Only Dreamers
5 Arrow – Marvel
Notas iniciais
Nós estamos quase chegando na fogueira. Se a brasinha acha que vai conseguir alguma coisa, ela está provando que é mais burra do que pensávamos. Quando ouvimos um som extremamente alto que me faz tapar os ouvidos. Cato vira e começa a xingar – são tantos nomes que não vou citá-los –, está de mau humor, como sempre. Nós corremos para a direção do acampamento, e eu estou esperando o pior. Todos os suprimentos foram destruídos. O garoto do 3 está nas ruínas com a lança que era minha e ainda não sabe usar. Clove e eu começamos a andar sobre os destroços procurando alguma coisa útil que sobrou, enquanto o Cato não consegue se controlar e pega a lança do garoto – vale lembrar novamente que ela é minha – sem que ele se mexa. Então quebra o pescoço dele. Clove bate o pé no chão, ela achava que o menino seria prestativo.
Bem, ele não foi. Tanto que morreu. A minha mochila tem pouca coisa, mas nós vamos conseguir sobreviver por mais uns dias. E agora que o canhão acabou de soar apenas oito tributos restaram. As entrevistas devem estar começando. Minha família vai ter que desempenhar um papel bom para termos mais patrocinadores. Cato fala alguma frase que inclui a palavra “evacuar”, o que talvez indique que precisamos sair daqui para recolherem o corpo. Nós vamos para a Cornucópia.
– O que sobrou? – pergunta Clove pensativamente. – Alguns biscoitos?
– Água e as nossas armas – completo. – Mas de comida, só biscoitos. E uma fruta seca. Quem vai querer?
– Quero carne – diz Cato. – Você vai caçar – ele aponta para mim.
– Claro que não. Vai a Clove. Ela tem mais faquinhas.
Clove fica vermelha de raiva, mas apesar disso ela só se joga na parede.
– Eu só vou caçar tributos.
– Ótimo – grita Cato. – Então a gente fica sem suprimentos. E você vai ser a primeira a morrer de desidratação!
– Acho mais viável você matar o Marvel. Vai sobrar mais biscoitos para mim – sugere Clove. – E aquela fruta seca que ele mencionou.
Os dois fazem uma careta bastante parecida. Eu me sento na boca da Cornucópia, se alguém aparecer vai ser mais fácil de eu matar. Nós trocamos olhares.
– Será melhor se eu sair e verificar as minhas armadilhas – digo. – Vai que eu acho algum animal no caminho.
– Não vai muito longe, você é o único que temos para pegar lenha. Vai poder sobreviver alguns dias mais. Depois nós te matamos. Ótima ideia – Cato cruza os braços e me põe ereto, mostrando que ele é quem manda. Mas, na realidade, mesmo que ele tenha um ar superior, ele é um pouco lento e não é muito inteligente. Eu venço dele em uma luta.
– Isso é o que você acha. Você é que não vai durar muito – saio da Cornucópia, indo para a floresta. – Me avisa se alguma coisa interessante acontecer.
Chego nas árvores. Vou para a primeira armadilha. Nada. Depois outra e outra, mas todas estão intocadas, apenas balançando ao vento. Eu poderia ir até o outro lado da arena para perceber que nenhuma armadilha funcionou, no entanto decido parar por aqui. Esses tributos estão espertinhos. Por fim, acabo encontrando um coelho preso por uma pedra da minha rede.
Verifico a minha mochila para ver se tenho água. Apenas um odre pequeno. Bebo um pouco e guardo o coelho em um pote. Volto a prender a mochila nas costas. Está anoitecendo rápido, e vai demorar para eu chegar na Cornucópia. Me deito no chão para dormir, com a lança na mão. Amanhã eu termino a minha caminhada, e ainda faltam várias armadilhas. Eu demoro para dormir, pois acho que estou pensando na Glimmer, que morreu alguns dias atrás. Quando eu achar a brasinha, ela vai morrer da pior forma possível. Vai ser a melhor coisa que eu já fiz na vida.
***
Depois que acordo, já levanto e procuro as minhas redes e pedras. Essa arena parece ser grande, mas nós já alcançamos o final dela. Era como um espelho, e tinha uma barreira. Então eu ouço um grito de criança. Chamando a brasinha. Corro para a direção do som, e no início eu me distancio, então dou uma virada brusca para a direita e sei que a criança está perto. Há uma planta muito feia e grande e eu tenho que desviar as folhinhas para longe de mim com a lança.
Então eu a vejo. Está balançando inutilmente a pernas, com as mãos na rede e gritando o nome da Katniss. A garota que roubou o arco da Glimmer também grita o nome de volta. Maravilha, vou poder matar dois tributos, incluindo a brasinha! Eu me escondo e espero ela chegar. Demora um pouco, mas ela vem. Corta as cordas da rede e fala que está tudo bem, mas ela sabe que não está. Ela sabe que alguém ouviu os gritos dela e que está próximo. No caso, esse alguém sou eu. Vou para a frente e jogo a lança na brasinha. Mas, infelizmente, a Rue me viu e a Katniss percebeu no seu olhar o medo. Ela se vira antes da lança a atingir e a flecha que estava na corda do arco voa na minha direção. É tudo tão rápido que eu demoro para ver que a brasinha desviou da lança e ela atingiu a Rue.
Caio no chão, com uma dor totalmente absurda no peito. Ela não acertou o meu coração, mas sei que vou morrer. O sangue escorre em abundância, alcançando as minhas mãos e colorindo a grama de vermelho. Eu só consigo pensar na Glimmer. Eu prometi à ela e à minha família que venceria. E eu ia vencer. Mas a brasinha acabou com tudo. Olho uma última vez para ela, desejando que ela morra. No entanto, não sei se ela vai. Ela tem chances de vencer, se continuar com o arco. E eu estou apostando que ela vai matar o Cato e a Clove.
O céu está com um tom horrível. Eu odeio o sol, mas ele está vindo direto no meu olho. Arde muito, eu fecho os olhos. Minha ferida no peito está mais molhada de sangue, e eu queria morrer de outro jeito. No Centro de Treinamento nós aprendemos a cometer suicídio, como os japoneses. Nós não aceitamos perder. Para nós, é mais honroso morrer por nós mesmos do que sermos derrotados. Eu ouço uma musiquinha cafona e ridícula. E sei que a brasinha está cantando. Eu quero que ela morra. E, se ela não morrer, eu vou persegui-la para sempre, mesmo que seja renascendo e a matando, exatamente como eu quero.
Estou com muita raiva. Eu acabo morrendo mais cedo do que desejava. A partir de agora, o meu nome não vai ser lembrado para sempre. E a culpa é de uma pobre garota de trinta quilos que usa trancinha do Distrito 12.
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