Imortalidade. Um poder divino concebido a poucos mortais. Com ela você é capaz de lutar mais do que qualquer guerreiro, aprender mais do que qualquer mestre de armas. É uma benção divina, a qual você teve muita sorte de recebê-la...

Mas no final, tudo que interfere na vida humana, acaba mal. O destino humano sempre foi e sempre será a morte. Evitar isso só trás sofrimento. Não há nada pior do que ver seus amigos, família e pessoas amadas morrerem várias e várias vezes. É preciso ser forte, ter em mente a sua razão de continuar vivo, ou você irá cair na tentação da loucura.

Alguns podem até ter esquecido, mas eu lembro-me como se fosse ontem o dia em que ganhei a imortalidade, e assim bani um grande mal que assolava as terras onde eu nasci. E depois eu simplesmente sumi. Por algum motivo não queria receber as boas vindas de todos, não queria receber prêmios, títulos. Queria apenas ficar um tempo sozinho, e aceitar que a partir daquele dia, uma grande responsabilidade havia sido posta em meus ombros.

Pergunto-me, o que teria acontecido se eu não tivesse aceitado a imortalidade? Será que Lady Cazeaje ia finalmente ter uma vitória completa? Será que, naquele momento, eu era mesmo o único que podia derrota-la? Ou havia um guerreiro mais qualificado que poderia ter me salvado de tal maldição? Perguntas em vão, pois hoje as pessoas que talvez pudessem me responder estão mortas.

Mas algo que eu não esperava aconteceu um dia. Enquanto andava pelos arredores de Serdin, encontrei um grupo de três garotas, uma maga, uma elfa e uma espadachim. Aquele pequeno grupo era a Grand Chase, mas quando as encontrei, não sabia dessa informação.

Estava em busca da Grand Chase para, mais uma vez, derrotar Lady Cazeaje, mas com certeza ela estaria mais forte, por isso deduzi que o grupo precisaria de minha ajuda. E foi quando encontrei novamente as três garotas em Xênia. Agora o grupo estava maior, o que por dentro me deixava aliviado, por saber que ainda existiam guerreiros corajosos o suficiente para enfrentar inimagináveis perigos.

O tempo passou. Eles foram crescendo, ficando mais fortes. E eu me apeguei a eles, todos se tratavam como se fossem uma família, incluindo as implicâncias e as confusões. Pouco a pouco a paz foi voltando a reinar, não só em Ernas, mas em Elyos e em Hades também. E posso dizer que nos finalmente ficamos de “férias”.

Mas como disse, eles foram crescendo. E quanto mais você cresce, mais o seu destino final se aproxima.

A Grand Chase original já não existe mais, porém guardo as lembranças deles com carinho, pois apesar de serem apenas um bando de adolescentes, me fizeram ser feliz por um tempo, quando eu imaginava que nunca mais encontraria um motivo para isso.

Hoje trabalho como babá...

– Tio Sieg!!! – Ouvi um grito feminino atrás de mim – Você está aqui de novo!

Olhei para a garota e dei um sorriso. Ela era um dos novos integrantes da nova Grand Chase, e cabia a mim treina-los .

– Já vou, já vou... – Saltei da árvore que estava descansando e a segui para dentro da base – Mas pra que tanta pressa?!

– Você vai ver... – Ela deu um sorriso travesso.

Chegamos até a entrada da base. Estava tudo escuro. Senti a menina soltar minha mão e no instante seguinte as luzes se acenderam.

– Surpresa tio! – Todos os nove integrantes gritaram.

Estavam todos envolta de uma mesa com um grande bolo. Nele havia uma tentativa de me desenhar, e um “Feliz Aniversário”. Olhei para as crianças e vi que estavam todas um pouco sujas com farinha de bolo e não pude conter o sorriso, provavelmente deixei cair uma lágrima, pois uma das crianças perguntou:

– Tio, por que está chorando? Está triste?

Me aproximei do garotinho e apalpei sua cabeça.

– Obvio que não. Sabe, as pessoas choram quando ficam muito felizes também – Assim que falei o rosto das crianças se iluminaram de alegria e vieram me abraçar.

O ruim de ser imortal, é que você perde várias pessoas ao longo de sua vida. Mas o melhor de ser imortal é que você consegue mais lembranças felizes do que qualquer outra pessoa no mundo.

Notas finais
Espero que tenham gostado ^^
Ja Nee.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!