Oneshot Kyle & Sunnny Forever

1 Parte 1 Sentimentos Conflituosos


Notas iniciais
Eu realmente precisava escrever essa oneshot senão a Sunny não deixava a minha cabeça em paz.
Fiz isso por ela.
E por mim também, pois amo esse casal e sou team Sule de carteirinha!
Espero que gostem, foi feita com muito amor e carinho na véspera de Natal.
Boa leitura.
PS: Fanart por Daniela Martins Fonseca.

Cerca de um ano após a nova inserção de Peg, de eu ter ido buscar Jodi (que agora era Sunny) na sua antiga casa, as coisas continuavam no mesmo ritmo.Algumas mudanças, sim, afinal, com duas almas aliadas, a vida nas Cavernas estava bem mais confortável,as incursões bem mais fáceis e relativamente, mais seguras também.

No início, apenas Peg ia atrás de alimentos para nós, mas agora Luz do Sol fazia questão de cooperar em prol da Comunidade.Seu medo e insegurança com o tempo foram diminuindo e agora, nem parece mais aquela coisinha assustada que vivia grudada em mim.

Ela agora trabalhava fazendo esculturas em madeira e barro, um legado que herdou após cinco vidas como urso e que por alguma razão, coincidiu com a habilidade natural de sua hospedeira com trabalhos artísticos e mauais.

Primeiro ela começou fazendo objetos corriqueiros, uns cavalinhos de madeira para Isaiah brincar, tigelas para Lucina e Trudy colocarem comida e prateleiras para armazenar os nossos remédios.Depois, foi evoluindo e passou a fazer elementos que recordavam as suas vidas no Planeta das Brumas.

Ela me disse que, por mais que tentasse, não ficavam perfeitas como aquelas que fazia com o gelo, mas nós sempre a incentivavámos a continuar, a não paralisar seu dom.

Intimamente, eu torcia para que ela, ao colocar sua inspiração para fora, tivesse mais lembranças de Jodi e que isso de alguma forma, “acordasse” sua hospedeira.

Entretanto, minha esperança em ver Jodi de novo estava se perdendo quase que completamente. O tempo ia passando e nada.Nenhum contato. Nenhuma voz na cabeça de Sunny.A mesma tentava me consolar, afirmando que nunca iria deixar de procurá-la, nem que para isso tivesse que levar toda essa vida, que ia tentar dar o máximo de si a cada nova procura.E eu, sinceramente, acreditava em suas palavras.Como uma boa alma, ela não mentia para mim, aliás, para ninguém, pensei sarcasticamente comigo mesmo.

Até mesmo nas incursões ela falava só a verdade.Bom, uma parte da verdade, é claro, senão já teríamos sido pegos.

Dizia que morava com muitas outras “pessoas”, que gostava de esculpir e modelar.Ao contrário de Peregrina usava sempre o seu próprio nome, nunca mudava, salvo em alguns casos, em que Melanie a obrigava a fazê-lo dando-lhe alguns sermões sobre manter o sigilo do grupo e agir sensatamente, buscando ao máximo não levantar suspeitas.Devido essa sua dificuldade em mentir, ela saía poucas vezes com os incursores mas sempre levavam seus trabalhos porque, dessa forma, ela e Peg se sentiam menos descontáveis em relação áqueles de sua espécie.Para ambas, o sentimento de estar trocando um serviço por outro era melhor do que a culpa que, involuntariamente sentiam por estarem “roubando” seus “irmãos”.

Diferentemente de antes, ela agora já não mais dormia comigo e nem compartilhava do mesmo quarto que eu.

Numa noite enquanto dormíamos, agarrei-a, comecei a beijá-la e, não conseguindo conter as emoções avassaladoras de seu corpo, ela cedeu ás minhas investidas.Estava tudo indo muito bem, até que, num vacilo, chamei-a de Jodi.

Ela enrijeceu na mesma hora e desgrudou de mim.Como o panaca que sou, levei alguns mintos para compreender a imbecilidade que havia cometido.Seu olhar triste e ferido foi que me conscientizou de sua dor.Foi como se eu tivesse enfiado uma adaga no seu coração. Não, acho que se eu tivesse feito isso, ela teria sentido muito menos dor.

As lágrimas escorrendo por sua bela face fizeram me sentir como se eu fosse o maior cafajeste do Universo.E olha que na minha adolescência, na minha mocidade, antes de conhecer Jodi, eu havia feito coisa muito pior com muitas garotas sem sentir a menor culpa pelos meus atos impensados.

Como bom jogador de futebol que eu era (e ainda sou!), o que não faltava eram “maria-chuteiras” atrás de mim.Eu pegava geral, não deixava passar uma, magoava as meninas, arrasava corações com a mesma facilidade com que conseguia fazer gols num campeonato.Eu não estava nem aí. Ian sempre me dizia que um dia eu iria pagar por tudo aquilo que eu fazia, mas na época eu só sabia tirar sarro com cara dele, chamá-lo de “pega-ninguém” e fazer um bocado de piadinhas infames com o caçula. Óbvio que Ian também não era nenhum santo, mas nem de longe chegava aos meus pés no quesito sacanagem.

Até que eu conheci Jodi e tudo, de repente, mudou.Eu não precisava de mais ninguém. Ela me completava.

Infelizmente, depois de algum tempo que começamos a namorar acontecimentos estranhos passaram a fazer parte do cotidiano terrestre ; as pessoas foram mudando de uma hora para outra, meu mundo foi tomado pelas almas e perdi aquela que foi meu único e primeiro amor.Isso mexeu muito comigo.Fiquei pior do que já era. Me tornei um homem furioso e amargurado. Não sei como Ian me aguentou todo esse tempo ao meu lado. Não sei como eu me aguentei.

Até que Peg chegou e, antes de tomar aquela louca decisão que quase matou o meu irmão, acendeu a esperança no meu coração, ao mostrar como retirar as almas dos corpos hospedeiros.Insensatamente, corri em busca da minha felicidade.

Mas cheguei tarde demais.Jodi já não existia mais.Por algum tempo ainda pensei que Sunny poderia trazê-la de volta.Eu via seu empenho em tentar se comunicar com algo “irreal” .Para ela, Jodi era apenas algumas lembranças.

Ela fazia anotações de tudo que recordava das memórias da sua hospedeira e, em vão, buscava me animar com a promessa de um dia a minha pequena voltar.Contudo, isso parecia cada vez mais impossível, ao meu ver.

Sunny agora estava no quarto com Lily, que já estava bem melhor, mais resignada com a morte de Wes.Ainda era cedo, mas parece que um possível romance dela com Brandt estava por vir.Ela procurava me evitar, não por indiferença, mas para não se machucar mais ainda.

Eu sabia o quanto ela me amava, o quanto me desejava .Se continuasse ficando o tempo todo perto de mim, como antigamente, ela não conseguiria se conter e se entregaria a mim.Suas forças em continuar buscando pela antiga dona de sua atual “casa” se enfraqueceriam e ela não poderia manter de pé sua promessa.Além do mais, se Jodi realmente voltasse, a dor da ida seria ainda maior do que aquela inicial, no seu primeiro dia aqui.Ela agora tinha amigos, e conseguiu se tornar necessária para a grupo.Não era mais uma decisão que cabia apenas a mim, mesmo com a regra de Jeb eu ser “legalmente dono do corpo em questão”.

Alguns dias eram mais difíceis que outros para nós.Ela sentia culpada por ter levado Jodi embora, por ter roubado seu corpo.Eu a defendia de si mesmo, argumentando que, se não fosse ela, seria qualquer outra alma, então, daria no mesmo.Eu me culpava por não poder amá-la, por ter tirado-a do meio de seus entes queridos,sua mãe, seu padrasto, seus amigos para nada.Para trazê-la para um lugar desconfortável, cuja a maioria dos seres não eram lá muito amigáveis, ou pelo menos, não eram anteriormente.Ela contra-atacava dizendo que, com todo o conforto, nunca foi tão feliz com os seus como era aqui. Mas eu sabia que estava mentindo, pelo menos quanto ao ser “tão feliz” assim.Eu era o problema.

Mas ela confessou que me entendia.Quando não me conhecia pessoalmente ela “rezava” para que os Buscadores me achassem, para que enfim pudesse preeencher o vazio que sentia em seu peito.No entanto, agora,mesmo que colocassem uma alma em mim e, num caso extraordinário, eu sumisse por completo ( o que não dá, obviamente, pois assim como Melanie eu sempre soube que havia algo de errado , ou seja, sempre estive preparado para a invasão),numa suposição, não seria mais a mesma coisa . Não agora que me conhece tão intimamente.

Ela não seria capaz de me deixar preso.Porque ela se apaixonou pelo Kyle original, eu não mais era apenas lembranças recordadas de outra pessoa. Agora ela tinha suas próprias lembranças de mim, sua própria opinião.E me amava.Mesmo eu não merecendo todo esse amor, é claro.

Eu não queria sentir aquela culpa de tê-la desapontado chamando-a pelo nome de outra mulher.Tentava imaginá-la como aqueles seres alienígenas dos filmes do Will Smith, feios e nojentos, grotescos e animalescos.Mas não dava. Não conseguia mais imaginá-la como uma centopéia ou uma lacraia, como um dia supus que as almas fossem.Me agarrava a ideia de que, nem mulher ela era, já que não possuía a capacidade de se desmanchar em um monte de outras alminhas “recém- nascidas”, como as fêmeas de sua espécie faziam, sendo assim chamadas de “Mãe”. Peg possuía esse dom, Sunny não. Poderia ter sido colocada num corpo masculino que não faria a menor diferença.

Mesmo tendo esse monte de argumentos, ainda não dava para não pensar nela como uma garotinha linda e frágil.Mesmo numa hospedeira de vinte e nove anos ela nem de longe parecia ter essa idade. Dariam dezenove para ela fácil fácil.

Eu sentia falta da presença dela ao meu lado, e não estou falando só da presença corporal.Gosto de conversar com ela, do seu jeito, da sua maneira doce de ser. Mas seria muito egoísmo meu ficar só complicando as coisas para nós dois.

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Notas finais
Reviews são sempre bem vindos.
Podem comentar á vontade o que gostaram e o que não gostaram também.
Estou sempre aberta a críticas (construtivas), elogios e dicas para melhorar.
Feliz Natal a todos!