One-shot - By Blood
1 Único
Notas iniciais
Não sei se ficou boa...
Eu realmente espero que gostem.
*-*
Era uma tarde comum na Rua doa Alfeneiros, nº 4. Válter Dursley estava fora, a trabalho, uma viagem importantíssima que lhe traria o ‘negócio do ano’. A muito custo, os pais deixaram que Duda Dursley passasse uns dias na casa de Pedro, o que significava que Petúnia estava sozinha em casa.
Normalmente, a mulher teria aproveitado o tempo só para fofocar por cima da cerca do jardim com Nippi Lound, sua vizinha, sobre algo fútil, mas naquele dia algo a atormentava. Era 31 de outubro de 1995, há quatorze anos sua irmã havia morrido.
Ela não tinha como hábito falar sobre a irmã com ninguém, mas isso não significava que ela não pensasse nela, ela pensava. E mais do que gostaria de admitir.
Andando pela casa, com uma xícara de chá na mão, seus pensamentos vagaram para o sobrinho e de quebra para a irmã. Um frio tomou conta dela, fazendo-a colocar a xícara na mesinha da sala e correr para o quarto para pegar uma blusa.
Petúnia não tinha o hábito de correr e muito menos o de tomar chá fora da cozinha, mas aquele era um dia atípico e ao chegar ao corredor descobriu o porquê.
– Boa tarde, Petúnia. – disse a voz masculina. Ela se virou, conhecia a voz muito bem.
– Dumbledore. O que está fazendo aqui? – ela achava que o homem possivelmente fugira das aulas de bons modos, ‘aparatear’ (ou fosse lá como se chamava aquilo que fazia a pessoa desaparecer de um lugar e aparecer em outro) no meio do corredor do andar de cima era muitíssima falta de educação.
– Ora, Petúnia! – ele exclamou, como se ela fosse uma velha amiga que tivesse o convidado para passar à tarde em sua casa – Que tal descermos e tomarmos uma taça de hidromel? Preciso falar com você. – ele acrescentou e, mesmo que o tom fosse displicente, percebeu que era importante.
– Eu não tenho hidromel, Dumbledore! – guinchou Petúnia. O que ela faria se algum vizinho o visse? Mas logo se recompôs, precisava resolver a situação com calma. – O que é tão importante que fez você sair daquele... Hm... De Hogwarts para vir até aqui?
– Quanto ao hidromel, eu posso providenciar... – ele disse com um tom ainda displicente. – É muito importante o que tenho para lhe falar, mas podemos tratar desse assunto enquanto saboreamos o hidromel envelhecido em carvalho de Rosmerta.
Petúnia não fazia ideia de quem era Rosmerta, mas achou melhor não questionar. Dumbledore se virou e começou a descer as escadas, ela correu para o quarto e pegou um xale e o seguiu. Quando ela entrou na sala, Dumbledore já estava sentado em um sofá e se servia de uma taça generosa de hidromel.
Sentando-se, ela pegou a taça que fora destinada a ela. Depois de bebericar nervosamente o liquido, ela se sentiu melhor. Fazia tanto tempo que não bebia hidromel... Tanto tempo...
– O que houve Dumbledore? – repetiu ela – Você saiu de Hogwarts para vir até a minha casa... Bom, se está aqui é sinal de que algo de grave deve ter acontecido!
– De fato, Petúnia. – Dumbledore pousou a taça na mesa – Creio que se lembra das últimas semanas de Harry nessa casa e de minha última carta.
Petúnia assentiu. Lembrava perfeitamente. Afinal, fora um pandemônio.
– Você sabe o que atacou seu filho? Foi um...
– Dementador. Eu sei. Eu me lembro de Snape falando à Lily sobre eles.
Dumbledore deu-lhe um meio sorriso.
– Sei que se fechou, Petúnia. Que prefere fingir que a magia, bruxos e até mesmo sua irmã e sobrinho não existem, mas... É o início de uma guerra. É exatamente como há quatorze anos e Harry é uma peça fundamental nisso tudo.
– Harry?! – ela perguntou, estupefata – Harry, com apenas quinze anos, é peça fundamental em uma guerra? – sua voz se tornou tão aguda que ela tomou um gole de hidromel para se recompor.
– Sim. – ele respondeu, encarava a mulher avidamente.
– Mas... Como? Por quê?
Dumbledore sorriu, bebeu mais um pouco de seu hidromel antes de responder a Petúnia. Aquilo a deixou atônita. Sabia que Harry tinha uma facilidade absurda para se meter em confusões, mas ele sempre se safava. Sempre se safava de todas. Safara-se até mesmo da morte e só tinha um ano.
– Por causa de Lily. – a mulher franziu o cenho, mas não interrompeu o bruxo – Quando Harry era apenas um bebê, Lily o protegeu da morte.
– Ah, Dumbledore! – ela exclamou se exaltando – Eu sei muito bem disso, você deixou escrito naquela carta quando o entregou na minha porta. Sei o que minha irmã fez... Mas o que me custa é entender é por que Harry? Sim, Voldemort não matou, mas isso foi porque Lily o protegeu. O que Harry pode fazer contra esse homem cruel? O que ele, um garoto, pode fazer, se ninguém consegue botar freios naquela aberração?
– Harry pode fazer muito mais do que qualquer um. Ele pode fazer mais do que eu.
Isso atingiu Petúnia. Porque mesmo que ela ignorasse os bruxos completamente, sabia que se havia um que poderia ser classificado como o ‘melhor’ esse era Alvo Dumbledore. Mas agora ele atestava uma total impotencialidade de sua parte, conferindo a Harry uma missão que poderia ser considerada suicida.
– Mas ele é apenas um garoto... – ela sussurrou. – Você e Snape prometeram protegê-lo.
Dumbledore sorriu.
– Você o ama, não é?
Foi como se Petúnia levasse um tapa na cara. Ela lutava tanto, dia após dia, para fingir que odiava Lily e Harry... Até tratava o sobrinho como um cão, mas no fundo de seu coração de pedra, ela sabia que amava o sobrinho.
– Isso não importa. – ela respondeu – O que importa é que ele deve ficar a salvo, não foi por isso que a Lily e o Potter morreram? Vai deixar que morte deles seja em vão, se deixar que o garoto participe de toda essa história!
Dumbledore sorriu calidamente, deixando Petúnia mais nervosa ainda.
– Receio que ele não tenha escolha, Petúnia. Nós muito menos, não há nada a nosso alcance. Voldemort escolheu Harry como o único que poderá derrotá-lo.
– Ainda não entendo, mesmo que ele seja... bom, mesmo sendo o que ele é, como ele poderá derrotar esse Lorde das quantas.
– Tudo na sua hora, Petúnia. Tudo na sua hora. Agora, há algo importante que preciso lhe dizer. Voldemort não poderá tocar em Harry enquanto ele estiver nesta casa, nem a nenhum de você, mas fora daqui não estarão tão a salvo. Por enquanto, ele não está mostrando a face, prefere continuar no anonimato, aproveitando o fato que ninguém acredita que ele voltou. – ele pausou – Mas mesmo assim, tomem cuidado.
Petúnia assentiu e Dumbledore se levantou.
– Manteremos contato.
Segundos depois ele havia desaparecido. Petúnia levou a garrafa de hidromel, as duas taças e a xícara que ela havia deixado antes para a cozinha. Ela lavou a xícara e taça de Dumbledore, mas manteve a sua intocada. Ainda iria tomar outra taça de hidromel.
Ao se servir, jogou a taça vazia no lixo. Bebeu um gole generoso e começou a andar em círculos. Lily terá morrido em vão se Dumbledore deixar Harry lutar com ele. Ah, Deus! Lily!
Petúnia evitava pensar na irmã, mas todas as barreiras haviam sido rompidas... O mundo não era normal, não era seguro e ela não podia mais lutar contra isso. Um dementador havia atacado Duda, Válter andava cada dia mais estranho, tentando fingir que nada acontecera, mas acontecera...
Sabia que não poderia contar a ele que Dumbledore viera a Rua dos Alfeneiros, nem que andava se correspondendo por cartas com Dumbledore e Snape. Céus! Ele pode enfartar, além do que, não poderá fazer nada a respeito disso. Ninguém pode... Ninguém exceto Harry, segundo Dumbledore.
A mulher se agachou e abriu o armário para guardar as louças, mas assim que o fez seu olhar pousou na divisória do armário. Ela era oca, fora construída assim a mando da mulher, depois que a casa sofreu uma reforma há treze anos. Petúnia abriu a divisória e, de dentro dela, retirou treze cartas, as treze destinadas à Lily, as treze escritas por uma Petúnia a muito adormecida. Ela tirou de lá mais um maço de papel e uma caneta, sentou-se a mesa e começou a escrever.
Lily,
Faz catorze anos hoje. Catorze anos de sua morte.
Evito pensar nisso durante os outros dias e isso facilita bastante. Porque, mesmo que não fôssemos mais as grandes amigas que éramos na infância, antes de você entrar para aquela escola, ainda éramos, somos e sempre seremos irmãs.
É estranho pensar na época em que éramos unidas. Tanta coisa aconteceu desde aquela época...
Você entrou para Hogwarts – não estranhe, estou falando bastante esse nome no dia de hoje –, eu fui para a escola local, cada uma de nós seguiu por um caminho diferente, casamos, tivemos filhos...
O problema foi que no seu mundo tinha uma guerra. Uma guerra cruel e você morreu por causa dela.
Agora, outra guerra está por vir... O homem que te matou, aquele que se denomina Lorde, bem, ele voltou. E ele, segundo Dumbledore, nominou Harry como o único que pode derrotá-lo.
Ai, Lilly! Você deve estar perdida... Bom, ultimamente – mais precisamente, desde junho passado – eu e Dumbledore começamos a nos corresponder freqüentemente. Foi nessa época que o tal Voldemort, com a ajuda daquele Pedro... Sim, aquele que era amigo do Potter. Ele fez muito mais do que trair vocês, ele colocou Harry em um risco mortal.
Mas também não entendo o porquê de Harry ser o único que tem o poder de derrotá-lo e nem como aquele homem o nominou assim. Realmente não sei, Lily. Só sei que haverá uma guerra...
Ah, também tem o fato de que o tal Voldemort está no anonimato. O atual ministro não acredita que ele tenha voltado. É um idiota. Pessoas vão morrer por causa dele, Lily, e ele vai apenas dizer ‘Ora, isso é uma invencionice de Potter e Dumbledore’.
Sim, Harry está carregando um fardo grande demais. Quando estava aqui, se escondia para assistir o noticiário, ver se tinha alguma morte... Eu via as corujas chegarem, mas sabia que não havia uma resposta. Snape disse que nada poderia ser dito a Harry até ele ir para a Ordem da Fênix.
Parece que de alguns meses para cá o mundo virou de cabeça para baixo, sabe? Não posso mais simplesmente ignorar a magia – ah, se alguém me visse escrevendo isso –, porque todos corremos perigo. Duda e Harry foram atacados por dementadores e ninguém sabe o que eles faziam longe de Azkaban!
Lembro-me do dia em que você veio me visitar, alguns meses antes de sua morte... Não te via há meses e você apareceu completamente abatida e estranha na minha porta. Válter estava trabalhando, Duda ainda era um bebê.
Achava você uma anormal, admito. Mas você estava tão assustada que deixei que ficasse com Duda no colo e, para minha surpresa, você conseguiu fazê-lo dormir. Ninguém conseguia, mas no seu colo, ele dormiu feito anjo.
Você me olhou atônita e disse algo que eu jamais consegui esquecer. ‘Petúnia, podemos ser diferentes, mas somos irmãs. Tem um louco perseguindo minha família... E você faz parte dela. Eles estão por toda a parte e matam sem piedade, tome cuidado.’ Me assustei, não sabia o que pensar.
Perguntei-lhe quem queria te matar. Você resumiu uma guerra toda em uma frase bem simples, mas cheia de tremor e medo. ‘Muitos dos mais corajosos... Bruxos temem em falar o nome dele, mas isso é só o que ele almeja e não podemos dar o que ele quer. Chame-o de Voldemort, que é o nome que tem’
Não temi Voldemort até a hora em que abri a porta no dia seguinte e dei de cara com Harry em minha porta. Reconheci-o imediatamente. Ele tem esmeraldas no lugar das íris, assim como você tinha.
Li a carta de Dumbledore e depois a guardei, nunca mostrei à Válter, mas lhe contei o que estava escrito. Você havia morrido e éramos, a partir daquele dia, guardiões do menino.
Lily, não sei onde está. Se pode me ver escrevendo... Mas preste muita atenção no que escreverei, pois é o que eu queria ter lhe dito. Você é a minha irmã mais nova e isso nunca mudará, não importa o que fosse. Sinto por não ter podido lhe dizer essas palavras. Não sou fã de bruxos, sabe bem disso. Não gosto de coisas que fujam do comum. Mas não posso simplesmente ignorar a existências deles.
A guerra está chegando, Lily. E eu não sei o que fazer. Não sei o que podemos esperar a respeito dela. Não sei qual lado vai ganhar... Não sei quem vai permanecer vivo.
Petúnia
31/10/1995
Petúnia lacrou a carta e colocou-a com as outras. Lavou a taça em que bebeu o hidromel e virou-se para a janela. O céu escuro zombava dela, ela era uma simples dona de casa trouxa que esperava por uma guerra no mundo bruxo. Ela esperava, pelo sangue que a unia a Lily e Harry Potter, que tudo desse certo.
Fale com o autor