Only Girl

2 Capítulo Um - New Home


Edward Cullen POV.


- Não, Alice, eu não posso – repeti pela milésima vez. – Porque eu tenho plantão hoje, meia noite. Você sabe disso.

Ela resmungou mais uma vez, implorando para que eu fosse sair com ela, Rose, Jasper e Emmett à noite, mas eu realmente não podia. Estava a ponto de conseguir ser chefe na área que eu trabalhava no hospital. Eu simplesmente tinha que dar o melhor de mim.

Trabalho primeiro. Diversão depois.

Eu me encontrava em casa, descansando, porque eu sabia que os plantões costumavam ser tensos. Eram sete da noite e eu pretendia sair de casa lá pelas onze e meia, porque assim daria tempo de chegar ao hospital.

- Não, Alice – insisti mais uma vez. – Eu posso sair depois, ok? Agora tenho que desligar.

- Tudo bem, Edward. – Pelo tom de sua voz eu tinha certeza de que ela não estava nem um pouco satisfeita.

Eu desliguei e estiquei-me na cama, bocejando. Por fim, decidi ligar a TV, para me distrair um pouco.

Eram dez da noite quando me levantei e segui para o banho. Vesti meus jeans brancos e uma blusa também branca. Era verão aqui em Chicago, então não coloquei nenhuma blusa de frio. Coloquei meus sapatos e segui até a cozinha, disposto a comer alguma coisa.

Depois de alimentado, segui até o meu carro, decidindo chegar mais cedo ao hospital. Na metade do caminho, lembrei-me que tinha me esquecido de comprar café na Starbucks que havia perto de minha casa.

- Droga!

Foi então que me lembrei de que havia uma lanchonete perto do hospital. Estacionei o carro do outro lado da rua e adentrei a lanchonete; eu nunca havia ido ali antes.

O local era simples, mas limpo. Naquele horário, perto de fechar, havia apenas uma mulher, que se encontrava no caixa. O local não estava muito cheio, apenas um grupo de amigos sentado em uma das mesas. Respirando fundo, eu me aproximei da mulher.

- Boa noite – disse. – Eu gostaria de um café, por favor.

A mulher era mais velha. Os cabelos negros, presos em um coque, estavam cobertos por fios grisalhos. Seus olhos também eram negros, e ela tinha um sorriso amável no rosto.

- Claro, senhor – assentiu. – Gostaria de pedir um café especial ou...

- Carmem! – Um homem, saído da cozinha apareceu na lanchonete e ele não pareceu me notar. – Pegue Bella e vá para casa, eu fecho a lanchonete.

- Algum problema? – Eu tentei não prestar atenção na conversa do casal, e, disfarçadamente, olhei o relógio, soltando um suspiro de alívio logo depois. Não estava atrasado.

- Bella se cortou – disse. – Ela não quer ir ao hospital, você sabe porque, mas eu realmente estou preocupado...

- Com licença – murmurei. – Eu não pude deixar de ouvir, mas eu sou médico. Se quiserem, eu posso dar uma olhada.

Os dois se olharam por alguns minutos, e então assentiram. O homem me levou até a cozinha, e assim que entrei, eu a vi.

Ela estava pálida, os olhos fechados, e segurava a mão esquerda com uma expressão de dor. Estava escorada no balcão, e o sangue escorria por seu braço.

Caminhei em sua direção e toquei seu braço. A mulher abriu os olhos e por um momento, me perdi ali; eram de um tom castanho tão profundo e traziam tanta dor e tantos segredos.

- Fique tranqüila – sussurrei. – Só quero ver.

Ela assentiu e tirou a mão de cima do corte. Eu peguei uma toalha que havia ali perto, molhei e retirei o sangue. O corte era profundo, na palma da mão, mas sem atingir nenhuma veia.

- É profundo – disse –, você vai precisar de quatro pontos.

- Não posso ir para um hospital – murmurou.

- Mas teremos que ir.

Por mais que eu dissesse que ela tinha que ir, ela insistia, dizendo que poderia se cuidar. Por fim, eu pedi que ela seguisse até o meu carro e eu mesmo iria dar pontos nela.

Eu fiquei curioso com os olhares que Carmem, o homem – que eu julguei ser seu marido –, baixo e gordinho, e a moça trocaram.

- Tudo bem – suspirou.

Eu peguei minha maleta no carro e cuidei de seu machucado.

- Você vai ter que ir ao hospital daqui sete dias – informei. – Para tirar os pontos.

- Não posso, mas vou dar um jeito. Obrigada.

- Não há de quê – sorri gentilmente, reparando o quão ela era linda. – É o meu trabalho.

- Vou indo. – Ela saiu do meu carro e olhou a faixa em sua mão. – Obrigada mais uma vez. Desculpe o incômodo.

- Não tem problema nenhum – sorri. – Então, eu sou Edward Cullen, e você?

Ela pareceu hesitar por alguns minutos, fechou os olhos, e por fim suspirou.

- Bella – disse, tão baixo que eu achei que ela não queria que eu escutasse. – Apenas Bella.

Eu assenti, vendo-a se afastar, olhando para os lados como se estivesse preocupada com alguma coisa. Eu fiquei assistindo, pensando em como a sua pele era macia e em como ela era bonita. Respirei fundo e me dei conta de que se não corresse, eu chegaria atrasado.

Entrei no carro e só quando estava no estacionamento do hospital que me dei conta: eu fiquei sem meu café.

Bella Swan POV.

A casa era pequena, simples e cheira a mofo. A sala era conjunta com a copa e era minúscula. Havia apenas um sofá de dois lugares, uma TV velha e uma mesa que tinha apenas uma cadeira. Apenas um balcão separava a cozinha da sala, que continha três portas. Uma que dava para rua, uma que dava para o minúsculo banheiro e outra que dava para o meu quarto.

Era claro que já era muito para alguém como eu; que vivia ilegalmente em um país. Era terrível viver achando que, a qualquer momento, alguém arrombaria a porta e diria que sabia de tudo, e me levaria para a delegacia.

E aí sim, eu estaria completamente perdida.

Eu simplesmente não podia voltar para o meu país, que deixara de ser seguro para mim. Agora, eu tinha que arrumar um jeito de conseguir um Green Card¹, o que era bastante complicado.

Eu tinha quatro opções, todas complicadas e demoradas.

Se eu tivesse algum parente americano, ele poderia conseguir para mim, mas eu não tinha. E também era um processo que demorava de dois a oito anos, e eu simplesmente não podia esperar tanto.

Poderia ser por investimento, mas eu precisaria de no mínino quinhentos mil dólares e eu não tinha esse dinheiro. Além do mais, não era certo, e poderia demorar de dois a três anos.

Poderia ser por trabalho também, mas tinha que ser em uma empresa. E eu ainda não tivera coragem de pedir emprego em nenhuma empresa, porque corria o risco de alguém me denunciar. E eu também teria que trabalhar de dois a cinco anos... Tão difícil.

E, por fim, casando. Eu só tinha que casar e ponto. E demorava de um a dois anos.

Era o menos complicado... Só que eu não me via casada com ninguém por causa disso, e não via porque alguém iria querer casar comigo assim...

Eu estava tão ferrada se alguém descobrisse alguma coisa.

In My Place – ColdPlay

Respirei fundo, enquanto olhava para a fotografia dos meus pais e pensava em tudo o que tinha acontecido comigo nos últimos anos.

Na foto, Renée e Charlie tinham um sorriso enorme no rosto, e eu sabia o por que. Aquela foto foi tirada quando meus pais descobriram que seriam pais...

Em meu lugar, em meu lugar

Estavam linhas que eu não podia mudar

Eu estava perdido, sim

Eu estava perdido, estava perdido

Cruzei linhas que não deveria ter cruzado

Eu estava perdido, ah sim

Limpei as lágrimas que queriam escorrer e procurei me acalmar. Eu sentia tanta falta deles, dos abraços, das palavras, dos conselhos... Até dos sermões!

E doía-me tanto saber que nunca mais eu os veria, por causa daquele acidente...

Eu me lembrava bem daquele dia.

Sim, quanto tempo você tem que esperar por isso?

Sim, quanto tempo você tem que pagar por isso?

Sim, quanto tempo você tem que esperar por isso?

Por isso

Eu tinha apenas dezessete anos e os dois iriam viajar para uma segunda lua de mel. Eu me lembrava de ter os abraçado e ter lhes dito que sentiria sua falta.

A viagem deles foi perfeita e eu recebi, por e-mail, as fotos de vários lugares daqui, de Chicago. Na viagem de volta, o avião deles caiu, e ao invés de receber meus pais com um abraço, eu recebi os caixões deles, e a certeza de que nunca mais os veria.

Eu estava assustado, estava assustado

Cansado e despreparado

Mas eu esperei por você

Se você for, se você for

Então, deixe-me aqui sozinho e abatido

Então eu esperarei por você, sim

- A vida é tão injusta... – sussurrei.

Se o sofrimento tivesse acabado por aí...

Só que eu me recusava a pensar no que tinha acontecido depois, quando eu não tive mais meus pais e tive que sair da casa grande onde vivíamos. Partir fora tão doloroso, tão difícil.

Sim, quanto tempo você tem que esperar por isso?

Sim, quanto tempo você tem que pagar por isso?

Sim, quanto tempo você tem que esperar por isso?

Por isso, sim

Porque por mais que as lembranças tenham sido difíceis, eu queria ter continuado a viver ali, lugar onde presenciei o amor de meus pais e vivi com eles. Só que eu ainda tinha dezessete anos e não era dona de minhas próprias ações.

E nem tive quando completei dezoito. Eu teria que aceitar que alguém cuidaria de mim até que eu tivesse vinte e um.

Cante por favor, por favor, por favor

Volte e cante para mim

Para mim, mim

Vamos lá e cante pra valer, agora, agora

Vamos lá e cante pra valer, para mim, mim

Volte a cante

Só que eu realmente me recusava a pensar no que tinha acontecido depois. No que aconteceu nesses oito anos que vivi com eles. Um lugar onde nunca me senti totalmente em casa, só que mesmo depois de ter completado vinte e um anos, eu não pude sair, devido algumas circunstâncias.

Em meu lugar, em meu lugar

Estavam linhas que eu não podia mudar

Eu estava perdido, oh sim

oh sim

Decidi, por fim, que era hora de me livrar dessas lembranças, e segui para o banheiro. Somente lá olhei minha faixa na mão esquerda e suspirei pesadamente.

O modo que aquele homem tratou de mim... Seus olhos verdes, como esmeraldas, os cabelos daquela cor estranha... Os músculos que a camisa branca não escondiam, e o sorriso torto que ele dava...

Eu sabia que não podia permitir-me pensar nisso, mas sabia também que nunca mais o veria. Eu já estava em Chicago fazia um mês e ele nunca tinha ido àquela lanchonete, onde Carmem e Paul me acolheram com tanto carinho. Eles eram os únicos que sabiam meu nome e sabiam que eu era ilegal aqui nos EUA, embora não imaginassem o por que.

E eu tinha cometido o erro de dizer meu nome – meu apelido, na verdade – ao Edward. No trabalho, eu era conhecida como Marie, e só.

- Complicado – sussurrei.

Procurei me concentrar no banho; era o melhor que eu tinha a fazer. Tomei cuidado com a mão e tomei um banho quente, pedindo a Deus que tudo desse certo.

Eu já havia sofrido o suficiente e tinha apenas 25 anos... A vida era, realmente, bem injusta comigo.

Eu merecia ser feliz, não merecia?

Merecia guardar comigo só os melhores momentos de meu passado: merecia me lembrar de meus pais e só.

Porque era por eles que eu continuava vivendo.

Edward Cullen POV.

O plantão foi longo e cansativo, e, assim que cheguei a minha casa, tomei banho e me joguei na cama, sabendo que demoraria a acordar.

Quando eu, enfim acordei se passava das três da tarde e eu já me encontrava melhor. Tomei outro banho, vesti-me com um jeans e uma blusa preta, e resolvi ir visitar meus pais.

Permaneci lá até a noite, e quando voltava para casa, passei em frente a lanchonete e sorri. Tinha que passar lá um dia desses, para ver se Bella havia retirado os pontos.

Porque, de alguma maneira, eu sabia que ela não iria ao hospital.

Só queria entender o por quê.

Então, em seis dias, eu iria a lanchonete de novo, apenas para ver se Bella havia retirado os pontos.

Só esperava que pudesse esperar tanto tempo.

Notas finais
n/a: Hei, babies. Como vão? Nem demorei, né? *-* Eu não posso dizer muito, apesar de saber que todos estão curiosos... Com o tempo, as coisas vão sendo reveladas, ok? Peço que tenham calma. Espero que tenham gostado, babies. Beijos, beijos e até o próximo. Deh C. / Frii n/b: Awn, esse Edward todo cuidadoso. E essa Bella cheia de mistérios... é claro que eu já sei o que é, mas como vocês não, comentem para saber! Hahahah beeijos :*