Only Girl

21 Capítulo Vinte - Pause


Edward POV.


Acho que nunca havia tomado um banho tão rápido em toda a minha vida. Eu realmente queria conversar com Bella, perguntar coisas... Saber, por ela, como tinham sido esses meses...

Eu precisava dela.

Só dela.

Eu entrei no escritório de Ben e olhei pela janela, inquieto demais para me sentar. Os carros do FBI rodeavam a casa por inteiro, o que me fez me sentir um pouco mais calmo; as pessoas que eu amava estavam aqui e estavam bem. Era tudo o que importava.

Batidas à porta tiraram-me de meus devaneios e eu apenas murmurei um ‘entre’, enquanto me virara lentamente.

Bella adentrou o escritório, usando um roupão, mas descalça. Seus cabelos estavam molhados e ela tinha o rosto sério.

- Então... – murmurou. – O que você queria falar comigo?

- Sente-se – sorri. Ela se sentou em uma das poltronas, trazendo as pernas para si e descansando o queixo em seu joelho.

Eu me movi até ela, sentando-me na poltrona que havia na frente daquela, e sorri. Ela não sorriu de volta.

- Eu... – Ela começou. – Olha, eu realmente estou curiosa, tentando imaginar o que você poderia querer comigo, mas...

- Bella – interrompi-a. – Nós temos o que conversar. E muita coisa... Não vai ser agora, porém. Não com tudo isso acontecendo. Eu só quero saber por você, da sua boca, com nós dois sozinhos aqui, tudo o que aconteceu.

- Tudo? – sussurrou.

- Sim. Tudo o que aconteceu com você enquanto esteve em... – Engoli em seco; para mim ainda era difícil dizer aquilo. – Cativeiro.

- Jacob nunca me bateu, se é isso que quer saber. – Sua voz era suave. – Eu estou bem, Edward. Coisas assim acontecem o tempo todo na minha vida, já me acostumei.

- Ninguém se acostuma a sofrer. – Eu podia sentir e ver a dor em seus olhos, e isso doía em mim. – Por que nunca contou do seu passado para ninguém da minha família? Ou para Carmen e Paul?

- Porque não era o certo – murmurou. – Porque eu não tenho o direito de fazer isso com as pessoas, arrastá-las para o buraco que minha vida sempre foi. Podem dizer que é isso que uma família faz, mas eu não acho certo. Jacob é perigoso, Edward, e é de verdade. Eu convivo com ele desde que ele nasceu e vi no que ele se transformou.

- Eu só queria poder ter protegido você – sussurrei, abaixando a cabeça. – Assim, agora, estaríamos livres, com nossa filha, e... casados.

- Eu sinto muito. – Tornei a olhar para cima e vi lágrimas caindo de seus olhos. Ela soluçou. – Eu deveria ter sumido definitivamente, assim ninguém corrreria o risco de se machucar... Talvez, eu posso me entregar ao Jacob, e vocês vão ficar em paz, e...

- Não – cortei-a. – Nunca mais fale isso, por favor. Eu não...

- Todos que se aproximam de mim, Edward, acabam se machucando – sussurrou, interrompendo-me. E sua voz trazia tanta dor que tudo o que eu queria era ir até ela e puxá-la para meus braços; onde ela ficaria segura dessa vez. – Jacob se transformou no que ele é agora por minha causa... Meus pais morreram, Billy morreu... E eu abandonei vocês, eu os magoei. Eu não posso errar de novo com vocês, não posso errar com a Anna.

Ciente de que somente palavras naquele momento não poderiam convencê-la de mais nada, eu simplesmente a puxei para meus braços, aninhando-a contra meu peito.

E só assim falei:

- Vai dar tudo certo. Eu vou estar aqui, todos nós estaremos. E não é verdade, nada do que você disse. – Ela abriu a boca, mas eu a silenciei com um dedo, ignorando o arrepio que percorreu meu corpo. – Nós te amamos, Bella, e somos sua família. Vamos cuidar um do outro, e tudo vai dar certo. E vamos ser bons pais para Anna, você vai ver.

Eu fiquei ali, durante alguns minutos, com ela em meu colo, até que a senti relaxar.

Sorri feito um bobo quando vi que ela adormeceu.

Levantei-me, com todo o cuidado, tentando não acordá-la, mas não adiantou muito. Seus olhos se abriram e ela balançou o corpo até que estivesse no chão.

- Eu preciso amamentar a Anna... – sussurrou.

Bella não me olhou enquanto voltávamos até o quarto, encontrando Alice com minha filha no colo. Minha mãe, Rose e os gêmeos não estavam lá mais.

- Ela é linda. – Alice sorriu.

- Está na hora de eu amamentá-la. – Bella se sentou na cama, ao lado de Alice, e estendeu os braços. – Depois eu deixo você carregá-la de novo.

- Tudo bem. – Anna foi passada para os braços de Bella, seus olhos verdes abertos. – Eu vou ver como Jasper está.

Minha irmã sorriu para a gente antes de sair, deixando Bella e eu com a Anna, sozinhos.

- Ela é tão pequena... – Bella murmurou. – Não sei se sou capaz de cuidar de alguém desse tamanho e que precisa tanto de mim.

- Você é uma mãe maravilhosa, Bella. – Aproximei-me dela e me abaixei, de modo que pudesse olhar direto em seus olhos. – Você cuidou de nossa filha durante todos esses meses, com tanto amor e carinho... Se escondeu para protegê-la e abriu mão de tanta coisa. Tem ideia do quão forte você foi?

Ela sorriu, ainda um pouco triste.

- E nós vamos ser os pais que ela precisar – sorri. – Confie em mim.

- Tudo bem.

Vê-la ali, daquele jeito, cuidando da nossa filha, era algo que simplesmente não tinha preço algum. Bella fora tão forte, durante tanto tempo, sempre cuidando de si mesma... Agora, eu cuidaria dela. Dela e de nossa pequena Anna.

- Eu conversei com um dos agentes do FBI hoje – murmurei. Bella me olhou confusa. – Ele vai trazer alguém do fórum aqui, para podermos registrar a Anna legalmente.

- Ah... – Ela sorriu, acariciando o rosto da nossa pequena filha. – Tudo bem. Não queremos que ela fique sem registro, não é?

Nós dois rimos.

Apesar de eu insistir, Bella quem colocou a Anna para arrotar. Deixou, pelo menos, que eu a colocasse para dormir, e se deitou na cama, bocejando.

- Pode dormir, princesa. – Sorri imensamente ao vê-la corar. – Se ela quiser mamar, eu te acordo.

Ver as duas mulheres da minha vida dormirem era algo que não tinha preço. Anna logo fechou seus olhos, suspirando, e eu a coloquei no berço. Deitei-me ao lado de Bella e acariciei seu rosto, para, então, finalmente dormir.

_

Anna era uma bebê muito calma. Acordava para mamar e trocar fraldas. Raramente tinha cólicas, então não tínhamos com o que realmente nos preocupar.

No dia seguinte, Alice nos entregou algumas revistas de quartos de bebê antes de ir para casa, com meus pais e Jasper. Vários agentes foram com eles, obviamente para protegê-los. Rose e Emmett saíram em seguida, com os gêmeos, assim como Carmem e Paul. Bella e eu ficaríamos até que o quarto de Anna, em minha – nossa – casa, estivesse pronto.

Durante horas olhamos as revistas, sem, porém, conseguir encontrar algo que nos agradasse. Tínhamos combinado que escolheríamos juntos e que se um não gostasse, não adiantava nem mostrar para o outro.

Alguns eram sem cor demais, outros com cor demais. Queríamos algo simples, algo lindo, algo delicado – como todo quarto de menina deve ser.

- Edward... – Bella tinha Anna no colo, mamando, e ia passando as páginas aos poucos. – Olha esse...

Eu peguei a revista e olhei o quarto. Sorri. Conseguia nos imaginar ali, conseguia imaginar nosso bebê dormindo serenamente ali.

- É lindo – ri.

- Não é? – Bella riu também. – Acho que devemos ligar para Alice e avisar.

- Eu aviso. – Levantei-me da cama. – Quero o quarto pronto o mais rápido possível.

Eu peguei o celular que se encontrava na cômoda, próxima ao berço, e disquei os números de Alice, que atendeu rapidamente.

- Já escolheram? – perguntou, sem me dar espaço para cumprimentá-la.

Eu ri.

- Olá para você também, Alice. – Sorri ainda mais quando vi Bella me olhando e rindo, suas bochechas coradas. Pisquei para ela. – Claro que escolhemos. Depois de horas... Finalmente.

- Ok. Estou com todas as revistas na mão. Diga-me qual e qual página.

Bella me estendeu a revista e eu passei as devidas informações. Alguns segundos depois, escutei Alice gritar e sabia que ela tinha gostado tanto do quarto quanto nós.

- É lindo – riu. – Vou resolver tudo, não se preocupe, ok? Tenho certeza de que alguma mulher do FBI adorará me fazer companhia, enquanto faço compras.

- Claro. Acha que demora quanto tempo para ficar pronto.

- Dentro de uma semana, mais ou menos, vocês poderão voltar para casa.

- Obrigado, Allie. – Então, desliguei. – Dentro de uma semana estaremos indo para casa.

- Isso é bom. – Anna resmungou no colo de Bella, para logo em seguida começar a chorar. – Hmmm... Ela deve estar com cólica.

- Oh, minha princesinha. – Eu a peguei no colo de Bella. – Vem aqui com o papai.

Estávamos Bella, eu e nossa filha recém-nascida.

Por mim, podíamos ficar daquele jeito para sempre.

_

Com o passar dos dias, tudo foi se ajeitando. Tudo foi programado e estávamos indo no dia seguinte para nossa casa. O quarto de Anna estava pronto e ela já tinha sido registrada.

- Sabe, Edward... – Bella começou, enquanto dava banho em nosso bebê. – Eu sei que você provavelmente pensou em seus irmãos e cunhados, mas Angela e Ben me ajudaram tanto no decorrer desses meses...

- O que foi, Bella? – perguntei, me aproximando.

Anna estava super acordada, resmungando, realmente adorando o banho. Suas mãozinhas estavam fechadas em punho e ela as batia na água, fazendo com que Bella e eu ríssemos. E é claro que fotos eram tiradas; queria tê-las para sempre.

- Eu queria, antes de irmos embora, chamar o Ben e a Angela para serem padrinhos da Anna...

Eu sorri.

- Você não poderia ter tido uma ideia melhor.

Mais tarde, naquele mesmo dia, convidamos os dois e eles aceitaram, felizes. Agradecemos por tudo o que eles tinham feito e no outro dia entramos num dos carros do FBI e partimos.

Era hora de Anna conhecer sua nova casa.

Bella POV.

O quarto de Anna era lindo e ela não teve dificuldades de si adaptar ali. Edward e eu cuidávamos juntos dela e tudo estava indo bem.

Edward e eu não tínhamos decidido como ficaríamos, mas dormíamos no mesmo quarto, apesar da distância imposta na cama. Sentia falta dele, mas não sabia como ele se sentia em relação a mim. E eu também sabia que ficaria muito mais tranqüila, livre para verdadeiramente viver, quando pegassem Jacob e seus capangas.

Minha vida iria melhor – e muito.

As semanas foram se passando e se transformando em meses. Logo Anna tinha seus três meses de idade, a cada dia uma mistura mais perfeita minha e de Edward. E isso a deixava linda e única. Os gêmeos de Rose completaram seus dez meses e já tentavam andar. Ambos falaram ‘mamãe’ primeiro, o que deixou a Rose toda boba.

- Eu sinto muito... – Eu lhe disse, certa vez. – Não sei se vai dar para você comemorar o aniversário de um ano deles do jeito que você queria...

- Claro que vai – revirou os olhos. – Fique bem tranqüila quanto a isso. Já tenho tudo planejado.

- Se você diz... – dei de ombros.

Nenhum de nós trabalhava e eu meio que me sentia culpada por isso. Às vezes, depois que Anna dormia, eu realmente não conseguia dormir. Simplesmente ia até a sala e ficava olhando pela janela, onde podia ver todos os agentes e todos os carros.

- O que foi, Bella? – Edward surgiu atrás de mim, fazendo com que eu me assustasse.

- Nada – menti.

Ele me fez virar e me fitou, impedindo que eu desviasse o rosto.

- O que foi? – sussurrou.

- Me sinto culpada. – Mordi os lábios.

- Por quê? – Sua mão afagou meu rosto com carinho. Aquilo era tão bom!

- Vocês estão impedidos de levar uma vida normal por minha causa – suspirei. – Você e seu pai têm pacientes importantes e eu estou privando-os de receber um bom tratamento.

- Ah, Bella! – Ele me puxou para seus braços e beijou o topo da minha cabeça. – Nada disso é sua culpa, para com isso, por favor.

- Mas é, Edward.

- Nós te amamos. – Arrepiei-me com o ‘nós’. – Amamos você e a Anna, só queremos o melhor. E isso logo passa, você vai ver.

Assenti, ainda meio relutante. Ele percebeu isso e suspirou.

- Eu te amo. – Sua voz era baixa e seus olhos encaravam os meus; eu podia ouvir e ver que cada palavra era verdade. – Eu nunca deixei de te amar. E vou cuidar de você. De vocês duas.

Lágrimas saltaram de meus olhos, mas eram lágrimas de felicidade.

Edward me amava. Ele sempre me amara.

- Eu pensei que você já tinha se esquecido de mim e estava com outra... – revelei.

Ele riu.

- Não. – Suas mãos de fecharam no meu rosto e ele puxou meu rosto mais para perto do dele. – Nunca.

- Eu também te amo.

Então, ele sorriu ainda mais e me beijou.

Nada no mundo se comparava a beijá-lo. Primeiro foram meros selinhos, como que para matar a saudade, mas logo seus lábios eram famintos sob os meus e sua língua dançava com a minha, naquela dança capaz de provocar coisas em mim que só ele podia. E era só que quem eu queria.

Minhas mãos estavam em seus cabelos, enquanto que a deles estavam em meus quadris.

E quando pensei que íamos avançar um pouquinho mais, Anna chorou.

Edward se afastou, sorrindo.

- Parece que teremos uma filha ciumenta – riu. Eu ri também. – Aposto que ela quer mamar.

- Eu também – corei.

- Vamos lá, olhar nossa pequena, princesa. – Puxou-me. – Teremos a vida inteira para ficarmos juntos.

E ouvindo-o falar aquilo me deixou feliz. Ele me queria para sempre – assim como eu o queria.

_

Nada de Jacob.

Os gêmeos completaram um ano e teve até uma festa. Pessoas que eu nunca tinha visto e vários agentes da FBI fingindo que eram seguranças. Foi uma festa divertida. Anna já tinha seus cinco meses e conseguia ficar sentadinha por uns segundos antes de cair. Seus cabelos eram castanhos, como os meus, e estavam crescendo ondulados. Os olhos eram daquele tom lindo e único de Edward.

Mas mesmo depois desse tempo todo, nada de Jacob.

Parecia que ele havia... desaparecido.

Edward e eu estávamos juntos novamente, indo devagar. E todos da nossa família sabiam disso e estavam felizes por nós.

- Estou exausta – murmurei, assim que chegamos da festa.

Edward riu.

- Vou colocar Anna no berço e volto, ok? – murmurou, levando nossa filha, que já dormia, para o andar de cima.

Joguei-me no sofá e fechei os olhos, assustando-me quando o telefone tocou. Levantei-me e o peguei.

- Alô?

- Olá, Isabella. – Era impossível não reconhecer a voz de Jacob. Congelei. – Só um aviso. Vou dar um jeito de te ter e você sabe disso. Sabe que eles não me pegarão. Fique atenta, Isabella, tudo isso ainda não acabou. Você vai ser minha.

E desligou, deixando-me ali, atordoada.

Notas finais
N/A: É nesse momento que eu corro e me escondo? *risos*. É, eu sei, demorei, mas viajei e tal... :/. Cheguei essa madrugada, o capítulo estava pronto, então, espero que gostem.

Não vou falar na.da, porque né? HAHA. O capítulo começou fofinho e terminou tão tenso; não foi minha culpa, eles têm vida própria, juro.

Até o próximo capítulo, babies ;*

Deh C.

/ Frii (L)

N/B: uau, nossa estava tudo indo bem demais pra ser verdade esse jacú tinha que aparecer ô tomate atropelado pelo diabo esse cara ¬¬