Only Girl

20 Capítulo Dezenove - Past


Notas iniciais
Enfim, depois de tudo o que aconteceu, vocês vão saber o que aconteceu no passado da Bella.
Boa leitura, amores, falo com vocês na n/a.
;*

Bella POV.


Eu não sabia dizer exatamente quantas horas eram quando ouvi o resmungo baixo da minha filha, vindo do canto direito do quarto. Eu sorri ainda de olhos fechados, e me virei na cama, levantando-me com cuidado.

Angela havia me ajudado a tomar um banho e trocar de roupa, logo após o parto e tudo o mais. Coloquei o roupão, prendi meu cabelo em um coque, e com cuidado andei até o berço, procurando não acordar Edward.

Os olhos verdes de Anna estavam abertos e ela olhava ao redor, ainda resmungando. Meu peito se encheu de amor e de uma alegria infinita; algo que eu nunca pensara que fosse experimentar.

Eu a peguei no colo e assim que a acomodei, ela parou de resmungar. Conferi sua fralda e a troquei, depois me sentei com ela na poltrona – porque eu ainda sentia dores e estava cansada – enquanto a amamentava.

- Vocês duas são tão lindas juntas... – Um arrepio percorreu meu corpo e eu olhei para cima, vendo que Edward estava acordado e com um sorriso no rosto. Eu corei, fazendo-o rir. – Eu senti falta disso...

- Desculpe – murmurei.

Ele assentiu, sem tirar os olhos de nós duas.

Edward quem a colocou para arrotar e para dormir, obrigando-me a deitar novamente. Mal deitei na cama e já tinha dormido de novo.

Definitivamente, eu estava exausta.

Edward POV.

Não demorou muito para que Bella voltasse a dormir, mas Anna não parecia querer, já que seus olhos estavam atentos a todo detalhe do quarto. Eu sorri para ela e abaixei-me um pouco para beijar sua testa.

Eu fiquei ali com ela até que ela adormecesse e a coloquei de novo no berço. Quando olhei o relógio, percebi que passava das sete da manhã. Como não estava mais com sono, direcionei-me até o banheiro que havia ali e depois desci.

A casa ainda estava escura, mas eu já ouvia barulhos vindos da cozinha. Entrei, sem querer parecer mal educado nem nada, e encontrei Ben.

- Bom dia – murmurei, sorrindo um pouco.

- Bom dia, Edward – sorriu. – Sente-se. Vamos tomar café.

Eu assenti e me sentei diante da bancada, respirando fundo.

- Pode ficar tranqüilo, estão todos seguros. – Ele assegurou, passando-me uma xícara de café. – O FBI já explicou mais ou menos a situação para sua mãe, Alice, Rosalie e Emmett... Outros estão explicando para o casal que ajudou Bella agora... E outros estão apenas, de longe, guardando os pais de Rosalie. Acredito que não queiram envolvê-los.

- Obrigado – suspirei. – Quando eles chegam aqui?

- Acredito que até as nove da manhã... Vocês vão ter que ficar por aqui hoje, então seus familiares estão preparando algumas roupas e tudo o mais. Fique tranqüilo; tudo vai dar certo.

- Obrigado, Ben, de verdade – sorri. – Por ajudar Bella, cuidar dela e da minha filha quando eu não pude fazer isso.

Eu o senti se aproximar e logo ele estava apertando meu ombro, ainda sorrindo.

- Olha, eu sei que deve ser difícil entender, mas Bella teve motivos o suficiente, Edward. – De repente ele estava sério. – E o que aquela garota passou... De verdade, eu não teria sido forte como ela foi. Ela te ama, ela ama sua família. E ela abriu mão de tudo isso apenas para mantê-los seguros.

- Eu só queria ter sabido que ela estava grávida...

- Você acompanhou a gravidez – disse. – E ela só descobriu a gravidez quando estava no cativeiro. Contou-me assim que chegamos aqui. Ela queria te contar, mas não podia. Se alguém descobrisse, além de perder vocês, Bella perderia a filha também.

Assenti.

- É confuso, você não imagina o quanto, mas você vai entendê-la.

Permanecemos conversando por algum tempo e logo eu ouvi passos se direcionando até a cozinha.

- Bom dia. – Angela adentrou a cozinha junto de Bella e meu pai.

- Bom dia. – Ben e eu respondemos juntos.

Bella se sentou na cadeira, colocando o que eu julguei ser uma babá eletrônica ao lado dela, parecendo ainda um pouco cansada.

- Você devia descansar – murmurei, sem me importar com quem estava na cozinha. Era impossível acreditar que ela estava ali, nunca se apaixonara por ninguém, e estava tentando só me proteger. – Geralmente, as mulheres ficam no hospital por um dia ou até dois, depois do parto.

- Eu estou bem – sorriu. – E daqui a pouco todos chegam e eu quero contar minha história para vocês.

Assenti.

- Então... – Meu pai sorriu, dando um gole em seu café. – Podem me dizer qual é o nome da minha netinha?

Nós rimos.

- Anna – sorri imensamente. – Anna Marie Cullen.

- É um bonito nome – disse. – Senti saudades de você, Bella.

- Eu também, Carlisle – corou. – Desculpe por tudo.

- Não se preocupe agora, querida. Que tal você se deitar um pouquinho no sofá? Se a Anna chorar, nós a trazemos para você.

Eu assisti Bella sair da cozinha, com Angela atrás dela, deixando eu, meu pai e Ben sozinhos.

Ben se afastou por alguns minutos, falando no celular. Quando voltou, seu rosto estava tenso.

- Eles estão vindo.

_

Não passou nem dez minutos e vários carros cercavam a casa de Ben a Angela. De um deles, Rosalie desceu junto de Emmett, cada um com um dos gêmeos no colo. Do outro, minha mãe e Alice desceram, e, por fim, do outro, Carmen e Paul.

Eu via vários agentes do FBI e vi Jasper também, todos muito atentos, enquanto andavam até aqui. Ben abriu a porta e todos entraram, parecendo confusos, porém felizes.

Bella passou vários minutos abraçada a Alice, depois a minha mãe, Rose e depois Carmen e Paul. Os gêmeos estavam dormindo e foram levados para o quarto, junto de uma mulher do FBI. Ela ficaria de olho neles e em Anna enquanto nós conversávamos.

Jasper explicou mais ou menos a situação, enquanto pedia para sentarmos. A sala, mesmo grande, parecia pequena diante de tanta gente.

Então, todos nós nos voltamos para Bella.

- Srta. Swan. – Johnson, um dos agentes, disse. – Pode nos contar tudo desde o começo, por favor?

Ela assentiu.

Eu queria muito ir até ela e abraçá-la, beijá-la e confortá-la; porém, antes, eu sabia que tinha de saber de tudo, tinha que me informar. Tinha que entender porque exatamente ela havia feito aquilo.

- Bom... – suspirou. – Desde que me entendo por gente que meus pais falam de eu assumir a empresa que pertencia a eles. E eu sempre quis isso, sempre me vi fazendo isso. Fui treinada, fiz alguns estágios, mesmo ainda sendo tão nova e tudo o mais, e eu simplesmente amava aquilo. E ver que Charlie, meu pai, estava orgulhoso de mim, me fazia tão bem...

Bella limpou uma lágrima que escorreu de seu olho e aquilo fez meu coração se apertar ainda mais. Depois, suspirou pesadamente, entrelaçando suas mãos.

- Billy Black era melhor amigo do meu pai. – Pude ver os agentes do FBI ficando um pouco tensos, mas eu não entendi aquilo muito bem, então ignorei. – Ele tinha 30% da empresa, quase nunca dava opiniões sobre ela. Ele confiava no meu pai, sabia que ele faria o que fosse melhor. E meus pais confiavam nele, assim como confiavam no filho do Billy, Jacob.

“Jacob e eu fomos grandes amigos na adolescência. Ele era um ano mais novo que eu, mas parecia não se importar com isso. Nunca tivemos nada além de amizade, apesar de eu saber que Jacob nutria algo. Depois de um tempo, ele pareceu entender, e ficou... estranho.”

- Estranho como? – Um dos agentes perguntou.

- Ele começou a sair com as pessoas erradas, a se envolver com drogas, a chegar bêbado e drogado em casa. E ver o quanto aquilo machucava o Billy... Era de cortar o coração. – Ela suspirou. – Então, meus pais viajaram, para cá, para uma segunda lua de mel. Nós vivíamos vindo aqui e Charlie tinha o sonho de abrir uma filial aqui e mudar-se para cá. Ele gostava do México, mas Chicago sempre pareceu ser o nosso lugar...

“Mas ele e minha mãe morreram, de um acidente de avião, na viagem de volta. Saber daquilo, com apenas dezessete anos... Enterrar meus pais, ter que pensar em como seria minha vida dali para frente...

“Pensei que eu fosse para um orfanato, ou algo assim, mas Billy ficou responsável por mim, e eu fui morar na casa dele. Quando fiz dezoito, pensei que poderia tomar conta da empresa enquanto fazia faculdade, mas não pude. De acordo com um documento deixado por meus pais, eles queriam que Billy tomasse conta de mim até os vinte e um anos...”

- O que aconteceu quando você completou vinte e um? – Alice sussurrou, acariciando o braço de Bella gentilmente. – Eles maltratavam você?

Senti a raiva tomar conta de mim... Será que eles maltratavam Bella?

- Não Billy... – disse mordendo o lábio inferior. Eu podia ver que todos naquela sala estavam atentos à Bella. – Ele era um amor, nunca se aproveitou do meu dinheiro, e me colocou numa ótima faculdade, deixando até que eu tomasse algumas decisões na empresa.

“Mas Jacob... Ele estava muito estranho. Ele recebia quantidades inexplicáveis de dinheiro... E quando o Billy descobriu isso, eu vi que ele começou a tentar aproximar o filho de mim. Demorei um pouco para entender isso, mas eu sei, hoje, que ele só estava tentando fazer com que eu ajudasse seu filho. Acho que ele pensou que, se namorássemos, ele voltaria a ser o Jacob de sempre.

“Porém, ele não voltou. Foi piorando cada vez mais. Eu estava com vinte e um anos de idade, no terceiro ano de faculdade, quando aconteceu. Billy descobriu que Jacob estava envolvido com marginais e que estava virando chefe de gangues, máfias e tudo o mais... Ele já era mais velho e teve um ataque cardíaco fulminante...”

- Você saiu daquela casa? – Minha mãe perguntou. – Ou continuou morando lá?

- Eu parei com a faculdade – murmurou. – E tive que enterrar aquele a quem eu considerava como um segundo pai. E quando eu contei ao Jacob, ele só riu.

“Eu não entendi, mas continuei morando ali. Pensava que logo poderia voltar à faculdade, cuidar dos negócios do meu pai, mas então o advogado de Billy um dia bateu à porta, e me apresentou o testamento que Billy deixara...”

A voz de Bella se quebrou por um momento, e ela respirou fundo, antes de conseguir continuar a falar:

- Billy ficara responsável por toda a empresa, e, em seu testamento, ele colocou que eu só poderia receber da empresa e só podia assumi-la se me cassasse com seu filho... E que Jacob só podia ter direito aos seus 30% caso se casasse comigo... E foi aí que minha vida se tornou um inferno.

“Eu não queria me casar com Jacob, não o amava. Permaneci durante quatro anos escondendo de Jacob sobre o testamento do pai, trabalhando como garçonete. Ele nunca parecera ligar para o dinheiro do pai, até que...”

- Até que...? – incentivei, querendo muito saber o resto daquela história.

- Eu descobri, numa conversa de Jacob, que ele virara um mafioso, mas precisava de uma desculpa para poder trazer as drogas para o México e para mandá-las para outros países também. Então ele veio querer comprar a minha parte da empresa, mas eu disse não. Ele, então, procurou um advogado, e descobriu tudo.

“E aí ele me manteve como prisioneira, em casa, e disse que nos casaríamos. Por dias eu acompanhei a rotina dos capangas dele, e um dia antes do casamento consegui fugir...”

- Como ele a encontrou? – Meu pai perguntou.

- Eu conheci o Edward e me apaixonei por ele. – Meu coração deu um salto no meu peito ao ouvir aquilo. – E me casei com ele; no começo, apenas para conseguir o Green Card, mas depois não. Pensei que Jacob tinha dado um jeito, mas ele me achou, me ameaçou, e eu tive que abandoná-los... Porque senão ele iria matá-los.

Então era isso? Bella se sacrificara de tudo para nos manter a salvo?

- Por que você não contou a polícia tudo isso? – perguntei.

- Porque não dava – suspirou. – Ele é poderoso, Edward, você não entende? Ele é mafioso, o mais perigoso de todos os tempos. Ninguém tinha provas contra ele, ninguém sabia quantos comparsas na polícia ele tinha. Se eu contasse, ele descobriria e mataria vocês!

“Eu fui com ele, então, para um cativeiro. Nunca soube aonde era, porque ele me vendara. Tive que me divorciar de você... Nós nos casaríamos alguns dias depois que o divórcio saiu. O Ben me ajudou a fugir, entretanto. E eu estou aqui desde então, sem saber o que fazer.”

- Vai ficar tudo bem agora, Bella. – Minha mãe se aproximou de Bella e a abraçou, enquanto lágrimas escorriam dos olhos de Bella.

- Vocês vão poder prendê-lo agora? – Bella voltou seus olhos para Johnson. – Vocês têm provas o suficiente?

- Só temos que achá-lo, Srta. Swan – disse-lhe. – Por enquanto, por mais que saibamos que é difícil, vocês não vão poder trabalhar, vão ter que tirar licença do emprego. E terão que viver sob nossa vigilância. Estamos querendo prender o Sr. Black há anos, mas só agora temos provas e sabemos que ele está aqui em Chicago. Vamos fazer o possível para prendê-lo o mais rápido possível.

Eles conversaram mais alguma coisa com Ben e Jasper, mas meus olhos só conseguiam ficar voltados para Bella. Quanto ela havia sofrido, Deus!

- Eu tenho que ir lá para cima – sussurrou. – A Anna está sem amamentar há mais de três horas.

- Podemos conhecê-la? – Rose sussurrou, sorrindo. Bella assentiu e eu as vi se afastar.

Eu tinha que dar um jeito de me aproximar de Bella, tinha que arrumar uma maneira de consertar tudo isso, de conversar com ela.

A sós.

Bella POV.

Eu mal conseguia acreditar que tinha contado tudo... E que estava livre desse peso que me perturbou por tanto tempo.

Esme, Alice e Rose conheceram a minha filha e simplesmente, depois de eu ter amamentado-a, ficaram com ela no colo, sem nem me deixar ficar perto dela.

- Ela se parece muito com Edward. – Esme disse, sorrindo para a neta. – Tem seus cabelos castanhos, mas os olhos dele. Assim como o formato dos olhos... Mas o nariz e a boca são seus, Bella.

Eu sorri.

- Seus filhos são lindos, Rose. – Olhei para os gêmeos de Rose. Oliver ainda dormia, mas o Ryan estava acordado, no meu colo. – Eles se parecem mais com Emmett.

- Sim – sorriu. – Nem acredito que tive gêmeos... Passou tão rápido.

Batidas à porta tiraram-nos de meus devaneios e eu murmurei um ‘entre’, sentindo meu coração se acelerar ainda mais quando vi os cabelos acobreados de Edward se aparecendo, seguidos por seu rosto e corpo.

- Sequestraram a minha filha? – Seus olhos estavam divertidos e ele tinha o meu sorriso torto no rosto.

- Ela é linda. – Alice sussurrou, seus olhos brilhando. – Ela vai ganhar tantas coisas cor-de-rosa!

Todos nós rimos.

- Bella... – Edward se voltou para mim, ainda sorrindo. – Podemos conversar?

- Eu... – Dei uma olhada em Anna, que dormia serenamente no colo da avó.

- Nós ficamos de olho nela e qualquer coisa chamamos, ok? – Alice piscou para mim.

- Posso só tomar um banho primeiro? – indaguei-o. – É bem rápido.

- Tudo bem – assentiu. – Vou tomar um também e nós encontramos no escritório do Ben, ok?

Eu assenti, me dirigindo até o armário e pegando meu pijama de frio. Dei um beijo na testa de minha filha e me dirigi até o banheiro.

Eu estava me sentindo bem, apesar de ainda ter um pouco de dor. A água quente me ajudou nisso, porém. E parecia difícil sair do banho quando eu pensava no que Edward poderia querer me dizer. Provavelmente ele já tinha me esquecido... Provavelmente ele estava com outra...

Só que eu realmente não me permiti pensar nisso, porque simplesmente não aguentaria. Seria demais para mim.

Então, antes que eu desistisse, desliguei o chuveiro e me sequei, vestindo minha roupa logo em seguida.

Era hora de conversar com Edward.

Notas finais
N/A: Eu disse, eu disse para vocês que as coisas com a Bella não eram assim tão simples, coitada :/. Se ela contasse para a polícia e fosse alguém ligado ao Jacob, as pessoas que ela amava morreriam... Fora dizer que ela não tinha provas o suficiente.

Enfim, por hoje é só isso. Espero que tenham gostado do capítulo. Não posso falar o que vai acontecer agora, nem dizer que vai ficar tudo bem. É só ler para saber, mesmo...

Vou tentar postar essa semana ainda, até porque na semana que vem devo viajar... Então, é isso.

Beijos

Deh C.

/ Frii (L)