One-shots Emma and baby Neal
3 Desejo de bolo
Notas iniciais
O dia não estava tão brilhante quanto deveria, com sol ou passarinhos cantando. Pelo contrário, uma nuvem escura cobria a cidade Storybrooke mantendo uma garoa fina e gelada. Nem por isso Neal acordou menos feliz. Era o dia de seu aniversário, e bom, ele estava ansioso para completar seus 6 anos, mas isso não era o que ele vinha esperando tão exasperadamente. Assim que abriu seus olhos, sua casa ainda estava escura. Desceu as escadas devagar e foi até o quarto dos pais, que ainda estavam dormindo, e subiu na cama. David abriu os olhos, sentindo Neal passar por cima dele sem o menor cuidado.
— O que você está fazendo acordado à essa hora, Neal?
— Papai, hoje é meu aniversário.
— Eu sei... Mas você poderia nos deixar dormir só até às sete, não? — Snow acordou também.
— Que horas Emma vai chegar?
— Ah, com certeza bem mais tarde. Neal, volta pra cama... Tá muito cedo ainda.
— Posso ligar pra Emma? — Ele pediu.
— E nessa hora, deveríamos considerar bastante em deixar ele com Emma. — Snow reclamou, colocando o travesseiro na cara.
— Se eu levantar, você pode esperar até que seja dia de verdade pra ligar pra sua irmã?
— ... Tá.
David levantou como filho e ficaram vendo televisão, enquanto Snow descansava mais. Não estava preocupada em fazer comida ou qualquer coisa do tipo porque havia alugado o restaurante da Granny. Charming conseguiu adiar a ligação de neal para Emma o máximo que pode, o que foi só até às 10 horas.
— Emma?
— Bom dia pra você também, Neal... — Emma riu do outro lado da linda. — Como você tá se sentindo velhinho? — Ela riu.
— Não tô velhinho! Quando você vem pra cá?
— Em breve. Fique pronto. Até daqui a pouco, pequeno. — A loira desligou.
Realmente, não demorou muito para que Emma passasse no apartamento.
— Vou ficar com ele até a hora da festa, ok? — Emma avisou.
— O que vocês vão fazer? — Snow perguntou.
— Segredo! Não fala, Emma! — Neal gritou da escada.
— OK. Você ouviu o menino Neal. Segredo. — Ela sorriu e eles saíram. Emma seguiu com seu fusquinha amarelo pela estrada que acompanhada a floresta, até próximo à placa de saída de Storybrooke.
— Cadê o Henry?
— Ele ficou dormindo. Você não me deixou ter esse direito.
— Desculpa.
— Tudo bem. — Emma sorriu e estacionou numa clareira. — Vamos.
— O que vamos fazer aqui?
— Calma, rapaz.
Ela colocou o menino sentado no capô do fusca e ficou da altura dele.
— Primeiro de tudo: happy birthday, lil’ buddy! — Ela sorriu radiante e o encheu de beijos.
— Obrigado! — Ele abraçou-a.
— Segunda coisa: seu presente.
— O que é?
— Não, não, não... Surpresa. Mas você tem que prometer pra mim que não vai sair com seu presente sem mim, ou sem nossos pais. Ok?
— Combinado.
— Sendo assim, olhe pro banco de trás. — Ela tirou o menino de cima do carro.
— Uma bicicleta?! — Ele arregalou os olhos.
— Aham. Gostou?
— Eu... ADOREI! — o menino pulou no colo da irmã mais velha.
— Quer aprender com a melhor das professoras? -Ela sorriu e colocou-o no chão, tirando a bicicleta de seu carro logo em seguida.
— É dos Avengers! — Ele viu de perto.
— É... e tem uma buzina! -Ela apertou. — Vai, sobe aí! Se você conseguir achar seu equilíbrio, não vai cair.
— Mas até eu achar, né...? — Ele fez uma cara engraçada, rindo do óbvio.
Ficaram um bom tempo brincando com a bicicleta.
— por favor, Emma! Não me solta! — Neal pedia apavorado.
— Eu não vou soltar, relaxa, pequeno! — Ela sentiu ele apertando sua mão no guidão, desesperado. — Ei, calma! Confia em mim! Não vou te soltar não!
— É sério, não me solta...
A loira deu algumas voltas com ele, segurando a bicicleta. O irmão não deixava que ela soltasse nem por um segundo.
— Neal, agora você tem que pedalar sozinho. Eu não vou deixar você se machucar, mas eu preciso soltar o guidão...
— Não, não, não. Chega... — Ele pediu e saiu da bicicleta.
— Que medo é esse? O chão não vai te engolir não.- Ela riu e sentou-se com ele num banco de madeira. Estavam no novo parque, feito pela prefeita um tempo atrás. O local estava vazio e mudado do que era quando foi construído. A mata havia avançado um pouco, mas uma longa trilha circular na clareira ainda era visível. O local onde as crianças de Storybrooke andavam de bicicleta, quando não estavam no meio da cidade.
— Toma. — Ela entregou à ele um lanche com pasta de amendoim e uma caixinha de suco.
— Obrigado.
Eles começaram a comer quietos. Até Neal quebrar o silêncio.
— Emma?
— Hm? — Ela falou de boca cheia.
— Porque você escolheu uma bicicleta de presente?
— Não gostou?
— Eu amei, mas você não pode me soltar, mesmo assim. — Ele percebeu a jogada da irmã.
— Eu falei que não vou te deixar cair, só que você tem que aprender a andar sozinho. E se um dia eu não puder estar com você?
— Aí eu não ando.
— Ah, pára de ser medroso, moleque. — Ela riu, bagunçando o cabelo dele.
— Me fala! Porque você escolheu uma bicicleta?
Emma suspirou e olhou para a floresta, para o parquinho à sua frente antes de começar a falar.
— Lembra do que eu te contei, que... quando eu era criança, fiquei no sistema de adoção?
— Por causa da maldição?
— Isso. Bom, eu não conhecia ainda nossos pais e não sabia da maldição, então eu só achava que eles não me queriam e tinham me largado na estrada. Passava todos os dias chorando querendo que eles fossem me buscar, mas isso nunca acontecia. E quando já estava chateada demais com eles, eu sonhava que algum dia, apareceria no orfanato alguém, dizendo ser meu irmão mais velho que me levaria embora dali pra sempre e viveria comigo, cuidaria de mim, me ensinaria a andar de bicicleta. Como você sabe, isso não aconteceu.
— Como você aprendeu a andar de bicicleta?
— Sozinha. Caí bastante. — Ela sorriu. — Foi por isso que escolhi uma bicicleta pra você. Eu não tive esse irmão mais velho que eu sonhava pra cuidar de mim e me levar embora do orfanato, e não quero que seja assim com você nunca. Quero ser a big sister que nunca vai deixar você se machucar ou sozinho. E que vai te ensinar a andar de bicicleta. — Ela piscou pra ele, abraçando-o pelo ombro.
— Emma, você é a melhor big sister que qualquer um poderia querer. — Neal falou, abraçando-a de volta.
— Ah, eu sei. — Ela riu.
— E a menos humilde também.
— Vai tentar sozinho agora?
— Achei que você tinha dito que não me deixaria sozinho...
— Não foi nesse sentido. — Ela revirou os olhos.
— Mas...
— Por favor? Você não vai cair. Tenta. Por mim, ok?
Neal pensou e se levantou, subiu na bicicleta e Emma foi atrás.
— Eu vou te dar o impulso e aí você continua, ok?
— Não me deixa cair, Emma! Por favor...
— Prometo.
Ele deu as primeiras pedaladas com Emma correndo atrás e ela o soltou. Neal conseguiu se manter em equilíbrio.
— Emma! Emma! Eu consegui! — Ele olhou pra trás e comemorou.
— Neal! Olha pra frente! — Não deu tempo de Emma falar. Ele estava indo de frente com o castelo de brinquedo e ia levar uma queda feia, isso se não quebrasse o dente. A loira só teve tempo de conjurar um feitiço de proteção.
— Opa... — Ele falou, baixinho, segurando um choro.
— Ei, tá tudo bem! Você vai aprender, já conseguiu andar um pouco, pelo menos! E eu disse que não ia deixar você se machucar.
— Eu sei... Obrigado. — Ele agradeceu baixinho.
— Acho que chega por hoje. Dica: olhe sempre pra frente. — Ela sorriu.
— Não vai ficar rindo de mim, né?
— Claro que eu vou! Emma, olha eu tô andando, cataploft! — Emma imitou o irmão e beijou a cabeça dele.
— Não tem graça.
— Tem sim. Faz parte, kid. Vem, vamos pra casa, tomar um banho, tirar esse fedor todo e ficar lindão pro sua festa.
— Já sou lindo.
— E depois eu que sou a exibida...
Entraram no carro e voltaram para a cidade.
Mais tarde, na festa, hora do parabéns, todos os convidados estavam em volta da mesa do bolo e Neal estava atrás dela, de frente pra todos. Snow e Charming em um dos lados da mesa. Cantaram parabéns e chegou a hora de assoprar as velas.
— Emma! — Ele chamou. — Vem aqui!
— Kid...
— Vem! — Ele pediu de novo. Henry e Regina empurraram Emma e ela foi, abaixou-se ao lado dele.
— Que foi?
— Você tem que assoprar comigo e fazer um pedido.
— Mas o aniversário é seu.
— E daí? Você é minha irmã, tem que me ajudar a soprar. Vai: 1, 2, 3!
Eles assopraram juntos.
— E aí? O que você desejou? — Ela perguntou.
— Pra você nunca sair de perto de mim.
— Ei, não pode falar seu desejo! — Ela agradeceu com um olhar, todo cheio de carinho.
— Claro que pode! Se eu não te contasse, vai que você vai embora... — Ele falou ocmo se estivesse falando o óbvio. — E você?
— Pra você nunca sair perto de mim também. — Ela deu um beijinho na testa dele e saiu, deixando-o atacar os doces com as demais crianças. Podia jurar que viu Snow e Charming limparem uma lágrima quando os viram juntos na mesa do bolo, mas não tinha certeza, porque viu apenas de canto de olho.
Bem, para Emma não importava muito: se era desejo de bolo, de estrela cadente, pozinho mágico ou magia negra. A única coisa que ela queria era poder estar lá por seu irmão qualquer hora que ele precisasse, pra sempre. Ser a irmã que ela gostaria de ter.
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