Notas iniciais
Minha primeira fanfic de TMI... Sejam bonzinhos comigo...
Essa One seria uma adaptação minha do epílogo de Cidade dos Ossos, então ela se passa depois que a Clary é deixada no Instituto pelo Simon.
Espero que gostem =)

Clary estava no Instituto, mais precisamente na estufa. Sua mente estava cansada, desconexa, chateada. Ela não sabia o que fazer, para onde ir. Então, depois de ter uma conversa bastante amigável com Isabelle e Alec, ela decidiu ir para lá.

E, em parte, ela sabia porque. Ela esperava encontrar alguém ali. Coisa que eu não deveria fazer, ela pensou, repreendendo-se, mas aquilo não estava sendo racional. Portanto, ela não poderia evitar.

Reclinou o corpo para trás e deitou no chão da estufa, inalando o cheiro das plantas. A última vez que esteve ali... Não, não devo pensar na última vez que estive aqui. Eu nem deveria estar aqui. Ela balançou a cabeça e fechou os olhos. Ficou ali por minutos incontáveis, até que uma voz interrompeu seu estado de latência.

– Você deveria ir dormir, Clary. Ir para a casa.

A garota abriu os olhos, sabia muito bem quem estava falando com ela. Um arrepio passou por sua espinha. Mas não deveria passar.

Jace estava encostado em uma pilastra, encarando-a. Não parecia o mesmo. Lhe faltava o olhar divertido, o jeito despreocupado... Lhe faltava ser Jace.

– Nem sei mais onde fica isso... – ela disse num sussurro baixo. Já era a segunda vez que dizia isso naquele dia, mas ela não sabia mesmo. Talvez devesse ligar para Simon, ficar um pouco na casa dele. Ela sabia que ele não se importaria, mas naquele momento, o que ela queria era ficar no Instituto.

Ele ergueu as sobrancelhas e ela desviou o olhar dele. Clary nunca fora masoquista, mas estava sendo naquele momento, porque ela sabia que não deveria ficar perto de Jace. Ela sabia que deveria telefonar para Simon ou pegar um táxi ou ir ver sua mãe com Luke, mas não queria sair dali.

No momento em que Valentim disse que ela e Jace eram irmãos, Clary soube que tudo estava perdido. Será que ela estava fadada a sentir um amor que nunca se tornaria real? E será que era mesmo amor?

Talvez ela estivesse apaixonada por Jace, quem iria saber... Não ela, com certeza. Não depois de tudo aquilo...

– Clary. – ele a chamou – Você deveria ir dormir.

– Está bem, está bem. Eu vou ligar para Simon ou para Luke eu ain-

– Como se Luke fosse sair de lá onde ele está. – ela percebeu que ele não citou Jocelyn – Ou que mundano possa vir de madrugada te buscar. Fique aqui, Clary.

– No Instituto?

– Não, não. Em Alicante. – ele bufou – Sim, aqui.

Era bom ver Jace sendo sarcástico de novo, apesar dele estar mais no estilo humor negro, era bom saber que alguma parte dele estava voltando ao normal.

– Certo. – ela disse, mas não fez menção em se levantar. Ela não estava com sono, ela estava cansada, sim, mas ela não queria sair dali. As coisas estavam diferentes, tensas, estranhas, mas suaves.

Contraditórias. Ela se corrigiu.

Quando ela deu por si, Jace estava sentado ao lado dela. Os olhos cravados no nada. Clary desejou que ele tivesse ido embora, mas, ao contrário dela, Jace não tinha outro lugar para ir. O lugar dele era ali e ela estava cruzando os espaços, levando-os a uma situação nada agradável. Mas, agora que eram irmãos, que outra alternativa tinham senão aprenderem a conviver?

O sono começou a circundar a cabeça de Clary. A confusão também. Seus olhos se fecharam novamente e ela se espreguiçou, caindo na inconsciência.

~*~

Clary não pode ver que, ao se esticar, seus braços rodearam Jace. Fazendo-o enrijecer. Alguns dias antes ele teria dado um sorriso torto ao se encontrar naquela situação. Agora, ele preferia que isso não tivesse acontecido. E com “isso” ele se referia a tudo. Tudo que havia acontecido nas últimas semanas que havia sido completamente crucial para mudar sua vida de um jeito que ele nem sabia que poderia ser mudada.

Mas, de alguma forma, ele queria encontrar brechas, procurar por mentiras, por partes que não se encaixassem muito bem em toda aquela história. Queria encontrar uma brecha no meio daquilo tudo para que ele e Clary não tivessem de ser irmãos.

Inclinou a cabeça para trás, evitando olhar para a menina. Quando falara com ela no telefone, antes, não esperava que tê-la por perto fosse ser tão... Desconfortável. Ele se esquecera de como ficava perto dela, de como um jorro de adrenalina tomava conta de si... Ele precisava esquecer tudo isso. Precisava ser como se eles tivessem acabado de ser apresentados... Apresentados como irmãos.

Que má sorte a dele! Ele nunca tinha consigo olhar para Isabelle como nada além de uma irmã e ela nem era sua verdadeira irmã, mas Clary – Clary que tinha o mesmo sangue que o dele correndo nas veias – ele não conseguia pensar nela sem...

Abanou a cabeça. Se fosse para começar a fazer as coisas certas, melhor fazer as coisas certas de verdade. Ele se desprendeu dela, mas ela nem pareceu notar. Pegou-a no colo e a levou para o quarto onde ela passou os últimos dias.

Colocou-a em cima da cama e saiu de lá, brusca e silenciosamente.

Clary era sua irmã. E daqui para frente, as coisas precisavam ser diferentes.


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!