One Shot Filme A Proposta

1 A demissão de Bob Spaulding


Notas iniciais
Capítulo Único

...

- Bom dia! Escritório da Srta. Tate... Ah... Oi Bob... – Andrew olha para Margaret lhe fazendo um simples sinal com a mão enquanto estava de costas para ele lendo os e-mails no computador... – É... Na verdade estamos indo para o seu escritório agora mesmo Bob...

Andrew colocou o telefone no gancho e olhou para Margaret, curioso... Aquela mulher sempre o surpreendia... Ele sabia que tipo de resposta receberia, mas mesmo assim decidiu perguntar...

- Por que estamos indo para o escritório do Bob? – Andrew perguntou. Margaret apenas se virou com uma careta, mas não o respondeu nada... Ele sabia que não adiantaria ficar ali perguntando, então correu até a sua mesa, largou os manuscritos que segurava de qualquer jeito e se apressou a enviar uma mensagem para os colegas de trabalho. Foi rápido ao digitar “A bruxa subiu na vassoura” e observou quando a maioria dos funcionários se colocou em posição de trabalho de forma afobada...

Isso sempre surpreendia Andrew... Como alguém podia causar tanto terror? Ele era a pessoa mais próxima da implacável editora-chefe da Colden Books e particularmente não sentia tanto medo dela... Ele era mais admirado com a inteligência dela... Aliás, ele era impressionado com isso... Ela era rápida, bem, ele não conhecia ninguém que podia ler um romance em duas horas... Era decidida! Andrew na verdade invejava um pouco, como ela estava sempre pronta e como nenhuma responsabilidade era demais para ela...

Ele lembrava como se fosse ontem, o dia em que a viu pela primeira vez, quando chegou ao escritório em seu primeiro dia de trabalho... Ela não deu detalhes do por que o havia escolhido para o cargo de assistente em meio a outros cinco candidatos... Apenas o olhou e perguntou sem mudar suas expressões: “Em quanto tempo você é capaz de ler um romance?”.

Andrew saiu de seu devaneio no momento em que ela saiu porta afora de sua sala ajeitando o rabo de cavalo perfeitamente arrumado com seu copo de café sem açúcar com canela e leite na mão... Era outra coisa que ele sempre ficara impressionado... Ele nunca havia olhado para ela de maneira diferente, mas se pudesse dizer alguma coisa sobre a sua aparência diria que ela era uma mulher extremamente bonita e sofisticada... Diferente da “velha com uma verruga no nariz” que ele imaginou que iria trabalhar quando se candidatou a vaga de assistente...

Andrew saiu acompanhando os passos da chefa, ele não sabia o porquê, mas ela sempre parecia estar apressada, porém era nesses momentos que ela estava disponível para conversar sobre qualquer outra coisa que não fosse o trabalho... Andrew conhecia Margaret com a palma da mão, ou pelo menos achava que a conhecia... Ele sabia que tipo de café que ela gostava, sabia a que ela era alérgica, sabia até mesmo sobre o ciclo menstrual dela já que vez outra tinha que realizar uma corrida de emergência até a farmácia 24 horas em busca de absorventes...

- Terminou o manuscrito que eu te dei? – perguntou Andrew enquanto caminhavam até o escritório de Bob.

- Eu li algumas páginas... Não me impressionou muito... – disse Margaret com indiferença.

- Posso dizer uma coisa? – perguntou Andrew... Ele tinha que insistir... “Qual é? O livro era ótimo!”.

- Não. – Ela respondeu simplesmente.

Andrew ignorou... Ele sabia que sempre funcionava... Ela era canadense e era educada demais para chegar ao ponto de não deixá-lo continuar a falar...

- Já li milhares de manuscritos... Esse foi o único que eu te dei... É um romance incrível... É o tipo de romance que costuma publicar... – disse Andrew.

- Errado... E eu acho que você toma o mesmo café que eu só para o caso de o seu derramar... O que é realmente patético... – disse Margaret fazendo alusão ao pequeno acidente daquela manhã, em que Andrew como raramente acontecia, derramou o café dela e acabou por sujar toda a camisa...

- Ou impressionante... – respondeu Andrew notando que ela nesse momento olhava para Jordan o funcionário que havia trocado de camisa com ele por dois ingressos do jogo “Yankees x Boston”, para que ele aparecesse pelo menos apresentável para o trabalho... O funcionário fez questão de passar perto da chefa com a camisa suja, o que fez com que Andrew o amaldiçoasse por isso.

- Impressionante seria se você não derramasse... Agora se lembre... Você está aqui só para olhar... – disse Margaret apontando a sala de Bob e limpando sua garganta para dizer o que quer que fosse dizer...

- Não vou abrir a boca... – disse Andrew enquanto abria a porta para que ela entrasse no escritório e em seguida adentrando a sala a tiracolo. Ele sabia pela expressão dela que viria uma bomba a seguir...

Bob estava distraído de pé atrás de sua mesa olhando alguma coisa em seu notebook... Margaret entrou na sala o cumprimentado com um leve aceno de cabeça e levantando de forma educada seu copo de café...

- Ah... Nossa destemida líder e seu vassalo... Por favor, entrem... – disse Bob diplomaticamente, já que todos sabiam o quanto ele odiava Margaret.

- Oh... Que linda estante... É nova? – perguntou Margaret se dirigindo ao fundo da pequena sala e admirando a nova aquisição de Bob.

- É uma restauração da Regência Inglesa, foi construída em 1800, mas sim, é nova na minha sala... – disse Bob a olhando por cima dos óculos com um sorriso quase irônico.

- Bonito... – refletiu Margaret para si mesma – Bob eu estou te mandando embora! – concluiu enquanto ainda analisava o móvel sem olhar para o funcionário...

Neste momento Bob estancou a olhando com confusão, sem conseguir entender o que estava acontecendo se perguntando se por acaso tratava-se de alguma brincadeira... Andrew arregalou os olhos... Aquilo realmente havia sido uma surpresa... Ele também não era um grande admirador de Bob... Sabia da sua incompetência, mas nunca teria imaginado que a decisão de Margaret fosse ser tão drástica.

- Como é? – Bob perguntou sem entender...

- Te pedi um milhão de vezes para convencer o Frank a ir a Oprah e você não conseguiu... Está demitido... – disse Margaret com tranquilidade, olhando diretamente para Bob, que neste momento a olhava com uma expressão de terror e fúria.

Quando Andrew notou a expressão de Bob resolveu fechar a porta de vidro que estava atrás de si... Ele sabia que “a coisa poderia ficar preta”, Bob estava claramente muito nervoso...

- Eu te disse que era impossível... Frank não dá entrevistas há 20 anos... – disse Bob tirando seus óculos e a olhando com um sorriso amarelo.

- Oh Isto é interessante, porque eu acabei de falar com ele ao telefone e ele irá... – disse Margaret com mais tranquilidade ainda... Mas Andrew notou o quanto ela estava levando aquela decisão a sério.

- Como? – perguntou Bob, agora completamente confuso.

- Você nem ligou para ele, ligou? – Margaret perguntou deixando Bob sem palavras totalmente atordoado.

Andrew apenas segurava o queixo... Estava nervoso e pensou que não queria estar na mesma situação de Bob.

- Mas... – Bob não tinha mais desculpas, não sabia o que dizer...

- Eu sei, eu sei... Frank pode ser um pouco assustador para se lidar... Principalmente para você. Agora... Vou te dar dois meses para encontrar outro emprego e você poderá dizer para todo mundo que se demitiu, certo? – disse Margaret se dirigindo à mesa do funcionário e pegando a cópia de um romance, o entregando para Andrew... Logo depois simplesmente saiu do escritório deixando Bob tentando processar o que tinha acabado de acontecer...

Quando saiu da sala Andrew a notou soltando a respiração... Bom havia sido um momento atípico. Ele estava chocado, pois em três anos nunca a tinha visto demitindo ninguém apesar da sua fama de “terrorista”...

- O que ele está fazendo? – ela perguntou sem olhar para trás quase num sussurro.

- Ele está vindo... Está com um olhar louco... – disse Andrew olhando através da porta de vidro do escritório de Bob, mas continuando a caminhar atrás de sua chefa.

- Não faça isso Bob, não faça... – Margaret sussurrou para si mesma... Ela já sabia o que ia acontecer em questão de segundos.

- SUA MEGERA VENENOSA! NÃO PODE ME DEMITIR! ACHA QUE EU NÃO SEI O QUE ESTÁ FAZENDO... FAZENDO EU ME DAR MAL COM ESSE NEGÓCIO DA OPRAH... PARA VOCÊ FICAR BEM COM A DIRETORIA? PORQUE VOCÊ SE SENTE AMEAÇADA POR MIM! E VOCÊ É UM MONSTRO! – Bob chegou aos gritos, parando Margaret, Andrew e todos os funcionários da edição.

Margaret apenas se virou devagar, mais uma vez tomando fôlego e Andrew apenas sentou-se sobre uma mesa que estava ao seu lado para assistir o que lhe parecia o final de uma guerra...

- Bob é melhor parar... – disse Margaret mantendo o tom de voz baixo e como sempre educado e formal...

- SÓ PORQUE VOCÊ NÃO TEM NADA PARECIDO COM UMA VIDA FORA DESSE ESCRITÓRIO, ACHA QUE PODE NOS TRATAR COMO SEUS ESCRAVOS... – nesse momento todos os funcionários já tinham a atenção completamente voltada para os dois... – QUER SABER? TENHO PENA DE VOCÊ! SABE O QUE TERÁ EM SEU LEITO DE MORTE? NADA E NEM NINGUÉM... – Bob continuou...

Andrew estava pasmo... Ele estava pasmo com a coragem de Bob por dizer aquelas coisas e estava pasmo com a reação de Margaret que continuava tranquila como sempre, como se nada daquilo a tivesse realmente abalado.

- Escute com atenção Bob... – Margaret respirou profundamente e começou a falar – Eu não demiti você por que me sinto ameaçada... Não... Eu te demiti porque você é preguiçoso, cheio de si, lento, incompetente e passa mais tempo traindo a sua mulher do que aqui no escritório... E se disser mais uma palavra o Andrew aqui vai te colocar para fora, está bem? – disse Margaret. Andrew sabia que a paciência dela tinha chegado ao fim, apesar da calma com que expressava aquelas palavras...

Bob novamente levantou o dedo na intenção de dizer mais alguma coisa para ela, mas ela estava decidida a colocar um fim naquela discussão;

- Mais uma palavra e sairá daqui escoltado... Andrew filmará com a camerazinha do celular e colocará o vídeo na internet... Aonde mesmo? – ela disse dirigindo a última pergunta ao assistente...

- You Tube? – Andrew respondeu como se estivesse ligado no automático.

- Exatamente... É isso que você quer? – ela disse olhando para Bob que nesse momento fazia uma careta de frustração e ira, ele parecia querer realmente matá-la – Achei que não! Tenho mais o que fazer... – disse Margaret já se virando e continuando a breve caminhada até a sua sala... Andrew a seguiu, deixando um Bob cheio de ódio para trás.

- Peça para a segurança retirar a estante da sala dele e colocar na minha sala de reuniões... – disse Margaret ainda segurando seu café, sem encarar Andrew, apenas olhando para frente como ela sempre fazia...

- Farei isso... – Andrew simplesmente respondeu.

- Preciso de você para revisar os textos e os arquivos dele... – ela disse em seguida.

- Neste fim de semana? – perguntou Andrew desgostoso.

- Tem algum problema com isso? – ela o perguntou parando na frente dele antes de adentrar seu escritório... Realmente não estava com paciência para mais desculpas esfarrapadas ou discussões.

- Não... É que é o aniversário de 90 anos da minha avó e eu ia para casa nesse fim de semana... – ela apenas o ignorou e entrou para a sua sala... – Tudo bem eu cancelo... Você me salvou de um fim de semana terrível mesmo... Obrigada... – disse Andrew indo para sua mesa quando notou que aquilo não teria importância nenhuma para ela...

***

Havia se passado alguns minutos desde que ocorrera a demissão de Bob... O escritório já tinha voltado à rotina, apesar de todos os comentários e murmúrios sobre o assunto... Margaret tinha se enfiado naquele escritório por horas e não havia saído para nada... Andrew a conhecia e sabia que o jeito que ela encontrava para se livrar do estresse era como sempre se afundando em trabalho e mais trabalho...

Ele estava distraído... Enquanto respondia alguns e-mails tomava um copo de café, que definitivamente não parecia o “natal em um copo” como a mistura maluca que Margaret tanto adorava e que acabou se tornando um gosto pessoal dele também... Assustou-se quando repentinamente sua chefa passou por ele com os olhos vermelhos e se dirigiu ao banheiro... Era estranho vê-la tão perturbada, tão calada, já que nunca desde que trabalhava na Colden Books Andrew tinha presenciado qualquer situação parecida... Ele ficou curioso... Queria saber o que estava acontecendo com ela, mas não teve coragem de segui-la ou de perguntar nada, principalmente por que seria definitivamente muito estranho se ele invadisse o banheiro feminino...

***

Depois de mais ou menos 40 minutos ele viu que Margaret retornava ao escritório... Ela andava distraída, com menos pressa que o normal... Sua postura estava menos ereta, seus olhos estavam vermelhos e tristes e seu rosto estava inchado... Sem dizer nada para ele, o que era raro, ela entrou novamente em seu escritório e fechou a porta atrás de si... Andrew ficou pasmo, já que não era o estilo de Margaret passar pela mesa dele, sem dirigir-lhe uma ordem ou dar uma bronca por causa de algum prazo que já estava se esgotando...

Para Andrew Margaret se tornara ainda mais misteriosa, mas pela primeira vez ele conseguiu sentir por ela algo que nunca havia sentido antes: Afeto. “Afeto?” Sim... Apesar de passar a maior parte do tempo pensando em maneiras diferentes e divertidas, sobre qual seria a melhor forma de matá-la, naquele momento ele sentiu afeto... “Talvez ela não fosse tão ruim assim...”, pensou. Ele queria ajudá-la, ou pelo menos tentar... Claramente algo tinha acontecido... Algo que fugia completamente da rotina deles e da sua compreensão...

Apesar de todo o terrorismo que ela aplicava sobre ele, Andrew sabia que ele era a única pessoa naquele escritório em que Margaret depositava o mínimo de confiança... Mesmo que a relação dos dois fosse apenas profissional, ela ainda contava com ele para pedir alguns estranhos favores como: comprar absorventes a meia noite, ou acompanhá-la até em casa quando eles saiam muito tarde do escritório (mesmo que não falasse de outro assunto a não ser trabalho por todo o percurso), ou até mesmo, ele era o único que ela confiava em entregar a chave da casa dela, quando ela precisava buscar algo que havia esquecido...

Sem se deixar ser mais atormentado pelos seus próprios pensamentos, Andrew tomou uma decisão, uma louca decisão já que sabia que tinha 90% de chance de ele ser expulso do escritório dela aos gritos. Ou dependendo da gravidade do problema e levando em conta todas as situações estressantes do dia, podia até mesmo ser demitido... Em um ímpeto levantou-se de seu lugar de assistente e entrou na sala de Margaret sem nem ao menos bater na porta...

Ao entrar na sala se chocou ao ver o que estava vendo... Margaret Tate, a fria e calculista editora-chefe da Colden Books, estava sentada atrás de sua mesa com a cabeça abaixada sobre as mãos... Ela tinha um olhar vago, como se estivesse olhando para o nada e de seus olhos saiam expeças gotas de lágrimas...

- Margaret? Está tudo bem? – perguntou Andrew realmente preocupado, fechando a porta atrás de si.

- Andrew... O que está fazendo aqui? – perguntou Margaret levantando a cabeça. Seus cabelos estavam em uma verdadeira confusão e ela limpava freneticamente as lágrimas com as costas da mão...

- Só achei estranho você não ter gritado nenhuma vez comigo hoje e vim olhar se você precisa de alguma coisa... Está tudo bem? – perguntou Andrew com a voz suave.

Por um instante os lábios de Margaret se arquearam em um pequeno sorriso... Andrew a olhava com preocupação, com “carinho?”. Ela resolveu tirar esses pensamentos da cabeça o mais rápido possível... Não queria que ele pensasse que ela era fraca... Não queria mostrar para ele que estava sendo fraca e uma completa idiota.

- Está tudo bem Andrew... Só uma pequena dor de cabeça... Você não tem trabalho a fazer? – disse Margaret se levantando da cadeira e arrumando os cabelos.

- Margaret você andou chorando? – perguntou Andrew a olhando diretamente nos olhos com uma expressão séria de preocupação...

- Que? Eu... Chorando?... Ah Andrew! Não seja bobo! É sério... Você não tem trabalho a fazer? – disse Margaret desviando o olhar e se dirigindo ao fundo sofá de couro do outro lado da sala com um manuscrito na mão... Não queria começar a chorar novamente... Não queria que ele a visse chorando. Apenas sentou-se e se concentrou em tentar começar aquela leitura.

- Tudo bem... Já estou indo... – disse Andrew em direção a saída da sala frustrado. Ele sabia que estava acontecendo alguma coisa, mas Margaret era uma mulher muito teimosa...

Margaret o observava sair da sala... Ela punia a si mesma por tratá-lo tão mal... A única pessoa que havia percebido que ela não estava bem, ela estava afastando, como era típico dela... Nesse momento ela não conseguia segurar mais as lágrimas... Não pode evitar o soluço que chamou a atenção de Andrew o fazendo olhar novamente na direção dela antes de atravessar a porta de vidro que os separava como “chefe e assistente”.

- Margaret? – Andrew disse em tom suave.

- Espere... Por favor... Eu não quero que você fique com raiva de mim também... – disse Margaret em meio ao choro.

- Margaret... Eu não estou com raiva de você... Eu estou apenas preocupado com você... Eu apenas nunca vi você assim... – disse Andrew se aproximando de Margaret, dessa vez sentando-se ao seu lado no sofá.

- Eu... Por favor, me desculpe... Eu... – disse Margaret com as palavras entrecortadas por causa do choro. Ela não sabia como terminar aquela frase.

- Por que está chorando Margaret? – perguntou Andrew limpando carinhosamente as lágrimas do rosto da chefa...

- Você acha... Você acha que vai acontecer o que ele disse? Eu vou ficar sozinha... Você acha que não vai haver “nada e nem ninguém” no meu leito de morte? Será que eu sou mesmo esse monstro que ele disse... Andrew, eu tento ter uma vida fora desse escritório... De verdade... Mas a quantidade de trabalho é muita... Às vezes eu não sei o que fazer... Eu... – falou Margaret entre um soluço e outro.

Andrew a olhou profundamente e pela primeira vez ele viu que ela era humana... Ele viu que ela tinha sentimentos e estava assustada, estava triste... Estava com medo de ser tudo aquilo que as outras pessoas pensavam sobre ela. Pela primeira vez, no entanto, ele viu que na verdade ela não era nada daquilo...

- Margaret... Eu acho que você é uma mulher muito bonita, inteligente, ética e decidida... Eu admiro você por isso... O Bob é um idiota... Ele só disse aquelas asneiras por que gostaria de ter ao menos uma das qualidades que você tem... Você acha que os diretores da empresa confiariam o seu cargo a Bob Spaulding?... Nunca... Eles sabem a profissional que você é... Eu sei a profissional que você é... Juro. Nunca trabalhei com alguém mais competente e responsável... – disse Andrew agora realmente com raiva de Bob... Ele não entendia, mas não queria vê-la chorar e a sua vontade era apenas de “quebrar a cara” daquele covarde e também de abraçá-la.

- Andrew... Eu sei que todos pensam que eu sou uma “cadela”, mas eu só demiti o Bob, por que ele não estava fazendo o trabalho dele... Eu... – disse Margaret tentando se explicar, agora com a respiração um pouco mais calma, mas mesmo assim lágrimas ainda escorriam desordenadamente pelo seu rosto.

- Ei... Você não precisa me dar explicações... Ele era um incompetente, um imbecil... Ele mereceu... E eu faria a mesma coisa... – disse Andrew segurando a mão de Margaret, que estava tremula e gelada sobre seu colo.

- Faria? – ela perguntou e Andrew nunca a achou tão vulnerável tão insegura.

- Confie em mim... Você fez a coisa certa... – disse Andrew a olhando nos olhos... Ele nunca havia notado como ela tinha o rosto bonito... Sempre a observava por inteiro, mas nunca havia se atentado aos detalhes... Apesar das expressões serem bem marcadas e sagazes, ela tinha os olhos doces, inocentes... Ele poderia dizer que quase frágeis...

- E você também acha que eu sou uma “cadela venenosa”? – perguntou Margaret com um olhar indagador.

- Eu achava... Até agora... Até ver que na verdade você é uma pessoa muito sensível... – disse Andrew com um fino sorriso lhe cortando os lábios.

Margaret não respondeu nada. Apenas abaixou o olhar, encarando as mãos que estavam entrelaçadas as de Andrew em seu colo.

- Ah... Vamos lá Margaret... Eu não acredito que Margaret Tate, a mais poderosa e respeitada editora-chefe de Nova York vai se curvar ao idiota do Bob... – disse Andrew levantando delicadamente o queixo de Margaret com o polegar.

Margaret apenas lhe retribuiu um sorriso. Um tímido, mas sincero sorriso.

- Assim está bem melhor... – disse Andrew a olhando com um sorriso doce, que lhe transmitia apenas tranquilidade.

- Obrigada Andrew... – disse Margaret num fio de voz.

- A qualquer hora... Precisa de alguma coisa? – perguntou Andrew com um tom de voz preocupado. Desviando aquele olhar, aquela estranha conexão que ele sabia que tinha ocorrido entre eles...

- Sim... Preciso que você me abrace... – disse Margaret se jogando no peito do assistente repentinamente e logo sentindo os braços de Andrew a cercarem protetoramente, como se aquilo fosse um ato muito normal para ele.

Andrew sentiu o cheiro de frutas do cabelo dela sob suas narinas, sentiu o delicado corpo se apertando contra ele e apenas retribuiu. Apesar de tudo ele estava feliz... Estava feliz por descobrir que aquela armadura tinha uma fenda... Estava feliz por que talvez ele fosse uma das únicas pessoas que conseguiria ultrapassar aquelas barreiras... Apenas ficou ali preso àquele abraço, sabendo que era único para Margaret Tate.

– E se você contar a alguém sobre isso é um homem morto!- disse Margaret sem se soltar do abraço.

Andrew não pode deixar de rir alto... “Aquela sim era sua garota!”

Notas finais
E aí? Gostaram? Comentem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!