Only Girl

14 Capítulo Treze - Empty


Edward POV.


Acordei um caco no dia seguinte, levantando-me e seguindo direto para o banheiro. Mesmo não querendo, eu iria trabalhar. Talvez assim eu conseguisse esquecer.

Eu não me conformava em querer apenas isso, porém. Só que também não havia mais nada que eu pudesse fazer. Bella deixara o celular aqui em casa. Como eu podia ir atrás dela?

Meus pais até tentaram me fazer ficar em casa, mas, educadamente, eu disse que não precisava. Ao chegar ao hospital, comecei a trabalhar.

Eu cobri plantões de amigos, mal parando para almoçar e descansar. Solucionei casos que pareciam impossíveis de solucionar e resolvi problemas acumulados há semanas.

- Dr. Cullen! – Uma enfermeira acenou para mim e eu suspirei pesadamente, passando a mão pelos cabelos, extremamente cansado.

- Sim? – sussurrei.

- Tem um tal de Ben... Ben alguma coisa, querendo falar com o senhor. Ele disse que é advogado.

Bufei.

- Estou indo até minha sala – disse-lhe. – Peça para ele me encontrar lá.

Sentei-me diante de minha mesa pela primeira vez naquele dia. Meus olhos não conseguiram se desviar da fotografia que havia ali. Era Bella. E ela estava linda.

Usava um short jeans básico e uma camiseta. Ela tinha um sorriso imenso no rosto e suas bochechas estavam coradas. Ela estava linda, simples.

E eu sentia muita falta dela.

Batidas à porta tiraram-me de meus devaneios e eu sussurrei um ‘entre’, sentindo meu coração apertado.

- Boa tarde. – Um homem não muito alto, vestido de terno e gravata adentrou a minha sala, fechando a porta. – Sou Ben Cheney, advogado da sua esposa, Isabella.

Fiquei imediatamente tenso na cadeira, e, esquecendo de minha educação, apontei-lhe a cadeira, indicando que ele se sentasse. Ben se sentou e suspirou.

- Ela entrou em contato comigo, explicando-me mais ou menos a situação. – Começou, sem esperar que eu me apresentasse. – Ela pediu que eu viesse aqui, para conversar com o senhor... Preciso dar entrada à papelada do divórcio. Isabella quer que saia o mais rápido possível.

Isabella quer que saia o mais rápido possível.

Por quê?

- Eu... – suspirei. – Só vou concordar com tudo isso depois que conversar com ela.

- Sr. Cullen...

- Não – disse firme. – Só vou concordar com um divórcio amigável depois que ela vier conversar comigo.

Ele tentou me convencer durante alguns minutos, mas eu continuei firme. Eu precisava ver Bella, precisava falar com ela. Precisava, principalmente, que ela olhasse em meus olhos e dissesse que não me ama mais.

Foi por isso que segui o Ben, assim que ele saiu da minha sala. Ele foi até uma casa grande, bonita. Eu fiquei escondido por ali, esperando que ele tornasse a sair. Quando saiu, segui firme até a porta e toquei a campainha.

Meu coração batia incrivelmente acelerado em meu peito.

Uma moça bonita, jovem, de cabelos castanhos, e baixa atendeu, parecendo confusa a me ver ali.

- Boa tarde – murmurei. – Eu poderia falar com Isabella Cullen?

Ela me fitou, confusa.

- Desculpe-me senhor, eu não a conheço.

- Você conhece Ben Cheney? – indaguei-a. – Eu só estou tentando encontrar essa Isabella, não quero tentar nada contra ninguém. E, ao que parece, ela é cliente desse Ben.

- O Ben é meu marido, senhor – sorriu. – Não sei de mais nada, desculpe.

Bufei.

- Tudo bem – sorri. – Obrigado mesmo assim.

Eu saí dali, cabisbaixo, e voltei para a minha casa.

Vazia.

Porque Bella não estava ali.

_

Nos dias que se seguiram eu segui o Ben toda vez que ele aparecia e tentava me convencer de algo que deixei bastante claro desde o primeiro dia. Eu continuava o seguindo, às vezes, mas ele nunca ia até onde Bella estava.

E isso me deixava frustrado.

Porque Bella simplesmente não faria isso.

Ela me amava...

Ela não iria embora assim.

Bella POV.

Eu tinha acabado de sair do banho – onde dois homens de Jacob ficavam guardando a porta – e voltado para o quarto que eu ficava, quando Jacob surgiu, furioso.

- Ele vai morrer! – gritou, chegando bem perto do meu rosto.

- O quê? – sussurrei.

- O seu marido! – gritou. – Ele fica seguindo o advogado que contratei para você. Você tem que fazer alguma coisa para afastá-lo. Ou eu juro que ele vai morrer.

Eu tremi dos pés a cabeça. Primeiro: Edward estava sofrendo – e era minha culpa. Segundo: eu não suportava ouvir Jacob falando daquele jeito, sabendo que ele falava a sério; ele podia matar Edward e isso não custava nada para ele.

- Me dê um celular – sussurrei. Jacob estreitou os olhos, desconfiado. – Pode colocar alguém para me avisar, eu não vou contar ao Edward onde estou.

Ele assentiu.

Alguns minutos depois um dos seguranças de confiança de Jacob e um celular estavam presentes. Trêmula, disquei os números de Edward. Fazia uma semana que eu não escutava sua voz.

- Alô? – A voz do outro lado da linha soou tensa e cansada. Meu coração se apertou ainda mais e eu tive que me segurar para não chorar. O segurança de Jacob me encarava, sua expressão dura.

- Edward... – murmurei, ciente de estar entregando a dor.

- Bella? – De repente ele parecia animado demais. – Princesa, por favor, me diga onde está... Eu sinto tanto a sua falta.

- Eu liguei... – sussurrei. – Liguei para falar que você pare de me procurar. Eu não vou mais aparecer, Edward. Aceite isso, por favor. Vai ser mais fácil para todos nós.

- Todos nós quem, Bella? Não me peça para desistir de você, por favor. Todos nós precisamos de você. Carmen, Paul... Meus pais... Eu preciso de você, Bella.


- Edward, por favor...

- Você encontrou outra pessoa? – murmurou. Eu podia sentir a dor em sua voz.

- O que você acha? – Peguei-me falando.

Ele ficou em silêncio por alguns minutos, depois suspirou.

- Não acredito – disse. – Só vou acreditar no dia que você vier falar comigo e disser, olhando nos meus olhos, que não me ama mais.

- Edward...

- Eu não vou concordar com divórcio enquanto você não vier me ver, Bella. Eu só acredito vendo. Só vendo.

E, sem poder dizer mais nada, simplesmente desliguei o telefone.

_

Três meses depois.

Jacob tentou de todas as maneiras se livrar de Edward, mas ele continuava firme em sua decisão.

- Eu vou viajar nesse fim de semana. – Jacob entrou no quarto que eu ainda ocupava, com uma pequena maleta nas mãos. – Você vai estar livre para ir atrás do seu maridinho e resolver essa situação de uma vez por todas. Se não resolver, Isabella, eu juro que ele morre, assim que eu voltar.

Estremeci.

- Agora vá – grunhiu. – Antes que eu mude de ideia.

Saí meio confusa do quarto. Senti alguém tampando meus olhos e me arrastando. Senti que fui colocada, também, em um carro. Alguns minutos depois, senti algo em minha perna, e tudo o que pude fazer foi soltar um grito abafado de dor.

Meus olhos foram destampados e eu os pisquei freneticamente, notando que agora havia um corte bem profundo um pouco acima do meu joelho.

- Por quê...? – soltei, vendo que Jacob sorria para mim, sentado ao meu lado.

- Seu marido é médico – riu. – Tive essa ideia brilhante. Desça, anda. Estamos em frente ao hospital. Hoje é sexta, você tem até o domingo.

Mancando e respirando pela boca, segui até o hospital, quase chorando de tanta dor. Retirei a blusa de frio que eu usava e amarrei o máximo que pude no meu ferimento e entrei no hospital.

Dirigi-me até a recepção, pedindo, mais uma vez, que chamassem o Dr. Cullen. Fui informada que ele estava em cirurgia e que eu teria de esperar. Sentei-me, segurando as lágrimas, em um dos bancos da recepção, e senti meu coração se acelerar e apertar em meu peito.

Fazia três meses e uma semana que eu não via Edward.

Três meses e uma semana...

E eu iria vê-lo.

Eu iria ter que dizer que não o amava.

Mesmo o amando de forma ainda mais apaixonante e desesperadora do que antes.

Edward POV.

Saí de mais uma cirurgia longa e complicada, já me dirigindo até a minha sala. Tudo o que eu queria fazer era ir embora e ir direto para casa, fazer o que fazia em todos esses três meses e sete dias que se passaram.

Ver fotos de Bella, olhar para suas roupas, e sofrer. Sofrer com isso.

Existia alguém mais masoquista do que eu?

Desci até o primeiro andar, com minha maleta nas mãos, certo de que as pessoas me encaravam com ar de pena. Elas me viam com as olheiras, me viam mais no trabalho do que em qualquer outro lugar, e, mesmo ninguém sabendo que a Bella havia me abandonado, eu estava certo de que eles desconfiavam de alguma coisa.

- Dr. Cullen!

Bufei, impaciente, e parei no meio do corredor, enquanto a mulher da recepção – naquele momento eu não conseguia me lembrar do nome dela – vinha correndo em minha direção. Ela era nova aqui e parecia ficar feliz cada vez que tinha que falar com um médico.

Mulheres...

- Sim? – respondi educadamente.

- Tem uma mulher esperando há mais de duas horas pelo senhor na recepção. Ela está um tanto quanto pálida e não parece muito bem.

- Eu estou indo embora – informei-a. – Não pode passá-la para outro médico?

- Claro – assentiu. – É só que ela pediu para chamar o senhor...

- Tudo bem – suspirei. – Estou indo.

Caminhei em direção à recepção, esfregando os olhos, e louco para chegar em casa.

E congelei.

Porque sentada em uma das cadeiras, estava ela.

Quem eu achei que nunca mais veria.

Bella tinha os olhos fechados e respirava pela boca. Usava uma blusa fina, sem mangas, mesmo estando uma noite fria. Uma blusa de frio estava amarrada em sua perna direita. Suas calças jeans pareciam velhas e surradas. E ela estava incrivelmente mais pálida, o que fez meu coração se apertar ainda mais no meu peito.

Com passos firmes e o coração martelando com toda força, dirigi-me até Bella. Parei-me diante dela e respirei fundo.

- Isabella?

A minha voz ecoou pela recepção do hospital e eu a senti ficar tensa antes de abrir seus olhos. Havia dor e sofrimento neles, olheiras em volta, e ela estava tão mais magra.

- Oi... – murmurou.

- Algum problema? – indaguei-a.

- Eu... – suspirou. – Eu vim conversar com você, sobre o divórcio, como você pediu.

Assenti, tentando ignorar a dor que tomava conta de mim.

Ela continuava querendo o divórcio, mesmo depois de três meses.

- Venha, então – disse seco. – Vamos até noss... minha casa, para conversarmos.

Bella se apoiou na cadeira ao lado e se levantou. Percebi uma careta de dor passar pelo seu rosto, e percebi que ela não apoiava no chão com a perna direita. Percebi, também, que o agasalho que cobria sua perna tinha... sangue?

- O que aconteceu com você? – indaguei, preocupado.

Bella franziu os lábios e desviou os olhos, sem me responder. Aproximei-me mais dela e, com cuidado, peguei-a pela cintura, sentindo meu coração se apertar ainda mais e o famoso calafrio percorrer meu corpo. Apoiei todo o seu peso, enquanto me dirigia até a minha sala novamente. Seguimos todo o caminho em silêncio.

Sentei Bella em uma das macas que havia ali e me abaixei, retirando o agasalho. Arregalei os olhos quando vi um corte profundo, um pouco acima do seu joelho.

- Quem fez isso? – perguntei.

- Ninguém... – sussurrou.

- Bella...

- Eu estou bem – suspirou. – Pode ir logo com isso? Quero ir embora daqui.

Eu tive que dar quatro pontos em seu corte e só depois de me certificar que Bella não tinha outros ferimentos é que a levei dali.

- Onde quer ir?

- Qualquer lugar – respondeu, já dentro do carro. – Pode ser na sua casa? Quero pegar algumas roupas. Naquele dia não deu tempo...

Franzi o cenho, certo de que não podia dizer nada naquele momento.

Em casa guiei Bella até o sofá, onde ela se sentou, ainda sem relaxar.

- Quer comer alguma coisa?

- Não, obrigada. – Como parecia fria, tão diferente daquele Bella que eu havia conhecido! – Edward, eu... Por que você não concorda logo com o divórcio?

Sem me importar em estar me humilhando, ajoelhei-me aos pés de Bella e segurei seu rosto entre minhas mãos.

- Você me ama? Diga, Bella, por favor.

Ela suspirou.

- Não.

Abaixei os olhos por alguns minutos, certo de que ela estava mentindo. Bella nunca mentira bem. A questão era: por quê?

Abri a boca para falar alguma coisa, mas olhei a mão de Bella. Ela ainda usava a aliança.

Haveria esperança, então?

De modo brusco, sem me importar com mais nada, tomei os lábios de Bella nos meus, sem dar atenção quando ela tentou se afastar de mim. Alguns segundos depois ela se rendeu ao beijo, envolvendo-me com seus braços. Com cuidado, peguei-a no colo, e rumei para o quarto que outrora havia sido nosso.

Eu a amei com tanto amor, com tanta paixão, com tanto cuidado...

Foi uma noite intensa e longa, amamo-nos repetidas vezes, até ambos cairmos em exaustão.

Eu estava certo de que Bella ainda me amava, certo de que havia esperanças para nós.

E eu lutaria.

Lutaria até o fim.

Porque não havia mulher mais perfeita para mim do que ela.

E ela nunca encontraria alguém que a amaria e cuidaria dela tanto quanto eu.

Bella POV.

Eu acordei no outro dia certa de que Edward nunca daria o divórcio.

Por que eu nunca aprendera a mentir bem? Por quê?

Tentei me afastar dos braços de Edward e foi bem difícil até fazê-lo me soltar.

Armando um novo plano em minha mente, deixei a aliança na cama, peguei algumas roupas e saí dali, certa de que fazendo o que faria... Não teria mais como, ele iria ter que me dar o divórcio.

- Eu te amo, Edward... – Foi o que sussurrei, minutos antes de fechar a porta e correr dali o máximo que minha dolorida perna permitia.

Notas finais
N/A: Capítulo mais do que tenso... e triste. Foi de cortar o coração. Sei disso e sei que muitos estão querendo me matar.
Enfim, não vou ficar aqui, falando muito, até porque não há muito o que falar. É isso.

Beijos, beijos, até o próximo :*.

Deh C.

*n/b: Esse Jacob é doente, sério. Mas mais doente ainda é o Edward que fica procurando motivos pra sofrer mesmo com a Bella dizendo que não o quer. E outra idiota é ela que vai fazê-lo sofrer ainda mais agora que se entregou... quero só ver as consequências dessa noite. Beijos, Frida.