Only Dreamers

7 After – Rue


Notas iniciais
Bem, olá :), espero que estejam gostando da história. E eu não quero ficar insistindo em algo que não é possível, mas quem ler e gostar, por favor comente!!! Agora que já acabaram os capítulos das mortes, vai ter coisas mais emocionantes.

Depois que tudo se tornou branco, a minha fome se foi junto com as minhas lágrimas e o meu corpo. Quando eu era pequena, algum trabalhador dos pomares me disse que, quando nós morremos, vemos tudo o que aconteceu na nossa vida novamente.

Bem, isso não é verdade.

A primeira imagem que eu vejo é o meu corpo morto. Katniss pôs um buquê de flores brancas junto às minhas mãos, e mais algumas no meu cabelo e à minha volta. Entre todos os pequenos caules, eu vejo uma arruda ainda menor, é a flor que me deu o nome. Arrudas são claras e um pouco amarelas, usadas no meu distrito para fins medicinais. As pessoas têm arrudas nos vasos que ficam debaixo das janelas. São conhecidas por terem cheiro forte, o aroma é o melhor de todos. É por isso que eu gosto tanto do meu nome. Rue significa “arruda”.

Os meus olhos estão cansados, exatamente como diz na música, mas não estou dormindo. Só sei que estou morta. Ao longe, eu posso ver Katniss caminhando na floresta. Percebo que a minha visão está mais ampla, eu poderia ver até a Cornucópia, mas ela está muito pequena, vista daqui. Eu coloco as mãos ao lado das costelas enquanto todo o meu ser que sobrou ascende. Olho para cima, o céu está cada vez mais próximo. Não há muitas nuvens. Eu tenho medo do que está por vir.

Em algum momento, eu atravesso algo que me parece uma parede, atingi a altura máxima da arena. Eu saí! Eu saí da arena!

Agora eu estou realmente no mundo real. O céu está claro e eu atravesso uma nuvem. Depois não vejo mais nada.

*

Abro os olhos, o meu corpo está ligeiramente dolorido. Olho ao redor. Estou no meu quarto. Sorrio. Tudo aquilo foi um sonho, exatamente como eu imaginava. Está tudo aqui, a minha cama que range cada vez que eu me remexo, o armário com menos de dez peças de roupa, e a mesa onde faço os meus trabalhos escolares. Tudo aqui. No meu quarto que agora eu tanto valorizo. Ele é muito pequeno, não dá para me locomover direito, mas pelo menos é um quarto.

Eu estou tão feliz com o pensamento de que não fui para os Jogos, quando vejo, no chão, um par de botas de couro que eu não tinha idênticas às que eu usava na arena. Sim, são elas. Botas macias e confortáveis. Mas são da arena. Tiro as cobertas sujas de cima de mim e dou um berro particularmente alto quando vejo que estou com as mesmas roupas de tributo que usei na arena. Estou no meu quarto, na minha cama. Sã e salva. Porém, como um tributo.

– O que está acontecendo? – pergunto em voz alta para mim mesma. Me levanto, olhando para frente, e calço as botas. Na minha porta, há uma espécie de placa com o selo do meu distrito.

Distrito 11: Rue – é o que está escrito.

Reparo em uma mochila no chão ao lado da cama. Eu não tenho essa mochila. E parece a mochila que eu tinha na arena, mas quando a abro, não tem nada. Tento abrir a porta, mas está trancada por fora. Começo a gritar por ajuda, desesperada e um pouco exagerada, eu não tenho ideia do que está acontecendo. E então a porta inesperadamente se abre.

– Não faça um escândalo, você acabou de morrer! – grita uma voz especialmente familiar. Me aproximo da porta para ver quem é. É um homem alto, musculoso e com traços negros do meu distrito.

Thresh.

– O quê... – começo, mas sou interrompida.

– Você morreu, infelizmente. E eu também. Agora pegue as suas coisas e vamos embora daqui.

– Thresh, não estou entendendo...

– Que você morreu? Sim, você morreu – ele vem até mim sem que eu possa continuar a minha frase, e me abraça. – Sinto muito.

– Hey, você pode me explicar o que está acontecendo?! – grito, me afastando. – Se eu morri, por que estou na minha casa?

Ele parece pensar por algum tempo.

– Você vai entender com o tempo. Demorou bastante para acordar, tempo suficiente para os Jogos acabarem. Enquanto você estava inconsciente, vários tributos morreram e o vencedor foi anunciado.

– Quem foi? – pergunto, sem esconder a ansiedade.

– Katniss e Peeta, do 12.

– Mas... como? Só um vencedor...

– Não temos tempo para conversas, garota. Você já tinha que ter entendido. Agora, o que você quer levar do seu quarto?

Olho para trás, ainda muito afobada.

– Chega de perguntas – ordena Thresh. – Apenas pega alguma coisa que você queira levar daqui para ficar com você.

Andei até a mesa, desviando do armário, e pego uma fitinha da minha irmã mais nova. Ela sempre usava isso no cabelo, antes de morrer de fome, dois anos atrás.

– Coloque na mochila – diz Thresh, apontando para a mochila que está perto da cama. A mochila que eu utilizei na arena. Guardo a pequena fita azul no único bolso pequeno que tem nela, e a coloco nas costas.

– Pronto – vou para perto de Thresh. – E agora?

– Agora nós temos que passar por essa porta – ele coloca a mão em outra porta que eu ainda não tinha visto. Tem uma placa igual à que está na porta no meu quarto, mas com outras palavras escritas: Tributos do Distrito 11

Olho para Thresh, em dúvida.

– O que vai acontecer? – pergunto.

– Não sei.

Ele gira a maçaneta e empurra a porta de uma só vez, e eu vejo um borrão escuro. De repente, um vento me empurra para a porta, junto com Thresh, e eu não consigo me segurar em lugar algum. A força me leva até a entrada da porta e nós somos engolidos pela escuridão.

Notas finais
O próximo capítulo sai amanhã (se tiver algum comentário). Me esperem!