Notas iniciais
Oi gente!!! Aqui estou eu de novo! Espero que gostem dessa história nova ;) escrevi com carinho ♥

Pov Ally

− Sim, mãe eu lembrei de comer hoje. – repeti pela centésima vez para dona Penny que é formada na área de “Preocupação excessiva com a filha de 18 anos”.

− Não use esse tom comigo mocinha, pressão baixa é um saco, afinal eu também tenho. – pude ouvir algo caindo do outro lado da linha. – Droga! Lá se foi o meu jantar...se é que se pode chamar um sanduíche da máquina do hospital de jantar.

Ri. Minha mãe sempre detestou comida de hospital. Ainda me lembro da vez que a enfermeira ofereceu a ela uma sopa...pobre faxineira que teve de limpar o vômito.

− Mãe... – hesitei um pouco e respirei fundo antes de perguntar o inevitável, porém com muito medo da resposta. – Como está o Bryan?

Ouvi minha mãe suspirar do outro lado. Pude até visualizar as rugas na testa enquanto ela a franzia e as olheiras profundas que insistiam em ficar lá há 1 ano e meio. Seus cabelos apresentavam fios brancos no meio das ondas castanhas escuras e seu corpo que antes possuía curvas, agora estava magro e cansado.

Mas acredito que isso deve acontecer com qualquer mãe que descobre que o filho de 8 anos está com leucemia. Meu pai também estava mais abatido e já não dava seus sorrisos carismáticos que eu sempre amei.

− Os médicos disseram que ele não está reagindo ao tratamento como antes. E que talvez, seria melhor começar com um mais forte... – senti meu estômago se embrulhar só de pensar em meu irmãozinho recebendo mais química dentro de seu frágil e cansado corpo que lutava há 1 ano para combater a doença. Reprimi as lágrimas e limpei a garganta.

− E... – a incentivei a continuar.

− Esse tratamento é bem mais caro filha. Eu e seu pai estamos fazendo das tripas coração para pagar o tratamento atual e colocar comida dentro de casa... e agora com seu pai desempregado, eu não sei mais o que fazer. Meu salário de bibliotecária não vai conseguir cobrir tudo.

− Mas e o dinheiro que eu venho mandando? Eu sei que não é muito, mas eu prometo que vou arrumar um emprego melhor mamãe! A faculdade vem exigindo muito do meu tempo infelizmente, porém eu sei que posso dar um jeito. Na próxima vez eu mando mais dinheiro...

− Calma Ally! Você precisa se sustentar também, eu sei que você quer ajudar e eu agradeço muito por isso. Mas eu e Lester daremos um jeito ok? Não mande mais da metade do seu ganha pão ou vai acabar sendo despejada do apartamento, eu sei que seu aluguel está atrasado.

− Eu sabia que vir para Los Angeles era uma péssima ideia! Eu devia ter ficado em Boston com você o papai e o Bryan! – exclamei jogando a papelada da faculdade em cima do meu sofá desbotado.

− Ally, você conseguiu uma bolsa integral! Não é coisa de sair recusando. Eu sei que está preocupada filha, acredite, eu estou mais preocupada do que jamais estive em meus 38 anos de vida. Mas você tem de tentar se distrair um pouco. – como eu me distraio quando meu irmão mais novo está sofrendo e lutando pra sobreviver?!

Sentei na mesa em minha pequena (lê-se minúscula) cozinha e apoiei minha cabeça em minha mão esquerda.

− Mãe, só o que eu quero é que o Bryan se cure. Não tenho tempo pra festas de fraternidade, baladas ou qualquer tipo de distração! No momento estou focada em arrumar um emprego decente, sair daquela lanchonete de rua deserta e conseguir mandar dinheiro pra vocês fazerem todo o possível para curar o Bryan. – eu nunca fui tão sincera em toda a minha vida. Eu rezava com todo o meu coração toda a noite pedindo a Deus que salvasse a vida do meu irmãozinho...ele precisa resistir! Nem eu nem meus pais estamos prontos para dizer Adeus ao menininho mais carismático e alegre do mundo, que mesmo com câncer consegue fazer piada de tudo.

− Eu sei Ally, eu sei. Olha, eu vou desligar agora, o Bryan acordou.

− Tudo bem. Diga a ele que eu o amo, ok?

− Ok. Tchau filha.

− Tchau mamãe. – me despedi desligando o celular e o jogando no centro da pequena mesa de madeira lascada.

Eu estava exausta, mas dormir era algo que eu com certeza não conseguiria. Preciso dançar. Agora! E não importa se a síndica viesse reclamar do barulho da música Chandelier ás 23:00. Eu preciso botar tudo pra fora.

Peguei meu pequeno rádio que já não era tão bom e chiava quando a música ficava alta demais e coloquei a canção pra tocar no último volume. Comecei a dançar usando o pouco espaço da minha sala. Meu apartamento é minúsculo e muito simples, mas era o que minhas economias podiam pagar quando recebi a notícia de que eu havia sido aceita na Califórnia State University em Los Angeles há menos de 3 meses.

Eu não queria fazer a audição, já havia desistido do sonho de me tornar uma bailarina profissional na noite a qual descobri a doença do Bryan ano passado. Mas meus pais disseram que eu merecia a chance de realizar meus objetivos e conseguir uma vida melhor do que a vida que levávamos. Nunca tivemos muito dinheiro, minha mãe trabalha em uma biblioteca e meu pai era mecânico, mas foi despedido mês passado. Apesar disso, sempre achei que o amor que temos uns pelos outros compensava o fato da nossa vida ser mais humilde.

Na manhã que recebi a carta dizendo “Parabéns! Você foi aceita na Califórnia State University.” meus pais surtaram, e com a ajuda deles paguei a passagem e vim para LA. Mas ainda me sinto culpada e meio egoísta por deixar minha família...mas de acordo com Lester Dawson, dez anos de aulas de dança em uma escola que felizmente não cobrava nada, não podiam ser desperdiçados.

Quando eu não sentia mais minhas pernas e todos os meus músculos do corpo imploravam socorro, parei de dançar e fui tomar banho. Meu banheiro é tão pequeno e feio, mas é o que tem pra hoje então se conforme Ally.

Coloquei meu pijama, e novamente me ajoelhei ao lado da minha cama, rezando pelo meu irmãozinho.

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Cheguei no outro dia na faculdade exausta. Tive o mais terrível dos pesadelos e não tive coragem de dormir de novo. Sonhar com sua mãe dizendo que Bryan não resistiu me rendeu um longo choro e uma insônia.

− Ally! – ouvi uma voz conhecida me chamar.

Procurei a dona da voz e avistei Lara, minha amiga doida e extravagante. Sorri e fui correndo até o banco que ela estava sentada. Lara cursava dança como eu, mas sua paixão é só balé enquanto eu amo todos os tipos de dança.

Me sentei ao seu lado, ela me ofereceu uma rosquinha a qual aceitei de bom grado. O cereal de marca barata que eu costumo comer tinha acabado.

− Então, quer ir no Starbucks mais tarde? – perguntou a loira enquanto devorava sua rosquinha de morango.

− Não posso. Tenho de procurar um emprego. – respondi lambendo o chocolate de meus dedos e comendo a rosquinha como se fosse a última coisa que eu faria.

− Ah. Então desistiu da lanchonete fedorenta...droga derrubei minha rosquinha! – falou irritada.

− Primeiro, a lanchonete não é tão ruim, só o salário que é. Segundo, você tem mais cinco rosquinhas dentro dessa caixa. – falei apontando para a caixinha cheia de pedaços do paraíso.

− Mas eu amo rosquinha de morango! E aquela lanchonete é um horror! – falou dramaticamente franzindo o nariz como se cheirasse meias velhas.

Dei uma risadinha e revirei os olhos.

− Ta bom eu admito. Mas a questão é que eu preciso mandar mais dinheiro pros meus pais, o Bryan piorou e precisa de um tratamento mais caro. – expliquei usando meu minha bolsa para me abanar. Céus como a Califórnia é quente, eu consigo suar até com meu vestido florido mais fresco.

− Eu sinto muito...- ela foi interrompida por um carro tocando Steal your Heart do Austin Moon no último volume. – Essas aí gostam do loirinho hein, meu tímpano acabou de sofrer uma lesão! – desde que Austin Moon foi descoberto há dois anos atrás, o que eu mais ouço pelas ruas são a voz animada do jovem cantor.

− É...mas ele é muito talentoso. Podia ser uma daquelas músicas irritantes e que grudam na cabeça.

− Pois é, o cara manda muito bem!

Nós entramos na faculdade para não chegarmos atrasadas, coloquei meus fones de ouvido e escutei Take it from the Top do Austin. Lara roubou um fone e pôs em sua orelha.

− Você também é uma daquelas garotas que tem uma queda por ele? – ela perguntou balançando a cabeça no ritmo da música.

− Acho que toda menina tem uma queda por ele... eu tinha uma paixonite pelo Austin quando lançaram ele na mídia. Mas você sabe, coisa de criança.

Enquanto nós íamos pra sala de ensaio começar a primeira aula, eu me perguntava: Onde eu vou arrumar um emprego?
Notas finais
Gostaram??? Comentem ok? ;)