One Piece ACD

45 Capítulo 45


Capítulo 45: Um sonho e um passado que assombra


– Pronto, a comida já está no ponto! – Hellt fala terminando aquela panelada de sua sopa cinzenta.


– Eu to morrendo de fome! – o gordinho fala.


– Pior que você usou só as sobras né? Temos que arranjar comida na próxima cidade... – Rebeka fala pensativa.


– Pai eterno! Preciso estar bêbado pra comer isso! – Jonas fala em tom baixo para que Hellt não escute, ele viu ha noites atrás o desenhista desmaiar o guitarrista depois dele ofender sua comida.


– Go to hell! Eu não sei como as meninas e o Daniel tem estômago pra isso! – Gabriel opina.


– Hei guitarrista, vai chamar a Naty pra comer... – o mais alto fala e o músico sai. Dirige-se até a parte baixa do navio onde a espadachim dorme numa rede, a moça sonhava com partes de seu passado, de épocas remotas onde ela não conhecia o poder de uma espada.


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– Corre Carlos! Corre o máximo que você consegue! – a garotinha suja e de cabelos longos fala correndo com dois grandes pedaços de pão na mão, atrás dela um garotinho moreno igualmente sujo corria com umas frutas.


– Nathália sua chata! Eu to carregando mais coisas sabia? – o garoto fala, atrás deles um homem corria com uma vassoura, aqueles dois garotos roubaram a mercearia dele.


Depois de muito correr eles conseguem escapar passando por um bueiro, estavam felizes pelo sucesso em sua ação, mas era fato: se ficassem juntos brigavam.


– E isso foi porque você me chamou de chata seu retardado lento! – a garota fala depois de desferir um soco na cabeça do menino.


– Você só me bate porque eu sou o irmão mais novo, mas a errada foi você! Por sua causa a gente quase foi pego! Você que é retardada, chata e feia! – as palavras do garoto causaram fúria extrema em sua irmã mais velha, eles começaram a brigar de socos e chutes. Era engraçado que mesmo com toda aquela briga eles se gostavam.


Eles voltaram para o galpão abandonado em que moravam, porém quando chegaram tiveram uma surpresa ruim, garotos mais velhos estavam lá. Eles brigaram com os mais novos pela comida e depois expulsaram Carlos e Nathália de lá, agora os dois irmãos estavam machucados na rua debaixo de uma sacada.


– Toma, é pra você garoto... – a irmã mais velha fala dando um pedaço de pão que salvara para seu irmão, o garoto relutou em aceitar, mas o pegou e comeu. A noite passou, estava fria e eles dormiram juntos, realmente a vidas nas ruas não era fácil. No dia seguinte, bem cedo, eles acordaram, o menino falou:


– Nathália não quero mais ficar com você... – as palavras de Carlos surpreenderam sua irmã. – Se eu ficar com você nunca serei forte e eu preciso ficar forte pra conseguir minha coisas sozinho, não é que não queira ficar com você, é que não quero depender de você pra sempre Nathália... – a garota primeiro se assustou, mas depois fechou os olhos e sorriu de leve, parecia que a garota havia entendido aquelas palavras repetidas e pouco conexas de seu irmão.


– Eu é que não quero você perto de mim! Você é um traste, é inútil, é fraco! Se eu ficar com você não terei chance de sair dessa miséria! – as palavras provocantes dela deixaram o garoto nervoso, entretanto ela não ligou pra isso e continuou: — A gente tem que ficar forte pra sobreviver nesse mundo e parece que junto não vai dar certo.


– Isso mesmo, então Nathália a gente se vê por aí... Quando a gente ficar bem forte... – o garoto falou e saiu, a menina saiu no sentido oposto, a partir daquele momento cada um seguiria um caminho solo.


Nathália percorreu algumas cidades, não era fácil se manter viva sendo uma moradora de rua e uma menina, constantemente roubavam sua comida e sua moradia, ela sempre tinha que se “mudar”. Naqueles dias ela não tinha se alimentado direito e desmaiou de fome na frente de um dojo, o dono do local a viu e a levou pra dentro, cuidou de seus ferimentos e quando acordou lhe deu de comer. Ela não sabia por que aquela pessoa a ajudara, mas a fome era tão grande que não conseguiu recusar a comida oferecida.


– Vai com calma garota senão você passa mal... – o senhor fala preocupado a vendo comer ferozmente.


– Eu preciso comer o quanto dá, não sei quando comerei de novo, sabe moço eu não tenho como te pagar... – ela fala.


– Não precisa, aliás, me pague me contando sua história, acho interessante a história de vida das pessoas. – era fato que aquele senhor gostava de ouvir mais do que de falar.


Nathália relutou um pouco, mas contou o que sabia sobre si, não conheceu seus pais, falou sobre seu irmão e sobre a separação deles, falou tudo sobre si para aquele desconhecido, é engraçado como mesmo naquela situação ela não derramara nenhuma lágrima.


– Seu espírito é forte menina e sua honra transborda! – o homem fala com seus olhos em chamas após ouvir a garota. – Gostaria de ser minha aluna mocinha? Eu sou mestre na arte da espada fantasma sabia? Sou quase famoso... – aquelas palavras causaram grandes risadas nos dois. – Mas eu falo sério quando te perguntei se queria ser minha aluna.


– Eu não tenho nada a te oferecer moço, eu moro nas ruas e...


– Você pode morar aqui, seria uma recompensa para mim mesmo, sabe você lembra muito minha falecida filha, seus olhos castanhos são idênticos aos dela. – palavras sinceras do senhor.


Era difícil para a garota acreditar naquilo, afinal ninguém havia sido gentil com ela em sua curta vida toda até aquele momento.


– Eu quero muito ser forte pra não passar mais fome e ter forças para fugir dessa miséria, se sua técnica de espada fantasma for capaz de fazer isso por mim eu serei sua aluna com certeza! – a garota fala com ímpeto.


– Mas não será tão simples, só os fortes podem começar a treinar aqui, será que você é forte o suficiente? – a garota não havia entendido aquelas palavras. – Meu nome é Fong, se você passar no meu teste poderá me chamar de mestre Fong e terá a chance de mudar de vida.


– Imaginei que teria algum tipo de dificuldade, nada é fácil na minha vida mesmo, cadê esse teste? Quero fazer agora! – Nathália é decidida é fato, ela se agarrou a possibilidade de mudar de vida mostrada por Fong com unhas e dentes.


O mestre espadachim levou a garota a uma floresta e lhe entregou uma faca bem afiada, disse a ela:


– Sobreviva aqui por um mês, eu voltarei nesse prazo para te levar. Seja forte como um carvalho, seja impetuosa como um lobo, seja indomável como a correnteza do rio, sobreviva como tem sobrevivido por esse tempo todo! Prove a miséria que você e mais furiosa que ela!


– Eu estarei aqui dentro de um mês nessa mesma hora, não se atrase velhote! – ela fala com a faca em mãos se embrenhando na mata.


Como foram difíceis os primeiros dias, achar lugar seguro para morar, achar comida, não ser vítima dos predadores, mas a vontade da garota de mudar de vida era forte demais, por tudo que ela mais amava ela sobreviveria a esse mês e se tornaria uma espadachim.


A garota matou lobos e até ursos para proteger sua casa e comida, enfrentou tempestades, enfrentou a escuridão, lutou contra a extremidade da natureza contando cada dia até que o mês se passou.


– Parece que a garota não sobreviveu, é uma pena, achei que ela seria uma ótima aluna... – Fong falava no lugar que deixara a garota.


– Enlouqueceu velhote? Falando sozinho... – Nathália fala pulando de uma árvore, estava claramente provocando o senhor que apenas riu feliz.


– Venha menina, você passou no teste. – o senhor disse abraçando a jovem de leve e andando com ela para fora da floresta.


O caminho ao dojo foi tranquilo, entretanto uma coisa chamou muito a atenção da garota: os jornais, a maioria deles falavam que mestre Fong havia pegado uma garota de rua para treinar, ela então se lembrou de quando o mestre havia falado que era “quase famoso”, naquela ocasião ela pensou que era piada, aparentemente estava errada.


Ao chegar ao dojo viu novas estátuas e nova pintura, se agradou daquele lugar, era bom sair daquela floresta.


– Mestre que bom que voltou! – uma voz de garoto chega aos ouvidos da menina que se vira quase que instantaneamente.


– Oi menina, tudo bem? – o garoto cumprimenta Nathália.


– Oi, quem é você?


– Desculpe minha falta de educação, meu nome é Gilvan e o seu? – o garoto fala sem graça.


– Nathália... – ela fala olhando para o sorriso do garoto, nunca havia visto um sorriso tão convidativo. Ela enxergava uma beleza única naqueles gestos simples de Gilvan.


– Nathália, Nathália, Nathália, Naty, Naty, Naty... – a voz do menino foi se misturando e sua imagem foi sumindo, a espadachim abre os olhos e saca rapidamente sua espada desferindo um corte sentido anti-horário, Gabriel que a chamava tentando a acordar se abaixa no susto evitando perder a cabeça.


– Go to hell Naty! Quer me matar?! – o garoto fala assustado, Naty observa todo o arredor surpresa, só então percebe que estava sonhando.


– Desculpe. – ela fala sem feição como se não tivesse feito nada tão grave.


– É pra comer... – Gabriel fala com dificuldades informando sobre a refeição.


– Certo, estou indo então... – a jovem espadachim sobe se lembrando dos rostos de seu sonho, uma profunda tristeza toma conta de seu ser, mas ela permanece firme sem demonstrar a dor que sentia, exceto por gotas que pairavam pelo seu caminhar.


Notas finais
Tem muita coisa a se contar sobre o passado da Naty, isso foi só um pedaço..............
Não tem preview porque os próximos caps são apenas pra quebrar a tensão, são mais zuados e sem muita ligação com a história principal............
Té mais........