OneShots
22 O amor de criança é o mais sincero
Notas iniciais
P.O. V Luna
Estava no lugar de sempre, onde ia quando estava triste, quando precisava pensar, quando precisava conversar com alguém, quando queria chorar ou quando queria comer um pote de sorvete de morango antes da janta. Meu pai era meu confidente em todas essas horas, mas ele partiu sem nem me dizer adeus, ele partiu sem antes me levar ao altar e partiu sem me dar seu último conselho.
Nunca mais verei seu sorriso, nunca mais ouvirei sua voz, nunca mais sentirei seu perfume, nunca o abraçarei nem o beijarei, nunca mais brincarei com seu cabelo, nunca mais me sentirei protegida e nem terei a oportunidade de apresentar o genro a ele ou o sogro ao meu marido.
E foi neste mesmo balanço, que o conheci, devia ter por volta dos seus anos e corria para os jardins, eu tinha fugido de um garoto que estava me perturbando, além de ser extremamente irritante, não conseguia perceber que eu não queria nada com ele. Esse menino caiu como um anjo na minha vida, Blásio Zabini era o garoto mais fofo que eu tinha conhecido até então, e hoje estou chorando, porque causa do mesmo menino que um dia já me fez sorrir.
Flashback on:
Estava correndo pelos jardins e avistei o balanço ao que sempre me sentava quando estava fugindo daquele ser irritante, que se dizia meu amigo e meu primeiro amor, mal sabia ele que eu não queria nada com ele. Gabriel era seu nome, um nome tão comum e sem graça quanto o garoto. E então vi uma figura caminhando até mim e numa tentativa frustrada tentei me esconder por três motivos: 1. Eu não queria ver o Marques. 2. Não podiam ver que eu estava comendo sorvete antes do jantar e 3. Não podiam saber desse detalhe e eu não queria dividir o sorvete com mais ninguém.
– Sou Blásio Zabini, seu novo vizinho. – disse estendendo a mão.
– Sou Luna Lovegood, prazer. Quer sorvete? Só não conte isso para nossos pais. – respondi.
Ele assentiu e ficamos até anoitecer no balanço ora ele me empurrava, ora eu empurrava ele. Minha mãe sempre tirava fotos nossas e assim o tempo foi passando, parecia que a cada vez que sentávamos no balanço um ano inteiro passava diante de nossos olhos.
Conseguimos manter essa amizade forte até os onze quando entremos para Hogwarts, porque apesar de sermos amigos, viramos colegas e nos distanciamos. Eu sabia que isso iria acontecer, afinal eu era da Corvinal e ele da Sonserina. Sonserinos e corvinos não soa amigos.
Flashback off:
E aqui estou eu com um pote de sorvete nas mãos, antes do jantar não querendo ver ninguém, parece que a história se repetiu, aprendi a me vestir melhor graças a Merlin e a Hermione, não sei como conseguia usar aqueles vestidos todos espalhafatosos, minto sei sim, era daquele jeito meio desengonçado, divertido, mas ao mesmo tempo único. Era bonita, mas queria que as pessoas enxergassem primeiro minha beleza interior para depois a exterior e isso poucos conseguiram, mas tudo se fora com meu pai, ele levou aquela garotinha risonha para o tumulo junto com ele.
P.O. V Blásio
Eu estou aqui em casa, trancando no meu quarto, chorando por algo que eu não tive culpa, mas a loira com certeza deve estar pensando o contrário. Estávamos voltando para casa e sabia que nunca mais retornaríamos ao castelo, eu ia me declarar para a loira, mas Pansy me agarrou no meio do corredor e tenho certeza que minhas chances com minha pequena já eram. Lembro do dia que a conheci.
Flashback on:
Tinha acabado de me mudar e estava com um pouco de medo de não ser aceito e ser zoado por todos, afinal não é sempre que um bruxo se muda para um bairro trouxa, apenas viemos para cá, porque meu pai era um comensal e minha mãe não queria essa vida, por isso fugimos em uma noite e nunca demos notícias a ninguém, escolhemos o bairro mais desconhecido e nos mudamos, fomos conhecer os novos vizinhos e ao passar pela cerca do muro e cumprimentar todos que estavam ali, me direcionei a um balanço, uma garotinha tentava inutilmente se esconder.
Ela tinha cabelos loiros, estava descalça e usava um vestido rosa com babados e um casaco verde, achei a combinação estranha para qualquer um, mas para ela ficou perfeita, era única como ela.
– Sou Blásio Zabini, seu novo vizinho. – disse nervoso enquanto estendia minha mão.
– Sou Luna Lovegood. Quer sorvete? Mas promete que não conta para ninguém? – respondeu estendendo a mão para mim.
Assenti e ficamos comendo, depois fomos balançar ora eu a balançava, ora ela me balançava. Queria tanto ficar com aquela idade para sempre, sem problemas, sem perdas, sem guerras, sem Pansy, sem preocupações, apenas eu e ela.
Cada balanço um ano, fomos para Hogwarts, nos afastamos e nesse último ano só amarramos mais o laço da nossa amizade, mas conseguiram estragar isso no último minuto.
Flashback off:
Sai do meu quarto, arrumei a casa e organizei a cozinha, depois desliguei todos os aparelhos eletrônicos e tranquei a porta antes de sair, aprendi a morar como um trouxa, afinal aquilo não era um bairro bruxo.
Entrei no quintal que por muitas vezes foi meu esconderijo, também já sequei as lagrimas de minha amiga e ela as minhas, já sorrimos juntos e já devoramos muitos potes de sorvete, também já brigamos e fizemos as pazes, já observamos as nuvens e as estrelas. Sempre eu e ela, apenas nós dois. Já a defendi e ela já bateu em um menino para me defender, já ficamos de castigo apenas por brincar até tarde, acho isso injusto, porque mesmo não sabendo naquela época nos amávamos, não vivíamos um sem o outro e quando não ouvia sua risada ou não a via, meu dia ficava incompleto. Hogwarts pode ser a melhor escola que já existiu, mas sem ela é como se toda a magia fosse comum demais, sem ela o sol não brilhava, sem ela não havia eu, não havia nós.
A avistei de longe, novamente estava se escondendo, mas doeu saber que dessa vez ela se escondia de mim e não do Gabriel, caminhei até ficar de frente para ela e pude ver uma lágrima escapar por seus olhos e seu rosto marcado pelas lágrimas.
– Não fique assim, eu não gosto dela. E a proposito você está linda assim, mas eu preferia as suas roupas antigas. – disse já me preparando para o deboche.
Ela pode ser corvina, mas tinha a ironia e o deboche dignos de uma sonserina. Ela estava usando uma calça jeans escura, com um moletom preto, uma touca vermelha e all star preto. Estava linda, mas como disse antes, não era ela.
– Ninguém perguntou, você não me deve satisfações e nem tem o direito de opinar sobre a minha vida, já que você se afastou eu tentei manter contato e quando finalmente voltamos a nos falar, você fica se esfregando com a Parkinson por ai. – falou.
– Devo sim, porque eu te amo. A Pansy me agarrou como ela fez com metade da escola, ela me usou para te ferir, eu sinto muito por tudo o que aconteceu e descobri que se veste assim por causa do seu pai mais eu queria tanto que aquela garotinha voltasse, sei que é pedir demais, mas casa comigo? Sem namoro nem nada, nossa relação já é tão antiga como as páginas dos livros que lemos e usamos na escola, já nos conhecemos tão bem. Por favor, me deixe ser feliz ao seu lado e construir um futuro junto com você. Agora se me pedir para sair por aquela porta eu saio, mas eu não volto mais. – discursei e ela deu um sorriso tímido.
– Eu também te amo, fique por favor não me abandone. Quer? – respondeu me mostrando um pote de sorvete.
E foi assim que passamos nossa tarde junto, comendo sorvete, colocando o papo em dia e balançando. Se um dia pedirem um resumo da minha história de vida: um pote de sorvete de moranga, um balanço, uma loira, uma cerca, duas casa, duas famílias, um moreno e um quintal cheio de lembranças.
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