Notas iniciais
Oi, amorecos. Há quanto tempo!? Caramba! isso já tá ficando chato, mas me perdoem por demorar tanto a voltar aqui. Porém, em minha defesa, tive um semestre muito corrido na faculdade e não tive tempo para escrever... Enfim, me desculpem. Bom, aviso que este foi um capítulo pesado, mas estou torcendo para que gostem. um xêro e até lá embaixo! (Só mais uma desculpinha pelos erros gramaticais que devem ter passado batidos. haha)

Beatriz não conseguia entender, ao certo, o motivo de tanto sofrimento expresso por Helena, mas ela já imaginava o que poderia estar acontecendo. “Com toda certeza, essa agonia toda tinha a ver com o relacionamento do Gabriel com ela; provavelmente, os avós paternos do Gabriel têm dedo nisto”, pensou consigo mesma.

—Calma, Lena, respira. Só respira fundo e me conta o que está acontecendo. -pediu com a voz branda, tentando, ao máximo, passar alguma tranquilidade para a jovem que ainda permanecia abraçada ao seu corpo, um pouco trêmula e soluçando vez por outra.

—Aqui no meio do aeroporto não, Bea. Por favor, vamos sentar em algum lugar. Já contagiei muita gente com minha alegria por aqui. -Um sorriso sôfrego apareceu nos lábios vermelhos de Helena, ao olhar para a amiga. _Vem, vamos sentar ali naquele café.

As duas jovens caminharam em direção a um charmoso café que não estava tão longe de onde estavam, sentaram e Helena notou quando os olhos de Beatriz passaram a encará-la. O olhar de Helena estava perdido em algum ponto distante dali, ainda irritados pelas lágrimas que escorreram há pouco. Beatriz preferiu dar o tempo necessário para que a moça pudesse desabafar sobre o que tanto lhe afligia, então chamou o garçom e pediu um café expresso suave e perguntou se Helena iria querer o mesmo, recebendo um aceno positivo ela finalizou o pedido e tirou o celular da bolsa para avisar a Carolina que já havia chegado bem a Recife.

Após ter enviado uma mensagem para Carolina, Beatriz estava digitando na janela de Melissa, quando ouviu a voz baixa de Helena lhe chamar.

—Bea? -Beatriz levantou o olhar, bloqueando o celular e segurou firme a mão esquerda de Helena que estava sob a mesa. Sorrindo levemente, ela deu um sinal para que Helena continuasse a falar sem medo algum de julgamentos ou qualquer outro tipo de comentário negativo. _Eu já não sei mais o que fazer. Eu sinto que devo seguir firme, impassível junto com o Gabriel em nosso atual namoro e possível noivado, porque, agora, sinceramente, eu não sei mais se haverá noivado..., mas, como posso continuar num relacionamento que está sendo o motivo de brigas entre nossas famílias? Que está sendo o motivo para a eminente demissão dos meus pais?

—Eu não acredito que os avós do Gabriel estão fazendo isso!? — disse Beatriz sem, realmente, conseguir acreditar que alguém poderia ser tão mesquinho e arrogante a esse ponto.

—Eles estão fazendo, Bea. Os pais do Gabriel, principalmente, a mãe dele não aceitam a opinião dos pais do Sr. Maranhão, mas, aos poucos, eu tenho visto que eles estão cedendo, sabe? A Sra. Suzana e o Sr. Luiz Alfredo fundaram a empresa que o pai do Gabriel administra e ainda possuem as ações maioritárias, de modo que o meu futuro sogro não quer problemas com os pais. Eles são tão ricos, Bea. Minha família não tem nem um porcento do que eles possuem... Eu nunca acreditei que isto poderia afetar a mim ou ao Gabriel como está afetando, sempre achei que seríamos fortes o suficiente para enfrentar qualquer coisa e que o dinheiro da família dele jamais seria páreo para o que sentimos um pelo o outro. Porém, tudo está ruindo. -A voz de Helena estava baixa e desanimada, como se ela estivesse cansada há um bom tempo.

— Lena, aconteceu alguma coisa a mais para desengatilhar tudo isso dessa forma? Você disse que a opinião dos avós do Gabriel está fazendo os pais dele cederem sobre o que acham a respeito do relacionamento de vocês. Mas, como isso tem acontecido? — Perguntou Beatriz olhando nos olhos tristes da morena.

—Tudo começou quando o Gabriel, num jantar com a família dele, resolveu avisar que havia me pedido em casamento e a festa já estava sendo marcada para o mais breve possível. Eles já sabiam do nosso namoro, mas não colocavam fé em nós dois. Daí, ao ouvirem as palavras do Gabriel notando que ele estava seguro e sendo sincero, os avós enlouqueceram e fizeram uma verdadeira confusão. Disseram que não poderíamos nos casar de maneira alguma, pois, para eles, eu não estou no mesmo nível social que eles e nunca serei uma esposa “boa” para o Gabriel, primeiro neto herdeiro e sucessor do pai na empresa principal da família. A Laura, mãe do Gabriel e ele, me defenderam no mesmo instante e tentaram colocá-los em seu devido lugar, mas eles revidaram com palavras cruéis e foram embora. Para resumir a história, eles entraram em contato com meus pais e disseram que, se eu me afastasse do Gabriel definitivamente, eles providenciariam tudo para que eu pudesse fazer minha especialização fora do Brasil e não demitiriam meus pais. Agora, meus pais que já não aprovavam a ideia do nosso relacionamento, estão pedindo para que eu aceite a proposta e suma de uma vez. -Terminou, deixando uma lágrima escorrer por sua bochecha. Beatriz percebeu de ímpeto o quanto Helena estava sofrendo, pois, além de sofrer uma descriminação cruel, ela não estava tendo apoio daqueles que mais amava no mundo, os seus pais.

—Lena, preste atenção. Se você ama verdadeiramente o Gabriel e ele sente o mesmo por você, os dois devem entender que não estão fazendo absolutamente nada de errado em querer ficar juntos. Deus não faz acepção de pessoas, Ele ama a todos da mesma maneira. Se vocês querem constituir uma nova família de fato, precisam entregar esta situação nas mãos dEle e ter fé no sEU poder. Não cabe a vocês mudar a mente de ninguém, mas podem reverter esse quadro em oração. Orem para que Deus quebrante o coração prepotente dos avós do Gabriel e transforme a mente de todos eles. Isso é tão pequeno e absurdo, minha amiga. É muito difícil ver que em pleno século 21 as pessoas julguem as outras por coisas tão fúteis como o dinheiro. -respondeu amigavelmente. _Como o Gabriel tem agido diante disto tudo?

—Ele está do nosso lado. Tem lutado por nós dois, mas, ao mesmo tempo, vejo que ele tem discutido muito com o pai por conta disso. E, pra ferrar ainda mais, ele não fala com os avós desde o jantar. Isto não está certo, Bea. Não está. Eu não quero isso para nossa vida, entende? Eu amo tanto... Dói muito vê-lo triste ou se desdobrando para manter as coisas naturais, quando sabemos que nada disso é normal. Temos orado muito, porém Deus está em silêncio e isso só me faz pensar que devo aceitar essa proposta de uma vez e sumir do mapa. -Helena desabou mais uma vez em lágrimas. Ela não havia tocado em seu café, o mesmo já tinha esfriado. Beatriz sentiu seu coração bater mais forte e as lágrimas brotarem em seus olhos, então, rapidamente, ela ficou de pé andou para sentar ao lado de Helena. Elas se abraçaram fortemente. Beatriz começou a passar as mãos nos fios cacheados da amiga, numa tentativa de acalentar sua dor.

—Helena, quando a vontade de Deus está se cumprindo em nossa vida, mil e uma coisas se levantam para tentar fazer com que não consigamos caminhar rumo a essa vontade. Ele quer ver vocês dois juntos, felizes e se amando. Deus tem algo lindo na vida de Beatriz e Gabriel como família. Não retroceda, meu bem. Não vá pelo caminho mais fácil. Muitas pessoas passam a vida inteira em busca do verdadeiro amor da sua vida e vocês se encontraram. Não podem desistir e abrir mão disso. Dará tudo certo, em nome de Jesus. Tenham fé que o melhor está por vir. -Falou docemente.

—Eu tenho. Eu acho que eu só precisava escutar alguém afirmando isso além do Gabriel para continuar a perseverar em oração, Bea. Às vezes, a caminhada pode ser dura demais, mas sei que, no final, teremos uma bela vitória.

—Isso mesmo! Você está se sentindo melhor?

—Estou. Muito obrigada! Sabia que você iria me ouvir e dizer a coisa certa. Obrigada, Bea. -respondeu olhando nos olhos da moça com carinho.

—Não há o que agradecer. Eu sempre vou estar aqui para ajudar vocês. Afinal, sou uma das madrinhas do casório, não é mesmo!?

—Com toda certeza! -Helena abraçou a jovem mais uma vez e juntas foram para a casa do Gabriel.

Beatriz tinha a plena convicção de que Gabriel e Helena nasceram um para o outro. Era nítido o amor que havia entre os dois só pelo o olhar que trocavam. Claro que eles tiveram seus altos e baixos, mas o amor venceu e continuará vencendo, mesmo numa situação tão complicada como a que estão vivendo.

Quando o carro estacionou na entrada do condomínio fechado onde localizava-se a casa da família de Gabriel, Helena se identificou e o taxista do aeroporto pôde seguir caminho. O lugar era composto por casas luxuosas e de arquitetura moderna, mas que não chegavam a ser mansões. Beatriz observava tudo pela janela de vidro com um sorriso bonito no rosto, pois o dia estava ensolarado e quente.

As duas desceram do carro e seguiram juntas para o interior da casa. Já estava próximo das 12:00Hrs do dia, então, Helena mostrou o quarto onde a amiga ficaria hospedada até o dia seguinte e avisou que ela poderia tomar um banho para almoçarem. Helena ainda mantinha um semblante cabisbaixo, sua dor ainda era palpável. Beatriz ficou a pensar em Gabriel e no quanto ele, também, estaria sofrendo com aquela situação. Já tomada banho e sentindo-se menos cansada, a jovem desceu para a sala principal onde ouvia a voz de Helena e Gabriel.

—Hey, você! -disse Gabriel afastando-se da noiva para abraçar Beatriz.

—Oi, Gaby. Paz! -cumprimentou sorridente. Realmente feliz por estar vendo seu grande amigo.

—Amém. Que bom que você pôde vir, a Helena estava com muitas saudades e precisando de você. -disse com um sorriso amarelo.

—Só a Helena, Gabriel? -Gabriel riu alto junto com a morena e eles se abraçaram mais uma vez. _Dará tudo certo, em nome de Jesus, meu amigo. Vocês vão se casar e serão uma bela família. -falou enquanto sentia o abraço apertado do rapaz lhe transmitir tudo o que estava sentindo.

—Obrigado, Bea. Eu tenho fé nisto. Nada poderá abalar aquilo que Deus instituiu para nossa vida. Venha, vamos almoçar.

Gabriel soltou-se de Beatriz e foi até Helena, pegando em sua mão para irem até a cozinha, uma vez que almoçariam lá mesmo. Mas, antes de irem, Gabriel beijou o topo da cabeça da noiva e disse: “te amo, baixinha.” Beatriz os olhou e sorriu largamente, sentindo uma saudade apertar em seu peito por Matheus.

Marta, mãe de Helena já havia preparado o almoço do dia e pediu para que Liliane, sua ajudante servisse-os. Gabriel avisou para Liliane que não precisava e os três foram se servir tranquilamente. Contudo, Beatriz notou o olhar pesado que Marta lançou para o casal. A moça se resignou, mas decidiu que iria sorrir ao invés de se entristecer com a posição da mulher para com a própria filha e o genro.

Quando os três já estavam sentados e comendo, o pai de Gabriel entrou na cozinha e deu boa tarde a todos. Avisou que não iria almoçar em casa, porém à noite estaria em casa com a esposa. Gabriel o olhou e não entendeu o motivo dele ter feito questão de informar que à noite estaria em casa com sua mãe. Notou um tom estranho em seu pai, mas preferiu não ocupar a mente com aquilo.

—Poderíamos ir ao cinema daqui a pouco. O que acham? -perguntou Gabriel sorrindo.

—Por mim, tudo bem. Mas depois você terá que nos acompanhar para escolhermos a loja em que vamos deixar nossa lista de presentes de casamento, amor. Também, gostaria que aproveitássemos para passarmos no escritório do pessoal da decoração. Preciso escolher algumas coisas e quero a opinião dos dois. -disse rapidamente com um sorriso amarelo no rosto como se fosse dar tempo de fazer tudo aquilo numa tarde.

— Eita, amor! Acho que preciso resolver uma pendência na empresa. Não posso acompanhar vocês. -respondeu sorrindo.

—Gabriel Maranhão, hoje é sábado e você nunca trabalha numa tarde de sábado. Não tente me enrolar. -falou estreitando os olhos para o noivo que estava sentado à sua frente.

—Acho melhor você ir conosco, Gaby. Eu não me atreveria a contrariar uma noiva prestes a se casar. -Beatriz sorriu para os dois e pegou na mão de Helena ao seu lado e na de Gabriel. _Gosto de vê-los assim, lutando, seguindo com o planejado. Sério! _o sorriso da moça era genuíno e largo. Ela sabia que tempestades estavam por vir provavelmente, mas quando um casal se une havendo amor verdadeiro, não há nada que possa detê-los. _Amo vocês!

—Também te amamos muito. Obrigada por ter vindo, Bea. -disse Gabriel sorrindo para a moça e em seguida para a moça. Ele soltou a mão da amiga e fez um sinal de redenção para a noiva. _ Eu vou, meu bem. Como poderia deixar de ir?

Todos terminaram o almoço e Gabriel avisou que esperaria as duas no carro para saírem, pois sabia que Helena iria querer falar com a mãe antes de sair. Preferiu dar esse espaço para ela. Enquanto Helena fora falar com sua mãe, Beatriz a esperou no sofá da sala.

—Eu vou ao shopping com eles. Acho que não voltamos tão tarde. Preciso resolver os últimos detalhes da decoração para o casamento. -disse com um leve sorriso no rosto olhando para a mãe que lavava a louça sem olhá-la nos olhos.

—Faça como quiser, Helena. Não precisa me dar satisfação sobre cada passo que resolve sobre esse casamento. -A voz de Marta estava baixa e grossa, não tinha meios de esconder sua insatisfação com o que estava acontecendo.

—Meu casamento, mãe. Meu casamento! Claro que eu devo lhe contar tudo o que acontece a respeito dele. Até hoje, será a festa mais importante da minha vida e a senhora reage dessa forma? -Helena respirava profundamente. Seu coração doía, pois se não pudesse ter a aprovação de todos os parentes, ela gostaria, ao menos, de ter o apoio de sua mãe.

—Exatamente! Será que você não ver que está sendo egoísta, Helena? Eu e o seu pai dedicamos toda a nossa vida profissional a essa casa, a essa família para te dar um futuro. E, agora, porque decidiu que ama o Gabriel, você escolhe colocar tudo a perder. -A mulher parou de lavar as louças e respirou fundo olhando para a filha que, também, mantinha-se nervosa e aflita com aquela conversa.

—Mãe, eu não decidi de uma hora para a outra que amo o Gabriel. Meu Deus! Eu o amo desde que me entendo por gente. A senhora sabe disso. Se ele me ama também, por que não podemos ser felizes juntos? Mãe, por favor, compreenda e se alegre conosco. Vocês podem conseguir outro emprego. Eu sou sua filha e vou me casar, não aja assim conosco, comigo. -pediu deixando prendendo as lágrimas que já se formavam em seus olhos.

—Eu e o seu pai já temos idade, Helena. Quem nos contrataria a essa altura da vida? Sem falar que esse casamento só está causando discórdia dentro da família dele. É isso que você quer para sua vida? -perguntou e viu quando a moça baixou o olhar. _Querida, ponhamo-nos em nosso lugar. Não podemos pertencer a esta família, Helena. É outro mundo. Não daria certo, meu amor. Agora, vocês estão apaixonados e passam por cima de tudo, mas lá na frente esta diferença toda afetará o relacionamento. Eu não quero que você sofra, filha. -disse tocando levemente o rosto de Helena que, por sua vez, encarou o rosto da mãe respondeu sofrêgamente:

— Os avós do Gaby, a senhora e o papai, e, até mesmo, os seus patrões estão enraizados por um pensamento muito pequeno e mesquinho, mãe. Somos todos iguais perante Deus e o fato de não termos dinheiro como eles, não nos impede de sermos felizes juntos. Essa aparente hierarquia social que vocês deixaram com que impusessem na cabeça de vocês é insustentável, completamente sem fundamentos éticos. Onde estão os ensinamentos sobre o amor que vocês me ensinaram? Por favor, mãe, reflita. Eu vou indo. Não quero mais falar sobre isso com a senhora. Saiba que estou orando para que Deus clareie a mente de vocês.

Helena saiu da cozinha e, ao encontrar Beatriz na sala, ela, apenas, sorriu como se nada houvesse acontecido e seguiram juntas para o carro. As coisas estavam se complicando cada vez mais, porém, a conversa que Helena havia tido com Beatriz, foi fortalecedora o suficiente para que ela continuasse a olhar para o alvo e seguisse em frente.

Tudo ocorrera bem no shopping, a loja para a lista dos presentes de casamento fora escolhida. Os últimos detalhes para a decoração foram acertados com a ajuda de Gabriel e Beatriz e os três assistiram a uma boa comédia que estava em cartaz.

Na volta para casa, Gabriel colocou a música “Let go”, de Hillsong Young & Free, para tocar. Sorrindo, os três cantavam junto com o cantor principal que levava a música. De fato, assim como diz a canção, quando deixamos ir é que encontramos vida. Basta confiar no Deus criador do universo.

Ao chegarem em casa, já passavam das 20:00Hrs. Antes que Gabriel chegasse ao seu quarto para tomar um banho, o seu pai lhe chamou para que pudessem conversar em seu escritório. Beatriz e Helena foram para os seus respectivos quartos; Helena caminhando em direção ao interior da residência para chegar até a sua casa que ficava no jardim de trás e Beatriz para o andar de cima.

—Filho, eu sinto muito, mas eu e sua mãe conversamos bastante com seus avós sobre o casamento de vocês dois e eles estão irredutíveis. É uma situação difícil, pois te amamos muito. Você é nosso filho! Também, amamos a Helena, porém, será que vocês não poderiam adiar esse casamento até tentarmos amenizar as coisas com seus avós? -Gabriel não conseguia acreditar no que estava ouvindo.

—Pai, eu amo a Helena e não vejo motivos plausíveis para adiarmos o nosso casamento. Eu é quem sinto muito por vocês estarem em cima do muro dessa maneira. Tem sido muito difícil, é verdade. Contudo, não iremos desistir ou adiar. Em nome de Jesus, os meus avós irão entender que não é o dinheiro que importa, mas sim o que as duas pessoas sentem uma pela outra. Eu não vou mais tocar neste assunto. Se vocês quiserem demitir os pais dela, podem demitir. Deus dará um novo emprego. Se quiserem que eu saia da empresa e abra mão dos meus bens, eu saio e faço isso sem nem pensar duas vezes. Deus cuidará da gente, pai. Eu não quero mais discutir sobre isso, por favor. Continuarei orando por essa situação e creio que as coisas irão melhorar.

—Gabriel, nem eu e sua mãe, nem os seus avós faríamos algo assim com você, meu filho. Mas tente entender o lado deles, por fa... –Gabriel interrompeu o seu pai de ímpeto.

—Pai, o que eles pensam está fora de cogitação. Pelo o amor de Deus! Chega! Seja o que Deus quiser. Eu amo o senhor e a mamãe. Por favor, não vamos mais falar sobre isso. -pediu dando um passo à frente.

—Nós também te amamos, Gabriel. Seus avós também. Não esqueça disso. Não demitiremos ninguém. É injusto e incabível demitir alguém por um motivo como este, sem falar que vimos a Helena crescer. A família dela é importante para nossa. Você sabe que eu e sua mãe sempre os tratamos bem. -disse em defesa, olhando nos olhos do filho.

—Sei. Porém, cuidado. Assim como o senhor sempre me disse que devemos amar o próximo como a nós mesmo, talvez o senhor e a mamãe não estejam fazendo isso de fato ao concordarem com o que o vovô e a vovó pensam. — O rapaz tocou o ombro do pai firmemente e saiu do escritório.

Luiz Alfredo sentou em sua poltrona com todo o seu peso e se pôs a pensar nas palavras do filho. “Por que estou tão propenso a concordar com os pais se sempre defendera direitos iguais para todos e sempre um cristão ativo? Quando foi que o dinheiro começou a falar mais alto?” pensou consigo mesmo.

Às vezes, algumas coisas acontecem em nossa vida para que entendamos o que precisa ser consertado dentro de nós, para que cresçamos e amadureçamos. Não podemos nos manter em situações de conforto a vida inteira. Precisamos viver desafios, para que o aprendizado aconteça.

Notas finais
Hey, gente, obrigada por chegarem até aqui. :) Estou de férias e pretendo terminar esta história até o fim de fevereiro. vocês merecem um final, não é mesmo!? Amo vcs e obrigada por não desistirem de mim. Beijos *.*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.