One Thing

3 Um sonho muito... Estranho!


Notas iniciais
Mais um capítulo!

POV Melissa


Alguns dias depois daquele acontecimento, era o dia do meu aniversário. Eu iria a um lugar com um assistente social, para assinar uns papeis e ter o dinheiro do meu pai e o da minha mãe numa conta que criariam para mim. Passar o aniversário de 17 anos sozinha. Parece tão ruim. E na verdade, é ruim sim.

Arrumei-me e segui para a sala, esperando para irmos lá e colocar as coisas que eles deixaram no meu nome. Cada dia que passava, eu ia piorando, só mais ainda. Minhas olheiras estavam cada vez mais profundas, e eu só fazia chorar. E isso era ruim. Muito ruim. Mas eu continuei. E vou continuar sempre. De um jeito ou de outro.

Ouvi uma buzina e sai, indo em direção ao carro. Parece ser tão chato assinar papéis. Mas na verdade, até que não é. Já de tarde, quando eu cheguei a casa, estava realmente acabada. Joguei-me no sofá e acabei adormecendo ali mesmo. Sonhando com o nada. Quando acordei já era tarde da noite, e eu subi para me ajeitar na minha cama.

Vesti o meu pijama, e me joguei entre as minhas cobertas, pensando novamente na minha vida. Agora o que eu mais fazia era pensar na minha vida. Como seria ela agora? E essa era a pergunta que não queria calar. Sinceramente. Como eu viveria depois? Eu não sei. Disso eu realmente não sei, mas de uma coisa eu estou certa, eu vou enfrentar tudo. Por mais difícil que for.

Foi ai que eu percebi que estava chorando de novo, mas não liguei. Chorar é bom, não é? Principalmente para você se aliviar, de certa forma. Ma eu não conseguia. Aliviar-me. Não como eu queria. Mas nem sempre as coisas são como queremos. Elas simplesmente acontecem. E eu sei muito bem disso.

Decidi ir dormir, porque era o melhor para eu fazer nesse momento. Fechei meus olhos, e tentei não pensar em nada. E então eu dormi novamente, pensando realmente em nada. Vazio.

Acordei no meio da noite, ou melhor, na madrugada, para simplesmente parar de sonhar, ou ter pesadelos, enfim... Sonhei com meus pais hoje. E rezei para não sonhar de novo. Isso me assustava. Acabei dormindo para valer, e torci também para minhas olheiras não aumentarem.

Sábado de tarde. – 13h00min

Quando acordei, já eram uma hora da tarde, e eu tinha de comprar os meus materiais da escola. Bom, não é bem uma escola, é um internato. Então, teria de comprar roupas também.

Aproveitei que essa hora o shopping estava aberto sem muita movimentação. Vesti-me, depois de tomar o meu banho que durou quase uns 20 minutos. Desculpe natureza, mas eu precisava. Então eu fui para lá. Comprei tudo que eu precisava, e acabei, por impulso, comprando um iPhone e um notebook, e algumas coisas que eu não lembro agora.

Fui para praça de alimentação, que é a minha parte preferida de todo o shopping. Eu posso dizer que de todas as lojas daquela praça, eu já comi de tudo. E não sou gorda. Não sei como isso é possível. Mas acabei indo comer pizza. Comi minha pizza e tomei meu refrigerante, para poder ir para casa, e quando cheguei, colocou as sacolas num lado da sala, para poder ir dormir. Eu sei, durmo muito. Dormir é bom. E ultimamente, eu só faço isso. Cansa. No dia seguinte, iria arrumar as minhas malas.

Aquela assistente social só me deixou morar só, porque eu já estava numa idade avançada, e mesmo assim, ela iria me ver todos os dias, para eu ficar sobre a “guarda“ dela, por esses tempos. E também porque eu estudo num internato, porque se não o conselho tutelar teriam me levado, digo, jogado em um orfanato.

Minha opinião sobre este internato é que os pais não gostam de seus filhos inúteis e desocupados, e os jogam lá, para poderem ficar livre todo o ano. E essa minha opinião não vai mudar. Tentei afastar esses pensamentos e ir dormir. E consegui, porque amanhã seria um longo dia, longo mesmo, e eu iria arrumar minhas coisas o que já era demasiado difícil. Eu iria tentar encontrar algumas coisas para eu levar para lá, e iria por fim, tentar me animar para pelo menos conseguir aproveitar meu último dia fora de lá.


POV Sophie


Passaram-se alguns dias, e tudo se resumia em dormir, comer, tomar banho, e mexer no computador. Isso estava mais entediante do que em Nova York, embora para Sammyh, aqui fosse o paraíso.

Resolvi então sair. Peguei meu iPod e silenciosamente abri a porta:

– Eu vou com você!

– Que susto, idiota! – Falei pondo a mão em meu peito.

– Por que ta se escondendo? – Ela perguntou cruzando os braços.

– Pensei que estivesse dormindo! Tem dinheiro?

– Não. PAI? TEM GRANA?! – Ela gritou próxima a escada.

– Para? – Ele apareceu na ponta dela.

– Sairmos. – Ele nos deu cem libras, meio receoso.

– Nós vamos só pegar um táxi... Mas se você insistiu. – Tomei o dinheiro das mãos dele. – Vamos logo, Sammyh! – E a arrastei pelo braço.

Entreguei o fone a ela, e pus qualquer música, não percebi qual era, mas depois me arrependi. Sammyh começou a cantar feito louca One Thing. Por que tenho essa música mesmo?

– A gente ta no meio da rua, demente! – Mas ela não me deu ouvidos, começou a cantar mais alto.

– Sabe, às vezes tenho até vergonha de dizer que sou sua irmã. – Pus o capuz tentando esconder meu rosto.

– Que tal irmos ao Starbucks? – Concordei. Ela estendeu a mão para pegar o táxi, pois afinal, não conhecíamos Londres ponto de ir a pé.

Chegamos lá pegamos uma mesa bem no fundo. Dirigi-me até o balcão.

– Dois Frappuccino de chocolate e dois croissants, por favor.

Paguei e fiquei esperando, enquanto observava Sammyh. Não entendia porque voltara a fazer aquilo. Tudo isso por causa da Jennifer, uma patricinha da escola. Ela insultava Sammyh, chamando-a de gorda e feia. Desde então, ela passou a ser mais vaidosa e também foi aí onde começou a bulimia.

Peguei meu pedido e voltei para minha mesa:

– Que foi? – Ela estava a ponto de chorar.

– Naquele dia... Foi mais forte que eu.

– Não precisa explicar. Só... Pare! E também, coma direito. – Entreguei o croissant e o Frappuccino pra ela.

– Promete não contar nada para ninguém?

– Eu nunca faria... – Ela me interrompeu.

– Promete?

– Juro pela minha mãe mortinha!

– Cala a boca! Sabia que palavra tem poder?

Terminamos e fomos para casa. Cheguei, tomei banho, coloquei meu pijama e desci.

– To com fome! – Passei e dei um tapa na cabeça de Sammyh, que estava sentada no sofá.

– Novidade... AI!

– Vou pedir pizza. Quer de quê? – Perguntei já com o telefone na mão.

– Que tal assistirmos um filme?

– Com pizza!

– Não! Com pipoca. – Sammyh se levantou indo para a cozinha preparar.

Escolhi o filme “A Proposta”. Coloquei no vídeo e ela havia voltado.

– Já?

– Tava pronta. – Ela disse e se sentou.

(...)

Já estava quase acabando. Sammyh havia dormido, a pipoca acabado, e eu, simplesmente apaguei.

Sonho ON

“Estava escuro, só eu, Sammyh e minha mãe. O vento soprava forte e o céu trovoava. Naquele lugar, apareceu a imagem da minha mãe, brincando conosco ainda crianças. Ouvi a minha mãe falar, quase em um tom de sussurro.

– Ninguém é eterno. Nada é para sempre!

Em seguida, escutei minha voz no Starbucks.

– Juro pela minha mãe mortinha!

A voz de Sammyh ficou ecoando na minha mente.

– Palavra tem poder.

E a cada vez ficava mais baixa, até que cessou. Algo estava me perseguindo, algo escuro que não conseguira distinguir. Comecei a correr, mas ele era mais rápido.

“Estava perto demais...”

Sonho OFF

Dei um pulo do sofá, acordando ofegante. Tentei afastar esses pensamentos. Se ficasse acordada, não iria parar de pensar nisso, e dormindo, voltaria a sonhar. Resolvi dormir, pois afinal, foi só um sonho... Eu espero.

Mas... O que ele queria me dizer?



Notas finais
Eaeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeew!Merecemos reviews?