One Shots Aurieta
2 A despedida
Notas iniciais
Após a tentativa de beijar Julieta, e o modo como ela reagiu, começando a chorar, vulnerável em sua frente, Aurélio decidiu dar a ela o seu tempo. No mesmo dia a própria acariciou o seu rosto e se afundou em seu abraço, pedindo apenas que a desculpasse e que não estava pronta.
Aquilo partiu o coração do botânico, vê-la assim tão frágil, obviamente concordou em esperar, Julieta disse que precisava se entender com Camilo e resolver outras pendências de seu passado em São Paulo. Ele compreensivelmente disse que daria a ela todo o espaço do mundo para organizar as idéias e que a esperaria no Vale e cuidaria com zelo de seus negócios, nos quais agora tinha participação ativa. Ficou mais do que satifeito ao receber de sua amada um beijo carinhoso na bochecha em forma de agradecimento, e disse que iria cedo na fazenda no outro dia se despedir dela. Julieta assentiu com um sorriso e partiu da casa do Coronel, teria uma longa viagem no outro dia.
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— Minha amiga tem certeza que vai sozinha à São Paulo? Digo sozinha porque Olegário não conta...
— Sim Susana, eu preciso mais de você aqui do que lá, ainda restam muitas terras à negociar, e Xavier está à espreita.
— Mas agora você não tem o seu fiel escudeiro metido a barão para defender sua causa?
— Essa é outra coisa que eu queria lhe dizer, espero que consigam ser civilizados os dois em minha ausência e não fiquem igual duas crianças se provocando.
Susana bufou e Julieta desceu as escadas, estava com tudo pronto para partir, mas seu coração ainda sentia falta de alguma coisa...
Aurélio!
Ele havia prometido ir se despedir dela, mas Julieta ja havia adiado de todas as maneiras possíveis sua partida, inventando coisa ou outra e nada do botânico.
Deveria partir o quanto antes, não podia mais esperar, de certo ele se esqueceu e nem viria.
— Julieta o que está faltando? Deveria partir, a viagem é longa.
— Não está faltando nada Susana, já estou indo.
Falou seca e irritada, se sentindo uma tola por adiar algo tão importante simplesmente para ver Aurélio uma última vez. O que estava acontecendo com ela? Perdendo a sua preciosa praticidade?
— Vamos Olegário, está na hora..
Percorriam a estrada que dava acesso de sua fazenda à cidade.
Julieta olhava para a paisagem pensativa, queria poder se entregar ao sentimento de Aurélio, mas precisava dessa ida a São Paulo primeiro. Porém, gostaria de tê-lo visto só mais uma vez antes de partir.
Estranhou o carro reduzir a velocidade aos poucos e se assustou, seria novamente Xavier?
— Dona Julieta, acho que procuram pela senhora.
Ao olhar para trás definitivamente não era Xavier.
Não evitou o sorriso ao ver Aurélio vindo as pressas em um cavalo, sem fôlego, parecia estar correndo há horas.
— Tião, por favor estacione o carro mais para frente e me aguarde lá, você também Olegário.
O seu capacho só concordou e voltou ao sono em que já se encontrava, era só entrar no carro que Olegário ja estava babando nos bancos.
Ela desceu e na mesma hora Aurélio parou o cavalo e desceu.
Estava ofegante, mas satisfeito em alcança-la.
Julieta estava maravilhada, nunca ninguém fez tamanho esforço apenas para se despedir dela.
— Me perdoe o atraso, Brandão começou a me pedir ajuda em uns concertos e eu não conseguia fugir de lá.
Julieta sorriu levemente
— Está tudo bem, você conseguiu, nos últimos minutos.
— Eu precisava lhe ver mais uma vez, espero que se acerte com Camilo e resolva todas as suas pendências em São Paulo.
—Obrigada, tentarei, e confio em você e Susana para cuidarem as coisas por aqui.
— Não se preocupe, cuidarei suas coisas como se fossem minha vida!
Quanto zelo ele tinha por ela, isso a encantava, não queria mais sair dali, não queria encerrar a conversa e partir.
— Ótimo, eu vou ligar todos os dias para a casa de chá, na primeira hora da tarde.......para saber das negociações, é claro.
Saber das negociações? A quem estavam enganando? Ela ligaria porque estava acostumada a falar com ele todos os dias, se tornaram melhores amigos, de manter conversas por horas... mas ninguém iria admitir isso não é mesmo?
— Eu estarei lá sempre, esperando você ligar.
Ela sorriu um pouco triste, precisava se despedir de uma vez.
— Bom.. eu preciso ir.. nos vemos daqui uns dias...
Ele assentiu triste, a vendo dar alguns passos, mas de repente Julieta recuou.
Ela pegou sua mão meio de lado o puxando para perto deu um breve selinho em seus lábios e logo o soltou e apressou o passo em direção ao carro.
Ele não teve nem tempo de reagir, apenas a acompanhou se afastar com um sorriso mais bobo do que nunca e a esperança renovada.
Julieta lhe lançou um último olhar carinhoso antes de entrar no carro e partir.
E ele ficou ali no meio da estrada, essa mulher era sua total perdição, guardou aquele pequeno beijo no fundo de sua alma.
Sentiria falta de vê-la todos os dias, mas sabia que era uma viagem necessária, e seu coração lhe dizia que a espera e a saudade valeriam a pena.
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