One Piece - A Jornada Ao Passado

1 Capítulo 1 - Memórias Apagadas




One Piece Fic

Capitulo 1

Lembranças apagadas

Manhã ensolarada em uma das ilhas banhadas pelas águas do South Blue, o som das gaivotas que voavam se misturavam com o quebrar das ondas na areia, era uma ilha distante, de difícil acesso, pois as correntes marítimas acabavam sendo uma grande armadilha até mesmo para os mais experientes navegadores, e a mesma acabava enchendo a areia da praia de destroços dos mais variados tipos de embarcações, a praia tinha uma aglomeração de lixo, todo o tipo de coisa que afundava no mar do South Blue era levado para esta pequena e distante ilha, no meio de todos os destroços, pessoas vivam a vagar por ali em busca de coisas que pudesse ser de alguma utilidade.

Uma criança de cabelos loiros e rosto sujo vestido totalmente de trapos, caminhava em busca de algo que seja de alguma serventia, o garoto se empoleirava facilmente nos escombros e escaneava toda a área possível com o olhar, e ao longe avistava uma embarcação de pequeno porte quase totalmente destruído, apenas algumas partes do casco estava inteiro, eufórico pela possibilidade de encontrar algum tesouro, o menino corria em direção a embarcação e lá chegando começava a revirar os destroços até encontrar um cantil, desanimado com a descoberta ele pegava o objeto, mas ao puxá-lo, o sentia preso por uma faixa que levava ao meio dos escombros, puxava, mas não saia, até que com uma puxada mais forte, escutava um gemido fraco vir do meio de toda a madeira, começava a levantar as madeiras em seu caminho e ao retirar a ultima tabua, caia para trás gritando.

__ Mamãe, Mamãe, achei um homem morto! Um homem morto!

Sem demora uma mulher vinha pelo mesmo do caminho do garoto, e corria em direção a embarcação para averiguar.

__ Olha mamãe, tem um homem morto aqui! Será que ele tem algo de valor?

__Calma Thomas, pare de gritar se não vai acabar chamando atenção!

A mulher observa um bracelete de ouro meio sujo no pulso do rapaz e logo vai com a mão, mas antes era interrompida por Thomas.

__Mamãe.

__Fala garoto!

__ Gente morta geme?

__ Não, por quê?

No momento que a mão da mulher tocou no bracelete do rapaz, a mão do mesmo lhe agarrou o pulso e o apertou com força causando um grito abafado da mulher!

__ Onde estou?

O rapaz totalmente sujo e antes desacordado, por reflexo apertava o pulso da mulher, mantinha ainda o rosto contra as tábuas do casco do pequeno barco em que estava deitado.

__ Que lugar é este?

A mulher sentindo um pouco de dor no pulso tentava se livrar, iria responder o estranho, mas logo foi novamente interrompida.

__Solte minha mamãe!

Thomas com um pedaço de madeira acertava o estranho na cabeça com tanta força que o mesmo soltava um alto gemido e ficava imóvel

__ Ainda não soltou?

O garoto já levantava a madeira para acertá-lo novamente, mas logo era interrompido pela sua mãe, seu pulso estava livre, o rapaz acabou soltando automaticamente com a pancada.

__ Morreu?

__Não, acho que você só desmaiou ele Thomas!

__ Ah sim! __ O garoto logo soltava a madeira. __ Podemos pegar a pulseira agora?

__Melhor não! __ Ela virava o rapaz e malmente via seu rosto com toda a sujeira. __ Vamos levar ele para a casa Thomas

__Está bem!

O garoto junto com sua mãe ajudava a pegar o rapaz que não era muito pesado e o arrastava entre o lixo para longe da praia.

Algumas horas depois afastado da praia, o rapaz despertava com uma forte dor na cabeça, abria os olhos lentamente e enxergava um telhado sujo e mofado, estava deitado em um colchão um tanto quanto confortável e logo se tratava de sentar na cama, o quarto era bem simples, não possuía muitos móveis, a luz do pôr do sol entrava pela janela e lhe atingia as costas.

Curvava-se colocando as mãos na testa e fazia esforço para se lembrar de alguma coisa, qualquer coisa, mas apenas flashes lhe passavam em mente, o som de canhões sendo disparados ecoava em seus ouvidos, um grande mastro pegando fogo e caindo na proa do navio em cima de vários tripulantes e logo a imagem de estar dentro de um pequeno barco afastado de toda a confusão até o momento em que uma bala de canhão atingia em cheio seu transporte, a partir dessa parte, nada mais era claro, voltava a si e começava a observar seu corpo agora limpo, seu cabelo azulado estava limpo, tratado e cortado pouco acima das orelhas, apenas depois de um bom tempo notava que seu corpo estava nu coberto apenas por um lençol da sua cintura para baixo, vasculhava o local com o olhar em busca das suas roupas e quando pensou em se levantar, a porta começou a ser aberta lentamente com um rangido seco, o rapaz se emaranhava no lençol novamente tentando esconder todo seu corpo.

__ Boa tarde rapaz, vim lhe trazer um lanche e roupas semi-novas, pois as suas estavam todas rasgadas!

A mãe do garoto adentrava no quarto com uma bandeja de bronze na mão e um prato com um lanche simples, alguns pedaços de pães e um copo de leite e logo saia do quarto e voltava com algumas roupas velhas dobradas.

__ Tome! Pode se vestir! Sei que não é muita coisa, mas suas roupas estavam bem piores, cobertas de sangue, pólvora, cinzas e totalmente encharcadas com a água do mar!

__ Obrigado, mas, quem foi que cuidou de mim enquanto estava desacordado?

__ Eu mesma, tirei suas roupas e lhe dei um banho, pois estava imundo, mas confesso que ainda fiquei impressionada, pois você tinha muitas feridas no corpo, porém alguns minutos depois quando voltei, estava normal, então aproveitei para dar uma cortada no ca...

__ O QUÊ? __ A mulher logo era interrompida com um grito do rapaz que se encolhia no canto da cama e se escondia no lençol com o rosto totalmente avermelhado __ Você que me deu banho?

__ Sim, algum problema? Afinal, já tive marido e tenho um filho pequeno, você não tem nada de diferente dos dois!

A frase fazia o rapaz ficar ainda mais corado.

__ Afinal, quem é você? De onde veio?

__ Estou me perguntando o mesmo até agora!

__ Como assim? Não se lembra de onde você veio? Qual seu nome rapaz?

__ Também não sei oras! __ O rapaz começava a dizer impaciente e logo colocava a mão na cabeça com um pouco de dor __ E essa dor de cabeça também dificulta a pensar!

A mulher logo se lembrava do que o menino Thomas tinha feito e logo meio sem graça tentava enrolá-lo.

__ É que sabe... Acho que você bateu a cabeça... Em alguma coisa, não sei! __ Um tanto quanto nervosa tratava de mudar de assunto. __ Porque você não come logo?

Estranhando tal reação, o rapaz começava a alimentar-se enquanto a mulher se retirava do quarto.

Já havia anoitecido quando o rapaz permanecia sentado na cama devidamente vestido com uma calça azul e uma camisa social branca, estavam bem surradas e remendadas, mas era o suficiente pelo momento. Impaciente, logo se tratava de levantar e sair daquele quarto.

Ao atravessar a porta, se encontrava na sala, assim como o quarto era tudo muito simples, iluminada por lampiões o local era quase vazio, e só se encontrava lá o jovem Thomas brincando com alguns brinquedos que provavelmente foram achados entre os destroços.

__ Onde está sua mãe?

O menino fora surpreendido pelo rapaz e em um pulo começou a olhá-lo.

__ Está fazendo o jantar.

O rapaz olhava toda a volta e não encontrava uma porta se quer além a qual havia passado e a porta que seria a da saída.

__ E aonde diabos é a cozinha?

__ Cozinha? Não sei bem o que é, mas ela está na fogueira lá fora.

O rapaz passava pelo local sem mais palavras e ao atravessar a porta enxergava um local totalmente medonho, todas as casas a sua vista, não passavam de barracos de madeira, as pessoas que via caminhando estavam todas vestidas com roupas bem velhas, alguns malmente pareciam estar vivos, tinham machucados sem tratamento, a visão era horrível, caminhava pelas ruas e vielas entre barracos e logo começava a ouvir um leve som de dedilhar nas cordas de um violão, curioso, começava a seguir a direção do som, não precisou muito tempo de caminhada, avistou um pequeno píer aonde em sua ponta, havia algumas caixas empilhadas e em cima um senhor idoso dedilhando seu violão enquanto observava o luar refletido no mar.

A música lhe era familiar, não conseguia se lembrar de nada, mas as notas tocadas ecoavam em suas memórias, como se ele tivesse escutado ela centenas de vezes, se aproximava inconscientemente e ao pisar em uma taboa frouxa, o ranger da madeira fez com que o músico interrompesse imediatamente a canção e olhasse para trás.

O rapaz imóvel olhava o rosto enrugado do senhor e meio sem jeito tentava conseguir algum assunto.

__ Érrr... Desculpe lhe interromper, mas que música é essa? Poderia me dizer?

O velho não pode esboçar outra reação se não dar uma sonora gargalhada.

__ Essa juventude de hoje em dia não sabe mais o que é música! Meu jovem, essa é a música dos bravos guerreiros do mar!

__ Bravos guerreiros do mar?

O senhor olhava para ele com vontade de rir, mas tentava se segurar.

__ Os piratas meu garoto! Os homens que lutam pelos seus sonhos! Que vão ao mar sem medo do destino em busca de aventura e tesouros!

__ O que são exatamente piratas?

O senhor perdia o tom de riso imediatamente e passava a olhar sério para o rapaz.

__ Está brincando não é? Se alguém neste mundo não sabe o que são piratas na sua idade, este alguém não é deste mundo!

__ Não estou brincando.

__ Sério?

O rapaz balançava a cabeça afirmando.

__ Quantos anos você tem rapaz?

__ Não faço idéia!

__ Hum... __ O senhor lhe olhava de cima abaixo. __ Deve ter uns 17 ou 18!

__ Pode ser!

__ Sabe seu nome? Cidade natal? Você sabe o que é uma cidade?

__ Não sei meu nome, não sei de onde eu vim. __ Lançava ao velho um olhar de indiferença. __ E sim, eu sei o que é uma cidade, perdi a memória, não perdi o cérebro!

O senhor caia em gargalhadas com o rapaz.

__ Então no momento você não passa de um andarilho sem nome! Gostei de você rapaz! Irei lhe ensinar a letra do hino dos piratas! Bink's sake!

__Sake o que?

__Quieto rapaz, somente sinta a música fluir!

__ Está bem!

O rapaz se sentava próximo ao senhor em cima de algumas caixas enquanto o senhor voltava a dedilhar as notas e seguia a canção cantando.

A noite ia adentro e uma animação tomava o rapaz conforme ele escutava a canção, a voz do velho ecoava junto com as notas em sua mente, lhe trazia conforto, alegria, era extremamente bom ouvir aquela canção.

__ Acho que está canção realmente lhe animou! __ O velho dava leves risadas enquanto notava o rapaz tirar a camisa. __ O que vai fazer?

__ Pular na água oras!

O rapaz mergulhava de cabeça na água enquanto o velho permanecia no píer olhando, passavam-se alguns segundos e o rapaz não voltava a superfície, estranhando o velho se levantava e deixava o violão de lado, um minuto havia se passado e nem sinal do rapaz, ele resolve pular na água atrás do mesmo, o luar iluminava o a água até certa profundidade, e quase aonde a luz não chegava, ele avistava o rapaz afundando e logo tratava de mergulhar mais fundo e mais rápido atrás do jovem que se afogava.

Alguns minutos depois o rapaz acordava deitado no píer encharcado e a primeira coisa que via era o velho com o rosto quase colado no dele prestes a tocar seus lábios.

Automaticamente gritando ele levantava a mão direita com o punho fechado e atingia em cheio o olho esquerdo do velho que caia sentado com as duas mãos nos olhos gritando de dor.

__ Seu maluco, porque você me acertou? Como tem coragem de acertar um pobre velho?

Em um pulo o rapaz se encontrava em pé e apontava para a cara do velho.

__ MALUCO É VOCÊ SEU VELHO TARADO MOLESTADOR DE INCONSCIENTES!

__ Olha como fala com quem salvou sua vida moleque!

__ Salvou o que?

__ É isso mesmo, parece que além de ter perdido a memória, desaprendeu a nadar também!

O rapaz logo começava a se lembrar que havia pulado na água e que assim que a tocou afundou, pois realmente não sabia nadar.

__ Agora lembrei!

Dizia isso olhando para o vazio enquanto batia o punho fechado na palma da outra mão.

__ Então você não me deve desculpas?

O velho ainda tampava o olho com as duas enquanto o rapaz lhe observava.

__ Devo nada, você é um molestador!

__ Molestador no inferno!

Tirava uma das suas sandálias e arremessava em direção ao rapaz que era atingido em cheio na testa e acabava caindo de costas no chão, deitado no chão, não muito tempo depois, ecoava ao longe o som de uma explosão, o som era familiar e fazia com que os flashes anteriores no navio voltassem com uma forte dor de cabeça que causava uma extrema dor de cabeça seguida de gritos.

O velho rapidamente levantava e ia ao rapaz e lhe chacoalhava os ombros.

__ Ei, garoto, nem doeu tanto esta chinelada vai, temos que sair daqui agora, não temos tempo, logo eles vão chegar!

Ainda com a forte dor, o rapaz conseguia dizer algumas palavras meio emboladas para o senhor.

__Eles quem?

__ Os piratas!

__ Mas eles não são gente boa?

__ Nem sempre meu filho! Vamos!

O velho o levantava pelo braço e o apoiava no ombro para começar a arrastá-lo para fora do píer, mas já era tarde, pois uma caravela se aproximava do píer pela costa da ilha e logo avistava aos dois, o velho tentava acelerar o passo, porém o peso extra o atrasava e logo se ouvia o ecoar de mais disparos de canhões.

As balas acertavam em diversos lugares e passavam bem perto deles, o píer tinha sido bastante danificado e as explosões acabaram atrasando eles ainda mais, após um breve intervalo de tempo o som novamente ecoava na noite e quando o rapaz e o velho olhavam para trás, podiam avistar duas balas de canhão vindo em suas direções e não importa o quão rápido eles fossem, seria impossível esquivar, iriam ser acertados em cheio.

Continua...

Notas finais
Peço perdão por qualquer erro de formatação, escrita ou da própria história, caso encontrem algum, avisem pelos comentários para que eu possa não comete-lo novamente em capitulos futuros.
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