One more try
2 Capítulo 2
Notas iniciais
— Por que você está fazendo assim? – Ele me olhou como se estivesse magoado, mas eu sabia que a única que sairia magoada dessa seria eu.
— Nós nos beijamos, German. Eu achei que você iria dar um fim nesse medo. Eu achei que ia dar certo.
Ele passou a mão pelo cabelo e enfiou a outra no bolso, sem saber o que fazer.
— Eu amei o beijo. – Sussurrou mais pra si mesmo que pra mim.
— Eu também amei o beijo, German. Foi o melhor beijo de todos pra mim. Meu coração se parte só em pensar que você não vai levar isso pra frente.
— Quer outro? – Ele levantou o olhar pra mim e percebi que ele estava neutro. Não demonstrava nenhuma emoção.
— Outro o que? – Fiquei sem entender.
Meu nervosismo significou pra ele que eu estava querendo outro. Outro beijo. Eu estava com as mãos coladas uma na outra, como quem não sabe o que fazer. Ele se aproximou um pouco e afastou as minhas duas mãos delicadamente, como se estivesse pegando em algo que a qualquer momento poderia quebrar.
— German...
Percebi que ele me ignorou e tentei me afastar um pouco. Mas quando ele apoio uma mão no meu rosto, meu corpo ficou petrificado. Então ele me olhou nos olhos e me beijou, como se o mundo fosse acabar. Foi tão lento que eu não estava sentindo mais nada fora os seus lábios deslizando nos meus. E quando eu pensava que ele ia se afastar como da outra vez, ele me puxou pela cintura mais pra perto, sem pressa alguma. Naquele momento eu soube que não haveria mais voltas ou formas de se afastar. Nós dois estávamos completamente apaixonados. Um fazia parte do outro.
Quando ele finalmente afastou nossas bocas, eu pude sentir seu sorriso mesmo com os olhos fechados ainda. Ele me puxou pra um abraço e me apertou contra o peitoral firme.
— Quando você me beija, eu me sinto muito submissa.
— Como assim? – Ele perguntou baixo, temendo que isso fosse encaixado em um conceito não muito bom.
— Você me tem por completo, German. Eu fico imaginando um futuro inteiro com esses beijos. Você me beija como ninguém nunca me beijou.
— Então eu gosto de ter você por completo. – Ele sussurrou em meu ouvido e eu senti meu corpo todo estremecer.
— Assim você me mata. – Ri devagar, ainda nervosa por conta do beijo.
Escutamos passos e logo nos afastamos. Pablo entrou na sala e percebi que German ainda estava se recompondo.
— Estou atrapalhando algo? – Ele falou mais para o German que para mim.
— Não. Eu preciso ir. Espero ter ficado claro algumas coisas pra você, Angie. Até mais.
E mesmo lá no fundo, eu percebi que ele sorria pra mim. Suspirei cansada de amar tanto e olhei para o Pablo.
— O que foi isso? – Ele perguntou rindo de mim.
— O que? – Perguntei nervosa. – O que foi é que eu preciso ir agora. Tchau.
Saí da sala apressadamente e fui pra casa andando mesmo, esperando repetições do momento que eu tinha vivido há pouco.
—
G,
Dois dias desde que eu tinha beijado ela. Dois míseros dias e eu já não aguentava mais. Precisava daqueles lábios nos meus novamente. Ela me passava uma tranquilidade que ninguém mais era capaz de transmitir. E eu gostava. Sentia-me vivo perto dela.
— Papai. – Violetta me chamou, entrando no escritório.
— O que foi, meu amor? – Estava calmo, e pra ser sincero, eu não me sentia assim fazia muito tempo.
— Por que a Angie saiu? Não entendo. Vocês brigaram de novo?
— Não. A gente não brigou e pode ficar tranquila, que quando voltarmos de Sevilla, vou pedir para ela voltar a morar conosco.
— Está bem. E eu espero, de verdade, que ela não tenha saído por sua culpa.
— Eu lhe garanto que não foi por isso.
— Tudo bem. E quando vamos viajar?
Percebi que ela estava impaciente, porque a vi trocar o peso do corpo de uma perna para a outra várias vezes.
— Depois de amanhã.
Antes de se virar para sair, a Olga entrou correndo e olhei para as suas mãos que tremiam. Achei que poderia ser algum tipo de exagero, como sempre.
— SENHOR... A Senhorita...
— Olga, o que foi? O que aconteceu? – Nem fiquei de pé, porque imaginei que não seria nada de tão alarmante.
— A senhorita Angeles... Foi a Priscila.
Ao escutar aqueles dois nomes em uma mesma frase, senti meu corpo fraquejar. Tinha acontecido algo com ela e eu não estava lá.
Levantei-me tão rápido que derrubei o celular que tinha apoiado no colo.
— Onde ela está? A Angie?
— O Pablo.. Levou ela para o hospital.
— Mas o que aconteceu, Olga? – Violetta começou a chorar.
Olhei ao redor procurando as chaves do meu carro e saí de casa, dirigindo como se aquilo fosse a última coisa que eu chegaria a fazer. Agradeci eternamente por alguém estar ao lado dela, mesmo que esse alguém fosse o Pablo.
Minhas mãos estavam segurando o volante com tanta firmeza que eu nem percebi quando o sinal fechou. Ignorei o erro e a multa que iria receber. Continuei dirigindo até chegar ao hospital. Eu não sabia o que havia acontecido, porque eu só queria saber se ela estava bem, o resto seria apenas acréscimos de informações. Desci do carro e caminhei rapidamente até a sala de espera, onde encontrei uma legião de pessoas que nunca imaginei que seriam capazes de estarem ali todas juntas: o pessoal do Studio (os alunos mais próximos), Pablo, Angélica e alguns professores.
— German, que bom que você chegou. – Angélica caminhou até a minha direção, olhando-me nos olhos e eu percebi que ela havia chorado.
— O que aconteceu com ela? – Perguntei com a voz tão baixa que quase não saiu som.
— Aquela tal de Priscila, atropelou ela. Não sabemos como, mas.. Foi isso. A Angeles não conseguiu falar muita coisa, estava chorando e acabou desmaiando de dor.
Respirei fundo e passei a mão pelo cabelo, nervoso.
— Eu posso ver ela?
— Não. O médico não me deixou entrar também. – Ela segurou a minha mão e apertou.
— Sinto muito, Angélica.
— Eu também sinto muito, German.
— Pelo quê, exatamente? – Acabei um pouco confuso.
— Você sabe.
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