Mesmo com seu corpo quase desfalecido, aquele homem que outrora dominou os mares junto ao rei dos piratas, proferiu então aqueles que seriam as últimas palavras do homem mais forte do mundo, aquela que reafirmava a existência do tesouro, e que um dia chegaria o momento em que ele seria encontrado, e então o mundo inteiro iria virar de cabeça para baixo. Em paralelo, milhares de espectadores puderam ouvir, através de um enorme painel, atentamente o que aquele homem, que permanecia em pé mesmo após o óbito. Nesse momento, como igual a outros 20 anos atrás, vários gritos respondiam aquele discurso, eram gritos de motivação e esperança de jovens sonhadores que partiram para o mar rumo a uma audaciosa aventura em busca do One piece.

Em uma ilha qualquer no South Blue.

— Içar velas! — Uma voz firme gritava, que logo mudou para um sussurro explicitamente emocionado — Aí cara, eu sempre quis dizer isso!

— Baixe um pouco as bolas, Ross — Uma outra voz, marcada por uma contida alegria, o refuta. — Ou devo dirigir-me a você como capitão?

— Eu já lhe disse, não precisa dessas formalidades todas! — Ross fala, percorrendo suas mãos por toda sua cabeleira bagunçada, que cintilava por sua coloração prateada ao ser beijada pelos raios solares. — Sabe Henry, a partir de agora iremos finalmente escapar da caixa de mármore que fomos obrigados a viver desde posso ser considerado como gente.

— Acho que essas palavras não estão certas. — Respondeu-lhe. — Não sei se podemos considerá-lo como gente.

— Cala a boca que estamos começando a zarpar. — Falou ao gargalhar.

E então, um navio de tamanho mediano deixa o porto. Havia em torno de duas dúzias de pessoas que ali assistiam à partida daquela nova tripulação. Pouco a pouco, a embarcação era consumida pelo azulado do horizonte até que finalmente saíra totalmente do campo de visão de qualquer um.

Não durou mais que metade de um dia para enfim chegarem a uma gigantesca cadeia rochosa, em que seu meio havia um estreito em que o fluxo de água percorria o sentido inverso da gravidade.

— Tá de brincadeira! — Ross disse ao esfregar seus olhos.

— Então essa é a Reverse Mountain — Henry diz cruzando seus musculosos braços. — Quando a cruzarmos, estaremos finalmente no cemitério de piratas! — Ele finaliza com um curto sorriso.

O navio então foi pego pelas correntezas e levado até aquele estreito rochoso, ascendendo até seu topo, onde por alguns instantes o navio descolará da superfície do mar, e então pousou na mesma correnteza, que agora se comportava como uma queda d’água convencional.

— EEEEEEEEEEEEEEEH — Todos a bordo gritavam, enquanto erguiam canecas de madeira, transbordadas de cerveja.

— AQUI ESTAMOS! — Ross gritou, enquanto segurava-se, com apenas uma das mãos, na metade de uma corda que levava até o mastro. — NO LUGAR ONDE O REI DOS PIRATAS FEZ SEU NOME. NO LUGAR EM QUE O MAIS FORTE PERECEU. AQUI IRÁ COMEÇAR A MAIOR AVENTURA DE NOSSAS VIDAS, ENTÃO SÓ QUERO DIZER UMA COISA. NÃO MORRAM LOGO SEU BANDO DE IMBECIS!

Aqueles homens a bordo passaram direto por um farol onde a frente havia um homem de meia idade, que repousava em uma cadeira, entretido com um jornal. Mas sequer o incomodaram, apenas continuaram velejando enquanto bebiam e comemoravam.

Henry dirigiu-se até o franzino homem que guiava o leme, e então o perguntou:

— Lance, aquele troço está funcionando?

— O Long Pose? — Respondeu-lhe ao olhar para aquilo que estava em volta de seu pulso. — Ele está apontando a noroeste, então estou mantendo o navio rumo a essa direção.

— Foi uma sorte nosso pai ter a deixado como herança. Quando éramos pequenos ele sempre contava diversas histórias de sua aventura por esses mares, e olha só, finalmente aqui estamos!

Ambos apenas ficaram com um sorriso bobo enquanto observavam a imensidão a suas frentes, até que perceberam uma sombra cobri-lhes, como também todo o navio. Mudando a direção de seus rostos para a suas direitas, eles puderam ver um imenso navio azul-esverdeado de três mastros.

— ESSA NÃO! — Grita um tripulante. — É A MARINHA!

Os canhões daquele gigantesco navio começam a ser preparados para o disparo. Nesse momento, ainda apoiado na corda, Ross lança sua caneca fora e dirige sua mão até o lado esquerdo de sua cintura e então a puxa de sua bainha, que até então repousava com placidez, sua longa espada de lâmina azul, tão cintilante quanto um metal precioso e tão desconhecido como os confins do céu anoitecido. E então, apontando com aquele majestoso objeto, ele gritou:

— ATACAAAAR!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.