Quando Alícia e eu já estávamos longe dos ouvidos do Salão Principal, eu parei no corredor e me virei para a encarar.

– Aonde você estava com a cabeça de ir falar com Voldemort? – exclamei sem pensar e Alícia tampou minha boca.

– Shhh. – fez ela – Não fique repetindo nomes em voz alta!

Trinquei meus dentes.

– Alícia, nós não devemos se aproximar dele! Acha que ele se tornou Você-Sabe-Quem de uma hora para a outra? Não! Com certeza ele já deve fazer coisas horríveis, e você ainda o fica testando a paciência! Perdeu o juízo? Você fica no mesmo Salão Comunal que ele! O que não pode aconte...

– Mia, se acalme! – Alícia pôs as mãos em meu ombro – Não vai acontecer nada aqui nas vistas de Dumbledore. Se esqueceu do que dizem? Que Dumbledore é o único que Voldemort já temeu? Fique tranquila.

Eu ia retomar a palavra, mas Alícia permaneceu falando.

– E respondendo a sua primeira pergunta, eu pensei muito a noite e cheguei a decisão de que ele não é Voldemort.

Eu estava a olhando, estava ouvindo, mas não entendi nada.

– O que você...

– Ele ainda é Tom Riddle! – Alícia pulou de um pé para o outro, parecendo orgulhosa consigo mesma – E você estava certa quanto a uma coisa, ele não virou Voldemort de uma hora para outra. – ela me encarou – Você é uma pessoa tão gentil e sensível, Mia; como pode não perceber que Tom Riddle é solitário e sem amigos? E quando digo amigos, quero dizer uma amizade como a nossa. Mia, ele nunca teve ninguém...

Alícia apostou em minha sensibilidade e ganhou. Agora eu estava sentindo pena de Voldemort.

– Você acha que ele precisa de uma amizade verdadeira. – concluí.

– Sim. – ela sorriu – Ele precisa disso. E se tivermos sucesso, ele não se tornará Voldemort. E não teremos guerras, ou pessoas inocentes sendo mortas...

Essa última sentença fez uma coisa voltar a minha mente... Esse não era o nosso dever... Harry Potter era chamado de O Eleito, não era?

– Mas... Mas e Harry Potter? – encontrei minha voz.

– Se você acha que eu vou deixar o futuro do mundo bruxo nas mãos de um Grifinório, você está muito enganada! – ela retrucou rispidamente.

Revirei meus olhos. Sonserinos e suas rixas com Grifinórios...

– Acho que talvez... Possamos tentar. – falei pausadamente – Mas assim que Dumbledore disser que podemos voltar para casa voltaremos, entendeu?

– Sim, estou de acordo. – Alícia sorriu o seu sorriso, o sorriso que poderia significar qualquer coisa – Agora eu preciso ir, vou fazer uma coisa. – ela se virou e caminhou pelo corredor.

– Espera, você vai fazer o que? Nós temos Adivinhação daqui a uma hora! – chamei.

– Nós não, você tem! – ela gritou sem se virar e disparou a correr pelo corredor.

Notas finais
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