One-shot - Dear God
1 Capítulo Único - Querido Deus
Notas iniciais
Dear God the only thing I ask of you is
to hold her when I'm not around
(Avenged Sevenfold)
DEAR GOD
Rose observou a filha correndo pela neve, não entendendo exatamente o que ela fazia. Aparentemente, a menina estava em algum tipo de competição solitária. Ela via perfeitamente os pequenos flocos de neve caírem no cabelo da filha Então a chamou:
—Charlotte, é melhor entrar! – Rose gritou da janela. A criança olhou para mãe com um sorriso no rosto e, como sempre ocorria, Rose sentiu uma sensação de desamparo ao ver o mesmo.
Uma estrada solitária, cruzou outra linha fria de estado
Milhas de distância daqueles que amo
um objetivo difícil de encontrar
Enquanto eu me lembro de todas as palavras que você me falou
Não posso evitar, mas queria estar lá
De volta ao lugar que eu gostaria de estar, sim
Apesar de estar com o coração apertado, Rose colocou um sorriso no rosto ao ver a filha entrar pela porta. Ela tinha a mão fechada e um olhar desconfiado no rosto.
—O que houve? – sua mãe perguntou, ao notar a expressão preocupada no rosto da menina, e encarou-a.
—Nada! – Charlotte respondeu fitando os pés. Sabia que a mãe notaria a mentira assim que a mesma saísse de seus lábios, mas, mesmo assim, quis arriscar.
Rose caminhou até a filha.
—Está mentido? Você sabe muito bem o quanto eu odeio mentiras Charlotte! – ela disse e a menina continuou calada, olhando para os próprios pés. – Charlotte, olhe para mim e responda! Estou esperando.
A menina sabia que não deveria preocupar mais a mãe, mas, mesmo assim, não poderia desrespeitá-la. Com extrema hesitação, ela estendeu a mão e abriu. Os pequenos dedos revelaram um minúsculo broche. A luz da cozinha brilhou em cima do desenho talhado nele e Rose ficou encarando-o por um momento. Após isso olhou para o rosto curioso da filha.
Com um pouco de raiva, Rose arrancou o pequeno enfeite da mão da criança e o atirou pela janela.
—Vá lavar as mãos antes que a comida esfrie. – falou já colocando os pratos na mesa.
—Eu encontrei perto do lago congelado. – a menina disse, respondendo a pergunta que sabia que sua mãe fazia internamente naquele momento. – Não tinha ninguém por perto. Eu achei muito bonito e...
—Não se deixe enganar por aparências, agora vá lavar as mãos. – Rose respondeu rispidamente e sem olhá-la.
— O que isso significa? – ela perguntou, observando a mãe se mover pela pequena cozinha. Quando não obteve resposta, ela mesma respondeu. – Acha que eles estão por perto? Que eles podem nos mat..
Antes que ela pudesse completar a palavra que tanto a atormentava, Rose caminhou até a filha e segurou-a pelos ombros.
—Não diga isso Charlotte! Nunca diga isso. – ela engoliu o nó que se formava na garganta e prosseguiu. – Lembra o que eu lhe disse? Estamos seguras aqui. Ninguém nos encontrará. Nunca.
Os grandes olhos marrons nem ao menos piscaram enquanto a mãe falava. Ela sabia que ali não era mais um lugar seguro, soube assim que encontrou o broche com a bandeira dos Estados Unidos.
— Papai não vai poder mais nos defender. – falou desviando o olhar para a pia. Uma lágrima quente escorreu por sua bochecha. – Sonhei noite passada com ele, enquanto os americanos sobrevoavam a área... Eu não via muito bem seu rosto, acho que nem me lembro mais. – deu de ombros.
Querido Deus, a única coisa que eu te peço é
Pra cuidar dela quando eu não estiver por perto,
Quando eu estiver muito longe
Todos precisamos daquela pessoa que pode ser real pra você
Mas eu a deixei quando a encontrei
E agora eu gostaria de ter ficado
Pois estou sozinho e cansado
Estou sentindo sua falta mais uma vez, oh não
Mais uma vez
Rose fez um esforço sobre-humano para ser forte, pela filha.
—Vamos comer Charlotte. E não tocaremos mais nesse assunto.
Charlotte ainda queria falar disto, perguntar o porquê de estarem fazendo aquilo, matar tantos inocentes apenas pelo lugar onde nasceram. Mas a criança também sabia que aquilo magoaria a mãe e então foi lavar as mãos, logo se juntando a Rosemarie sentada a mesa.
—Não vamos agradecer? – a menina perguntou ao ver a mãe começar a comer.
Rose parou para olhá-la.
—Não hoje. – respondeu simplesmente, voltando a dar atenção para o prato.
Não há nada pra mim aqui nessa estrada sem graça
Não há ninguém aqui enquanto a cidade dorme
E todas as lojas estão fechadas
Não consigo evitar de pensar nos momentos que tive com você
Fotos e algumas lembranças vão ter que me ajudar a seguir, sim
Assim que terminaram o jantar, as duas tomaram banho e escovaram os dentes. Nenhuma delas tocara no assunto. Rose pensava no que a filha achara de tudo. Lembrou-se das noticias que ouvira mais cedo no rádio: estão negociando uma trégua. Ansiava que isso fosse verdade.
Aquele broche deveria ser de algum soldado que esteve ali antes, pensou enquanto desligava as luzes de casa. Estas não eram muitas.
— Não chame a atenção. – Dimitri disse antes de sair, no momento em que dava instruções a Rose.
Ele havia lhe dito para voltar para a Turquia, à casa dos seus pais. Aquele país se matinha neutro na guerra travada da Rússia e dos Estados Unidos. Mas Rosemarie não foi, preferiu esperar o marido voltar. Já fazia cinco anos que ele partira dizendo que estava indo proteger seu país e nenhuma noticia foi dada desde então. Rose esperaria pelo tempo que precisasse, mas se tornava realmente difícil olhar para a filha vendo o homem que amava em cada sorriso que ela dava, olhar em seus olhos marrons tendo de dizer que o pai estava ajudando seu país.
Querido Deus, a única coisa que eu te peço é
Pra cuidar dela quando eu não estiver por perto,
Quando eu estiver muito longe
Todos precisamos daquela pessoa que pode ser real pra você
Mas eu a deixei quando a encontrei
E agora eu gostaria de ter ficado
Pois estou sozinho e cansado
Estou sentindo sua falta mais uma vez, oh não
Mais uma vez
Charlotte não ia à escola. Eles haviam se mudado da cidade para o campo, afim de não chamarem tanta atenção devido à nacionalidade de Rose. Os russos realmente nunca gostaram dos americanos, mas com a guerra isso havia piorado.
Todos os dias diversos relatórios eram dados. Uma bomba nova era jogada em cada lugar diferente que sua antecessora. Eles contra-atacavam. Mulheres, homens, crianças, idosos... Ninguém era poupado. Rose sabia dos riscos que corria ali, mas, mesmo assim, estava disposta a permanecer.
Quando conheceu Dimitri, oito anos atrás, não existia guerra ou algo de ruim no país. Eles eram duas pessoas que se amavam. Ele ajudava a marinha dos Estados Unidos, país em que Rose era criada pela avó, e, quando teve que voltar para a Rússia, não hesitou em pedir Rose em casamento. Charlotte tinha sete anos, não via o pai há cinco.
Alguns procuram, nunca achando um caminho
Logo, eles definham
Eu te encontrei, alguma coisa me disse pra ficar
Eu dei atenção, para caminhos egoístas
E como eu sinto falta de alguém pra abraçar
Quando a esperança começa a desaparecer...
Quando ela sentia saudades do marido, ia até o quarto da filha, acendia uma vela e ficava observando a menina dormir tranquilamente. Fechava os olhos e fingia ser ele. Pensava no que estaria fazendo, se estaria bem, pensando nela... Até mesmo pensava se estaria vivo.
Rosemarie estava deitada em sua cama lendo um livro, o preferido de Dimitri. Não conseguia se concentrar na leitura, nunca conseguia fazer nada enquanto pensava nele. Olhou para o lado direito da cama. O travesseiro de Dimitri estava ali. Poderia ter se passado anos, mas ela podia jurar que, sempre que se deitava, sentia seu cheiro de pós-barba perfeitamente, como se ele estivesse acabado de acordar.
Uma intensa luz atravessou a cortina preta da janela do quarto, chamando sua atenção. Um barulho alto de helicópteros a fez saltar da cama, pegar um casaco marrom que estava sobre a cama e correr em direção ao quarto de Charlotte, que era logo ao lado do seu. A menina dormia quando Rose a segurou pelos ombros, sacudindo com um pouco de força para que ela acordasse. Assim que notou que a criança começava a despertar, colocou uma mão sobre os lábios dela e sussurrou:
—Não faça barulho. Vamos! – pegou a mão da menina que, ainda sonolenta e não sabendo ao certo o que acontecia, seguiu-a para fora do quarto. Quando chegaram ao pequeno corredor, Charlotte abraçava fortemente, mesmo com certo medo de quebrá-la, Sasha — sua boneca russa de vestido azul. A menina piscou devido à claridade repentina. As cortinas da sala balançavam com o vento que os helicópteros produziam.
Eles estão aqui, pensou apertando a mão da mãe, que parecia ter congelado ao ver aquilo. No entanto, ela despertou assim que sentiu um aperto em sua mão. Olhou para trás e encontrou o rosto surpreso da filha.
Puxou-a pela mão enquanto voltava para o quarto. Então arrastou um tapete que ficava perto da cama e abriu a passagem do porão. Este era quase imperceptível, somente se olhasse realmente de perto e soubesse o que procurar o encontraria. Rose ascendeu a lâmpada que ficava lá em baixo e então puxou a filha, lançando um olhar preocupado para as cortinas que ainda balançavam. Seu coração batia rápido no peito. Sabia que a qualquer momento eles entrariam ali. Soldados americanos entravam, pegavam e matavam, era isso o que Dimitri dizia.
Rose não precisou dizer nada para que Charlotte descesse as escadas, e logo foi sua vez. Então ela fechou novamente o porão. Estava um pouco abafado ali, mas sabia que o ar entrava e saia perfeitamente, isso graças ao sistema de ventilação que Dimitri havia instalado pouco antes de ir para a guerra.
—Caso algo aconteça, fiquem aqui.
Uma estrada solitária, cruzou outra linha fria de estado
Milhas de distância daqueles que amo
Um objetivo difícil de encontrar
Ele havia instruído Rose a manter o lugar com comida enlatada, água e cobertores, caso precisassem. Ela nunca ficou tão agradecida por ter seguido essas instruções.
— Vamos ficar muito tempo aqui? – Charlotte perguntou, aos sussurros.
Rose foi até ela e a abraçou, levando-a até uma cama de solteiro que tinha ali e se sentando, com a filha em seu colo.
—Eu não sei meu amor. – admitiu – vamos esperar um pouco, só até eles irem embora...
A luz era fraca, de modo que Rose não pode enxergar muito bem o interior, mas sentia o corpo da filha tremer um pouco. Ela tirou o casaco marrom que usava e jogou sobre o corpo da menina. Charlotte deitou no peito da mãe, tinha medo do que aconteceria dali em diante.
Deixou ser embalada pelo perfume doce da mãe e acabou adormecendo. Rose não teve a mesma sorte, estava atenta a qualquer ruído ou barulho. Ainda não havia ouvido nenhum que viesse de dentro da casa.
O ônus de ficar no porão certamente era porque não se podia ouvir nada que viesse de fora da casa. Sendo assim, Rosemarie não poderia dizer se teria alguém ali ou se já teria ido embora. Rezava para que não soubessem que morava ali com a filha.
Ela passou a noite toda acordada e, quando a menina levantou, Rose lhe preparou um café da manhã baseado apenas em frutas, que era o que havia levado para lá naquela semana. Não estavam frescas, mas a menina não reclamou. Também, com o que estava acontecendo, Rosemarie raramente conseguia ir à cidade comprar mantimentos e o que mais faltasse na casa. Seu russo não era fluente e tinha medo que acabassem lhe descobrindo. Se algo como isso acontecesse, ninguém poderia cuidar de Charlotte.
Rose não soube quanto tempo, em média, ficou ali. Talvez algumas horas ou, seguindo o tanto que Charlotte dormiu, de dois a três dias. Ela deveria ter levado o rádio, pensou enquanto esquentava água no pequeno fogão de duas bocas que levou pra lá. Não era muito bom, mas estava servindo no momento. Levou a água para Charlotte tomar um banho, e assim que a mesma terminou penteou seus cabelos, deixando-os soltos. Estava para ir tomar seu próprio banho quando um barulho a fez parar.
No mesmo instante, Charlotte, que cantarolava uma cantiga russa, parou e fitou o rosto da mãe franzido.
Rose já estava pensando que era somente coisa de sua cabeça quando novamente ouviu. Vinha de dentro da casa, claro, e se pareciam com passos... Um barulho abafado. Estes eram lentos, como se fossem perfeitamente calculados.
—Soldados... –Rose murmurou e os olhos de Charlotte se arregalaram, ficando semelhantes a pratos.
Rose olhou para a menina e segurou suas mãos.
—Charlie, olhe para mim! Eu preciso que fique aqui, está bem? Não saia por nada nesse mundo... Calma, irá ficar tudo bem. – ela se apressou a dizer quando viu o pânico nos olhos da filha.
Deixou a menina ali, logo depois de lhe dar um beijo na testa, e seguiu até as escadas. Empurrou a porta do sótão e então saiu. Em outros tempos, naquela mesma circunstância teria se fechado naquele lugar e nada a faria sair dali, mas naquele momento havia Charlie, e Rose deveria protegê-la. Talvez seu plano, de servir de distração, não funcionasse bem e eles acabariam descobrindo o esconderijo, mas deveria tentar. O importante era que a filha ficasse bem.
Caso algo acontece a ela, Rose rezou internamente para que Charlie tivesse a esperteza de não sair de lá ao menos que tivesse a completa certeza de que estava tudo bem.
Inicialmente, a claridade lhe cegou, mas isso não diminuiu a coragem dela, que seguiu caminho para fora do quarto, à passos lentos também, esperando encontrar o inimigo a cada olhada ao redor.
O seu coração batia acelerado e a respiração estava rápida. Poderia mentir se fosse um soldado americano, mas, se não fosse, rezaria aos céus para que acontecesse algo que lhe salvasse, ou que apenas sua filha saísse ilesa, mesmo as probabilidades serem baixas. Ela arregalou os olhos quando viu uma enorme mochila no chão, perto da sala, como as que os soldados usavam...
Rose entrou na cozinha, os olhos procurando qualquer perigo, mesmo ainda não sabendo o que faria caso o encontrasse. Foi então que uma mão cobriu sua boca, impedindo-a de gritar.
Rosemarie tentou chutar quem a segurava, mas isso apenas fez com que ela ficasse ainda mais presa. Quando ele defendeu o golpe e prendeu suas pernas com as deles, as mãos dela foram seguradas contra a parede, ao lado da cabeça.
Rose se debateu, teria tentado gritar se a mão não estivesse em sua boca e se isso fosse resolver algo. Ela fechou os olhos. Era isso. Este seria seu fim. Morreria sem ver Dimitri voltar para casa, sem ver a filha vivendo em um mundo livre, sem guerras. Poderiam ter se passado horas e Rose não perceberia, estava ocupada demais ansiando pela morte rápida. Rezava para que o cretino que conseguira pegá-la fosse embora logo depois de acabar com ela. Ao menos Charlotte tinha que se sair bem...
Quando a mão foi removida de sua boca, ela quis gritar para que a filha saísse correndo e fugisse de lá, mas não teve tempo. O agressor soltou suas mãos e, assim que ela as fechou em punhos e abriu os olhos, sentiu uma boca ser pressionada fortemente contra a sua. Rose fechou os lábios, não se entregando ao pseudo-beijo. O corpo ficou tenso. Morreria, mas não deixaria ninguém tocá-la. Dimitri havia sido e sempre seria o único.
Parecendo ter desistido, o homem foi para seu pescoço, mordiscando a pele daquele local. Sua barba por fazer arranhava levemente a pele. Rosemarie se odiou por ter se arrepiado com aquele toque e sentiu nojo de si mesma.
—Se quiser fazer algo — disse rispidamente, em um russo tão deplorável quanto o de uma criança de três anos que aprendia a falar – terá que me ter assim, pois não vou mover um músculo para seu prazer imundo.
Querido Deus, a única coisa que eu te peço é
Pra cuidar dela quando eu não estiver por perto,
Quando eu estiver muito longe
Todos precisamos daquela pessoa que pode ser real pra você
Mas eu a deixei quando a encontrei
E agora eu gostaria de ter ficado
Pois estou sozinho e cansado
Estou sentindo sua falta mais uma vez, oh não
Mais uma vez
O homem parou subitamente com as carícias, mas ainda mantendo a cabeça perto do seu pescoço. Rose sentia a respiração quente em seu pescoço, mas não mexia um músculo. Gostaria de ter uma faca nesse momento. Devido ao homem estar um pouco abaixado, Rose pode ver seu cabelo liso cortado quase perto da nuca, e então, visualizou sua nuca. Uma tatuagem estava nela, como em dois S se cruzando, um contra o outro. Uma marca da promessa. Rose estava certa, era um soldado russo. Que irônico, pensou ela, morrer para um homem que está lutando para defender a mesma causa que meu marido.
E então, o corpo do homem começou a tremer. Sua risada que antes era baixa e contida se tornou ainda alta e gostosa. Rosemarie não entendeu aquilo. O homem respirou fundo na pele dela, e então, para sua surpresa, ele disse em um claro inglês, tão ou quase melhor que o dela:
— Não sabe como senti saudades suas Roza.
E então a olhou. Rose não soube o que dizer. Sua mente só poderia estar lhe pregando uma peça. Não poderia ser real, poderia? Dimitri não poderia estar ali na sua frente.
Quando ele se afastou para olhá-la, ela pode vê-lo perfeitamente em todos os seus esplêndidos 1, 90 de altura. Ele estava mais musculoso, a barba por fazer estava lhe dando um aspecto mais velho, contrastando com o cabelo que um dia batera nos ombros, e agora estava curto.
Não importava para ela. Poderia ter morrido, poderia estar sonhando, mas Dimitri estava lá a sua frente.
Tomada pelo impulso, pela necessidade e pela paixão que queimava dentro dela, Rose se jogou no soldado à sua frente. Esmagou seus lábios nos dele. As línguas dançavam em perfeita sincronia, uma explorando o território da outra. Toda a saudade acumulada ao longo dos cinco anos estava naquele beijo.
Dimitri separou suas bocas, mas os mantiveram juntos. Rose ainda não conseguia acreditar no que estava vendo. Nem mesmo percebeu as lágrimas que escorriam por seu rosto e pingavam na blusa. Dimitri segurava sua cintura possessivamente, como se temesse que ela fosse se desmanchar a qualquer momento e ele voltasse para aquele horrível campo de batalha.
—Você é real? – Rose perguntou baixo, segurando seu rosto com ambas as mãos.
Dimitri sorriu e lhe beijou rapidamente. Não se importava com o beijo ser molhado por causa das lágrimas.
— Sim Roza, eu voltei.
—Mas e...
—Acabou. –ele disse lendo os pensamentos da mulher. – Eles finalmente assinaram um acordo. Agora todos voltarão para suas casas.
Rose sorriu, e espalmou suas mãos em seu peito, sentindo o calor da pele.
— Eu senti tanto a sua falta... Tanto...
Foi impedida de falar quando novamente Dimitri a beijou, desta vez com mais calma, mas ainda sim, com muita paixão.
Dimitri enlaçou sua cintura e apertou-a contra si, como se nunca fosse o suficiente a proximidade entre eles. Rose enfiou as mãos em seus cabelos, que estavam um pouco diferentes e não lembravam os macios e sedosos de antes. Ela não se importou com isso.
Subitamente, Dimitri parou o beijo e Rose ficou confusa.
Sua cabeça estava voltada para a porta da cozinha e ela seguiu seu olhar, vendo Charlotte parada olhando para Dimitri com interesse.
Rose foi até ela, enquanto Dimitri parecia congelado em seu lugar.
—Meu bem — ela disse gentilmente. – esse é...
Foi interrompida por um grito estrangulado da filha enquanto corria em direção a Dimitri.
—Papai!
Dimitri a pegou nos braços, enquanto a abraçava fortemente. A menina estava bem diferente do que ele se lembrava, crescera muito e o cabelo, que antes batia nos ombros, agora passava da cintura. Havia ficado mais parecida com ele, notou. A criança deitou a cabeça em seu ombro largo, e então Dimitri caminhou até sua esposa, abraçando-a também.
Rose não se continha de tanta alegria. Queria que aquele abraço se perpetuasse. Finalmente sua família estava reunida, esperava ela que assim fosse pela eternidade. A mente parecia estar desconectada do resto do corpo, era tudo tão surreal e mágico. Aquilo que ela almejou tanto finalmente estava se concretizando. Sua filha e marido juntos, inteiros e saudáveis, era um paraíso visto por seus olhos. Era como se o seu coração finalmente tivesse encontrado a posição e o lugar certos para bater. Estava, enfim, completa.
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