One and Only

9 Oitavo Capítulo


Notas iniciais
Dobradinha para ~esquentar~ nesse frio! Espero que gostem! ;D

John andava apressadamente, mas não tinha um lugar exatamente para ir agora.

Sabia que tinha compromisso com Mary, mas isso só aconteceria à tarde então ele se perguntou o por que havia saído tão rápido de perto de Victor.

Não sabia se era o chá que havia caído mal em seu estômago, mas a verdade é que ele sentia-se inquieto, sentia um incômodo crescente. Um gosto ruim subia em sua garganta toda vez que ele se lembrava do que Trevor havia lhe contado e parecia que a qualquer momento ele iria ter que gritar ou bater em algo.

Tudo parecia muito cinzento, duro e real para John.

Andando pela calçada e ignorando o mundo ao seu redor, ele lembrou mais algumas vezes em como Victor e Sherlock se tratavam e aquilo quase o sufocava.

Entrando em um dos parques reais espalhados por Londres, ele pensou que seria bom se sentar e relaxar um pouco.

Sim, era uma brilhante ideia. Árvores, pássaros, crianças. Ele logo encontrou um banco e ficou observando pessoas passando, e o sol refletindo no pequeno lago à sua frente. Logo, o vento bateu em seu rosto e isso o fez encolher.

“...nosso segundo beijo. Que foi cem por cento sóbrio, sem forçar a barra e com ele tomando a iniciativa”

John se lembrou do sorriso idiota de Victor após dizer tais palavras e isso quase o fez vomitar.

“...ele me disse que eu era o tipo de pessoa que “merecia o melhor que o mundo podia oferecer” antes de me abraçar muito forte no aeroporto, antes do meu voo para a França.”

John resmungou baixinho. Sherlock nem ao menos tocava nele. Nunca.

Se consideravam muito amigos e mesmo assim tudo o que Holmes conseguia falar sobre seus relacionamentos era do quanto eles estavam fadados ao fracasso.

“...ele é fascinante. Ele é inesquecível. E indescritível.”

Ao se lembrar, passou suas mãos sobre o seu rosto nervosamente. O sonho que havia tido naquela manhã, com os dois tão íntimos, felizes. Havia sido tão real e tão, tão horrível de se presenciar.

Watson naturalmente sabia o que estava acontecendo. Mas já havia se passado um tempo desde que havia se permitido olhar para o moreno daquela maneira.

Não tinha motivos para continuar a fazê-lo, uma vez que o detetive sempre deixava claro o que achava sobre relacionamentos e interações humanas.

E agora, como num passa de mágica, um cara qualquer surge dizendo que este mesmo Sherlock era capaz de tudo. O próprio havia dito que sentira prazer com Victor, pelo amor de Deus!

Não, aquilo não estava certo. John estava noivo e faltava muito pouco agora para o grande dia.

Mary era uma pessoa boa e o queria bem. Estava tudo certo.

Exceto pelo fato de que havia Sherlock. Com ele tudo era imprevisível. Era como em um jogo que ele sabia que estava exposto e que ele sabia que ia perder. Se perder dele mesmo.

A mera lembrança de Trevor abraçando-o na noite anterior e deixava fora do sério e John agora reconhecia isso, o que significava.

Sentia seus músculos retraídos, tensos. Seus punhos cerrados o entregavam mais do que ele poderia querer. Sentiu seu celular vibrar em seu bolso, voltando à realidade. Era Mary.

– Alô? Amor?

– Alô. Mary?

– Sua voz está estranha...

– Eu to vendo algumas coisas. E você? Tudo bem?

– Tô. Com saudades. Ontem fui uma ciumenta idiota. Me desculpa?

– Era só eu e os caras, Mary. Você sabe que eu nunca faria nada que pudesse te magorar. – o loiro respondeu se lembrando de Sherlock com sua blusa azul, a luz do poste refletindo sobre ele.

– Eu sei...eu sei. Mas poxa, a minha despedida vai ser com a minha irmã e minhas primas...na casa da minha avó. Me dá um desconto né? Você me perdoa? Eu sou louca por você, seu mau humorado, você sabe disso, não sabe?

Claro que sim. Está tudo bem. Foi legal, tudo tranquilo...eu fiquei com o Sherlock. E com um amigo dele. – John suspirou.

– Ah, amigo? Ele tem outro amigo além de você? Preciso conhece-lo! Ainda dá tempo de chama-lo...se você quiser eu posso...

Não, não é necessário. De qualquer maneira, não o conhecemos certo? Não quero um convidado assim. Não quero que Victor vá.

– Ok, você que manda. Ah, está chegando! Eu nem acredito...e hoje vamos ver sobre o bolo né? Eu preciso de sua ajuda porque no último teste eu achei que a qualidade do recheio caiu muito. E John, você sabe como essas empresas são...no dia vão servir qualquer coisa para nossos convidados. E eu não quero isso!

– Claro. Eu vou sim, às 15hs, certo? Eu te pego em casa, ok?

– Estou na minha mãe. Você podia vir para o almoço.

– Ah, já vou almoçar por aqui, com o...com o Sherlock. – mentiu.

– Não vai me dizer que você está em mais um daqueles casos? John, eu te pedi, poxa vida...

– Não é nada disso, só vamos almoçar. Mais tarde a gente se vê. Preciso desligar agora ok? Eu te amo.

– Ok, meu briguento. Até mais. Eu te amo mais...- Mary respondeu de forma animada no outro lado da linha deixando-o ainda mais confuso do que já estava.

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Quando Sherlock voltou para casa, já era final da tarde. Ao fechar a porta encontrou Victor lendo jornal em sua poltrona, enquanto comia chocolate.

– Aonde esteve? – ele perguntou dando um sorriso.

– Hospital St. Barts. E o John?

– Saiu bem cedo. Tinha compromissos com a esposa, algo sobre o casamento…

– Oh. – Holmes respondeu colocando as amostras que havia trazido em cima da mesa, tirando seu casaco e sentando-se perto do telescópio.

– Fiz compras para você, viu. Alimentos...de verdade. De nada. Ei...quem é Paul e que número de telefone é esse? – Trevor perguntou tirando um papel do bolso da sua calça, junto com o recibo do mercado.

– Hm. O cara que você conheceu ontem no pub?

– Oh...sim, sim , sim. Eu acho que me lembro da cara dele. Bicha velha...era casado e só me avisou bem depois, quando estávamos nos entendendo bem. – Victor brincou, mas Sherlock apenas lançou um olhar de desaprovação – Ei, por falar nisso...quando você ia me contar sobre o John?

– Contar o quê sobre John? – o detetive perguntou sem real interesse enquanto ajeitava cuidadosamente uma placa petri.

– Bem, você sabe...

– Eu sei?

– É, Sherlock...não vem com essa. — Victor riu.

Holmes então se esticou na cadeira e o encarou muito sério . Trevor riu, mas ao perceber que este não sabia do que ele estava falando , disse:

– Uau. Eu não posso acreditar. Ele nem é tão discreto assim vai...oh meu Deus. Não acredito que você nunca tenha se ligado de que o John é gay!

Sherlock largou sua placa e se levantou se aproximando de Victor. Ajeitando sua camisa ele se sentou na poltrona na frente de seu amigo que agora sorria.

– E de onde você tirou essa ideia?

– Uau. Pelo seu súbito interesse, realmente você não tinha noção mesmo. Bem, posso começar pelo óbvio? O jeito...as roupas...tá, ele até que é discreto se comparado a mim, mas eu percebi assim que olhei para ele.

– Isso não faz sentido algum.

– Ah não? Nossa, então provavelmente você nunca percebeu o jeito como ele te olha né? Sherlock, ele mal pisca. Sem falar que ele me odeia secretamente. Tive a certeza disso hoje de manhã. – Trevor riu.

– Para quem perdeu os sentidos por conta do álcool, você até que observou bem o jeito dele, não foi?

– Ah, mas até seu irmão mesmo já sacou qual é a dele. Naquela parte ontem da conversa quando eu contava sobre nós dois...lembra?

– Felizmente não. Provavelmente estava filtrando informações. Não escutei muita coisa.

– Claro. Então, o John ficou com uma cara...seu irmão até me chutou por debaixo da mesa.

– Vocês são muito agradáveis. De qualquer maneira, não faz sentido com os fatos. John sempre foi discreto com relação a isso e sempre saiu com uma considerável quantidade de mulheres.

– Ah tá. E isso o torna tão heterossexual! Qual é né? O fato dele se casar mostra que ele quer ter filhos, que ele se preocupa muito com a imagem ...mas ainda assim, não o torna hétero. Lembra daquele professor que eu namorei? Então, casado por dez anos e com três filhos...e bem, ele era bem gay. Bem gay. Se é que você me entende. – Victor piscou.

– Não seja absurdo, Trevor.

– Bom, você é o gênio sabichão aqui , Sherlock. E “onde há fatos, não há argumentos”. Vou indo, vou cortar o cabelo. Vou deixar você me pagar depois viu? Até mais! – Trevor se levantou e após pegar seu casaco, deixou o detetive completamente absorto em pensamentos.