Notas iniciais
Aproveitem, esse é o primeiro capítulo e esperamos MUITO que gostem, porque deu bastante trabalho pra fazer e seria muito incentivador se vocês deixassem comentarios ! obrigada ((((:

One waterfall, One direction

Chapter I

“So many adventures couldn’t happen today So many songs we forgot to play So many dreams swinging out of the blue We let them come true.”

Terminei de colocar meu tênis para caminhada e me sentei na poltrona que tinha no meu quarto. Próximas a mim estavam Elisa, Mariana, Lethícia e Violet. Minhas amigas estavam agitadas demais para o passeio que faríamos, mesmo tendo acordado muito cedo. Por volta de umas seis horas da manhã já estávamos despertadas, o que não era nada normal. Afinal, estávamos de férias e tudo o que mais queríamos era acordar tarde. Mas nós tínhamos nos planejado muito bem, escolhido o dia da semana mais quente em Londres e preparado vários sanduíches para o caso de sentirmos fome durante o passeio que faríamos.

-Vocês tem certeza de que isso vai dar certo? – perguntou Lethícia, apreensiva. As outras meninas ainda terminavam de se arrumar. – quer dizer, vamos seguir uma trilha no meio da floresta para achar uma cachoeira?

Eu andava de um lado para o outro inquieta. Sempre tentei manter minha cabeça no lugar e fazer as escolhas certas, entanto não conseguia imaginar como eu havia conseguido ser convencida de andar pelo meio do mato. Além do mais não tínhamos avisado para ninguém que iríamos sair de casa. Quando meus pais soubessem, eles provavelmente surtariam. Afinal eles eram sérios, centrados e quase nunca me deixavam fazer algo radical como isso.

-Ah, por favor, Lethícia – Elisa falou, agachada, enquanto terminava de arrumar sua mochila que lavaria. Ela vestia uma calça jeans justa com um moletom grosso e seus Vans. – Você acha mesmo que alguma coisa pode acontecer? Milhares de pessoas fazem esse passeio e quase nunca acontece nada.

Violet apareceu pronta do nosso lado, ela comia um sanduíche de presunto e parecia muito feliz com isso.

-Quase nunca acontece nada. – ela falou de boca cheia, ressaltando o “quase”. Elisa revirou os olhos e eu me levantei da cama em que estava sentada. Não aguentava mais ficar parada. Já estava pronta ahá muito tempo.

-Vocês não me fizeram acordar seis horas da manhã para desistir de ir agora. – Mariana reclamou pela primeira vez no dia. Ela vestia um short jeans que batia nas coxas e uma blusa sem manga. Caso a temperatura caísse ela com certeza passaria frio. Ou então, seria aperitivo para todos os insetos no raio de um quilômetro.

-Exatamente! Não podemos desistir agora – Elisa falou alegremente. Ela era a que mais tinha insistido para irmos. Na verdade ela queria fazer isso ahá meses, mas sempre inventávamos uma desculpa esfarrapada. Agora que estávamos de férias não tínhamos motivos para dizer não.

Depois de todas terminarem de se arrumar, descemos as escadas da minha casa tomando cuidado para não fazer barulho e meus pais acordarem. Não podia nem cogitar essa ideia, eles veriam as mochilas cheias de biscoitos e doces e perguntaria para onde estaríamos indo. Isso daria errado antes mesmo de sairmos de casa. Mas eu não podia pensar nisso, tinha que manter o pensamento positivo. Nada daria errado.

-Maressa, está tudo bem? – Violet perguntou para mim, algo no tom de sua voz realmente mostrava preocupação.

Soltei um suspiro demorado enquanto bebia o resto do meu suco que estava no copo. Apesar de saber que as chances de isso dar errado eram quase 100%, eu insistia em ir. Não queria passar para minhas amigas a imagem de que eu era medrosa.

-Eu só estou pensando, vale mesmo a pena fazer isso? – Perguntei com a voz baixa. Ela soltou uma risada pelo nariz e despenteou meu cabelo.

-É obvio que vale! –ela falava com calma e respirava devagar. – E no caso de nós nos perdemos — –o que eu espero que não aconteça, — estamos levando umuma mapa da trilha.

-Espero que dê boas fotos, depois eu vou querer fazer um álbum. – Mariana falou distante de nós. Impossível entender de como ela estava animada com isso. Nunca em toda a minha vida havia imaginado que aquela menina, sempre cobiçada por todos, estava com vontade de entrar no meio da mata.

-Gente. – gritou Elisa do lado de fora da casa, se esquecendo completamente que meus pais ainda dormiam. A essa altura todos da casa já deveriam estar despertos.

Corri apressadamente para fora da casa junto com as outras meninas. Quando passei pela porta e fui para a rua, quase fiquei cega com a luminosidade. Procurei Elisa a minha volta e a achei conversando com um menino que estava dirigindo uma picape preta, um pouco suja de lama e com alguns arranhados leves. Fui até eles ainda com a respiração ofegante e olhei para o motorista. Ela tinha cabelos castanhos muito lisosmeio cacheados, assim como Elisa, e vestia uma roupa parecida com um pijama.

-William! –exclamei ao ver o irmão de Lisa, ele parecia ter sido praticamente arrastado da cama. Debaixo de seus olhos tinham olheiras profundas. Provavelmente por passar horas na madrugada jogando aqueles jogos de videogame que só ele entendia.

-Então você que vai nos dar carona? – perguntou Lethíicia chegando ao meu lado.

-Sim. – ele e Lisa responderam em uníssono.

-Nós não tínhamos como ir a pé de qualquer jeito. – Lisa deu de ombros. – por que não pedir para o meu irmão mala nos dar uma carona até a entrada da trilha?

-Onde é a entrada, afinal? –perguntou Violet enquanto todas subíamos no carro, e nos sentávamos no assento de couro.

-Não muito longe daqui. – Will deu a partida no carro e ia nos dando instruções. Eu tentava graváa-las de a todo o custo. Nunca se sabe o que poderia acontecer.

Passamos mais alguns minutos conversando até que o estacionamos o carro e saltamos, animadas. Nas minhas costas eu carregava uma mochila não muito pesada, com alguns alimentos e meu celular.

-Eu não acho que vocês deveriam fazer isso. – Will afirmou. – Vocês podem se machucar e provavelmente o celular vai ficar sem sinal, as impedindo de pedir ajuda. Ou então vocês podem se perder e...

-Já chega! – Lisa o cortou. – Muito obrigada por nos dar a carona, mas nós estamos bem assim, já pode ir embora agora.

Ele revirou os olhos e volto para seu carro murmurando consigo mesmo o motivo de ter aceitado levar cinco meninas de 16 anos para uma trilha sozinhas. Se eu não os conhecesse bem, ficaria assustada e tentaria entender o motivo de eles estarem quase sempre discutindo. Mas é claro, se tratando de Lisa e Will, isso era bastante comum.

-Certo. – murmurei olhando para o mapa. No local onde estávamos tinha uma placa indicando “Sua trilha começa aqui, faça bom proveito e se divirta! Horário de visitas entre sete da manhã e seis horas da noite“ .”. – Estão vendo o mapa? – perguntei fazendo uma rota com o dedo. – sSe seguirmos a trilha corretamente, em algumas horas vamos estar lá no topo vendo a cachoeira mais perfeita dessa cidade.

Elas concordaram comigo e nós começamos a caminhar. Sentia meu nariz ir se desentupindo com o tempo, pelo fato de estarmos cercadas por tantas arvores e ter tanto oxigênio a nossa volta. O dia estava realmente muito bonito, os raios solares passavam através das copas das arvores dando uma aparência bonita para o local. Além disso, se ficássemos quietas o suficiente, podíamos ouvir o barulho dos pássaros entoado canções distintas, mas que juntas pareciam uma única melodia. Ou então o barulho dos galhos das arvores se chocando uns nos outros quando o vento passava.

De algum modo, eu tinha um sentimento no fundo do meu coração, de que esse passeio marcaria nossas vidas para sempre. Só não me cabia dizer se isso era algo bom ou ruim.

Violet’s POV

Pensando melhor no que nós tínhamos feito eu já estava começando a me arrepender. Meus pés doíam, minha barriga doía de fome, e eu já estava cansada de andar a horas e ter a sensação de estar rodando em círculos. Minha cabeça e meus ombros pareciam pegar fogo devido ao sol quente. Além de minha mochila aparentar estar mais pesada do que nunca. Mas Nessa estava irredutível. Era incrível a certeza que ela parecia ter ao manejar o mapa. Se eu ao menos pudesse comer mais alguns pacotes de biscoitos...

- Tá bom. – falei encostando-me em um tronco que estava perto de mim. Obrigando as meninas a pararem junto comigo. Eu ofegava. – Não estamos lendo isso direito, tem que estar errado.

Lethícia soltou um suspiro alto e sentou no meio das folhas que estavam no chão, sem se importar que se sujaria ou pudesse ter algum inseto por perto. Todas estávamos cansadas. Vínhamos caminhando por horas seguidas e até agora não havia um barulho de queda d’água.

- Eu concordo com a Violet, Nessa me desculpa, mas você está lendo esse mapa errado. – Lethícia reclamou. – Está vendo essa arvore aqui com o galho meio quebrado? – ela apontou e nós olhamos. –Passamos por ela umas três vezes.

Elisa bufou irritada. Ela havia discutido com Nessa varias vezes durante o trajeto para poder ficar com o mapa, mas tudo o que resultou foi uma briga. E é claro, Nessa venceu com o melhor argumento. E para piorar, a temperatura parecia estar subindo cada vez mais, deixando nossas blusas molhadas de suor. Mas pior do que aturar o calor e a roupa empapada, era aturar o ronco que meu estomago fazia. Eu havia quebrado o meu recorde por passar tanto tempo sem comer. As pessoas me achavam estranha, mas para mim, ficar três horas sem ingerir algum alimento era sim uma grande ocorrência.

- Garotas, podemos fazer uma pausa não acham? – Mariana propôs com a voz calma. – A cachoeira com certeza não vai fugir de nós e além do mais, Violet parece estar morrendo de fome.

Nós cinco concordamos e eu lancei olhares agradecidos para Mariana. Abrimos todas as nossas mochilas e começamos a comer os biscoitos. Porém com a barriga farta, minha garganta começou a queimar, implorando por água. Então algo pareceu estalar na minha mente e eu comecei a abrir todas as repartições da mochila à procura de uma garrafa de água.

-Meninas... – minha voz soou tensa. – Alguém se lembrou de trazer água?

Elas olharam para mim com os olhos arregalados e puseram-se a procurar também. Mas estava claro que nós havíamos esquecido.

-Não acredito! – reclamou Lisa quase gritando. Seu olhar estava furioso, tratei de desviar os meus olhos de seu rosto. Do jeito que ela estava de cabeça cheia não duvidava que seu olhar fosse capaz de me incinerar. – Como pudemos ser tão burras?

Elisa já estava me irritando com seu mal humor. Não que ela sempre estivesse irritada. Pelo contrario. Ela sempre estava feliz e sorrindo, mas não devíamos questiona-la, quando isso acontecia era difícil lidar com sua fúria.

Mariana colocou as mãos na cabeça e balançou-a tentando afastar algum pensamento.

-Acho que deveríamos voltar... – sua voz saiu quase como um sussurro. – Não podemos ficar aqui debaixo desse sol escaldante sem água, podemos desidratar!

Lisa revirou os olhos e começou a bater o pé no chão.

- Mais um motivo de chegarmos à cachoeira logo. – ela falou secamente. – Lá tem água e nós podemos mergulhar. Viemos com os biquines por baixo para isso certo?

Deixei um suspiro sair de meus lábios e me movimentei com medo de algum animal me picar por eu estar sentada no meio do mato. Sabia que se não chegássemos nessa cachoeira hoje, Elisa teria um ataque.

- Então vamos logo. – disse tentando juntar forças para uma longa caminhada. – Quanto antes chegarmos mais cedo nós voltamos para casa.

Todas concordaram comigo e se levantaram. Sacudi minha roupa para tentar tirar a terra que estava presa nela e guardei as embalagens de biscoitos para jogarmos no lixo mais próximo que encontrássemos. As minhas forças pareciam se esvair de mim e meu corpo me obrigava a tirar um cochilo como sempre acontecia depois de eu me alimentar. Mas eu sabia que a caminhada ia ser árdua e a subida ia ficando cada vez mais íngreme. Apressei-me em andar para não ficar para trás. As meninas estavam alguns metros na minha frente e tudo o que eu menos queria era ficar perdida ali, no meio da floresta sem nenhuma companhia.

Lethícia’s POV

Logo após darmos uma parada de alguns minutos para nos alimentarmos o céu começou a tomar uma coloração acinzentada. Incrível sua capacidade de mudar de uma hora para outra. Mas se tinha um dia que não podia cair nenhum pingo do céu, hoje era esse dia. A água molharia a terra e deixaria tudo cheio de lama, o que só pioraria a nossa situação. Estávamos muito longe do portão em que tínhamos começado a nossa trilha e se tivéssemos que voltar, demorariam provavelmente muitas horas. Mas além de estar preocupada com o tempo, minha garganta estava mais seca que o normal. Precisávamos achar água urgentemente, afinal era quase duas horas da tarde e não tinha tomado nenhum gole de água.

-Meninas... – murmurei. Minha voz saia seca e estranha. – Precisamos beber alguma coisa... — quanto mais eu falava mais minha língua parecia ser uma lixa. — ... Não aguento mais.

Todas pararam e encostaram-se em um tronco que estava caído perto de nós. Suas feições estavam pesadas e seus rostos estavam avermelhados pelo esforço físico. Nessa olhou o mapa mais uma vez e arregalou os olhos.

- Gente! Olha o que tem aqui! – ela nos mostrou o mapa e nos juntamos por um momento para observar. Eu juro que não entendia como ela conseguia estar entendendo aquilo. Eu era a pior pessoa para manejar mapas que eu já vira. – Nós estamos aqui. – ela mostrou com o dedo e depois foi fazendo um caminho. – Algo me diz que tem um lago aqui por perto!

- E se tem lago, tem cachoeira... – Lisa falou com um sorriso de lado.

Meu coração deu um pulo no peito. Nós podíamos estar mais perto do que imaginávamos.

- Não necessariamente Lisa. – Violet falou cortando nossas esperanças. O sorriso de Lisa se desfez. –Pode ser outro lago...

Violet estava certa. Imagina quantos lagos poderiam ter aqui por perto. A floresta era grande e abrigava muitos animas. Acredito que todos eles não bebiam água em apenas um local.

- Nós temos que ir até lá! – falei. – Pensem bem. Todas estamos com sede, cansadas e sujas, se pelo menos fossemos lá... Poderíamos descansar, e nos refrescar.

Nessa abaixou os olhos mais uma vez. Quase podia ver uma fumaça saindo da sua cabeça e as engrenagens de seu cérebro funcionando.

- Mas gente, no mapa não diz onde é o lago. Como vamos saber? Pode ser para todas as direções. – ela falou. – Mas eu acho que Lethícia está certa, nós precisamos ir a esse lago, temos que beber água e me desculpem, mas daqui a duas horas o portão estará fechado e não vamos conseguir chegar à cachoeira. Temos que ir agora.

- De jeito nenhum! – Elisa berrou. – Eu não estou andando a horas a toa. Nós vamos até esse lago, bebemos água e procuramos o caminha da cachoeira!

- Lisa, eu acho que você não entendeu... – Mari falou. – O lago pode ser em qualquer direção, e até acha-lo pode demorar muito.

- Mas... – Elisa ia começar a falar, porém foi cortada por Nessa.

- Meninas, todas tem celular? – perguntou ela. Assentimos com a cabeça esperando ela continuar a falar. – O que vocês acham de nós nos dividirmos? Três andam juntas para um lado e as outras duas andam para o outro tentando achar o lago. Agora são três horas da tarde, se não o acharmos em trinta minutos nós voltamos para esse local e continuamos a caminhada.

Nós paramos por um momento avaliando essa possibilidade. Eu achava muito arriscado nós nos dividirmos. Tínhamos que nos lembrar de que estávamos em um lugar com animais não adestrados e que talvez pudessem não hesitar em nos atacar. Mas por outro lado, eu estava morrendo de sede e louca de vontade de sair daquela mata. Já não estava com a mínima vontade de chegar à cachoeira ou a lugar nenhum.

- Certo, então eu vou com quem? – perguntei.

- Eu posso ir com a Mari. Nessa, Violet e você vão juntas para o outro sentido ok? – Lisa falou. Nós concordamos com ela e já íamos seguir o outro caminha quando um pensamento me fez parar.

- E como vamos saber que esse era o ponto em que nós marcamos? – perguntei.

Nessa vacilou por um momento. Estava claro de que não tínhamos como marcar o lugar. Ninguém parecia ter alguma tinta, caneta ou qualquer outra coisa do tipo.

- Tive uma ideia! – Violet praticamente berrou. Ela tirou a faixa que estava segurando a franja de seu cabelo e prendo-a com um nó bem forte na árvore mais baixa que estava a nossa direita. Ela se virou para nós com um sorriso triunfante.

- Ótima ideia Violet! – disse Mariana animada, e continuou a caminhar para o outro sentido. – Nos vemos daqui a pouco então.

- Até logo. – disse Lisa, virando-se mata adent.

Esperamos um momento e a vimos sumir por dentre a vegetação. Fizemos o mesmo que elas, mas na direção oposta. Mas algo me incomodava, quanto mais íamos para o outro lado, mais a trilha que se via no chão desaparecia. As arvores iam fechando as passagens e tornando cadê vez mais difícil de seguir. Fiquei imaginando como Lisa e Mari estariam. Se a trilha era tão ruim quanto a nossa ou se o lago era para o caminho que elas estavam fazendo. Então tive o terrível pressentimento de que algo aconteceria. Não deveríamos ter nos separado. E se aparecesse algum animal? E se elas se machucassem? Estavam em desvantagem por ter menor numero. Talvez não conseguissem voltar ou se perdessem. Quanto mais eu tentava desviar minha mente desses terríveis pensamentos, mais meu coração dizia que eles estavam certos.

Então algo fez com que nós três parássemos de caminhar. Um grito estridente cortou o silêncio de alguns segundos atrás. Os pássaros que estavam nas árvores se assustaram e voaram para longe. Era um grito diferente, mas não qualquer um. Era um grito que eu já presenciara tantas vezes em discussões e era exatamente o que nos trouxera aqui no inicio do dia. Aquela voz, com o tom urgente que sempre conseguia nos fazer mudar de ideia quando contestada. Era um grito único que eu poderia ser capaz de reconhecer em qualquer lugar do mundo.

Era o grito desesperado de Elisa.

Lisa’s POV

Meus músculos estavam rígidos e muito doloridos, de modo que qualquer movimento que eu fizesse para me movimentar só piorasse a dor. Sem falar nos meus pés, que devido ao sapato desconfortável, estava cheio de bolhas. Mas eu queria muito ir a essa cachoeira e nenhuma das minhas amigas conseguia entender. Era lá que meu pai me levara antes dele partir em sua última missão para servir o exército. Quando eu era pequena, aquelas águas geladas da cachoeira e o longo trajeto de pedras me amedrontavam. Mas eu tinha o meu pai me protegendo e segurando a minha mão no caso de eu cair ou eu tropeçar. E agora que eu o tinha perdido, sentia sua falta mais do que nunca. Sentia falta daqueles olhos brilhantes, de seu sorriso de lado e de sua gargalhada alta sempre que estava feliz. Então tudo o que eu queria, era visitar novamente os lugares que nós costumávamos ir juntos. Nunca me atrevi a contar a ninguém que meu pai era o real motivo de eu querer me meter em toda essa aventura. Sempre que eu tentava abrir a boca para falar com alguém sobre isso, eu era impedida por lagrimas que ameaçavam em sair. E para pagar o papel de fraca e sensível na frente das minhas melhores amigas, eu preferia ficar calada e segurar o choro com muita força. Mas uma hora ou outra as lagrimas caiam e eu sofria calada em meu quarto junto com as musicas melancólicas que só pioravam meu estado de espírito.

- Lisa. – chamou Mariana. – Tudo bem com você? Parece triste.

Pressionei os lábios com força como sempre fazia ao sentir que as lagrimas ameaçavam sair. Meu cérebro já trabalhava inconscientemente. Como se isso fosse meu próprio sistema de defesa.Comecei a sentir pontadas fortes na cabeça e pressionei minha têmpora com força. Eu me lembrava daquele local que eu tinha visitado á anos atrás. O cheiro daquelas plantas e o modo que a natureza transmitia paz eram inconfundíveis. Com toda certeza que já tinha estado naquele local.

- Tudo bem. – lutei para fazer as palavras saírem da minha boca. Mentir não era meu forte. –Eu só preciso achar esse lago logo. Estou morrendo de sede e cansaço.

Ela levantou apenas uma das sobrancelhas e ficou me encarando. Tentando entender o que se passava comigo.

- Você sabe que talvez não dê para irmos a essa cachoeira certo? – ela perguntou calmamente. Senti meu estomago se contrair. Eu precisava visitar aquele local.

- Nem fale uma coisa dessas. – falei secamente. – Não andamos tudo isso a toa.

Ela parou de andar e segurou meu braço com força me obrigando a parar também.

- Talvez não dê para ir Lisa, pensa bem, estamos a horas andando no meio do nada procurando esse lugar e não achamos. – ela começou a falar. – Daqui a pouco vai escurecer e a não ser que você queira dormir entre as pedras nós vamos ter que voltar pra casa.

Tirei a mão dela que pousava no meu braço com força, botei meus fones de ouvido e continuei a andar. Agora mais rapidamente. Sabia que ela estava certa, nunca acharíamos essa cachoeira hoje, mas eu precisava ir lá, eu sentia que isso me fazia sentir mais perto do meu pai. Porém eu não podia colocar as minhas amigas em perigo. O dia estava quase perto do por do sol e a temperatura já havia caído muito. O calor de horas atrás havia desaparecido. Eu tinha que aprender ceder e ainda por cima me desculpar com Mariana pela minha grosseria. Virei-me para falar com ela, crente de que estava apenas a alguns passos atrás de mim. Mas nada achei, estava sozinha e não havia nenhum sinal da minha amiga.

Sentir meu coração ficar descompassado e eu começar a suar frio. Ela havia desaparecido. Resolvi voltar o trajeto que havia feito na esperança de acha-la, mas tinham se passado quanto tempo desde que nós tínhamos discutido? Cinco, dez, quinze minutos caminhando? Pensamentos horríveis surgiram em minha mente. Algum animal podia a ter devorado, ou então ter mais alguém naquela floresta e a ter sequestrado. Minhas mãos tremiam e minhas pernas já estavam bambas.

- Mariana! – gritei enquanto tirava a musica alta de meus ouvidos e voltava o trajeto. –Mariana!

Senti meu ouvido se aguçar ao ouvir um gemido, quase como choro vindo um pouco mais a minha frente. Comecei a correr até que congelei ao ver a cena que presenciava. Os dois meninos mais bonitos que eu já vira em toda a minha vida, ajudavam Mari a se apoiar para caminhar. O rosto dela demonstrava dor, já o deles, susto e preocupação. Não consegui segurar o meu grito estridente, um tanto surpreso.

Os meninos que ajudavam a minha amiga caminhar não eram ninguém menos que Harry Styles e Louis Tomlinson.

Louis’s POV

Flashback

Estava sentado na borda do lago com os pés dentro d’água, observando a paisagem. O dia estava claro e sem nenhum sinal de que choveria nas próximas horas. Perfeito para acampar com os meus amigos. Finalmente me via livre de todas as preocupações, passaríamos dois meses de férias em Londres e para começar acamparíamos por dois dias na Sherwood Forest para tentar ficar longe do foco de imprensa. A rotina de shows estava me matando, cada dia nos apresentávamos em um lugar diferente e o desgaste era excessivo. Estavam pedindo demais de nós, essas férias não poderiam vir em melhor hora. Os meninos estavam do outro lado do acampamento, terminando de arrumar as barracas em que dormiríamos. Como a minha já estava pronta há muito tempo, não me importei em relaxar por alguns minutos. Resolvemos não dividir as barracas, mesmo elas cabendo três pessoas, cada um ficaria em uma, dando assim, mais espaço para nós, o que certa forma era bom já que Harry e Niall são as pessoas mais desorganizadas do mundo.

Senti alguém passar por trás de mim e se sentar ao meu lado. Levantei o olhar que antes estava fixado no horizonte e me deparei com Harry me encarando, tentando entender o que eu estava pensando.

-Eu estava pensando em fazer uma caminhada. – ele falou calmamente. – O que você acha, é melhor do que ficar parado aí, sem fazer nada.

Balancei a cabeça em concordância. Meus pés já estavam começando a formigar e ficar enrugados devido aos muitos minutos debaixo d’água.

-Pode ser. – falei. – Quem mais vai?

-Não sei. – ele respondeu. – Provavelmente só nos dois mesmo. Liam e Zayn estão travando uma luta contra suas barracas e Niall está tocando violão.

Levantei do local onde eu estava sentado e tirei a terra grudada de minha roupa. Começamos caminhar calmamente pela trilha que saia do lago e fomos apreciando a paisagem. Harry caminhava calmamente ao meu lado. Quieto, me observando.

-O que você está encarando? – Perguntei, tentando segurar o riso. Já estávamos assim a alguns minutos.

-Você está estranho. – Ele respondeu. – Quieto, sem fazer nenhuma piada, brigou com a Eleanor?

O nome da minha namorada fez meu estômago se embrulhar. Semana passada tínhamos brigado e até agora não estávamos nos falando direito. Acho que dessa vez eu realmente fiz uma brincadeira que não deveria.

-Nós brigamos. – Falei, com um nó na garganta. – e dessa vez foi feio.

Resolvi ocultar a parte de que talvez nós não voltemos a namorar novamente. Aquilo era demais para falar. Por mais que nós não estivéssemos nos dando bem a algum tempo, eu ainda tinha um sentimento muito forte por ela. E não tinha como ocultar isso. O brilho dos seus olhos, sua gargalhada, o cheiro de seu perfume um pouco amadeirado, ainda estavam vivos em minha memória. Tinha certeza que seria muito difícil deletar tamanhas lembranças. Afinal, ela me conhecia como ninguém e antes de ser minha namorada, foi minha melhor amiga.

-Você acha que vão terminar? – Ele falou, agora mais próximo de mim. De todos os meus amigos, ele sempre foi o que eu dividia o que eu sentia.

-Não sei. – falei francamente. – talvez sim, talvez não.

Ele ficou quieto por um momento, dando o assunto por encerrado. A temperatura que alguns minutos estava muito alta, agora parecia ter diminuído uns dez graus. Era por volta de três horas da tarde e daqui a pouco nós teríamos que voltar para o acampamento que estava a uns vinte minutos de caminhada do lugar que nós estávamos. Coloquei meu fone e continuei a caminhar calmamente. Tentava esquecer do turbilhão de pensamentos que afligiam minha mente. Senti Harry tocar em meu ombro e eu tirei os fones que estavam com uma musica alta.

-O que foi? – Perguntei, com as sobrancelhas franzidas.

Ele levantou a cabeça para o lado como se estivesse tentando ouvir alguma coisa.

-Você não ouviu isso? – ele perguntou, surpreso.

-Isso o que? Eu estava com o fone. – Mostrei o IPhone para ele.

-Esse choro. — Ele sussurrou. Ficamos em silencio por um momento um segundo e então eu ouvi um barulho, primeiramente muito baixo, depois foi aumentando. Com certeza era uma pessoa. O choro fraco vinha da nossa direita, na parte em que a mata perdia a trilha. Olhei para ele por um momento esperando uma reação, ele passou rápido por entre as árvores que estavam juntas. O local em que estávamos era enlameado, tornando muito fácil de escorregar. Paramos de correr ao ver a pessoa que emitia o choro, se tratava de uma menina, aparentemente com a mesma idade do Harry. Ela estava encostada em uma árvore, com a mão sobre o tornozelo, chorando, suas mãos estavam sangrando de uma provável queda.

-Ai meu Deus. – Harry falou, se aproximando da menina. Seus cabelos castanhos estavam levemente caídos sobre o seu rosto. –Você está bem?

Olhei para ele surpreso em como uma pessoa tinha capacidade em formular uma pergunta tão idiota.

-Tudo bem, você não está bem. – Harry falou com um tom idiota.

A menina continuava chorando, ela nos olhou com o rosto avermelhado, surpresa com nos encontrar. Ela não parecia ser uma fã maluca com que nós sempre lidávamos, então não tínhamos que nos preocupar no caso de ela nos atacar e tentar rasgar nossa roupa. Segurei em um dos seus braços e Harry no outro, ela tentou se equilibrar, mas logo seus joelhos vergaram e ela fez menção de cair. Harry a pegou automaticamente, a impedindo de se machucar ainda mais.

-Elisa. – ela murmurou. – Elisa.

E no momento em que ela falou isso, desviei meus olhos da menina que tinha seu corpo inerte apoiado sobre Harry e me virei em direção a um grito estridente vindo por trás de mim.

Flashback off

Notas finais
Qualquer erro nos desculpe, e como já pedimos deixem reviwes.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.