One Shot - Não existe um mundo sem você

1 One Shot - Não existe um mundo sem você


Notas iniciais
Fala galera, aí está um One Shot que comecei a escrever a muito tempo atrás, mas nunca havia terminado, hoje estava navegando por meus arquivos e achei ela, resolvendo termina-la e postar, espero que gostem.

Não existe um mundo sem você.

— Eu não quero você falando mais com aquela piranha! – Exclamou a dona de belos cabelos escarlates.

— Você não precisa falar assim dela, ela é só uma amiga. – O rosado tentou se defender.

— Dá para ver que ela fica se jogando em cima de você a cada oportunidade. Eu já disse Natsu, não quero que você continue falando com ela! Se continuar assim, não poderemos continuar namorando!

— Você fala isso, mas pensa que eu sou cego!? – Gritou já se exaltando.

— Do que está falando? – Ela perguntou estranhando.

— Pensa que eu não vejo toda aquela sua intimidade com o Jellal? Até hoje eu tenho me fingido de ignorante quanto a isso por vocês serem amigos de infância, mas agora tenho me perguntado se você só começou a namorar comigo para fazer ciúmes a ele! Não estou certo, Erza!? Se é assim eu quero saber quem é a verdadeira piranha! – Gritou para a ruiva que abaixou a cabeça e resmungou algo.

— Me responda Erza, me diga se estou ou não certo!

— CALE A BOCA NATSU, EU NUNCA IRIA LHE USAR PARA FAZER CIÚMES A ELE! QUER SABER? ESTÁ TUDO TERMINADO ENTRE NÓS! – Gritou saindo correndo dali e começando a chorar.

— MAS QUE DROGA! – Gritou o rosado socando um poste de luz feito de ferro, fazendo o mesmo entortar com a força usada.

[...]

Arrependimento. Se perguntassem para Natsu agora se ele tinha algum arrependimento, ele iria responder que sim. Encontrava-se sentado em sua cama enquanto encarava o celular, reunindo coragem para ligar para aquela que havia jurado amar.

— Por favor, atenda. – Murmurou terminando de discar o número, havia colocado o celular em modo anônimo, pois sabia que suas chances iriam aumentar se fizesse isso.

Demorou alguns segundos para que a pessoa atendesse, e logo escutou uma voz um tanto chorosa.

— Quem é?

— Sou eu, Erza. – Respondeu percebendo que a respiração descompassada que escutava até a pouco havia cessado. – Por favor, não desligue, espere que eu termine de falar. – Pediu.

— Diga. – Escutou a voz dela já um tanto normalizada, porém, ainda carregava certa tristeza.

— Desculpe, por hoje, me desculpe mesmo, não queria ter dito aquilo, me exaltei e perdi a cabeça, por favor me perdoa, não quero terminar com você, eu te amo Erza, por favor, não me deixe! – Implorou em desespero.

Se passaram alguns segundos de agonia para o jovem rosado até que uma resposta veio.

— O que está feito, está feito Natsu, se arrepender não muda o que você falou.

— Mas... – Tentou se explicar.

— Mas nada, está tudo terminado entre nós, então, me faça o favor de não me ligar mais. – Cortou ele para depois encerrar a ligação.

O rosado ficou alguns segundos tentando processar as palavras ditas pela ruiva.

— DROGA! – Gritou tacando o celular na parede, fazendo o mesmo se estilhaçar com o impacto.

Começou a chorar com a cabeça entre as pernas, enquanto se lembrava dos dois meses que passou tendo a ruiva como sua namorada, escusado dizer que para ele foi a melhor época de sua vida, nunca tinha sido tão feliz quanto nesses dois meses, e toda essa felicidade fora jogada no lixo com um deslize seu.

Mas ele não poderia se chamar de Natsu se desistisse assim.

Estava decidido a reconquistar sua amada, deu um tempo de três dias para os ânimos se acalmarem, não havia nem chegado a ir para a escola, mas hoje, ele definitivamente teria sua ruiva de volta. Estava aguardando na frente do colégio, do outro lado da rua, usava um terno, apesar dos dois botões superiores estivessem soltos junto a gravata, mas isso só adicionava mais charme ao rosado.

xErzax

Devo dizer, eu gostava do Natsu, mas depois daquela nossa briga, fiquei muito decepcionada com ele, não sei se foi certo eu ter terminado com ele, meu coração estava em dúvida sobre como eu realmente devia agir.

No dia seguinte, resolvi que deveria encarar de frente essa situação, depois da ligação dele, eu sabia que ele tentaria voltar comigo, pois fazer ele desistir de algo era incrivelmente difícil. Quando cheguei na escola, percebi que ele ainda não havia chego, fui para junto de meus amigos que já haviam chego, e eles perguntaram onde estava o Natsu, desde que quando namorávamos ele sempre vinha comigo para a escola, mas logo dei a notícia para eles, o que os surpreendeu, e bom, o fato de termos terminado se espalhou rapidamente por toda a escola, afinal, erámos o casal mais famoso da escola. Aquele que aparentou ficar mais feliz com o termino de nosso namoro, foi meu amigo de infância, Jellal, depois que ficou sabendo ficava repetindo para mim que eu estava certa de terminar com ele e que ele não me merecia, apenas ignorei depois que ele falou tantas vezes. No dia, ele não havia ido para a aula, nem nos dois seguintes.

O sinal bateu, dando termino as aulas do dia, comecei a juntar as minhas coisas. Assim que guardei tudo, me levantei e passei o olhar pela sala, parando sobre a mesa dele, fiquei meio abatida, já não entendia o que eu realmente sentia por ele, não achava estar errada, porém, algo me diz que também não estava certa. Sua voz no telefone mostrava o quão arrependido e desesperado estava.

Balancei levemente a cabeça dispersando meus pensamentos sobre ele. Vi que Jellal me esperava na porta para irmos embora, me aproximei dele e logo começamos a andar enquanto conversávamos sobre coisas banais.

Chegando próximo ao portão da escola, eu estava rindo de algo que Jellal havia dito, mas assim que olhei para o outro lado da rua, meu corpo congelou.

Lá estava ele, com a cabeça levemente abaixada, em suas mãos, um lindo buque de rosas vermelhas. Ele lentamente levantou sua cabeça, e assim que me viu, deu um daqueles sorrisos que somente ele sabe dar, senti minhas pernas ficarem dormentes na hora, porém, aquele belo sorriso morreu e deu lugar a uma expressão desolada assim que ele tomou nota de algo. O buque em suas mãos caiu no chão, vi sua boca se mexer, mas logo se selar, uma lágrima solitária desceu por seu rosto, e em seguida ele saiu dali, andando, sem sequer olhar para cá mais uma vez. Parecia que eu havia sido esfaqueada em meu coração ao ver sua expressão sofrida, parecia que toneladas caíram sobre mim, minhas pernas quase cederam a tentação de não sustentarem mais meu corpo. Só acordei de meu estupor quando senti algo tocar meu ombro, olhei para ver quem era e vi Jellal com uma expressão preocupada.

— Tudo bem com você, Erza?

Só aí que eu percebi que lágrimas desciam descontroladamente por meu rosto.

— Jellal, pode me deixar ir sozinha hoje? Obrigada! – Gritei já saindo correndo sem esperar qualquer resposta dele que ficou lá parado sem entender nada.

Atravessei a rua rapidamente e peguei o buque que estava lá largado no chão, o segurei firmemente, para ter certeza que não iria derruba-lo, vi que tinha um bilhete entre as rosas, e com a mão tremendo, eu o peguei, quando comecei a ler, as lágrimas aumentaram ainda mais.

“Para a minha bela ruiva

Eu sei que errei, sei que fui rude, sei que fui um idiota, sei que lhe magoei, sei que não deveria ter desconfiado de você, mas por favor, me perdoe, estou arrependido, não consigo parar de pensar em outra coisa que não sejam as suas caricias, os seus abraços, os seus beijos, a sua presença... você ao meu lado. Eu errei, eu perdi a cabeça, e por isso perdi você, você me deixou, e junto, levou meu mundo. Os dois meses que passamos juntos foram os melhores de minha vida, você me tirou do fundo de um poço e trouxe a luz a minha vida novamente. Então por favor, perdoe meu erro e os que sucederão esse, não consigo imaginar um mundo sem você ao meu lado. Você aceita voltar a namorar comigo?”

— Natsu... – Murmurei com pesar na voz.

Desesperada, olhei para onde ele havia ido, não o encontrei, mas mesmo assim sai correndo o mais rápido possível para o alcançar.

Se ao menos eu soubesse onde ele morava, mas não, era ele que sempre ia me busca e me levar em casa.

xNatsux

Assim que eu vi ela vindo, abri um sorriso, mas aí percebi que ela ria de algo, então percebi aquele que estava ao seu lado. Meu coração parecia estar sendo corroído por ácido, o buque de rosas vermelhas, as favoritas dela, caiu de minha mão, senti uma lágrima solitária descer por meu olho, e ela me viu e percebeu tudo isso, em uma tentativa inútil e covarde de mostrar que não iria me importar mais com ela, saí andando calmamente dali, mas isso não impediu das lágrimas começarem a sair.

Então fui o único a sofrer com nossa separação...

Andava sem rumo pela cidade, uma forte chuva começou a cair, parando em meio a um parque, tentei a usar para livrar a minha alma de toda essa dor e sofrimento que estou sentindo, mas teve o efeito oposto. Minha alma parecia ir aos poucos morrendo, deixando meu corpo somente como uma casca vazia, sem nada.

Meu telefone começou a tocar, porém, o desliguei sem sequer ver quem era, só queria ficar ali, sentindo a chuva desabar acima de mim, em meio a minha solidão.

Não sei quanto tempo eu estava ali, mas eu sentia algo aos poucos desaparecendo dentro de mim, eu sabia o que era aquilo, afinal, eu já tinha a perdido uma vez, e foi ela quem fez isso nascer em mim novamente, e agora sem ela meu subconsciente não via mais razão para manter aquele sentimento.

Eu sentia, eu estava finalmente caindo em minha escuridão novamente, o último resquício de luz aos poucos ia sumindo... até eu escutar.

Estava abafado pela chuva, mas sabia que estava ali.

Rondei meu olhar pelo parque, até parar em uma caixa. Me aproximei dela em passos vacilantes e olhei para o que produzia aquele som.

Lá estava, um pequeno e frágil gatinho de pelagem azul, sim, azul... não parecia ser tingida, era um azul claro e vivido.

— Parece que você também foi abandonado pequenino. – Disse enquanto passava a mão pela cabeça do gato, que somente pareceu se aconchegar ao meu carinho.

— Venha... vou cuidar de você a partir de agora, afinal você será minha....

[...]

xErzax

Não importou o quanto eu procurei por ele naquele dia, não importa quantas vezes eu havia ligado para ele, não havia nenhuma resposta.

Já fazia mais de três semanas que não havia resposta de Natsu, levando até mesmo a escola a perguntar sobre ele.

Preocupada, a professora passou o endereço do cadastro escolar dele, pedindo que fossemos verificar o que acontecia com ele, e isso me alegrou, afinal, isso podia de alguma forma me ajudar a chegar até ele.

E lá estávamos nós, eu e todos nossos amigos, na frente de um enorme prédio.

— Holy Fuck... – Gray murmurou. – O rosinha é rico.

Não era só ele que estava surpreso, afinal, todos nós sabíamos o que significava aquele prédio, ou melhor falando, o que significava poder ficar dentro daquele prédio. Era simplesmente o prédio que reunia as pessoas com a maior influência da atualidade, já era motivo de orgulho poder passar uma noite ali.

Sacudindo minha cabeça, adentrei o prédio, sendo seguida por todos, e assim que íamos para a recepção, um segurança nos parou.

— O que querem aqui? – Perguntou ríspido.

Não era de se estranhar, afinal, não tínhamos nenhum porte financeiro e nem aparentávamos ter para podermos ficar ali.

— Olá, nós somos amigos de Natsu Dragneel, estudamos na mesma escola, gostaríamos de nos encontrarmos com ele. – Mira disse com tranquilidade enquanto apontava para o brasão da escola no uniforme, nada menos esperado da presidente do conselho estudantil.

— Esperem um momento. – O segurança disse enquanto recuava um pouco e começava a falar com alguém no comunicador interno.

Passaram alguns minutos e logo o elevador ao fundo abriu suas portas, e dele saiu um velho, de aparência elegante, vestindo um terno.

Ele rapidamente se aproximou de nós.

— Olá, eu sou o gerente do hotel, gostaria de saber o que você quer tratar com o Jovem Mestre Natsu.

Aquilo surpreendeu a todos, afinal, o gerente do hotel estava se dirigindo ao Natsu como Jovem Mestre, mas logo Mira se recuperou e explicou a razão de estarmos ali.

— Olá, somos amigos do Natsu e a escola nos mandou aqui para saber o motivo das constantes faltas dele nas ultimas semanas.

— Entendo... Lamento lhe informar, mas o Jovem Mestre Natsu não se encontra em casa agora, então terão de voltar em outro momento. – Disse ele enquanto me fazia sentir tristeza, afinal, mais uma vez não poderia ve-lo.

— E você não sabe mais ou menos que horas ele volta? – Mira perguntou.

— Não, ultimamente o Jovem Mestre Natsu vem voltando sem um horário fixo, tem vezes que ele sequer volta, só aparecendo na madrugada do outro dia.

— Eu vejo... muito obrigada senhor, desculpe tomar parte do seu tempo. – Mira disse enquanto vazia uma leve reverência.

— Não foi nada, tenham uma boa noite. – Ele disse e estava se virando para voltar a fazer seus deveres.

— Desculpe, senhor! – Exclamei, interrompendo-o. – Mas será que poderia me deixar ir até o apartamento do Natsu?

— Isso... – Ele falou hesitante.

— Por favor senhor, é muito importante. – Eu disse fazendo uma reverência para ele.

— Muito bem, me sigam. – Disse ele suspirando após um tempo e indo até o elevador e sendo seguido por todos, menos o segurança que continuou cuidando da porta.

O elevador era bem espaçoso, pois poderia caber todos nós e ainda sobrar um bom espaço.

O gerente se aproximou do painel de controle do elevador e tirou um crachá do bolso, esse que ele passou na área acima dos botões dos andares, logo, a área onde ele passou o crachá se abriu, surpreendendo-nos, e um botão apareceu, sendo que ele clicou nesse botão.

As portas do elevador se fecharam e em seguida o elevador começou a subir.

O silêncio que se fazia presente no local foi quebrado pelo gerente.

— Sabe, essa não é a primeira vez que isso acontece com o Jovem Mestre Natsu. – Disse nos surpreendendo. – Aconteceu a mesma coisa quando os pais dele, meus antigos senhorios, foram assassinados a alguns meses.

Aquilo deixou todos em choque, afinal, nunca ficamos sabendo que o Natsu era órfão.

O resto da viagem foi em silêncio, ninguém conseguia abrir a boca para quebrar aquele clima.

Um pequeno bip soou no elevador e as portas se abriram em seguida, o gerente foi o primeiro a sair, sendo seguido por nós, não demorou muito para percebermos que estávamos na cobertura do prédio.

Porém, não foi isso que nos chamou atenção. O lugar inteiro estava uma bagunça, latas de cerveja e garrafas vazias de bebidas alcoólicas estavam esparramadas pelo chão, o clima dentro do lugar era maçante, não era possível ver praticamente nenhuma luz do lugar. Eu olhava pelo lugar a procura de algo que pudesse me lembrar ele, mas nada, tudo parecia estar morto, até minha visão parar em um lugar.

Rapidamente me aproximei dali e pude ver o que me chamou a atenção. Diferente do resto da casa, aquele canto em especial estava na mais perfeita ordem, totalmente organizado, parecia um santuário. Diversos brinquedos de gato estavam ali e no meio de tudo tinha um pequeno e frágil gatinho azul encima de uma almofada enquanto brincava com uma bolinha que estava pendurada em um dos brinquedos.

Na almofada tinha algo que parecia uma identificação.

Happy.

Não sei porque, mas aquilo me doeu no coração, parecia uma adaga que se torcia dentro dele.

Tentei fazer carinho nele, mas imediatamente recuou enquanto entrava em guarda, seus pelos ouriçaram e ele me olhava atentamente, seus olhos carregavam uma variedade de coisas, mas a que mais notei foi medo.

Aquilo me quebrou, lagrimas escorreram por meu rosto e as garotas do grupo imediatamente foram me aparar.

[...]

Já havíamos saído do prédio, os garotos resolveram cada um voltar para sua casa, enquanto as garotas ficaram comigo, andávamos por ali, sem um rumo especifico, bom, eu estava sem rumo, elas só me acompanhavam preocupadas.

Estavamos esperando o sinal abrir para podermos atravessar a rua, até que eu vi ele.

Ele estava ali, vestindo a mesma roupa de três semanas atrás, porém a mesma já estava abarrotada e completamente suja, a camisa social antes branca se encontrava em um tom amarronzado, como se ele tivesse rolado na terra, e com os botões presos de forma errada, seu cabelo estava bagunçado e sua postura estava desleixada, como se um último resquício de força o obrigasse a andar.

Ele entrou em uma mercearia de esquina, onde rapidamente pegou um pack de cerveja aleatório e um maço de cigarros, passando pelo caixa ele só tirou um maço de notas amassadas do bolso e colocou em cima do balcão indo direto para saída.

O balconista imediatamente começou a gritar com ele, parecendo perguntar se ele tinha idade para comprar cerveja, mas o mesmo não se importou e continuou até a saída, o balconista tentou o impedir se metendo em sua frente, mas o mesmo simplesmente o empurrou e continuou caminhando.

Eu e as garotas olhávamos aquilo abismadas, afinal, Natsu sempre se demonstrou muito educado, apesar de ter uma atitude muito ousada, ele nunca perdeu a etiqueta.

Eu olhava para ele com lágrimas escorrendo, me perguntando onde estava aquele Natsu que conhecíamos. Até ele fazer algo que amoleceu minhas pernas em medo.

Ele simplesmente atravessou a rua, sem se importar com o sinal de pedestres no vermelho e os carros passando, ele andava sem acelerar nem diminuir o passo, com o maior desprezo pela própria vida, os carros que iam em sua direção faziam de tudo para desviar, causando um pequeno acidente, já que não estavam em alta velocidade. Mas ele continuou andando, sem se importar com o que acontecia.

Quando o sinal para nós abriu imediatamente corremos para onde ele ia, mas o grande fluxo de pessoas que se reunia para ver o acidente dificultava nossa passagem.

Assim que conseguimos finalmente nos livrar daquela multidão, não conseguimos encontrar ele.

Mas simplesmente corremos em frente, olhando para todas as ruas que ele podia ter virado ou lojas que poderia ter entrado.

Nós finalmente chegamos ao fim daquela rua, ela dava em um rio que cortava a cidade, fomos até o barranco que dava no rio, e lá estava ele, sentado, olhando para frente, com um cigarro aceso em uma mão e uma lata de cerveja na outra.

Assim que nos aproximamos, escutamos ele falar.

— Até quando irão me seguir? – Falou e virou a cabeça para nós e imediatamente tomei um susto.

Grandes olheiras adornavam seus olhos, esses que não tinham mais o brilho de antes, estavam completamente mortos, não passavam nenhum sentimento, ao olhar para ele, seu corpo parecia somente uma casca que estava ruindo aos poucos.

Minha mente ficou em branco no momento, meu corpo simplesmente se moveu sozinho quando correu até ele o abraçou.

— Desculpe, desculpe, desculpe.

Eu pedia desculpas desesperadamente, sem nem entender o porquê, simplesmente achava que deveria.

Eu sentia seu corpo congelado, provavelmente não esperava isso de mim. Ele ficou quieto por um tempo, até falar.

— O que isso significa?

Agora foi minha vez de ficar sem reação, minha mente formulava milhões de respostas, mas simplesmente nenhuma verdadeiramente respondia, então apenas soltei a única resposta que meu coração guardava.

— Eu não sei bem ao certo. Só sei que fui burra, nós dois fomos burros. – Sussurrei, e percebi ele estremecer um pouco. – Fomos dois idiotas ciumentos, que por um ciúme bobo jogamos fora uma relação que fazia bem para nós dois. E quando você tentou consertar tudo, eu simplesmente soube me afogar em magoas e quando te procurei, não te achava, só para lhe encontrar nesse estado. Então por favor Natsu... saia disso, volte para a escola, volte para nossos amigos....

...volte para mim.

Fechei meus olhos, com medo da reação dele, mas nada acontecia. Quando quis abrir meus olhos, senti seus braços me abraçando, e finalmente senti novamente.

Senti felicidade, senti segurança, senti o aconchego que só conseguia sentir nos seus braços, senti uma tranquilidade antes esquecida.

Não sei quanto tempo ficamos ali, para mim só ele existia. Sequer percebi quando as meninas foram embora, provavelmente pensando que agora eu estava em boas mãos.

Passando mais um tempo, para minha infelicidade, ele se separou do abraço, mas logo em seguida senti sua testa encostando na minha.

— Vamos para casa. – Ele disse com uma voz rouca, porém mais vivaz, e eu só me incomodei em murmurar em consentimento.

Minhas pernas não tinham força alguma, e ele percebendo isso me pegou no colo no estilo noiva, sequer se importando com algum constrangimento que aquilo poderia trazer e começou a andar.

[...]

Já na sua casa, ele me pôs no chão, eu já tinha forças para me manter, mas mesmo assim ele pegou e me abraçou, ali no meio da sala, sem falar nada, simplesmente me abraçou, enquanto ignorava o resto.

Senti algo passar por minhas pernas, quando olhei para ver o que era, vi Happy que se esfregava nas minhas pernas.

Seus olhos não tinham mais medo.

Fim.

Notas finais
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