Only Brothers
5 Sentimentos
Notas iniciais
É isso, aqui está o capítulo.
Alex’s P.O.V
Existem pessoas que tem uma vida e outras que tem um inferno de vida. Até pouco tempo atrás eu achava que tinha um inferno de vida, agora eu tenho certeza disso. Depois daquela briga eu e meu irmão praticamente não nos falamos isso me deixa com uma raiva do caralho. Pra piorar minha situação duvido adivinharem onde eu estou agora. Estou em uma lanchonete esperando pela Marie, pois é quem achou que minha vida não podia piorar estava errado, naquela noite eu fiz a loucura de enviar uma mensagem pra ela e agora estou aqui.
Como sou cavaleiro cheguei um pouco mais cedo, mas minha paciência já estava acabando, o que ela estava fazendo pra chegar tão atrasada? Nós vamos tentar melhorar o progresso dela em Educação Física, não sei como fazer isso e tem mais, como alguém pede ajuda em Educação Física? Sempre achei que isso seria impossível. Mas aquele ser humano é tão idiota que me pediu ajuda.
Depois de me levar ao limite da calma ela resolveu aparecer.
- Desculpa Alex! Você esperou muito?
- Não. – Mentira. Obviamente, não ia machucar ela dizendo que sim.
Saímos andando, enquanto ela falava sobre como queria melhorar, metade da minha atenção estava nela, mas só metade. Fomos até um clube, pois é eu não tinha ideia que ela pretendia ir a um clube.
- Bem, agora podemos começar. – Ela disse.
Acreditem se quiser, ela foi até um vestiário e saiu de lá com uma roupa de esportes, eu não tinha vindo preparado pra isso. E ainda não acreditava que ela realmente queria treinar.
- Não se preocupe você não precisa de nenhuma roupa especial já que só vai coordenar meu treino.
Dito e feito, ela fez uma série de instruções que eu dei. Isso durou mais ou menos 1 hora.
- Vamos a um café.
- Tudo bem.
Entramos em um lugar próximo que eu não conhecia. Pedi um cappuccino e três torradas.
- Puxa vida, você como tudo isso? – Ela perguntou.
- Sim. – Sinceramente, não estava a fim de discutir isso, principalmente com ela.
Quando nosso pedido chegou começamos a conversar para passar o tempo.
- Alex, me conta um pouco sobre como foi o tempo que passou fora.
- Foi bom, conheci um lugar novo e quero voltar lá, mas não tem nada como estar em casa. E você?
- Ah, minha vida não tem nada de mais, moro em um apartamento com meus pais e minha irmã.
- Uhum...
Nossa conversa não abordava nada sério passamos daquele jeito por mais de uma hora até sairmos do café e ir dar uma volta.
- Você tem irmão Alex?
Agora ela fodeu com tudo, a coisa é o seguinte me esforcei ao máximo para esquecer o Alec e ela me pergunta isso. Dei um suspiro e respondi:
- Tenho um irmão. Nós somos gêmeos diferentes.
Tudo que aconteceu voltou a minha cabeça, não dava pra piorar.
- Como é o relacionamento de vocês?
Por que ela queria saber sobre isso? Só podia querer me torturar.
- Não estamos nos dando muito bem. – Respondi sentindo a pior dor possível no peito.
- Me desculpe.
- Não, eu não estou bravo por você ter perguntado. – Mentira, ela consegui me deixar muito puto.
Com aquelas lembranças a raiva veio junto, então fiz o que tinha de fazer. Peguei a mão dela e continuamos a andar até um parque ali perto. Paramos em uma árvore, eu fiquei observando o redor, estava tudo calmo.
- Ei, Alex.
Virei o rosto na direção dela, parecia meio nervosa, já sabia o que viria a seguir.
- Eu queria te dizer que gosto de você. Desde que vi você colégio. Achei você incrível e depois descobri que era um cara maravilhoso então...
Não consegui sorrir, não queria aquilo, mas me forcei a aceitar, eu desisti do Alec já que meu amor nunca será correspondido. Cheguei mais perto dela. Sem dizer nada levantei se queixo e dei um beijo nela. Não tenho como descrever como aquilo foi estranho, claro que eu já namorei antes, mas esse beijo não me fez sentir nada, não gostei, não achei nojento, simplesmente nada.
Nos separamos devagar e sentamos encostados na árvore, ficamos daquele jeito o resto da tarde. O pouco que conversamos foi só pra fazer uns poucos comentários, às vezes ela me beijava e mexia no meu cabelo. Mesmo com tudo isso só me vinha uma coisa há cabeça.
Dor.
Depois da primeira reação vazia do beijo me senti muito mal, eu realmente não queria aquilo e ainda sentia como se estivesse traindo meu irmão, mesmo que nunca tivéssemos tido um relacionamento assim.
Fiz com que ela sentasse no meu colo, a última coisa que queria era pensar no Alec. Eu tinha simplesmente escondido o que sentia e resolvido esquecer afinal não há nada que o tempo não cure.
Alec’s P.O.V
É sábado à tarde e eu estou em casa de boa vendo TV. O Alex saiu com sei lá eu quem, mas tenho certeza que é com a vadia. Isso não importa afinal eu me recuso a ter contato com ele. Isso é ridículo? Sim. Infantil? Sim. Por que eu estou fazendo isso? Não faço ideia.
Passei a tarde inteira jogado no sofá vendo TV e lendo. Geralmente minhas tardes eram melhores, mas eu não estava com muito ânimo. Quando eram quase sete horas da noite ouvi um barulho de chave na fechadura, era o Alex. Parece que o encontro foi divertido pra ele ter chegado tão tarde em casa.
- Oi. – Ele disse.
Só levantei a mão como cumprimento, mas fingi não ter ouvido o que ele disse o que rendeu um suspiro por parte dele. Depois passou reto e foi pro quarto. Esse clima tá realmente estranho, mas não é minha culpa é ele que fica me enchendo o saco mesmo tendo uma namorada. Não sei por que isso está me incomodando um pouco.
Minha mãe chegou em casa pouco depois e preparou um jantar maravilhoso, depois daquilo fui direto tomar um banho, quando saí Alex estava me encarando de novo, fingi não perceber, mas acabei corado, o que pode ter me denunciado. Fui dormir tranquilo, tentando não me perturbar.
Acordei cedo (novidade), mas a merda da história toda é que hoje é domingo. Lembrar disso bagunçou ainda mais meu mau humor, e tive que quase morrer congelado para que ele fosse embora. Tomei café sozinho já que os dois estavam dormindo, mas não queria ter que aturar aquele idiota e minha mãe merceia dormir um pouco mais no domingo.
Enquanto comia me lembrei de algo, não senti mais aquela sensação, como um gesto mecânico levei até uma mão até os lábios, era engraçado, parecia como uma droga, agora que havia experimentado uma vez queria poder sentir mais vezes. Depois de arrumar a cozinha fui ler um pouco, e como meu livro estava interessante nem vi meu irmão acordar e ir tomar café.
- Filho. Desde que horas está acordado? – Eram dez horas e minha mãe estava levantando.
- Não sei, acho que hoje acordei as sete.
- Você deveria tentar dormir mais um pouco aos domingos.
Eu sei que ela está certa. Pera. O que isso interessa aqui? Acho que nada né? Até um resumo do meu livro seria mais interessante que isso. Mas eu não vou resumi-lo porque seria chato.
- Alô? – Era o Alex.
Será que ninguém ia me deixar ler hoje?
- Oi! Alice.
- Está tudo bem. E você como vai?
Quem era?
- Que? Já? Não esperava que seria tão rápido, mas que bom. O Adam vem junto não é?
Será que é alguém que ele conheceu enquanto esteve estudando fora?
- Certo. Então você me avisa quando a data já estiver defina certo?
- Tudo bem, tchau.
O que uma garota queria com meu irmão? Quem era ela? Quando eles se conheceram? Antes que eu pudesse abrir a boca, felizmente minha mãe apareceu.
- Alex, quem era?
- Era a Alice, ela estuda no colégio em que eu estudava e mora lá, mas fala fluente a nossa língua. Disse que vem me visitar junto como Adam.
- Que ótimo. Quando?
- Ainda não sei, mas ela disse que vai me ligar quando já tiver uma data definida.
Era só o que me faltava, mais uma mulher pra estragar minha vida.
O resto do dia foi um saco, o Alex passou muito tempo no telefone o que me deixou puto. Não, eu não me importo com o que ele faz ou deixa de fazer, ou pelo menos acho que não.
Depois de consumir mais um livro fui arrastado para fora de casa pela minha mãe pra comprar umas coisas que ela queria. Enquanto olhava a lista que pedia ovos, leite farinha, pão, etc... senti uma pancada forte e ouvi um pequeno grito com uma batida no chão.
- Me desculpe — pedi imediatamente.
- Não tudo bem.
Era uma menina com longos cabelos cor de palha e olhos vedes. Ajudei-a a levantar. Ela era mais ao menos da minha altura.
- Se machucou?
- Não – ela sorriu – e você? Não se machucou?
- Não – respondi.
Vi um pequeno corte no braço dela.
- Está machucada. – Falei.
- Isso não é nada.
- Claro que é, vem pelo menos me deixe te levar em uma farmácia para comprar um band-aid.
- Tudo bem. – Ela disse.
Caminhamos amigavelmente até a farmácia mais próxima e conversamos um pouco. Depois ela me acompanhou até o supermercado.
- Então Alec, prazer eu sou Jane.
- Prazer.
Ela parecia uma pessoa muito boa, e eu consegui descobrir que estudávamos na mesma escola e ela é um ano mais nova que eu. Quando terminei as compras fomos até um certo ponto onde eu fui por um lado e ela por outro. Esperava poder vê-la de novo, pode ser coisa minha, mas esse encontro fez meu coração doer um pouco. O que será isso?
Enquanto voltava pra casa fiquei pensando naquela sensação, pode ser muito chato ficar repetindo isso, mas não me sai da cabeça, sempre fico querendo mais e pensado “preciso sentir aquilo de novo, não importa o que seja”. Estou agoniado. Desviei meus pensamentos para algo diferente, o que será que acontecer quando os amigos do Alex estiverem aqui? Espero que não seja um incomodo, não preciso de outra coisa estragando minha vida.
Foi só pensar nisso que as cenas da outra noite voltaram a minha cabeça. Estive tentando não pensar nisso, mas agora era o melhor momento, já que estou sozinho. Ele pareceu tão abalado, será que eu não deveria ter gritado como ele? Fui muito duro? Mas ele tem uma garota, então por que fez tudo aquilo? Parecia estar tão triste, será que foi um choque tão grande ter brigado comigo? Mesmo que sejamos irmãos é normal brigarmos não? Eu realmente vi raiva naqueles olhos, mas também tinha algo mais, e isso me deixou meio, meio... não sei como me sinto. Continuo muito mal, mas não sei o que fazer. O som daquela mensagem ainda me deixa abalado, uma coisa tão simples mexeu comigo. O que ele quis dizer com você venceu? De que ele desistiu, será que ele escondeu algo de mim, e eu destruí isso quando briguei com ele?
Quando me dei conta já estava na porta de casa. Estava prestes a abrir a porta quando a maçaneta se mexeu. Alex apareceu na porta surpreso, sem falar nada ele saiu e começou a falar no celular. Não registrei nada mais, só olhei com cara de choque para ele, aqueles olhos cheios de dor. Quando voltei a mim senti um peso imenso, a mesma sensação estranha de perda, repeti novamente em minha cabeça:
“Aquilo era tudo culpa minha.”
Aquele sentimento horrível que só senti uma única vez há muito tempo me atormentou novamente.
Culpa.
Notas finais
Comentem e me deem um novo titulo pro capítulo, eu acho que esse ficou péssimo.
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