Onegai, Don't Give Up On Me
2 Stop And Stare
Notas iniciais
Queria pedir desculpas pela demora em postar esse capítulo. Andei sem entrar no pc esses dias por alguns probleminhas, mas agora estou de volta.
Vou tentar organizar meu horário daqui pra frente, pra conseguir escrever e postar mais frequentemente.
Queria agradecer muito pelos reviews e leitores fantasmas da estréia da fic, fiquei muito feliz! *-*
Bom, vamos parar de enrolar. Eu tentei fazer um capítulo maior para compensar a demora. Espero que gostem!
Erza Scarlet POV
Stop and stare
I think I'm moving but I go nowhere
Yeah I know that everyone gets scared
But I've become what I can't be, oh
Definitivamente, eu havia cometido um enorme erro.
Assim que deixamos a mansão, fui rodeada por milhares de jornalistas jogando microfones em meu rosto e disparando uma chuva de perguntas sufocantes. Tentava de todo mundo escapar, mas me sentia no meio de um bando de formigas desprezíveis. Parecia impossível se mover.
O tumulto só teve fim quando um dos microfones acabou acertando meu rosto, ferindo minha boca. Todos pareceram se assustar e afastar-se de uma só vez, com uma leve preocupação nos olhos. Eu conhecia aquela expressão. Temiam ser processados até perderem suas meias. Lancei um olhar de nojo inconfundível, fazendo com que abrissem espaço.
- Se ainda estiverem aqui quando voltarmos, chamarei a polícia. Estou cansada desse tormento. Vocês são realmente um bando de egoístas. — declarei com raiva.
Finalmente consegui chegar até o carro de Lucy, notando que a mesma ainda não estava lá. Sentei-me do lado do passageiro, espiando pela janela, a tempo de ver a loira desferir um soco no idiota que havia me acertando. Arqueei uma sobrancelha. Ela realmente estava falando sério.
Ainda com um pouco de dificuldade, ela me alcançou, entrando do lado do motorista, já colocando seu cinto e agarrando o volante. Sua respiração estava um tanto ofegante, e seus olhos expressavam irritação. O assedio da mídia sempre havia nos incomodado, mas agora estava tomando proporções absurdas. Não era a primeira vez que a via explodir com um paparazzi, apesar de nunca ter chegado tão longe a ponto de agredi-los.
Sem dizer nada, ela gesticulou para que eu colocasse o cinto, o que eu prontamente atendi. Senti o motor do carro ser ligado e, para meu total tormento, Lucy acelerar em uma velocidade absurda em direção ao centro.
- Lucy, vá mais devagar, vamos acabar provocando um acidente! — alertei preocupada, agarrando-me as bordas do banco. Sentia como se estivesse em uma montanha russa, totalmente fora do controle.
A loira fez uma careta, mas atendeu meu pedido, voltando a dirigir em uma velocidade normal. Suspirei aliviada, abrindo a janela e sentindo a leve brisa atingir meu rosto. Era agradável, ainda mais depois de tanto tempo trancada naquele lugar melancólico.
- Aquele baka te machucou, Erza-chan?
Levei uma de minhas mãos até meus lábios.Estavam um pouco doloridos, mas não sangravam.
- Não. Eu estou bem.
A postura de Lucy logo relaxou, fazendo-me notar o quanto seus ombros estavam tensos instantes atrás. Era sempre assim. Apesar de ser mais nova do que eu, queria me proteger o tempo todo. Chegava a ser estranho, pensando que ela fazia bem mais o gênero princesinha do que eu, mas a verdade era que eu me esforçava o máximo para me manter na linha. Desse modo, havia aprendido a sempre sorrir e parecer bem em público. Era o nome de minha família que estava em jogo afinal, precisava ter cuidado.
Por sempre seguir as regras impostas rigorosamente, acabava muitas vezes sendo destratada ou provocada, sem jamais poder revidar. E era onde entrava Lucy, com toda sua petulância e desprezo por toda essa conduta social. Seu pai vivia tendo grandes discussões com ela, por culpa de seu comportamento inadequado. Ela apenas ignorava seus avisos e preocupações, sempre acabando em situações complicadas.
Muitas vezes sentia-me culpada por vê-la em problemas por me defender, mas não via como poderia lidar com aquilo. Regras eram importantes. Feitas para serem seguidas. Não conseguiria viver uma vida tão descontraída e despreocupada como a dela. Não havia sido criada para viver assim.
- Você deu um soco mesmo naquele homem? — perguntei preocupada.
- É claro que sim! Além de estar invadindo seu espaço, ele podia ter te machucado, Erza-chan. Não ouse sentir pena dele.
- Não estou com pena, apenas me preocupo por você. Sempre está arrumando problemas por minha causa, Lucy. Tem ideia da repercussão que isso pode vir a ter?
- Um dia de cada vez, Erza. Já está mais do que na hora de você aprender isso. — suspirou pesadamente. — Você sempre age corretamente, mantém uma postura perfeita, um lindo sorriso e um doce tom de voz. E o que ganha com isso? É tão assediada e criticada quanto eu, talvez até mais. Não acha que está na hora de rever seus conceitos? Ser a verdadeira Erza publicamente, pelo menos uma vez na vida? Aposto que gostariam muito mais dela. Esse jeito de garotinha comportada te dá um ar errado.
- O que quer dizer?
- Você sabe. Parece mais uma das garotas ricas, burras e fúteis, sendo sempre cuidadas pelo pai, até arrumarem um marido para substituí-lo.
- As pessoas não pensam isso de mim. — defendi-me, não conseguindo deixar de pensar em meu pai, sempre me olhando de modo carinhoso e protetor. Apresentando-me como sua querida filha e herdeira. Mas eu era mais do que aquilo, deviam saber disso. Não sabiam?
- Podem estar erradas, mas pensam. Já ouvi até alguns jornais começarem a especular quem sua família escolherá como seu noivo.
Cravei minhas unhas em minhas pernas expostas, por culpa da saia, tentando me controlar. Noivo? Eu havia perdido meus pais, e alguém realmente acreditava que eu era fria a ponto de querer me casar? Se tudo já não fosse ruim o bastante, eu tinha apenas 17 anos. Aquilo era ridículo!
- Desconheço sobre as intenções de minha família, mas por que eu me casaria em um momento como esse? Se as pessoas pensam isso, não passam de um bando de idiotas. — desabafei.
- Acredito que seja por causa do seu patrimônio. — murmurou um tanto preocupada, mas mantendo os olhos na estrada.
- O que tem meu patrimônio?
- Você é menor de idade. Não pode assumir as empresas. E aposto que os sócios de seu pai também irão protestar quanto ao resto da distribuição de bens. Vão querer que se mude para viver com algum parente, sob sua guarda e sem seus pertences, pelo menos até completar a maioridade para lutar por eles.
- O que? — gritei. — De onde tirou isso? Por que não me disse antes?
Sentia meu coração bater mais rápido, em total desespero. Eu havia perdido meus pais, meus únicos familiares próximos, e agora corria o risco de ainda acabar sem nada, vivendo com parentes que jamais havia visto? E quanto a minha casa? Minha escola? Meus amigos? Minha vida? Ninguém se importava? Aqueles sócios nojentos realmente teriam a coragem de me tirar tudo o que restava?
- Eu pensei que já soubesse. — murmurou tristonha, olhando-me com pena. — Fique calma. Nós ainda daremos um jeito, eu prometo. Meu pai vai defender seu lado. Sabe que é como uma segunda filha para ele. E se tudo falhar, poderá vir morar conosco.
Escondi meus rostos entre minhas mãos, tentando conter as lágrimas. Quando finalmente juntei forçar para seguir em frente, sentia como se um buraco negro voltasse a me sugar para baixo. Era um pesadelo. Tinha que ser. Era hora de acordar. Mamãe estaria olhando-me com seus lindos olhos castanhos, enquanto mexia carinhosamente em meus cabelos, avisando-me que deveria ficar pronta para o colégio. Eu só precisava acordar.
- Erza...
Após alguns minutos de um triste silêncio, nos quais briguei com minha mente na tentativa frustrada de acordar, o carro parou. Ergui meu rosto, olhando pela janela. Já estávamos nos estacionamento subterrâneo do shopping. Os sons, o ar e a, quase incômoda, escuridão deixavam isso bem claro.
- Vamos? — Lucy sugeriu gentilmente, com um sorriso de canto.
Soltei meu cinto, abrindo a porta do carro e saindo, já encontrando a loira do lado de fora. Ela me olhava do jeito carinhoso de sempre, como se dissesse sem palavras que não havia com o que se preocupar, eu não estava sozinha. Dei um sorriso bem fraco, seguindo-a até a saída do estacionamento.
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Passamos algumas horas caminhando pelo shopping, visitando todo o tipo de lojas imagináveis. Lucy já carregava um incontável número de sacolas, e tinha um enorme sorriso no rosto. Eu me sentia relativamente bem, pelo menos distraída. Não havia comprado nada, perturbada por saber que podia estar a ponto de perder tudo. Não podia me dar ao luxo de gastar com besteiras. A loira parecia entender minhas preocupações, o tempo todo tentando se oferecer para comprar algo, mas eu não me sentia no direito de aceitar.
Tivemos o azar de nos encontrar com alguns jornalistas pelo caminho. Para nossa sorte, eram um pouco mais educados. Limitaram-se a nos fotografar, sem nenhuma pergunta ou invasão de privacidade.
Havíamos acabado de deixar o cinema, fazendo-me suspirar de alívio. Lucy havia me obrigado a ver um romance bobo e meloso, que quase me fez dormir sentada. Era um lado dela que poucos conheciam, mas a loira gostava de romances no molde de contos de fadas. Talvez por isso nunca tivesse tido um namorado. Ela queria alguém que a tratasse como uma verdadeira princesa, diferente dos garotos esnobes e atrevidos que insistiam em perturbá-la.
- O filme não foi lindo, Erza-chan? Coisas assim deviam ser reais! — Lucy comentou sonhadora.
- Se fossem, a vida seria bem chata. — resmunguei, soltando um longo suspiro.
- Não é estranho como passamos a impressão errada? Eu pareço sempre a garota durona e rebelde, e você a doce e sonhadora. — Lucy riu.
- Irônico. — dei um leve sorriso.
Caminhamos perdidamente por mais algum tempo, visitando mais algumas lojas e aumentando o número de sacolas da loira. Não fazia ideia de como alguém podia ter espaço para tantas roupas, mas não discuti.
Acabei admitindo que estava com fome, após uns bons dias sem comer direito. Como nenhuma de nós era grande fã de alimentos saudáveis, resolvemos tomar milk-shake na praça de alimentação. Fui pegar uma mesa, enquanto Lucy foi fazer os pedidos.
Sentei-me na mesa mais distante que consegui, mesmo assim recebendo alguns olhares curiosos. Algumas pessoas olhavam-me e cochichavam algo, fazendo-me ser grata por não poder ouvir. Duvidava que valia a pena.
A loira começou a demorar, deixando-me um pouco preocupada. Ergui um pouco meu corpo, tentando avistar a fila, mas havia muita gente. Jamais conseguiria encontrá-la dali. Comecei a ficar nervosa, apesar de parecer besteira.
A família Heartifilia era uma das mais conhecidas da cidade, talvez até mais do que a minha, e ela se negava a caminhar por aí acompanhada de guarda-costas. O risco de ser sequestrada não era algo assim tão insignificante. Ainda mais em um lugar como aquele, onde poderiam escapar facilmente pelo tumulto.
Levantei-me, decidida a entrar no meio da multidão que chamavam de fila, quando ouvi aquele som irritante mais uma vez. Um flash. Vindo bem de trás de mim. Cerrei os dentes, virando-me para trás com cara de poucos amigos.
Parado, com uma câmera na mão, encontrava-se um garoto estranhamente familiar. Tinha os cabelos de um curioso tom azul e atentos olhos castanhos, fixos em meu rosto. Seu porte físico era bem adequado, alto e aparentemente forte. Sua roupa era pouco típica de um fotógrafo, usava uma camisa preta, com um casaco azul marinho estranho por cima. Havia um símbolo em dourado, também um tanto conhecido, mas não consegui identificar de onde. Uma marca estranha, uma espécie de tatuagem vermelha, contornava um de seus olhos.
Era uma aparência bem marcante. Ainda mais para um jornalista idiota.
Quando estava prestes a soltar uma reclamação, vi o maldito flash da câmera piscar mais uma vez, quase me deixando cega. Soltei um grunhido irritado, ameaçando arrancar o aparelho de sua mão. Ele deu um sorriso de lado, erguendo-o até uma altura onde eu não poderia alcançar.
- Desculpe, mas eu preciso dessas fotos. Nada pessoal. — comentou despreocupado.
- É claro que sim. Todos precisam. Vender as fotos da órfã milionária deve mesmo render um bom valor. — cerrei os punhos.
Seu sorriso logo morreu, sendo substituído por uma expressão confusa, quase pensativa. Ele bagunçou os cabelos com a mão livre, parecendo desconfortável.
- Dizendo nesses termos, parece algo horrível . São só algumas fotos.
- Não só parece, é algo horrível. — enfatizei. — Vocês fotógrafos malditos estão ganhando dinheiro as custas do meu luto. Vocês me enojam. Agora, me faça um grande favor e suma daqui. Estou cansada de lidar com tipinhos como você.
O garoto arqueou uma sobrancelha, parecendo um tanto surpreso. Logo entendi porque. Desde o pequeno problema em frente a minha casa, eu nunca havia tratado nenhum paparazzi mal. Era sempre gentil e amigável, até mesmo dando algumas entrevistas rápidas. A primeira ocorrência ainda era bem recente, ainda não tendo se espalhado, o que deve ter surpreendido o infeliz jornalista.
- Você realmente não parece bem. — murmurou. — Veio até aqui sozinha? Quer dizer, não parece um comportamento normal para alguém que acaba de perder os pais.
- Está me julgando? — tentei controlar o tom de voz, mas saiu um pouco mais alto do que gostaria. Alguns olhares se voltaram em nossa direção, deixando-me ainda mais incomodada.
- Não. — piscou perplexo. — Fazendo uma pergunta. Você parece um tanto... Descontrolada.
- Oh, desculpe se ando um tanto sentimental demais. Não há motivo, não é mesmo? — retruquei ríspida.
- Eu não disse isso.
O garoto abaixou a câmera, bagunçando mais uma vez os cabelos. Em um movimento inesperado, ele a estendeu para mim.
- Quer apagar as fotos? — murmurou um tanto frustrado.
Mordi os lábios, pensativa. Passei meu olhar do objeto até seu rosto, que parecia estranhamente preocupado. Como se soubesse que estava cometendo um erro. Ele precisava do dinheiro?
- Esqueça. — balancei a cabeça. — Não vai fazer tanta diferença.
Antes que pudesse ouvir sua resposta, lembrei-me repentinamente de que Lucy ainda não havia aparecido. Senti um terrível arrepio. Aquela demora estava muito além do normal.
Sem maiores explicações, dei as costas para o fotógrafo, correndo em direção a fila. Comecei a pedir licença e dar alguns leves empurrões para atingir o início. Recebi desde alguns xingamentos até olhares de pena pelo caminho, mas não me importei com nada. Precisava encontrar Lucy.
Finalmente cheguei até o balcão, onde uma atendente mal humorada usava um uniforme ridículo qualquer. Não havia nem sinal da loira.
Olhei desesperadamente ao redor, sentindo minha respiração ficar descompassada. Aquilo não podia estar acontecendo. Ela também não podia me deixar.
Totalmente frustrada, e recebendo uma série de reclamações, deixei a fila, rondando a praça de alimentação. O que eu faria agora? Deveria procurá-la? Chamar a polícia? O que havia acontecido?
- Você parece inquieta. — ouvi uma voz familiar, vinda de trás de mim.
Virei rapidamente, dando de cara com o garoto de cabelos azuis. Um pouco mais próximo de mim do que consideraria confortável. Ele pareceu um tanto sem graça, afastando-se um pouco.
- Aconteceu alguma coisa? — perguntou curioso.
- Nada que seu jornalzinho deva saber. — respondi ríspida. — Já não disse para me deixar em paz?
- Ei, estou sem minha câmera. — ele levantou as mãos, mostrando que estavam livres. — Você precisa sair um pouco da defensiva. Só achei que estava agindo um pouco estranho.
- Quem precisa de câmeras? Você ainda pode vender suas histórias sem ela. Ninguém se importa com a verdade mesmo.
Dei as costas para ele mais uma vez, voltando a caminhar perdidamente pelo shopping. Deixei a praça de alimentação, pensando em refazer o caminho que havíamos feito. Lucy era distraída, talvez tivesse se lembrado de algo e esquecido que eu a estava esperando. Já havia acontecido antes. E era a melhor alternativa no momento.
Parei em um setor cheio de lojas de roupas, espiando rapidamente pelas portas, sem vê-la. Os lugares eram enormes, teria que entrar para vê-los por completo, mas se ela realmente corresse perigo, podia ser uma enorme e preocupante perda de tempo. Fiquei parada entre elas, frustrada, pensando no que faria.
- Está procurando algo?
Quase dei um pulo de susto ao ouvir novamente aquela voz irritante. Virei meu rosto brevemente, vendo o maldito fotógrafo, ainda sem sua câmera.
- Você está me seguindo?
- Talvez. — sorriu de lado.
Encarei-o, começando a ter pensamentos bastante desagradáveis. Ele agia de modo estranho, até mesmo para um jornalista. Temi que pudesse apenas estar usando aquela história para se manter em alguma espécie de disfarce. O símbolo estranho em seu casaco, a tatuagem no olho... O que significavam? E se ele fosse o culpado pelo desaparecimento de Lucy? Engoli seco.
- Está me olhando com uma cara estranha. No que está pensando? — perguntou calmamente.
- Fique longe de mim. — dei um passo para trás.
- Hm?
- O que fez com Lucy? — minha voz tremulou.
- Do que está falando? — ele franziu o cenho, parecendo confuso.
- Foi você, eu sei disso. — apontei para ele, com um ar acusador. — Se não me disser quem é ou o que pretende, vou chamar a polícia agora mesmo. E nem tente se aproximar, irei gritar até que metade dessa cidade possa ouvir.
Um silêncio tenso invadiu o ar. Ele apenas me observava, parecendo tentar entender algo. Eu mantinha meus olhos presos nele, temendo qualquer movimento. Senti minhas pernas começarem a tremer levemente. Sua falta de reação só aumentava meu nervosismo.
- Lucy. Está falando da Heartfilia, certo? — deduziu, falando pausadamente.
Assenti. Não queria falar, dando-lhe a chance de notar que minha voz estava fraca. Ele não podia saber que estava conseguindo me deixar com medo.
- Eu acabei de vê-la em uma loja de CDs, conversando com um garoto ruivo.
Pisquei uma boa quantidade de vezes, ponderando se devia acreditar naquilo.
- Que loja? — perguntei por fim.
- Logo ali. — ele apontou para trás.
Olhei receosa para a direção indicada, cruzando os braços. O que deveria fazer?
- Não vai atrás dela?
- É o que quer que eu faça?
- O que? — ele pareceu conter uma risada. — O que está pensando?
- Você é estranho. Além de ficar me seguindo por toda parte. É meu suspeito número um. — franzi os olhos.
- Suspeito? De que?
- Sumir com Lucy, é óbvio! — grunhi. — Eu sei que fez algo.
- Ela. Está. Logo. Ali. — repetiu pausadamente, como se falasse com uma criança, voltando a apontar para trás.
Passei meu olhar rapidamente, do garoto até a loja. Respirei fundo, finalmente tomando minha decisão. Valia a pena tentar, antes de continuar com minhas conclusões precipitadas.
Caminhei lentamente em direção ao local, encarando o garoto ao passar ao seu lado. Ele ria contido, parecendo estar se divertindo.
Cheguei a loja sem ser impedida, o que já me pareceu um bom avanço. Assim que entrei, avistei a maldita loira olhando alguns CDs, com um enorme sorriso no rosto. Um garoto ruivo, de óculos escuros e uma jaqueta verde, a observava com os olhos brilhando, enquanto conversavam perdidamente. Logo o reconheci como Loki. Um dos milhares de garotos que vivia atrás dela, e talvez o que tivesse mais sucesso até então. Era o único que ela parecia ao menos suportar.
- Lucy. — chamei rispidamente.
A loira pareceu se assustar ao ouvir minha voz, olhando-me com os olhos arregalados. Loki me olhou um tanto sem graça, acenando.
- Por Kami! Erza, eu esqueci totalmente que havia te trazido até aqui! Gomen! — ela correu assustada em minha direção, parecendo culpada. — Eu sou a pior amiga do mundo.
- Tudo bem, eu acho. Mas tente não me matar de preocupação a toa. — suspirei. — O que aconteceu afinal?
- Minha culpa.- Loki ergueu o braço, um tanto sem graça. — Encontrei Lucy-san na fila, e acabei falando sobre uns CDs novos que chegaram. Estou trabalhando aqui agora. Ela ficou toda entusiasmada e acabei a trazendo direto para cá. Não sabia que havia vindo com ela, Erza-san. Gomen.
- É, acho que já devia esperar algo do tipo, vindo de Lucy. Devo estar mesmo um tanto neurótica. — soltei um longo suspiro, em uma mistura de alívio e frustração.
- Agora eu realmente insisto, Erza-chan. Escolha qualquer coisa da loja. Preciso comprar algo para te compensar. — Lucy declarou decidida, com os olhos quase enchendo de lágrimas. Sorri de lado, finalmente aceitando sua proposta.
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Mal podia acreditar que estava voltando para casa, cheia de sacolas. Lucy realmente havia exagerado com seus presentes. Se não soubesse que tinha condições para aquilo, jamais aceitaria.
Havia acabado de deixar seu carro, e caminhava calmamente até a porta de entrada. Ela acabou voltando para sua casa, após minha enorme insistência. Não parecia contente, mas pareceu compreender que eu ainda precisava de meu tempo sozinha. De qualquer modo, a loira já havia declarado total guerra a meu isolamento. Estaria lá pela manhã, para me arrastar para mais algum lugar, dessa vez prometendo que não me esqueceria por aí. Não tive nem chance de protesto, sendo obrigada a aceitar.
Aproximei-me da porta para destrancá-la, assustando-me ao notar que estava aberta. Eu tinha plena certeza de que a havia trancado antes de sair de casa.
Cuidadosamente, e com muito receio, abri uma pequena fresta, tentando não fazer barulho. As luzes da sala estavam apagadas, fazendo-me caminhar lentamente até o interruptor e ligá-las. Suspirei aliviada ao ver que o lugar estava vazio, mas não por muito tempo. Notei rapidamente as luzes da cozinha ligadas e senti que ia desmaiar. Havia mesmo alguém lá.
Pensei em correr até o telefone e ligar para polícia, mas tive medo de que notassem minha presença. Para meu azar, também estava sem meu celular.
Podia sair dali e ir até a casa de Lucy, apesar de um tanto distante. Espantei a ideia pouco depois de tê-la. Se ali dentro não era seguro, nada garantia que lá fora podia ser.
Comecei a sentir o desespero me invadir. Estava parada na sala, imóvel, tentando reaprender como respirar. O que devia fazer? Sentia-me encurralada.
Juntei toda a minha coragem, vagarosamente caminhando em direção a cozinha. Erza Scarlet não era uma covarde. Seja lá o que fosse, estava decidida a enfrentar de frente. A porta do cômodo estava encostada. Respirei fundo, a empurrando com delicadeza e adentrando o lugar de uma só vez.
Apoiado no balcão, com um copo de vinho na mão, eu o vi mais uma vez. O maldito garoto de cabelos azuis, com seus intensos olhos castanhos. Senti minhas pernas fraquejarem.
- Boa noite, Erza-san. — cumprimentou com um sorriso, brindando a taça no ar.
Notas finais
Gostaram? Odiaram? Abandonaram a fic? Mandem reviews! ^^ Nem que for para me xingarem pela demora.
Revisei bastante esse capítulo, mas mesmo assim não fiquei muito satisfeita com algumas partes. Não consegui deixá-las melhores, então tive que me contentar. Prometo tentar melhorar.
Até o próximo capítulo!
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