One Shot - Laços de Sangue
1 Capítulo Unico
Notas iniciais
— E então, doutora? – Ela perguntou, apertando as mãos contra o colo, até os nós dos dedos ficarem brancos.
— Senhora Cullen, as notícias não são as melhores. – A mulher a sua frente respondeu, avaliando os exames em sua mesa.
— O que é? – Bella questionou.
— Nós tivemos um resultado conclusivo de diagnostico da Anne. Minhas suspeitas foram confirmadas.
— E o que é? – Indagou, quase atravessando a mesa que as separava.
— Leucemia. Eu sinto muito, senhora Cullen. Os exames que a senhora fez, deram resultado negativo. Isso quer dizer que a senhora não é compatível com Anne, portanto não pode fazer a doação de medula.
— Mas... Isso quer dizer... Então não há nada que possamos fazer? – Indagou
— Eu não disse isso. Veja bem. Em todos os casos, quase sempre há alguma compatibilidade. Se não pelos pais, pelos irmãos. O seu resultado deu negativo, mas os resultados dos exames do seu marido... – Disse apontando para Edward , que se mantinha calado. – ainda não foram concluídos. Existe uma chance.
— E se ele também não for compatível? – Questionou segurando a mão de Edward.
— Então nesse caso, eu aconselho a providenciarem um irmãozinho para Anne, porque essa será sua ultima chance. – Respondeu se levantando. – Vou deixa-los a sós para que possam conversar. – Acrescentou deixando a sala.
— Vai dar certo. Os resultados serão positivos, Bella. Você vai...- Dizia, mas ela se revoltou, se levantando.
— É mesmo? E se não der? – Questionou o observando. – E se o resultado der negativo, porque você não é o pai biológico da Anne? E então?
— Você não sabe se...
— Tem razão, Edward. Eu não sei! – Rosnou. – Eu não sei se você é o pai biológico dela, porque você rasgou aquele maldito exame. E agora, temos que dar um tiro no escuro. – Acrescentou se apoiando contra a parede e cobrindo os olhos.
Edward se levantou calmamente, se aproximando dela e tocando suas mãos, as tirando do rosto.
— Vamos dar um jeito. Ela vai ficar bem. – Disse suavemente, a puxando para seus braços.
— Isso não é justo. Ela é só uma criança. Só tem dez anos. – Choramingou.
— Eu sei, querida. Mas vai ficar tudo bem. – A tranqüilizou, enquanto pensava no que costumava dizer. Sempre torça para o melhor, mas também se prepare para o pior.
E eles se preparariam.
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— E então, a cachorrinha Mel continuou passeando pela floresta, enquanto ajudava os animais que ali moravam – Finalizou a história, enquanto acariciava os cabelos da menina.
— Papai? – Anne o chamou, tornando a abrir os olhos.
— Sim, querida? – Respondeu, ainda tocando em seus cabelos.
— Eu estou doente? – Questionou, o observando firmemente, com olhos tão verdes quanto os do pai.
— Só um pouco. Mas você vai ficar boa logo, filha. – Retrucou, torcendo para que fosse a verdade.
— Você promete?
— Sim, Anne. Eu prometo. – Respondeu, sem a certeza de que seria capaz de cumprir a promessa.
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— Ela dormiu? – Bella perguntou. Estava deitada na cama, segurando um livro sobre medicina. Desde que a doutora Sabrina havia levantado as suspeitas para Leucemia, Bella vinha lendo e pesquisando tudo sobre a doença.
Edward se aproximou, se deitando e puxando o livro das mãos dela.
— Dormiu como um bebê. Agora vamos guardar isso. – Declarou, colocando o livro sobre o criado mudo.
— Mas eu estava....
— Eu sei que estava. Eu sei que está preocupada, Bella. Mas você tem que relaxar. – Declarou delicadamente. – Eu não quero que pense que eu estou subestimando tudo que vem acontecendo, mas não vai ser de ajuda nenhuma você chegar ao limite.
— Eu sei. – Respondeu cobrindo os olhos. Edward se aproximou, afastando suas mãos. – Eu só... Eu estou com medo.
— Nada de ruim vai acontecer. Eu prometo. – Acrescentou, a beijando. Foi um beijo doce, lento e delicado.
As mãos dela foram até seus cabelos, os puxando, recebendo um gemido de satisfação.
Edward tocou seu pescoço, descendo até a barra da camisa que ela vestia, a arrancando rapidamente.
— A Anne pode... – Ela tentou protestar, enquanto se deitava, mas ele negou, beijando seu pescoço.
— Ela está dormindo. – Murmurou colando seu corpo ao dela, já se livrando das próprias roupas. – E você precisa relaxar um pouco. Mas nada de fechar os olhos. – Acrescentou, descendo os beijos.
Sua boca passeava em cada centímetro de pele que conseguisse alcançar.
— Edward... – Suspirou, erguendo o quadril, incapaz de deixa-lo parado. – Por favor.
— O que você quer? – Perguntou, sorrindo maliciosamente, enquanto voltava a beija-la. Aplicando pressão o bastante para deixar uma marca perto do umbigo. – Apenas peça querida.
— Você...- Gemeu, se apoiando nos cotovelos, ofegante e corada. – Eu quero você. – Acrescentou, levando a mão até a nuca dele e o puxando. No instante em que eles se conectaram, tudo desapareceu.
Não havia a angústia.
Não havia a doença.
Não havia o medo.
Principalmente o medo.
Tudo que restava eram eles, se movendo em perfeita sincronia.
— Bella... – Ele gemeu, apertando sua cintura, deixando uma marca ali. Seus movimentos eram mais rápidos, mais urgentes. Quase desesperados.
— Assim... – As pernas dela rodearam a cintura de Edward, permitindo que ele fosse mais fundo. Os braços dela se prenderam ao pescoço dele, enquanto ele enterrava o rosto contra o pescoço de Bella.
E em alguns minutos, gemidos, sussurros, promessas de amor era tudo que preenchia o quarto, enquanto tombavam exaustos contra a cama.
Havia começado a chover, e enquanto ambos estavam deitados, tomando fôlego, tudo que se ouvia era a água caindo.
— Desculpe ter gritado com você. – Ela declarou, quebrando o silencio, se virando para ele e tocando suavemente seus cabelos.
Edward pegou a mão que o afagava, beijando a palma e os dedos.
— Eu não estou chateado ou algo assim. Então porque você disse o que disse. Eu sei que pareço otimista demais, mas eu... Eu não sei explicar. Eu apenas, sinto... – Declarou, franzindo a testa.
— Eu entendo isso. Você é pai dela, Edward. Ninguém está sequer questionando isso. Mas...
— Só agir como pai não basta. Ela precisa de alguém compatível. Eu sei. – Suspirou. – Amanhã teremos o resultado, certo? – Perguntou e ela assentiu.
— E assim que tivermos um doador, podemos marcar o transplante.
— Bem, então acho que será logo. – Murmurou, a puxando contra o peito. – Tente dormir um pouco. – Acrescentou, tocando seus cabelos.
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Uma cerimônia simples, reservada. Não queria nada daquilo, mas sabia que traria conforto a Bella.
Tudo que queria era voltar para casa, entrar no quarto cor de rosa e chorar a perda da sua garotinha. Era o que ela era. Sua garotinha. E agora, não era nada.
— Meu bebê... – Ouviu um uivo de dor. Ao se virar, Bella estava atirada no gramado, debruçada contra uma pedra de mármore. A lápide de Anne.
Ele havia agüentado o máximo, mas fora incapaz de ver o caixão descer.
— Bella? – A chamou, mas ela não parecia ouvi-lo. Então tentou se aproximar, mas por mais que se aproximasse, era incapaz de toca-la. Então começou a gritar. – Bella! – Até que ela se virou.
— Edward? – Pôde vê-la o chamando, mas não saia som de seus lábios. – Edward! – O som saiu baixo, enquanto ele tentava quebrar o vidro que os separava. – Edward, acorde!
Ele se sentou, acordado. Assustado, mas acordado. Sua cabeça latejava e rodava. As luzes estavam acesas e ele sentia o suor acumulado em suas costas. Ao olhar para o lado, encontrou uma Bella acordada e tão assustada quanto ele.
— Você estava tendo um pesadelo, amor. – Explicou tranquilamente.
— Acho que foi a comida. Muito apimentada. – Murmurou, jogando as pernas para fora da cama, esfregando a nuca.
Bella se aproximou, o abraçando pelos ombros.
— Você está tão preocupado quanto eu, não está? – Ela questionou, sem realmente precisar de uma resposta. Tudo que ele conseguiu fazer foi assentir.
Então, sem dizer nem mais uma palavra, ela se levantou, o puxando pelas mãos até o banheiro.
— Um banho vai te fazer bem. Vai acalmar. – Sussurrou, enquanto a banheira deles enchia.
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— E então? – Edward questionou, enquanto a médica avaliava os resultados. Aquele papel diria tantas coisas.
Diria se ele era o verdadeiro pai de Anne
Diria se ele seria capaz de salvar a vida de sua garotinha.
Diria se seu pesadelo permaneceria assim. Apenas um pesadelo.
— Os resultados dos exames foi... encorajador.
— Encorajador? – Bella questionou.
— Sim. O senhor Cullen é um doador compatível com Anne. Isso quer dizer que ele pode perfeitamente fazer o transplante.
— Então isso... Isso quer dizer... – Edward murmurou, sentindo lágrimas em seus olhos. Por tanto tempo pensou naquele exame que havia rasgado. Pensou na dúvida. Na falta da certeza. E agora a tinha. Ele era realmente pai de Anne. Em todos os sentidos da palavra.
— Eu não entendo porque a surpresa. – A médica comentou. – Como eu disse, existe uma chance enorme de que um dos pais seja compatível.
— Mas nós não tínhamos essa certeza. – Bella comentou, ainda sorrindo. Sentindo um alivio crescer em seu peito, enquanto explicava tudo. – Alguns anos atrás, eu decidi que queria um filho e fiz isso sem ajuda. Eu fui a uma clinica de fertilização.
— Quer dizer que Anne foi concebida por...
— Sim. Inseminação artificial. Apenas quando ela tinha quatro anos, foi quando conheci Edward.
— Eu havia feito a doação muito tempo atrás. Mal me lembrava disso.
— Eu não fazia ideia de que ele era pai da Anne. Nós nunca tivemos a certeza, na verdade. Optamos por isso. – Respondeu. – Até agora.
— Quais as chances de uma coisa dessas acontecer?- Sabrina questionou surpresa.
— Eu não tenho ideia, mas fico mais do que feliz que tenha acontecido. Porque eu sei que vou poder salvar minha garotinha.
— E então, doutora? Quando podemos fazer o transplante? – Bella questionou.
— Bem, o mais rápido possível. – Respondeu com um sorriso genuíno.
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Ela abriu os olhos, olhando para o quarto onde estava. E na beira da sua cama, um de cada lado, podia vê-los.
Anne ergueu a mão, tocando o cabelo acobreado do pai. Lentamente ele ergueu a cabeça, sorrindo largamente ao vê-la.
— Você está acordada.- Declarou olhando para sua menina. Incapaz de para de sorrir. Ela parecia mais saudável depois do transplante, mas ainda precisaria ficar mais um dia em observação.
— Acho que quem mal dormiu foi você, papai. – Respondeu, com um sorriso travesso.
— Vou ter muito tempo para isso depois, espertinha. Que tal o café da manha? – Questionou, mas a menina parou, arregalando os olhos e se virando em direção a mãe.
— Mamãe, mamãe! – A chamou, fazendo com que Bella acordasse sobressaltada.
— O que é? O que aconteceu? – perguntou, olhando para os lados, tentando se orientar.
Rapidamente Edward agarrou sua mão, fazendo com que seus olhos encontrassem os dele, fazendo com que ela se acalmasse.
Edward olhou para Anne, que mordeu os lábios, envergonhada pelo susto que dera na mãe.
— Desculpe. – Murmurou, mas Bella negou.
— Está tudo bem, querida. Precisa de alguma coisa?
— Você trouxe? O que eu pedi, você trouxe? – Perguntou sorrindo, fazendo Bella sorrir com sua empolgação.
— Sim, querida. Mas o que acha de me deixar pegar o café da manhã primeiro? Não queremos que você fique indisposta, não é? – Questionou e Anne assentiu.
Algum tempo depois, todos haviam tomado café no quarto e Anne voltara a perguntar se Bella havia trago tudo, enquanto Edward apenas observava.
— O que vocês estão escondendo, meninas? – Perguntou, mas Bella negou.
— Paciência. – Ela pediu, pegando uma caixa que estava sobre a mesa. Havia uma caixa e ao lado, um calendário com um cartão. Ela entregou o calendário para Anne, junto com o cartão. – Aqui, querida.
Bella entregou, enquanto Edward ainda as olhava sem entender.
— Aqui papai. Feliz dia dos pais! – Desejou se curvando, e beijando sua bochecha.
— O que... – Edward ainda olhava confuso. Havia esquecido completamente daquilo. Era dia dos pais.
— Eu fiz um cartão para você. – Disse docemente, estendendo para ele.
Edward abriu, sorrindo ao ler as palavras.
Melhor pai do mundo, que faz o melhor chocolate do mundo.
Ao ler aquilo, não pôde segurar o riso. Se levantando, se curvou e beijou a testa de sua garotinha.
— Eu adorei, querida. É... Perfeito. – Respondeu se sentindo feliz.
— Eu acho que é hora do meu presente também. – Bella declarou, estendendo a caixa, fazendo Edward arquear a sobrancelha.
— Abre... –Anne pediu ansiosa. Pois já sabia o que era.
Ao abrir a caixa, Edward podia ver algumas peças. Um par de sapatinhos, um bory e um teste de farmácia. Mas foi o resultado daquele teste que prendeu sua atenção. Positivo.
— Bella...
— Parabéns, papai. – Ela respondeu, quando ele se levantou a beijando. Ainda segurando a caixa e o cartão.
Se sentia feliz com o que havia nas mãos, mas seu verdadeiro presente estava bem diante de seus olhos.
Pulmões respirando...
Coração batendo....
Olhos verdes brilhando.
Era ela, sua filha, seu maior presente. E agora, havia outro a caminho. E seria tão amado quanto Anne era. Porque nada era mais forte que o laço que os unia. Laços de sangue.
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