anteriormente, duro acreditar, até mais calmo. Família não existe. Nesse mundo que se luta entre os humanos e os mortos, vale tudo. É a revolta dos mortos. Um início de uma nova humanidade.
Foi tudo um começo terrível. Fomos perdendo pessoas aos poucos. Muitas mortes, e, muitas marcas dolorosas. E quem diria que ainda sobraram humanos para se relacionar? Infelizmente, metade deles preferia guerra à paz, e, sendo assim, não conseguíamos viver sem pensar que poderíamos ser mortos pelos de nossa espécie e pelos mortos.
Agora, as chances de sobrevivência são raras. É quase impossível e inevitável resistir muito tempo.
Tudo que quero dizer, é que o mundo acabou. Não existe salvação.
08/10/2010
Já me chamaram de sortuda, mas sorte é o que me falta. Tudo começou nesse dia. Eu estava na casa de minha avó, com minha família. Era para ser um almoço feliz. Todos estavam sentados, esperando minha avó trazer o almoço. Já conseguia sentir o cheiro da comida, e isso estava me matando. Eu sorria, e conversava com todos.
– Skylinn – meu tio me chamou. – Como anda a escola?
Uma droga, quis dizer. E realmente estava. Não tinha amigos, preferia a companhia do vento do que das pessoas. As crianças não eram crianças normais, que brincavam de bonecas, brincadeiras, jogos, etc. Parece que haviam crescido antes da hora. As pessoas da minha escola preferiam ficar nos seus aparelhos eletrônicos e se gabar por qual era mais caro.
– Bem – menti.
– E suas aulas, Claire? – meu tio olhou para minha irmã.
Claire era mais velha que eu. Ela tinha 13 anos na época e sempre fora uma garota exemplar. Sempre tirara as melhores notas, sempre fora a querida dos professores. Mas ela não era uma típica nerd, aliás, ela era muito mais bonita do que parecia. Seus olhos eram claros, assim como os meus, e seu cabelo era negro, sendo muito mais escuro que o meu. Seu rosto era fino, e oval. Sempre vestia suéteres e jeans. Seu namorado, Brendan, era o contrário dela. Era jogador de futebol e mais velho. 16 anos. Sempre dava em cima das outras meninas e eu via tudo, mas ele me ameaçava quando eu dizia que contaria a Claire.
– Perfeitas. Consegui a melhor nota em química e história – Claire falou.
Todos sorriram e a aplaudiram, deixando-a como o centro das atenções novamente. Isso me irritava muitas vezes, pois ela sempre fora a perfeita da vida.
– Então – minha mãe pegou sua taça. – Vamos brindar a Claire, nosso orgulho.
Todos brindaram e sorriram. Eu apenas apertei minhas bochechas, praticamente esmagando meu rosto. Minha vó apareceu com um imenso prato com um peru. Senti minha saliva escapar da boca por um momento.
– O almoço está servido – ela colocou a travessa na mesa e todos começamos a nos servir.
Minha mãe pegou meu prato e colocou a comida. Assim que terminou de me servir e posicionou o prato a minha frente, algo pareceu bater na porta da frente. Todos colocaram suas taças nos lugares e meu tio foi atender a porta.
– Papai... – Clark, meu primo, chamou por meu tio.
O homem ignorou e seguiu indo em direção da porta. Ele destrancou a porta, e a abriu.
– Papai! – Clark gritou.
Uma pessoa horrorosa entrou na casa. Era um homem careca, com metade do rosto sangrando e uma gosma preta vazando de sua boca. Ele grunhia e agarrou os ombros de meu tio. Mais pessoas assim estavam atrás dele, e foram entrando na casa.
– Corram! – meu tio gritou.
Todos se levantaram da mesa no mesmo momento e foram correndo. Fui direto para o quarto e me escondi no armário. Claire apareceu correndo atrás de mim e notei que seu olho estava vermelho. Ela fechou a porta do armário para mim e se escondeu embaixo da cama. Tudo ficou um silêncio por um tempo. Eu estava com enjoo. Não sabia de nada que acontecia. Fiquei observando, pelas frestas do armário, tudo o que ocorria ao meu redor. Conseguia ouvir perfeitamente os gemidos das pessoas que invadiram a casa de minha vó. Elas pisavam com força, causando um barulho audível da madeira. Eu queria chorar, mas não podia, senão me achariam.
– Skylinn – Claire me chamou. – É uma brincadeira. Esconde-esconde. Permaneça quieta, ok?
– Sim – sussurrei de volta.
Uma coisa entrou no quarto. Eu senti meu estômago se revirar e permaneci parada. A coisa começou a se aproximar do armário e esbarrou na porta de madeira. Algo caiu na sala e ele saiu de perto, mancando.
Olhei para Claire que estava embaixo da cama. Sua boca estava tampada por suas mãos. Ela se levantou um pouco e eu empurrei a porta do armário de leve e saí, engatinhando, de lá.
Sem perceber, ouvi Claire gritar e alguma coisa segurou meus braços. Eu tentei correr, mas não consegui. Senti um cheiro horroroso, de coisa podre. Fechei os olhos e esperei o que tivesse para vir.
Apenas senti algo cair atrás de mim, me derrubando no chão. Abri meus olhos e vi uma mão sangrenta quase tocando meu nariz. Gritei e me arrastei para o lado. A coisa caiu totalmente ao meu lado e eu voltei para o armário, me encolhendo no chão. Comecei a despencar em lágrimas e alguém entrou no armário, tentando sorrir para mim. Claire estava atrás do homem. Só então notei que o homem era alguém conhecido. Meu primo, Ben. Ele parecia diferente, talvez mais assustado do que nunca pareceu. Ele sempre fora mais quieto e era difícil notar sua presença na família. Ele estava almoçando conosco, no canto da mesa. Ele havia fincado uma faca na cabeça da pessoa que me atacou.
Ben colocou sua mão sobre meu rosto e me envolveu em seus braços. Claire observava a cena e chorava um pouco. Ela parecia mais tensa.
No abraço de Ben, consegui sentir algo quente em meu rosto assim que encostei a bochecha em seu ombro. Assim que me separei dele, toquei minha bochecha e levei os dedos à minha vista. Era sangue. Aquela substância vermelha que me enojava. Olhei para a blusa de Ben e me assustei. Ele olhou para seu ombro e tentou sorrir para mim, disfarçando a dor.
– Eu... Aquela pessoa me machucou – ele sorriu forçadamente. – Vou ficar bem. Vamos todos ficar bem.
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