One and Only

1 Capítulo 1


Os ares de São Paulo, embora poluídos, lhe fizeram falta. Assim que pisou para fora do aeroporto de Congonhas, inspirou profundamente e de olhos fechados. Há quanto tempo não voltava para sua cidade natal?

Logo o taxi parou a sua frente e o motorista lhe ajudou a carregar a única mala para dentro do veículo, estranhando a falta de pluralidade para com as bagagens. Sorriu de modo simpático e agradeceu o gesto, entrando com o filho no banco de trás e passando o endereço para o senhor.

Viera para passar apenas uma temporada, matar a saudade e aproveitar para mostrar ao filho o berço de suas memórias. Ficaria hospedado em um hotel ali próximo, onde também era perto de todos os lugares que precisaria ir.

Se surpreendeu por reconhecer facilmente algumas ruas bem movimentadas da capital, provando para si mesmo que o cérebro humano não é capaz de se esquecer de certas coisas.

Vez em quando parava para pensar nessa máquina tão indescritível, no modo como ela funcionava e não parava momento algum. Achava maravilhosa a forma como ela tecia pensamentos, esboçava sua imaginação e o fazia sonhar, enxergar, pensar e entender. O cérebro é uma máquina impossível de se criar mecanicamente.

— É aqui, senhor?

Olhou pela janela do carro um hotel peculiarmente construído por um conjunto de três prédios interligados, formando uma “escadinha” no topo por conta do degrade em suas alturas.

— Sim, aqui mesmo. Obrigado. – Pagou a corrida e acordou o filho enquanto saía do carro já com a mala em mãos.

Foi até a recepção e em seguida liberou o filho para ir conhecer o espaço enquanto subia para o quarto e arrumava as roupas.

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— Hm... Vamos nos atrasar, Scar... – Tentava manter a voz firme, embora deixasse a cabeça pesar para um lado ao dar mais liberdade ao maior.

— Temos alguns minutos. – Argumentou, mordendo a orelha do moreno em seus braços.

De certo, tinham um pequeno espaço de tempo sobrando até dar a hora do compromisso, por que não aproveitá-lo? Ok, o casamento não ia lá essas maravilhas, mas nada impedia uma transa rápida. Acabou perdendo o raciocínio quando sentiu a mão do mais velho descer por seu tórax e invadir sua calça social, adentrando sua cueca, rendendo-se totalmente aos seus toques.

[...]

Chegaram na empresa no exato momento que o ponteiro do relógio indicou nove horas, suspirando aliviados por conseguirem manter a pontualidade.

— Nunca mais faça aquilo. – Falou pausadamente, o semblante sério e inexpressivo.

— Você gostou.

— Idiota.

O xingamento apenas serviu para aumentar o sorriso presunçoso do outro.

Seguiram em silêncio direto para a sala de reuniões e trataram de se empenhar em fechar o negócio. A discussão levou horas, e com certeza bem mais que o esperado. O cliente da vez (um senhor carrancudo) era extremamente exigente ao pedir a planta de uma cobertura que ainda estava em construção e queria que fosse redesenhada por um arquiteto de sua escolha e gosto.

— Mas o Scar é um ótimo profissional, para que chamar um terceiro?

— Tenho certeza que ele não será capaz de suprir minhas necessidades. Entre. – Ordenou para alguém que provavelmente estava à espera do lado de fora da sala, decidido a encerrar aquela discussão.

O barulho da porta se fez presente e a cena que se seguiu passou em câmera lenta aos olhos de Naveen, que esperava qualquer outra pessoa, exceto ele.

Estava alguns centímetros mais alto e com os cabelos mais compridos presos num rabo-de-cavalo baixo, algumas mechas ruivas lhe escapando e os olhos... pareciam até mesmo mais vivos, mais penetrantes! Não mudara quase nada, ainda lhe provocando falta de ar mesmo após tantos anos.

— Dominic, sente-se do meu lado por favor e resolva logo isso. – O senhor lançou um olhar ansioso para o mais novo, esperando que o mesmo se acomodasse.

— Bom dia, senhores. Eu me chamo Dominic, sou o arquiteto contratado pelo senhor Fate e estou a par da situação já. Tomei a liberdade também de dar uma olhada no projeto do senhor... – Olhou para o homem sentado do outro lado da mesa, na sua frente, constrangido por esquecer-se do seu nome.

— Scar. – O próprio se apresentou, o rosto sombrio.

— Do senhor Scar e, de fato, está bem abaixo do esperado para um apartamento que será ocupado pelo meu cliente. – Falava de forma polida e profissional, embora com uma pitada de inocência por não querer ofender o futuro colega de trabalho. Evitava a todo o custo olhar na direção do dono da empresa, se xingando mentalmente por suas escolhas. Mas como iria recusar a oferta? Estava precisando trabalhar e se distrair um pouco depois dos últimos acontecimentos. – A sacada, assim como todo o resto praticamente, está muito... Detalhada, o que acaba poluindo o design. Fate prefere algo mais simples, porém igualmente sofisticado.

Sentiu o olhar do outro lhe alfinetar. Não devia ser fácil ouvir críticas de alguém mais novo e mais experiente, mas nada poderia fazer em relação a isto.

Após mais alguns argumentos a causa foi ganha e o contrato, assinado. Arrumava seus materiais de volta na pasta e se preparava para ir embora, por ter muitos papéis e esboços misturados pediu para Fate não lhe esperar, poderia pegar um táxi na volta. Quando se deu conta era o último a sair.

— Não vai mesmo falar comigo?

Engoliu seco. Aquela voz, o timbre, a entonação, tudo. Tudo gravado em sua mente. Se virou para olhá-lo.

— O-Olá... Naveen.

Estava impecável dentro do terno azul-marinho e o cabelo não mais tão rebelde como era antigamente. Sentiu a voz vacilar, um medo agudo lhe arrepiar a espinha dorsal enquanto seu corpo cedia lugar a uma esperança descabida dentro do seu peito.

— Não achei que fosse lhe ver de novo.

— Não achei que fosse lhe ver casado. – Retrucou.

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Eu não sei porque eu estou assustado

Já senti isso antes

Cada sentimento, cada palavra

Já imaginava tudo

Você nunca vai saber se não tentar

Perdoar seu passado e simplesmente ser meu

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— Não faz assim, não se faça de vítima. – Se aproximou.

— N-Não estou.

— Sabe muito bem que não fui eu quem fugiu, quem sumiu sem deixar aviso. – Sua voz estava fria, seca. Estava magoado, claro que estava.

Quem não estaria após se sentir abandonado e traído?

— Queria o quê? Que eu sentasse e esperasse você voltar? – Abriu os braços num gesto amplo, rindo amargamente e sem humor algum.

Não conseguia encará-lo, fugia de seus olhos e tentava se esconder de suas acusações. Não sabia mais se foi o certo a fazer ao aceitar a proposta do velho conhecido, mas não poderia negar um pedido do homem que uma vez lhe ajudou. Engoliu a vontade de chorar e segurou com mais força a pasta em suas mãos.

— Eu preciso voltar, Naveen. Foi um prazer revê-lo. – Contornou o maior e saiu da sala, ou pelo menos era o que pretendia.

— É só isso que vai falar? Tem certeza?

— Aqui não é o lugar nem o momento para conversamos.

— Até quando vai fugir disso?!

— Não estou fugindo.

— Ah, pelo amor Dominic! Você vai embora depois de dormir comigo e some por sete anos, SETE ANOS, e depois vem falar que não está fugindo?

Sentiu a face enrubescer ao se lembrar nitidamente dos fatos contados, mas não se deixando levar. Saiu às pressas daquela sala, do prédio, entrando no primeiro táxi e com o coração a boca.

De todas as formas que imaginou aquele reencontro, de todos os diálogos que lhe tiraram o sono de madrugada, de todos os suspiros que sua imaginação já lhe arrancou ao imaginar como estaria o outro...Nada, nada vai superar o que viu, ouviu, falou e sentiu naquele curto período de tempo, não, mais ainda, desde que pisou naquela sala de reuniões.

Todos os anos que levou para amenizar esse sentimento gastados em vão, o esforço derrubado com um simples olhar.

Chegou no hotel ainda nervoso e subiu para o seu quarto, o filho estaria passeando com a babá e pouco tinha a se preocupar então. Deixou-se desabar na cama, as lágrimas tão esperadas acabando por não vir.

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Revivia aquele encontro vez após vez em sua cabeça, e a cada vez que se lembrava do olhar que lhe foi dirigido seu coração apertava.

Se pudesse voltar atrás... Nunca teria abandonado o maior. Mas foi necessário, não teve escolha.

Agora que estava livre era tarde demais. Naveen se casara, seguiu com a sua vida e deixou o passado em seu lugar, no passado. Era em vão criar esperanças.

Suspirou e pegou sua pasta, saindo do hotel para algum lugar calmo onde poderia pensar um pouco. Tomar um ar.

Ficou vagando pelas ruas até achar algo que lhe interessasse, acabando por sentar num banco e desenhar o esboço de uma praça. Uma memória antiga que inundou seus pensamentos, o fazendo desenhar sem pensar. Não demorou para estar colorindo o lago, a ponte e todo o resto.

— Continua com mãos leves.

Virou o rosto a procura da voz, deixando o lápis cair de seus dedos. Ria internamente de como o acaso lhe pregava peças.

— E você continuam com os pés leves. A quanto tempo está me observando? – Voltou a desenhar. O maior sentou do seu lado.

— Não estava, apenas caminhava por aqui.

— Sei.

Estavam mais calmos agora, mais abertos à conversas talvez.

— Dominic... Por que fugiu de mim? – Havia dor tanto em seus olhos quanto em sua voz. Podia notar que ambos tinham medo, um da resposta que poderia receber e outro da frase que tinha que falar.

— Porque... – Quando enfim ia dizer a verdade, um menininho ruivo muito parecido consigo apareceu correndo por ali e se jogou nos braços do mesmo. – Filho! Cuidado. – O repreendeu. – Onde está a moça que cuida de você?

— Ela tá chegando, quem é ele papai? – O pequeno olhava curioso para o estranho ao lado do pai.

Forçou um sorriso, apresentando-o como um velho amigo, mesmo sem saber se ainda poderiam ser chamados de amigos. Pediu para o filho voltar a brincar que logo ia lhe alcançar.

— Desculpa, não imaginei que a babá o levaria para brincar aqui hoje.

— Então foi por isso.

Mirou o maior. Seu semblante estava inexpressivo, os olhos focados na criança que se afastava dali, correndo em direção a uma jovem para retomar a brincadeira.

— Conheci a mãe dele pouco antes de nos envolvermos e... Bem, acabou acontecendo alguns imprevistos–

— Você engravidou ela. – O corrigiu.

— Sim. Quer dizer, não exatamente. Eu tive que viajar para onde ela morava. Mas não tire conclusões precipitadas–

— Chega, não precisa mais se explicar. Não temos nada mesmo. – O interrompeu novamente, se preparado para ir.

— Naveen. – Segurou sua mão. – Eu não a amava, apenas estava ajudando!

O maior riu. – Está tentando ajudar ou piorar a situação?

— Não diga besteiras! Ela queria um filho, eu apenas concordei em ser o doador! – Acabou falando sem pensar, agindo sem pensar.

Seu coração não lhe pedia permissão e a mente não lhe dava tempo para raciocinar. O que estava fazendo? A ideia de perdê-lo de novo era tão assustadora ao ponto de falar por impulso? Afinal, já não o tinha perdido de vez?

O maior lhe olhou, atônito com a declaração. Sentiu a boca secar e o coração falhar uma batida. Por alguns segundos ficaram apenas se encarando, tentando adivinhar o próximo passo, a próxima fala e gesto.

Quantos estragos um amor interrompido pode nos causar? Ou um reencontro após tantos anos longe? Quantas dúvidas uma única pessoa pode ter e quantas dores um coração pode suportar? Fazemos diariamente perguntas para o espelho sem nunca procurar a resposta dentro de nós mesmos. Somos covardes. Temos medo do que podemos encontrar e preferimos viver na ignorância de nossas emoções.

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Se eu estou na sua cabeça

Você lembra das palavras que digo

Se perde no tempo

Ao ouvir meu nome

Será que vou saber como é ter você por perto

E te ouvir dizer que vai comigo para o caminho que eu escolher?

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Os minutos que se seguiram foram totalmente em branco, nada aconteceu. Naveen apenas se soltou e deu as costas, fazendo o caminho de volta enquanto Dominic permaneceu parado em seu lugar pensando na besteira que havia feito. Seria melhor ter ficado calado.

As vezes nos convencemos de que o melhor a fazer é deixa o amor ir, por não ter o que fazer.

Porque amar é saber abrir mão até mesmo de futuros amores, não é mesmo? Mas há consequências também; o mundo nunca mais será colorido. As flores não vão mais ter vida ao florescer. O coração não vai mais se apertar e o estômago embrulhar-se. Ora, o que estou falando, isso não é um conto de fadas ou uma comédia-romântica onde tudo acaba nos finalmente e felizes-para-sempre, até porque a felicidade é momentânea e o para-sempre é o agora. Isso nada mais é do que a realidade, o fato em que vivemos e o fardo que carregamos.

E o fato era que Naveen jamais iria perdoá-lo e nem mesmo o próprio poderia se perdoar. O que fez não havia perdão, teria que conviver pelo resto da vida com o crime de ter deixado sua felicidade ir embora.

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As semanas se passaram arrastadas e o jovem mal via a hora de voltar para a sua cidade, a sua casa. Aproveitou os últimos dias com o filho, que logo teria que voltar para Angra por conta da escola, para irem ao cinema, levá-lo à lanchonetes e restaurantes e enchê-lo de mimos como um bom pai coruja faz sempre que surge a oportunidade.

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Você tem ficado na minha cabeça

A cada dia eu sinto que estou gostando mais de você

Me perco no tempo

Só pensando no seu rosto

Só Deus sabe porque levei tanto tempo a acabar com as minhas dúvidas

Você é o único que quero

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Tentava alcançar o filho que corria em disparada atrás do balão que recém havia ganhado, mas suas pernas o traíram mais uma vez. Se perguntava o motivo de Ele sempre fazer com que cruzasse o mesmo caminho que o mais velho, queria entender por que gostava de vê-lo sofrer ao olhar para o amor da sua vida... Sorrindo com outro.

“Naveen...”

O pequeno se desculpou com o estranho e voltou para se esconder atrás do pai, que prontamente lhe abraçou.

— Nunca mais saia correndo desse jeito, entendeu? – O filho lhe olhava com as orbes brilhando por conta das lágrimas. – Podia ter se machucado ou se perdido!

— Dominic, certo?

— Boa tarde senhor Scar, Naveen. – Meneou a cabeça num pequeno cumprimento enquanto o filho se encolhia atrás de si.

— Seu filho?

— Sim, desculpa qualquer problema. Com licença. – Saiu com o filho, que já pedia para irem comprar os doces prometidos.

Sorriu com a empolgação do seu pequeno, jamais iria desistir do seu filho. Mesmo que o preço fosse esquecer Naveen, que sequer se pronunciou.

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— Você ainda o ama.

— Quem?

— Não se faça de desentendido. Por que não consegue admitir?

— Não tem como voltarmos, Scar. E cale a boca, sabe muito bem que esse assunto morreu para mim.

— Então por que está vendo as fotos de vocês no meu computador?

O moreno fechou a página no mesmo instante, olhando para cima.

— Como...

— Eu não sabia, até você me confirmar agora.

— Não acredito que caí nessa...

— Estou pedindo o divórcio.

— O quê?!

— Amanhã o advogado vem para lhe trazer os documentos, tchau Naveen. – Scar deu as costas.

E foi então que ele percebeu que o outro estava com uma pequena mala de rodinhas e saía de casa.

— As minhas coisas já estão no carro, por que não aproveita para ir atrás dele?

Sabia que ele sorria enquanto deixava a casa.

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Entregava o projeto dentro do prazo, se livrando de uma vez por todas do que lhe prendia em São Paulo, e preparava-se para deixar o hotel quando, de modo nada exibido, um carro parou na calçada a alguns metros de onde estava e um homem há muito conhecido pôs a cabeça para fora da janela.

— Entra.

Olhou para os lados, como se confirmasse que o outro falava consigo e jogou a mala no banco de trás, entrando em seguida no veículo.

— Como me encontrou aqui?

— Tenho a ficha de todos que estavam naquela reunião, resumindo.

Concordou com um gesto, ainda confuso com tudo aquilo.

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Te desafio me deixar ser seu, o verdadeiro e único

Prometo que sou merecedor

De ficar nos seus braços

Por isso me dê uma chance

Para provar que eu sou o único que pode fazer essa caminhada

Até o fim começar

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A primeira coisa que notou foi que ele estava sem a aliança.

Depois que o mesmo tremia um pouco e focava somente na estrada.

Por último, que não fazia a menor ideia de para onde estavam indo.

— Naveen, por que...

— Não podia te deixar fugir de novo.

— ....

Estacionou em uma rua pouco movimentada, enfim se virando para encarar o menor.

— Agora, por que não contou naquela época que ia ser pai?

— Porque... Eu não ia. Mas a mãe dele faleceu no parto e, bem, a criança era a minha cara. Como eu ia negar essa verdade? O fato de ter acontecido naquela manhã foi apenas uma coincidência...

Qualquer palavra que poderia ter sido dita morreu no momento em que seus lábios se encontraram. No segundo em que o mundo deixou de existir e estavam apenas os dois ali, naquele instante.

Foi um beijo terno, calmo, mas cheio de saudade. O ponto final da angustia e a prova maior de que fora perdoado. Correspondeu de imediato, livrando-se do cinto de segurança e indo para mais perto do maior, que lhe segurou a nuca e o trouxe para seu colo.

Decidiram em silêncio que o passado pouco importava agora que estavam juntos, que se dariam uma nova chance de recomeçar da onde pararam e que não deixariam de viver aquele amor novamente. Nunca mais.

Porque quando duas pessoas que se amam se reencontram, é porque não tem desculpa, um é o carma do outro e nem mesmo o destino pode separá-los. Ninguém pode impedir um amor de ser vivido, não quando o sentimento é verdadeiro.

“Eu sei que não é fácil abrir mão de seu coração, confie em mim, eu aprendi. Ninguém é perfeito. Vá lá, me dê uma chance! Para provar que eu sou o único que pode fazer essa caminhada, até o fim começar.”

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!