- Você disse que queria conversar – ela disse minutos mais tarde estando já recomposta fisicamente, pronta para se levantar da cama e vestir pelo menos um roupão, não tinha coragem de conversar estando assim, nua, porque sabia exatamente onde acabaria novamente.

- Você sabe o que eu quero conversar – ele murmurou, mas ela não o sabia exatamente.

- O quê? Que eu vou para NYU e você nada? – ela perguntou ácida. – Achei que você queria apenas acertar as coisas...

- E eu quero – ele disse decidido.

- Então diga – ela murmurou tocando os lábios dele lembrando-se, de repente, de tudo que já havia passado naquele ano.

O Lord Marcus, Yale e sua decepção, a viagem que ele a havia abandonado... Todas as tentativas de fazer dar certo. E no entanto, mesmo com tantas tentativas, ali estavam, separados.

- Você sabe o que precisa para dar certo – ela murmurou afastando-se de vez.

- Assim como você sabe o que eu sinto – ele disse se sentando, coberto com o lençol branco. – Não há para que falar.

- Há muito mais para falar – ela murmurou desiludida.

Então seu filme voltava a despencar.

- Eu devo ser muito estúpida mesmo – ela disse virando-se, pronta para pegar suas coisas.

- Você sabe como eu sou – ele murmurou sem se levantar para impedi-la. – E mesmo assim está aqui, então, que diferença faz?

- Faz toda diferença – ela disse voltando a encará-lo.

- E se eu não puder fazê-lo?

- Então eu não sei o que ainda faço aqui...

- Então – ele se pôs de pé e a segurou pelo braço. – Então esse seria o fim...

- O fim – ela repetiu.

- Então – ele aclarou a garganta. – O que aconteceria se eu dissesse que essa noite é tudo que temos? Tudo que resta...

- Eu iria embora, agora mesmo – ela disse. – Enquanto eu ainda tenho controle sobre o que sinto – mentirosa – Enquanto você não pode me machucar mais.

- Não – ele murmurou. – Você ficaria, mesmo assim – ele continuou aproximando sua boca da dela – Porque não se pode fugir disso.

- Pode ter certeza que se pode fugir sim.

- No entanto você continua aqui – ele disse voltando a beijá-la.

No fim das contas aquela noite era mesmo tudo que lhes restava, pelo menos por um tempo.

E quando clareou, ele seguia dentro dela, fazendo-a sua e com ela não era diferente. As mãos embrenhadas no cabelo masculino, o gemido ecoando no quarto, os gritos de prazer.

Quando o sol estava a pino é tudo pareceu realmente claro... A garota se levantou mesmo com os olhos carregados pelas lágrimas, suas roupas novamente postas e a sandália nas mãos para colocá-las só quando alcançasse o elevador, porque para ela já havia dado.

Havia ido além do que julgava capaz de aguentar e superar, pronto.

Enquanto ele permanecia ali deitado, o torso nu e o copo de uísque na mão, porque isso era tudo que lhe havia restado, e assim seria por um bom tempo. Ela só não o entendia, não entendia que precisava de tempo e espaço para assimilar seus próprios sentimentos...

Não, ele que não entendia, porque ela já havia dado tempo e espaço suficiente.

A discussão constante.

Assim um dos dois deveria ir antes que fosse tarde demais, aproveitar que o dano estava no principio e a dor seria superada.

Eles possuíam apenas aquela noite e, agora, o sol já reinava mostrando que a noite acabara, era hora de voltar a realidade e encarar o futuro – separados.

Blair seguia pela 5ª avenida como se fosse apenas mais um dia de férias, as férias antes da faculdade. Suas malas já estavam prontas, mas nunca era demais comprar algo a mais, uma bolsa ou almofada, não importava, estava, definitivamente, dedicada a sua nova vida.

E seguiria assim.

FIM

Notas finais
n/a: é o fim .-. a fic foi curtinha mais até que eu simpatizei com ela aauhsauhsausuasu
espero que gostem, deixem reviews o//
e até uma próxima fic.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!