One- Shot - Um pedido especial
1 Um pedido especial - Parte I
Notas iniciais
— Vamos Edward, um pouco de animação. É ano novo. — Pediu pela décima vez naquele dia.
— Para mim é só mais um ano. Um ano que eu vou ficar preso nesse negócio. — Bella suspirou e sentou-se em seu colo. Fazia um pouco mais de quatro anos.
Edward havia sofrido um acidente que o deixara em uma cadeira de rodas sem o movimento das pernas. Bella passou um dos braços em seu pescoço e acariciou seu rosto.
— Talvez seja um bom ano, amor. Talvez os tratamentos finalmente possam fazer efeito ou quem sabe...
— Chega Bella. — Pediu afastando os braços dela de seu pescoço. — Você não entende? Eu não vou voltar a andar! Nunca mais! — Rugiu irritado. — Eu não vejo motivos para continuar com esses tratamentos inúteis. A cada sessão, a cada ida ao médico eu só me frustro ainda mais. Você está com um homem incompleto. Não vê isso?
— Não vejo porque não é verdade! — Retrucou. — Não é assim que eu vejo você Edward. E mesmo que você não volte a andar...
— Não vou. — Bella colocou uma de suas mãos na boca dele, o calando.
— Mesmo que você não volte a andar isso não fará diferença para mim. Nem para mim, nem para o Charlie.
— É isso que você não entende, Bella. O Charlie... O Charlie não poderá brincar direito com o pai. Nunca vai saber como é fazer uma guerra de bolas de neve, ou andar de cavalinho. Ou qualquer brincadeira entre pai e filho que exija algum movimento das minhas malditas pernas!
— Edward, ele ama você como você é. Nada mais importa. — Respondeu voltando a acariciando seu rosto, mas ele fechou os olhos e apertou os lábios em uma linha fina.
— Eu já vou para cama. Estou indisposto.
—Tudo bem. — Ela disse o beijando. — Eu amo você. — Declarou afagando os cabelos revoltos do marido.
— Eu também amo você. — Edward respondeu suspirando. — Só acho que você e Charlie mereciam coisa melhor. — Acrescentou olhando para baixo.
— Você é o melhor para nós. — Retruco lhe dando mais um beijo e saindo de seu colo. — Vou ver como Charlie está.
Quando ouviu a mãe se aproximando, Charlie saiu de trás da porta e correu para seu quarto. Nenhum dos dois havia percebido, mas ele ouviu toda a conversa entre eles. Charlie tinha apenas cinco anos, mas era mais inteligente do que a maioria dos garotos da sua idade.
Quando Bella entrou no quarto o menino estava sentado na cama, segurando seu boneco do capitão América.
— Oi, meu anjinho. Pronto para dormir? — Perguntou docemente e ele assentiu.
— Sim, mamãe.
— Então já para de baixo das cobertas, rapazinho. — Disse e ele sorriu se enfiando de baixo das cobertas.
— Cadê o papai? — Perguntou tombando a cabeça para o lado.
— Ele está um pouco cansado, querido, então foi se deitar. Está animado para o ano novo?
— Sim, mamãe! — Respondeu batendo palmas e fazendo com que Bella sorrisse. — Eu gosto de ver as luzes.
— Você se importaria se víssemos as luzes do quintal esse ano, Charlie?
— Não. Por que, mamãe? — Perguntou curioso.
— O papai anda muito cansado ultimamente. Acho que ele prefere ficar em casa esse ano.
— Papai pode ver as luzes com a gente?
— É claro que vai! — Respondeu o cobrindo e acariciando a cabeça do filho.
— Então não me importo. — Ele sorriu mostrando uma janelinha no dente que havia caído.
— Eu já disse que você é o melhor filho que alguém poderia pedir?
—Já. — Charlie respondeu rindo e Bella acariciou seus cabelos que eram idênticos aos de Edward. Charlie suspirou fechando os olhinhos e se encolhendo para perto da mãe.
— Boa noite, meu anjinho. — Sussurrou lhe dando um beijo na testa e se levantando.
— Boa noite mamãe.
Bella saiu do quarto e fechou a porta. Charlie esperou uns minutos e se levantou ficando de joelhos na cama.
— Papai do céu? É o Charlie... Charlie Cullen? Eu queria pedir uma coisa. Será que você não pode consertar as pernas do papai? Eu amo muito ele. Do jeitinho que ele é, e a mamãe também. Mas ele ta tão triste. Meu aniversário ta chegando.
Charlie continuou falando como se estivesse conversando com alguém.
— Eu sei que eu tinha pedido um presente, mas eu posso mudar, não posso? Ajuda meu papai a melhorar? Eu queria pedir mais uma coisa. Você pode fazer meu papai andar antes do meu aniversário. Logo vai ser ano novo e vai ter um montão de luzes. Eu queria que meu pai estivesse melhor até lá. Eu amo tanto ele e a mamãe. Mas ele não está feliz. Você ajuda ele? Eu prometo que não peço mais nada. — Charlie pediu com as mãozinhas entrelaçadas. – Obrigado papai do céu. Amém. — Acrescentou, voltando para debaixo das cobertas, fechando os olhos e voltando a dormir.
Faltavam três dias para o ano novo. Na manha seguinte de seu pedido, Charlie levantou correndo e foi até o quarto de seus pais. Encontrando Edward deitado e Bella ao seu lado, deitada em seu peito com os braços em volta de seu pescoço. Charlie pegou impulso e pulou sobre a cama.
— Bom dia mamãe, bom dia papai!
—Bom dia, campeão.— Edward disse sorrindo, com a animação do filho.
—Bom dia, anjiinho.— Bella disse abrindo os braços e Charlie se jogou entre eles.
— Alguém acordou animado hoje.
— Sim, papai. Daqui dois dias vamos ver as luzes! – Edward revirou os olhos e Bella cutucou seu braço, o censurando.
— Sim Charlie, vamos ver as luzes lá do quintal.
— Do quintal? — Edward perguntou.
— Vai ser muito legal! — Gritou comemorando.
— Por que do quintal? — Edward voltou a perguntar, mas Bella o ignorou.
— Charlie, por que não vai escovar os dentinhos? Mamãe já vai fazer o café. — Assim que Charlie saiu, Bella olhou para Edward, que pedia uma explicação.
—Pensei que fossemos para a casa dos seus pais. – Questionou confuso.
— Eu falei com Charlie. Ele não se importou de ficarmos aqui, alem do mais você tem andado muito indisposto. Meus pais moram muito longe.
— E eu atrapalhando vocês de novo.— Edward disse com uma carranca, cruzando os braços no peito.
— Não seja absurdo, Edward. É claro que você não está atrapalhando nada. Charlie fica feliz somente em ver as luzes. E eu ficarei feliz desde que esteja com você. Agora vamos levantar. Você precisa de ajuda?
— Não!— Respondeu rapidamente e Bella suspirou. — Bella ?— Edward a chamou, segurando sua mão antes que ela se levantasse. — Eu sei que tenho sido grosso as vezes, é só que...
—Tudo bem, Edward. Eu entendo que deve ser frustrante não conseguir fazer tudo sozinho, e mesmo a gente adaptando a casa, você ainda precisa de ajuda com algumas coisas, eu sei como se sente. Você acha que aceitar minha ajuda vai fazer de você menos homem, mas está errado. Não vai. — Explicou, fazendo com que ele baixasse a cabeça.
—Eu sei. — Murmurou, passando as mãos pelo cabelo, nervosamente.
— Sabe, mas o que você parece não sabeer, é que quando eu ofereço minha ajuda, não é por obrigação ou pena. É porque eu amo você, Edward. E eu sei que se a situação fosse inversa, você faria tudo isso por mim.
— Faria. Sem piscar. — Disse suspirando.
— Vou preparar o café da manhã. Me chame se precisar de alguma coisa. — Respondeu o beijando.
—Tudo bem.
Bella foi para a cozinha e Charlie estava sentado em seu lugar esperando.
— O que meu menino quer de café da manhã?
— Panquecas e suco de laranja? — Perguntou balançando as perninhas.
— Então panquecas e suco de laranja. — Bella foi para a pia preparar a massa. Alguns minutos depois, ela colocou um prato cheio de panquecas na frente de Charlie e voltou para o fogão para pegar a calda de chocolate quando ouviu um barulho.
—Merda! — Ela ouviu Edward xingar e correu para o quarto derrubando a panela com a calda no chão.
— Edward? —Ela o chamou, mas ele não respondeu. — Edward?— Gritou mais alto e dessa vez ele respondeu. Ele estava caído sentado no chão do banheiro.
— Aqui! Eu escorreguei. — Explicou.
— Você se machucou?— Perguntou preocupada, tentando acalmar sua respiração, afinal, ele não parecia machucado.
— Não. Você pode me ajudar? — Indagou, de olhos baixos.
— Claro, claro. Vou pegar suas roupas. — Edward havia acabado de sair do banho. Ele havia caído quando foi passar do banco para a cadeira de rodas, e como ele se vestia quando estava na cadeira, ainda estava completamente nu.
— Obrigado. — Murmurou baixo.
— Mamãe, Papai? — Bella ouviu Charlie a chamando. Desde pequeno, havia ensinado o pequeno, a ficar parado no lugar, se algo como aquilo acontecesse.
— Tudo bem Charlie. Faça como a mamãe ensinou e fique onde está!— Bella gritou do quarto, ajudando Edward a se levantar e se vestir.
— Tem como ficar mais humilhante que isso?— Ele perguntou emburrado.
— Edward, por favor. —Ela suplicou o ajudando.
— Não, Bella. Me diz, o que eu fiz para ter que viver assim? Eu devo ter sido muito ruim para ter que isso me acontecesse! – Grunhiu.
— Edward, não diga isso. Foi um acidente. Não foi sua culpa. — Ele levantou a cabeça e pareceu pensar em algo olhando para Bella.
— Tem razão, não é minha culpa. É sua! – Rosnou.
—O que? — Perguntou ainda atordoada. Um tapa não teria doido tanto quanto ouvir aquelas palavras. Será que ele realmente achava que a culpa era dela?
— Você me ligou. Eu não vi o caminhão porque atendi sua ligação! — Assim que as palavras deixaram sua boca e ele a olhou nos olhos, soube que tinha ido longe demais. Sua Bella estava na sua frente. Sua Bella que nunca chorava por nada, estava agora com os olhos cheios de lagrimas.
— Eu nem sei o que...
— Não. Não diga nada. Só me de as roupas e saia, por favor.
—Edward... — Tentou dizer, mas ele já havia se fechado.
— Saia, Bella. Por favor.— Implorou e ela saiu. Com muita dificuldade, ele terminar de se vestir. Mas não havia conseguido se levantar, então apenas ficou sentado, pensando o que havia feito para merecer tamanho castigo.
Flash Back
— É ano novo, Edward. Você pode trabalhar outro dia? — Suplicou pelo telefone.
— Eu sei, Bella. Prometo que não demoro, está bem? Meus pais já chegaram?
— Sim. — Respondeu com um sorriso. — Estão com o Charlie no colo desde então. Ele vai ficar mal acostumado. — Edward sorriu ao ouvir aquilo. — É o primeiro ano novo do Charlie. Por favor, venha para casa.
— Está bem. — Respondeu sorrindo. — Eu posso terminar isso semana que vem. Só vou desligar tudo e já saio.
— Está chovendo horrores aqui. Aí está?— Edward olhou pela janela e parecia que o céu ia desabar, mas sabia com a esposa era preocupada.
—Aqui está apenas garoando. — E para desmenti-lo um trovão ecoou.
— Edward. — O advertiu.
— Eu já estou saindo, não se preocupe. Eu amo você.
— Eu também amo você. Apenas tome cuidado. — Pediu, aflita.
— Eu sempre tomo.— Ele desligou o telefone e começou a desligar o computador, então foi para o estacionamento. A chuva estava forte, mas Edward sempre foi um ótimo motorista.
Entrou em seu volvo dando partida e saindo. Não estava longe de casa quando o telefone tocou. Olhou rapidamente na tela, vendo que era Bella, atendeu.
—Oi, amor.
— Onde você está?
— Perto. Alguns quarteirões, eu chego.
— Então desligue o telefone. — Pediu preocupada.
— Não seja boba, eu dirijo bem, além disso... — Ele passou por um buraco e o telefone escapou de sua mão caindo no chão.
Edward abaixou para pega-lo, mas não viu que o sinal havia fechado. Quando pegou o telefone passou pelo sinal e viu um caminhão que vinha em sua direção atingindo seu carro. — Merda!
— Edward? — Bella o chaou, do outro lado da linha depois de ouvir um barulho. — Edward! — Gritou ao telefone, deixando Esme e Carlisle preocupados e fazendo com que Charlie começasse a chorar, mas Edward já não podia mais responder.
FlashBack Off
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