One of many zeros

3 3º dia de visita


Notas iniciais
Oiiiiiis, desculpa a demora de mais de um mês. Não tinha inspiração e pra ser sincera, ainda não tenho, mas simbora.

Bom dia, Ulqui. Hoje eu trouxe uns chocolates mas acho que você ainda não pode comer isso, né? De qualquer forma, vou deixar aqui. Espero que você melhore logo pra poder comer.

Bem, a enfermeira disse que você estava tentando balbuciar palavras a noite. Eu não sei o que significa balbuciar mas não se esforce tanto! Tudo bem o tempo que demorar, o importante é a qualidade da sua recuperação.

Continuando a história, não aconteceram muitas coisas extraordinárias. Claro que foi muito especial porque era com você, mas não foi muito mais romântico ou nada de filme. Enfim, comecei a passar muito mais tempo contigo que com a minha galera. Claro, como amigos, mas a cada minuto que eu passava do seu lado eu me sentia cada vez mais apaixonado. Quando você sorria a sensação era ainda maior. Você era meio sérião demais, um sorriso – que além de lindo sorriso – era uma grande conquista.

Você sabe que a gente pegava química juntos, mas era só química mesmo. Mesmo assim você sempre me ajudava nos estudos. Passávamos várias tardes na biblioteca e o resultado só poderia ser dois: ou eu entendia tudo porque você explica bem pra um ogro analfabeto entender, ou eu não entendia nada porque tava distraído te olhando.

Mas a noite não dava pra se ver sempre, você sabe, eu tinha negócios. No começo, vou te mandar a real, eu achava muito massa isso de gangue e blá blá blá. Me sentia respeitado, cabuloso, o fodão, um rei, sei lá. Mas depois que comecei a passar um tempo contigo percebi que não é bem assim, as pessoas só tem medo e acham idiota, me odeiam e tudo mais. Ou seja, contigo eu percebi que não faz o menor sentido, não me... Como é que cê fala? Adiciona? Soma? Contribui? AGREGA! Ah, você fala tanta palavra complicada que é até difícil lembrar todas. Bom, então eu tava querendo sair. Você me dava muito apoio de ir trabalhar numa oficina pelo menos até que eu tivesse juntado meu dinheiro pra abrir meu negócio – segundo você seria melhor se eu focasse em estudar, mas você entende como minha cabeça funciona então não rola. Mas eu não queria sair por causa dos meus amigos. E também, o que eu iria dizer? Cansei. Não quero, é fútil, é estúpido, não quero. Fora que não é tão fácil deixar crimes assim pra trás tão de boa.

– Ulqui, o que você acha que fariam comigo se eu dissesse que quero sair?

– Talvez a mesma coisa que eu vou fazer se me chamar de Ulqui novamente.

– Mas eu tô falando sério aqui! Tá, eu não sou indefeso nem nada, mas e se juntar uma galera e me torturar até a morte?

– Tudo tem um preço nesse mundo, certo? Se der merda, tu compra uma “liberdade”. É irônico até, ter que pagar pra sair da sujeira mas talvez funcione.

Estávamos tendo essa conversa comigo debruçado fritando coisinhas do cérebro – você me contou o nome só que eu esqueci... É nêutron? Algo assim, né? Não, era mais complicado... ENFIM – em cima da mesa da lanchonete do shopping e você passava a mão no meu cabelo de vez em quando pra me consolar. Você parece incrívelmente frio e que odeia todo mundo mas tinha momentos fofos assim onde mostrava que talvez tivesse um coração embaixo dessa pele de mármore. Ui, falei bonito.

– Você sabia que você é lindo?

Não era mais pele de mármore nessa hora, era um moranguinho agora. Ai, brega, eu sei, mas foi o que me lembrou.

Levantei a cabeça, segurei levemente no seu queixo e te dei um selinho. Nosso primeiro beijo e olha só, não me bateu! Só ficou com o olho esbugalhado me olhando. Aí beleza, vamos para o próximo passo, Grimmjow. Só que eu não tinha pensado o que fazer agora. Na verdade eu nem tinha planejado fazer isso. Mas as vezes a gente tem uma urgência esquisita e involuntária de fazer umas coisas que talvez se a gente pensasse melhor não faria. Mas isso foi bom, isso foi ótimo.

– Uh... Falta 10 minutos para o filme começar, vamos? Vamos – depois de algum tempo assustado você finalmente falou algo. Levantou e eu levantei junto. Se virou para sair da lanchonete e caminhar para o cinema mas segurei seu braço, você virou e eu te dei um beijo de verdadeee. Não selinho. De língua. Ai meu Deus, eu não sou bom com explicações.

Se funcionou? Bom, seria difícil eu beijar sozinho. Depois que nossas bocas se separaram você escondeu no meu peito. Você é muito fofo, sabia?

Wooooooooooah. Você abriu os olhos? Caralho, quê que eu faço? Será que eu tenho que chamar a enfermeira? Meu, é tão ruim te ver olhando pra mim nesse estado. Quer dizer, é bom porque você tá melhorando, mas é ruim porque não precisava acontecer. Ai, porra, espera, vou lá fora chamar alguém, ok? Desculpa se eu te assusto.

Voltei, tá tudo bem. Só que eu vou precisar ir embora porque parece que a mulher vai ter que fazer procedimentos aí em você por alguma razão que cê sabe que eu sou lento pra entender.

Bem, talvez isso signifique que amanhã você já vai estar bem melhor e poderemos combinar alguns gestos pra conversar e você me falar se tem medo de mim, se me ouviu esse tempo todo, se quer que eu vá embora... Enfim, eu sei que é estranho mas eu te amo, tá bom? Voltarei amanhã.

*beijo na testa*

Notas finais
Ah, eu queria desenhar uma capa mas sei lá
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.