Regina estava sentada sobre seu sofá. Várias garrafas de bebida estavam espalhadas pelo chão, inclusive a que acabara de tomar a única gota que a restava. Ela iniciou um novo habito: Fumar. Havia também carteiras de cigarro amassadas sobre seu tapete.

Todo dia era assim. Ela chegava do trabalho e ia diretamente chorar e se culpar por tudo. Regina sabia que aquilo era errado, ainda mais para seu filho a ver naquele estado. As pessoas tentavam a ajudar, mas não adiantava. Aquilo era o único jeito de esquecer Emma.

Liga o seu telefone e fica ouvindo inúmeras vezes os recados de Emma, que não nunca foram respondidos. Era seu hobbie.

10 anos se passaram, mas a dor ainda estava dentro dela. Emma a traíra, aquilo era imperdoável, anos de casadas, como Emma fora fazer tal ato terrível? Era isso que Regina se perguntava. Nesses anos, ela não recebeu mais nenhuma informação de Emma, no começo a mesma sempre tentava contato, mas nunca conseguira. Arrependimento de tudo, arrependimento por não ter corrido atrás, não ter perdoado Emma. Era isso que Regina carregava em si. Agora era tarde demais. Só lhe restava ouvir a voz de Emma incontáveis vezes.

—Olá, sou eu. Eu estava me perguntando se depois de todos esses anos você gostaria de encontrar, para falarmos sobre tudo.—Fazia 13 anos. Ela ficou durante 3 anos lutando por Regina, até que parou, e nesses 10 anos foram os mais sofridos.

‘’ Hello, it's me

I was wondering if after all these years

You'd like to meet, to go over everything

They say that time's supposed to heal ya

But I ain't done much healing’’

Regina pegou uma garrafa vazia e jogou com toda sua força contra a parede.

— Como eu fui burra! – ela berrava, aos prantos. Provavelmente havia acordado a casa toda.

As gravações continuavam.

— Olá, você pode me ouvir? – Emma gritava pois parecia estar em um lugar bem movimentado. — Estou na Califórnia, sonhando sobre quem costumávamos ser quando éramos mais jovens e livres. Eu esqueci como era antes do mundo cair aos nossos pés. – Regina se lembrava de tudo. Fora em um dia ensolarado, ambas estavam sentadas e encostadas na macieira do jardim de Regina. Conversavam sobre o futuro, quando Regina a perguntou onde morariam quando casassem. ‘’ Eu gosto da Califórnia, você gosta? Acho lá lindo e um bom lugar para morarmos, além disso, meu sonho é passar pela ponte Golden Gate...’’ ‘’ Moraremos lá! Teremos uma grande família, gêmeos (não conseguiram) e um buldogue.’’

Ah, como era maravilhoso. Foi ótimo aquele dia.

‘’Hello, can you hear me?

I'm in california dreaming about who we used to be

When we were younger and free

I've forgotten how it felt before the world fell at our feet’’

— Sua filha da mãe! Como teve coragem de fazer isso comigo? Desgraçada! – gritava, derrubando todos os objetos que estavam em cima da mesa de centro.

— REGINA! Para! O Henry está assustado, todos estão! – Zelena me segura com força.

— E daí? Agora é crime chorar por um amor perdido? Um coração quebrado?

— É quando já se passaram 13 anos e você está assustando seu próprio filho! Isso é passado, vá se tratar!

— Vá se tratar você e vê se deixa os outros em paz, eu só quero chorar!

— Chore silenciosamente por essa obsessão, daí eu te deixarei em paz.

— Tá, eu chorarei ‘’ silenciosamente’’, agora anda, saia da daqui.

— Eu realmente tenho dó de você. – Zelena dá um olhar chateado para sua irmã e vai embora dali. Regina começa a chorar novamente, dessa vez quieta, sem quebrar nada.

—Olá. Eu devo ter ligado mil vezes para te falar me desculpe por tudo que eu fiz...Mas quando eu ligo parece que você nunca está em casa.

— Você nunca se preocupou com os meus sentimentos! Só queria saber das suas desculpas e continuar me trair com a minha melhor amiga! Sempre foi assim, Emma! – ela volta a gritar.

‘’Hello from the other side

I must've called a thousand times to tell you

I'm sorry, for everything that I've done

But when I call you never seem to be home’’

— Eu estava tão feliz ao seu lado, por que tinha que me trair? Eu não era o suficiente para você? Idiota...

—Olá. Pelo menos eu posso dizer que eu tentei te dizer ‘’ me desculpe por partir seu coração’’. Mas não importa, claramente isso não te machuca mais.

— Isso importava! Mas desculpas não melhoram nada, são como um band aid e em cacos de vidros! Você partiu completamente meu coração, fique com seu discurso de ‘’ eu tentei te dizer’’— cai de joelhos no chão.

‘’Hello from the outside

At least I can say that I've tried to tell you

I'm sorry, for breaking your heart

But it don't matter, it clearly doesn't tear you apart anymore’’

— Isso sempre me machucará!

—Olá, como vai você? É tão típico de mim falar sobre mim mesma. Me desculpe, espero que esteja bem. Você conseguiu sair daquela cidade onde nada nunca acontecia?— se referia a Storybrooke, onde elas moravam. E não, não conseguira sair.

— Finalmente você percebeu que só se importava com si mesmo, não dava a mínima para mim!

‘’ Hello, how are you?

It's so typical of me to talk about myself

I'm sorry, I hope that you're well

Did you ever make it out of that town

Where nothing ever happened?’’

— Olá novamente, eu sei que já liguei inúmeras vezes, juro que essa é a última. Apenas peço que me desculpe, não volte para mim. Eu errei, eu admito para os sete ventos. Mas eu te amo e estou muito arrependida. Caso você me queira de volta, me encontre hoje, às 14:00, no parque central. Caso não vá, prometo nunca mais te incomodar.— dava claramente para ver que Emma estava chorando. Regina carregava uma expressão surpresa em seu rosto, ela nunca tinha escutado aquele recado, talvez sempre o pulava de tanta raiva. Então foi por isso que Emma parou de tentar contato. Desistiu.

E você, o que faria, se tivesse a chance de recomeçar, se tivesse a chance que Regina havia tido? O que Regina havia feito? Nem ela podia imaginar.

Pegou o telefone e discou o número de Emma. Deu várias vezes caixa postal. Será que estava a evitando? Claro, depois de tanto tempo.

Depois de alguns minutos, uma mulher, que não parecia ser Emma, atendeu.

— Olá, quem é?

— A Emma está? – Regina vai direto ao ponto, nervosa.

— Emma? Emma Swan? A menina que morava aqui?

— Eu acho que sim, ela era loira, alta... Pode de dizer onde ela está?

— Sinto muito... Ela está morta, éramos colegas de apartamento.

O mundo de Regina caiu. Como Emma estaria morta? Não era possível. Se Regina errou? Errou. Se Emma errou? Errou, e muito.

Depois de conversar mais com a mulher, que se chamava Lily, e pedir informações, Regina foi até o cemitério da cidade e chegou até o tumulo de Emma. Lê o que estava escrito na lápide e começa a chorar. Coloca uma rosa vermelha sobre ele.

— Eu sempre te amarei. – ela diz em um sussurro e fica algum tempo ali, pensando em tudo. Vai embora para sua casa e conta aos familiares o que havia acontecido. Com todo o apoio, ela recomeça uma nova vida.

‘’ Eu errei muito durante minha vida, e aprendi muito também. Se contente com o que você tem, pense muito antes de tomar uma decisão. Há noites que eu não posso dormir de remorso por tudo o que eu deixei de cometer, e há noites que eu não posso dormir por tudo que eu cometi. Agora cá estou, morta, pelo menos tentei lhe pedir desculpas. E lá vai eu, desculpas novamente. Sempre te amarei.’’

Emma Swan, querida filha, esposa e mãe. 1979-2007’’

E você, o que faria?

Notas finais
Espero que tenham gostado, minha primeira one ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!