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15 Parte 15 - All About You
SUMMER’S POV
Por mais que eu quisesse, não pude ir ao concerto naquele dia. O filho de Harry amanheceu com febre, e bastante enjoado. Eu suspeitei que ele estivesse gripado, porque as mudanças de temperatura estavam constantes. Esse negócio de ser mãe de primeira viagem não era nada prático como poderia parecer, porque eu sempre ficava meio confusa quando o assunto era meu filho.
De qualquer forma, foi um custo fazer Dougie entender que crianças têm febre, que aquilo era normal, e que eu iria a um médico. Ele precisava ir para o ensaio, mas ficou me ligando de dez em dez minutos para saber se tudo estava bem. Ele e Harry, que também entrou em parafusos quando descobriu que o filho estava doente. Era só uma gripe... Fui ao médico com o bebê e ele constatou o que eu já sabia. Uma virose, que é a resposta para tudo na medicina. Indicou alguns remédios que eu deveria dar ao meu filho, alguns quase pareciam um placebo, e voltamos para o hotel. Mas eu, naquela altura, não tinha com quem deixar o bebê para ir ao concerto. Menos ainda levaria uma criança doente para um show; só se eu fosse uma mãe péssima.
Harry foi quem pareceu mais chateado pela minha ausência. Ele me ligou tão lamuriento porque eu não iria que cheguei a pensar que ele estava tramando algo. Mas eu não imaginava o que eles poderiam inventar mais; as coisas estavam totalmente em seu eixo, tudo funcionando perfeitamente bem e dentro do que eu queria. Talvez o problema fosse exatamente aquele, as coisas nunca deveriam funcionar tão bem. E eu tinha certeza que Harry tão agoniado pela minha ausência tinha motivos que eu ignorava. Mas eu iria ao próximo, e ele não demoraria a acontecer. Não havia necessidade de agonia.
No dia seguinte, pelo menos, o Mcfly não inventou nada. Dougie ficaria em casa naquele dia, ou naquela tarde, porque foi quando ele finalmente apareceu por lá. Mesmo assim, não teríamos muito que curtir um do outro, porque acabamos recebendo a visita de Harry. E Tom. E Danny. Eles passavam o dia todo juntos e ainda queriam passar mais tempo. Eram esquisitos, claro! E meu filho era sempre atração principal. Eu não era uma mãe ciumenta, e todo mundo aproveitava. Harry resmungou que estava com saudades do menino, e que queria passar algum tempo com ele, e acabou ficando decidido que ele dormiria conosco. E a minha curtição ficaria para outro dia.
Por causa disso, Daniel acabou indo dormir muito tarde. Ele ainda estava gripado e muito enjoado, mas na presença do pai ele se modificava. Nunca via meu filho tão feliz quanto quando ele estava nos braços de Harry. Era uma cena linda, eu não podia negar. Eu também não podia negar que gostava do Mcfly por perto. Pelo menos todos ajudariam a limpar a bagunça que fizeram.
Depois que os rapazes foram embora, e Harry foi acomodado no quarto de hóspedes, Dougie jogou-se na cama. Eu, mais que rapidamente, joguei-me na cama com ele. Daniel estava dormindo como um anjo, e se ele acordasse eu esperava que o pai dele me desse uma ajuda.
-- Amanhã vou cedo para o ensaio... você fica bem com ele? Quer que peça para...
-- Dougie, eu sempre fiquei bem com o bebê. E se eu precisar de companhia, sua mãe e a mãe de Harry vão se disponibilizar a me ajudar, certo?
-- Acredito que sim, elas querem sempre ver o neto. – Dougie pensou. – Não vai querer levá-lo ao concerto?
-- Não acho uma boa ideia; ele ainda está enjoado e o remédio dá sono... e ficar na plateia com o menino não dá.
-- Plateia? – Dougie não entendeu, e nem eu entenderia. No show anterior, eu abominava a plateia, e então queria estar nela?
Simples. É que eu pensei que não teria nunca uma boa perspectiva do concerto se não ficasse na plateia. Eu só poderia curtir o Mcfly e tudo mais se ficasse ali, onde ficam as fãs. Eu cheguei a essa conclusão mágica sozinha, claro! Mas foi uma conclusão, e enquanto eu estava no hospital, com meu bebê doente, considerei se eu deveria enfrentar a plateia. Liguei para Alice e perguntei se ela toparia ir comido, e ela não pensou duas vezes. Então, a plateia seria uma excelente pedida.
-- Sim... ah, não tente entender. Será divertido, não acha?
-- Sim, tenho certeza. – Dougie beijou-me os lábios. – Vou adorar tocar olhando para você.
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Enquanto eu dormia...
-- Harry, você está acordado? – Dougie invadiu o quarto de hóspedes.
-- Se não estivesse, isso não faria diferença, faria? – Sonolento, ele acendeu a luz e encarou Dougie.
-- Summer vai ao concerto amanhã... e disse que vai ficar na plateia!
-- Ora... isso é novo. Mas você me acordou mesmo para contar isso?
-- Claro que não... é que ela fazendo isso me dá oportunidade de colocar aquilo em prática, não acha?
-- Com ela na plateia? – Harry arregalou os olhos.
-- Acha que teria oportunidade melhor?
-- Nunca, será perfeito. Nem eu teria pensado tão bem.
++++
O Concerto – Wembley Stadium
Eu nunca seria uma fã normal, porque eu não era mesmo uma fã. E eu não era normal. Eu conhecia o Mcfly muito bem, mas isso foi depois. Eu estava morando com um deles, e tinha um filho com outro. Aquilo era muito maluco, e eu apostava que todas as fãs concordavam comigo. Então, aqueles atributos não me permitiam ser, exatamente, uma fã.
Pedi a Alice que me ajudasse a parecer uma. Ela sim, sabia ser fã. Arrumou camisetas com símbolos, e fez umas coisas estranhas na cabeça. Pintou banners, para ela e para mim. Os rapazes deveriam ficar orgulhosos, porque eu ficaria, se ela fosse minha fã. Eu cheguei a imaginar que Dougie ficaria deprimido com uma mulher tão alienada assistindo seu show. Mas eu tentaria me enquadrar, no final das contas. Não era meu primeiro concerto, era apenas o primeiro que eu queria parecer e aparecer. Eu estava vivendo uma outra realidade, então, porque era o meu primeiro concerto com Dougie.
Prontas para pular e macaquear na plateia, fui com Alice até a casa de Harry e deixei meu bebê com a avó. Não que eu gostasse de deixá-lo, ainda achava que ele era muito novo. Mas a avó já tinha criado seus filhos – e muito bem! – então eu não tinha motivos para achar que não saberia cuidar do meu menino por uma noite. Até porque se ele dormisse lá, eu e Dougie poderíamos ter um resto de noite juntos. E aquilo me agradava.
Fomos para o concerto de táxi, e nos misturamos facilmente. Todo mundo me conhecia, mas nunca ninguém tinha me visto na plateia; então nossa chegada foi normal. Eu não era a famosa quem quando assisti o show deles em Roma. E, pelo visto, não seria daquela vez que eu me misturaria facilmente aos fãs – Dougie e Harry tinham reservado um lugar especial para nós, e entramos mais cedo. A nossa entrada acabou sendo diferente dos outros, e aquilo chamou alguma atenção. Os seguranças nos colocaram para dentro, assim que nos viram perdidas por lá. Oras, aquilo nem era estranho... mas todos estranharam. Foi quando perceberam que aquelas duas que ali estavam eram mais do que simples fãs. Ninguém merece.
Ficamos bem próximas do palco, e poderíamos curtir o concerto em todos os seus conceitos. Seria divertido. Alice estava agitada, e quando as luzes se apagaram totalmente e a música começou a tocar, foi um escândalo só. Até eu entraria na gritaria, claro. Não ficaria de fora, até porque eu estava mais do que na hora de começar a tietar aqueles rapazes.
A cada música que cantavam, eu me empolgava mais. Já dava gritinhos, mais ainda quando Dougie me olhava enquanto tocava. Ah, ele me olhava... ele já tinha me achado, e eu estava me achando o máximo ali, com ele à minha disposição. O palco apagou e acendeu algumas vezes, e eles trocaram de roupa um sem número de vezes. O concerto se encaminhava para mais de uma hora quando o palco ficou totalmente escuro, e Dougie Poynter voltou sozinho, cantando. Ele começou a cantar uma música, sozinho, e a plateia delirava. Os outros rapazes se juntaram a ele, depois. Fiquei enciumada ao ouvir o nome dele sendo gritado por tantas fãs, mas ele era mesmo ídolo delas.
Depois que ele cantou, ele começou a falar. Bem, ele tinha falado o show inteiro, então eu não sei por que me surpreenderia.
-- Boa noite Wembley! – Ele acenou para as fãs e todas acenaram para ele, histéricas. – Como vão vocês essa noite? – As fãs novamente se mostraram histéricas. – Vou entender que estão bem... estão gostando do show que fizemos para vocês? – Mais gritos, e eu pensei que aquela pergunta era tão tola... elas não pareciam estar gostando, mas estar adorando! – Eu fico muito feliz em termos lançado mais um álbum e podermos estar mais uma vez aqui com vocês. Mas essa noite tem algo especial, além de dar às Galaxy Defenders um show perfeito. Essa noite eu preciso que vocês todas me ajudem em algo. Vocês poderiam? – Mais gritos. Eu olhei para Alice sem entender direito, mas pensei que fosse alguma gracinha de palco.
Pensei por alguns instantes, somente. Logo, logo, nos três telões, apareceu a imagem do meu filho. Meu Daniel, rindo bastante das gracinhas de Harry. Meus olhos brilharam, e eu pensei que não reconhecia aquele vídeo. Até me tocar que...
-- Vocês devem saber que algo muito especial aconteceu comigo nesses últimos meses. – As fãs começaram a gritar quando as imagens do bebê apareceram no telão. Elas apontavam para a tela, sorridentes e chiliquentas. – Eu quase me tornei um homem completo, porque eu me tornei pai. – E os gritos estavam incessantes. Eu, imóvel, observava tudo bastante confusa. – Esse bebê que vocês veem na tela é o Daniel, e ele é filho biológico de Harry. Mas, como vocês sabem que eu e Harry somos um casal, já imaginam, né? – As fãs novamente deliraram. Eu não entendia aquela interação, e estava muito confusa. Mas decidi pagar para ver. – Vocês devem ter lido sobre quando ele nasceu... leram?
-- Sim! – Foi a resposta em uníssono das fãs.
-- Então, vocês sabem que ele não é meu filho biológico, mas que eu o amo como se ele fosse. E eu e o pai dele, esse cara feio aí, evitamos que tirassem fotos dele. Mas acho que agora, que Daniel está crescido, nós podemos apresentá-lo a vocês.
Sim, eu estava confusa. Fiquei mais ainda quando minhas previsões de materializaram na figura de Harry entrando no palco, e trazendo o bebê em seus braços. Eu sabia que eles estavam tramando algo! Alice caiu na risada, e eu quase subi palco acima. Mas ela me segurou.
-- Acalme-se, você nem sabe o que ele vai fazer ainda! – Ela disse, sem parar de rir.
-- Então, Daniel, veja quantas meninas bonitas temos essa noite! – Harry disse, e o bebê abriu um largo sorriso com poucos dentes. – Meninas, digam ‘oi’ para meu filho.
Harry caminhou pelo palco com o bebê, mostrando a ele a movimentação. Ele pareceu meio escabriado na hora, mas logo começou a abanar os braços e demonstrar animação. Ele estava acostumado com muita gente. E eu ainda querendo subir ao palco. Dougie voltou a falar.
-- Como eu dizia, antes desse cara me interromper, eu quase me tornei um homem completo. Ainda falta alguma coisa para que eu seja realmente completo; vocês imaginam o que?
As fãs pareceram confusas.
-- Vou matar Dougie. – Eu disse, para Alice, no meio da gritaria. – E vou enterrar Harry junto! O que eu deveria ter feito quando descobri...
-- Sossegue! – Alice mais uma vez me puxou. Eu estava irrequieta.
-- Não imaginam? Pois é... a verdade é que hoje a plateia também tem alguém especial. Vejam, quanta coisa diferente tem hoje... no meio de vocês estão uma pessoa que é muito conhecida pelo Mcfly hoje. Ela é minha namorada, e a mãe do Daniel.
As fãs se calaram, olhando para o lado e nos procurando. As câmeras decidiram nos focalizar. Daniel tentava tomar o microfone e o pai tinha um trabalho danado para impedir isso. Meu filho era bem esperto. Eu não consegui sorrir quando apareci no telão, tinha as sobrancelhas cerradas e Alice parecia que ia desabar na gargalhada ao meu lado.
-- Pelo visto ela não está entendendo muita coisa. – Harry disse para Dougie. Ele riu, e passou a olhar em minha direção.
-- Como vocês sabem do nosso amor por vocês, e da importância que nossas fãs têm para o Mcfly, eu pensei que não haveria momento melhor para fazer o que eu preciso fazer, agora. Summer, você sabe o quanto eu te amo? – Muitos “oooohs” na plateia. Eu comecei a ficar vermelha. Minha cabeça girava. Eu queria mata-lo, mas não conseguia pensar em nada mais romântico do que aquilo. – Eu te amo e amo o Daniel como se ele fosse mesmo o meu filho.
-- Diga oi para a mamãe, Danny. – Harry disse. Eles estavam juntos, naquilo. Mais “ooohs” foram ouvidos. Alice ficou séria, e eu estava quase escalando o palco, já.
-- E eu sei que deveria respeitar algumas vontades suas... mas eu não vou resistir. – Dougie continuou – Uma das coisas que mais quero no mundo, agora, é que você seja minha esposa. Eu moro com você, eu durmo todas as noites, e acordo todas as manhãs com você. Isso poderia bastar, talvez devesse bastar, mas eu não acho que seja suficiente. Vocês concordam? – Ele ousou dirigir-se à plateia, atônita. As fãs tinham olhos arregalados e olhavam para Dougie com toda concentração do mundo. – Bem, eu sei que você pode até dizer não, mas eu vou me envergonhar na frente de todas as minhas fãs. Então, eu espero que você diga sim... Summer, você aceitaria se casar comigo?*
Pronto, ele teve coragem. Eu duvidava que ele fosse tão insano, mas ele foi. Eu estava com o coração na boca, quase saltando para fora do corpo, sem respirar, olhos vidrados na imagem do homem que eu amava, ouvindo nada, nem o burburinho entediante das fãs. Meu corpo paralisado, e ele ali, com aquela cara sorridente, depois de me fazer aquela pergunta. Ah, eu mataria Harry!! Pegaria Harry de cascudos assim que tivesse oportunidade, pelo simples fato de ele estar ali, e de envolver Daniel naquela insanidade.
Para que ele piorasse bastante a situação, ele estendeu a mão em um gesto para que eu subisse. Finalmente, escalar aquele palco. O segurança que estava na lateral me ajudou a subir... eu tremia, e nem sabia se deveria fazer aquilo, porque eu não sabia se tinha desistido de mata-lo. Dougie se aproximou da borda, para conferir que eu subiria. Ainda não respirava quando caminhei em sua direção. Ele tinha pego do Daniel dos braços do Harry; segurava meu filho, e eu não sabia se queria acabar com sua existência terrena ou cobrir-lhe de beijos no meio do palco.
-- Você ficou insano? – Eu disse, olhando estática para ele. Nem ligava se as fãs me observavam, também insanas.
-- Eu te amo. Isso já é insanidade o suficiente, considerando tudo que passamos. – Ele disse, sorrindo. Aquele sorriso... bendito fosse! – Aceite se casar comigo.
-- Dougie eu...
Olhei para a plateia. As meninas me olhavam com um misto de emoção e inveja que eu jamais entenderia. Se eu dissesse sim, partiria todos os corações. Se eu dissesse não, partiria o coração de Dougie e elas me odiariam. Elas me odiariam de qualquer jeito. Olhei para Daniel, que abanava os bracinhos em minha direção. Olhei para o backstage e vi Harry, escondido.
-- Ele sabe disso? – Perguntei.
-- Você pode não acreditar, mas foi ideia dele. – Dougie estava meio tímido. – Só preciso de uma resposta, Summer.
Olhei nos olhos de Dougie. Haveria outra resposta possível? Aproximei-me mais dele, tomei meu filho nos braços. Daniel me sorria, ele estava sempre sorrindo. Olhei outra vez para Dougie, ainda sem ar, ainda sem acreditar que ele tinha feito aquilo.
-- Sim.
-- Sim o que? – Ele disse, ansioso.
-- Eu me caso com você. Eu também te amo, Dougie Poynter.
Ele sorriu, mas daquela vez um sorriso diferente. No meio do palco, depois de me obrigar a passar por aquilo, ele sorria. Eu querendo matá-lo e beijá-lo ao mesmo tempo, e ele me interceptou e me abraçou, junto com o bebê, e me beijou. Sim, no meio do palco, no meio do show, logo depois do solo dele. Os rapazes entraram no palco, e Harry se aproximou novamente. Ele pegou Daniel dos meus braços, e eu vi que eles estavam ao nosso redor. Tom pegou o microfone e começou a falar, mas eu não ouvi. Tinha os lábios de Dougie e estava sedada. Completamente dopada por ele, por aquele momento, por tudo.
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