One Night

1 Capítulo 1


A lua resplandecia no céu estrelado, com ela mais uma noite se iniciava, mais uma noite perdido em pensamentos, se remoendo por ter aquele sentimento escondido, era assim que Kouga se sentia assim a cada noite que vinha, ficava as vezes acordado até o sol raiar, apenas pensando em sua paixão que parecia inalcançável, se culpava por coisas que nem se quer tinham acontecido e imaginava situações em que poderia se revelar para seu amado, mas o medo se apossava de seu corpo e sua mente travava toda vez que iniciava alguma conversa sobre este assunto, amor.

Estava deitado na parte de baixo da cama que dividia com ele, sim, era por ele a quem Kouga nutria sentimentos, o cavaleiro de Leão menor, seu primeiro amigo depois que saiu daquela ilha, o que lhe fez um café tão horrível que teve vontade de beber agua sanitária apenas para tirar aquele gosto, e também o que sempre o estava incentivando a seguir em frente, nunca desistir, foram essas pequenas ações que o levaram a amar o ruivo.

Amar é uma palavra forte e séria, mas Kouga tinha certeza que era aquilo, e ele não costumava se enganar, estava certo do que queria, e com esse último pensamento, virou-se para a parede, fechou os olhos e tentou dormir.

Acordou com o barulho de algo caindo, estava sonolento mas sabia quem era àquela hora, apenas seu colega de quarto e dono de seus pensamentos mais sórdidos, acabara de voltar de uma reunião com seus amigos em outro quarto, e olhando para sua face, certamente nessa festa tinha bebidas, achou estranho já que na Palaestra bebidas são estritamente proibidas, alguém devia ter trago escondido. Ficou a observar os movimentos do maior em seu estado dormindo-acordado, viu ele tirar a camisa e em seguida a calça, sentiu seu rosto entrar em chamas, ver o corpo definido do outro lhe fazia pensar em coisas que faziam seu “amiguinho” despertar, estava olhando fixamente para os movimentos, tão concentrado, que não viu que Souma estava olhando para sua direção intrigado.

— Ei, Kouga? – Chamou a atenção do pegasus – Limpa a baba que tá escorrendo da sua boca – Finalizou com uma risada e depois deu um sorriso malicioso para Kouga, que estava envergonhado por ter sido pego no flagra.

— Aaahh Souma, vai ti catar, Não tem mais o que fazer? – Falou se virando para o outro lado, a fim de que o outro não visse seu rosto avermelhado.

— Pode dizer Kouga, eu sou muito gostoso, eu sei disso.

— Você é um convencido isso sim Souma.

Souma riu ao ouvir o comentário de Kouga, não queria admitir na frente do outro que o achava gostoso, era orgulhoso demais pra isso, então Souma tomou uma atitude, como ainda estava só de cueca, foi até a cama de Kouga, sem que o outro percebesse, e deitou atrás do mesmo, de conchinha, apenas para irritar o pegasus, mas acabou recebendo um soco na cabeça.

— Ai ai ai ai, que bruto você é Kouga – Falou massageando o local atingido.

— Bem feito, devia ter dado mais forte.

Kouga não queria demonstrar que havia gostado da sensação de ter o outro atrás de sim, queria ter mais tempo, e mais daquilo, em todas suas noites, mas o ruivo poderia estranhar, olhou para o lado e viu Souma colocando seu pijama para dormir, não trocaram nenhuma palavra, tudo no mais profundo silencio, Kouga apenas podia ouvir seu coração batendo rápido, pelo nervosismo e pelo cavaleiro, assim que terminou de colocar o pijama, desligou a luz e pulou para sua cama na parte de cima, falou um boa noite rápido para Kouga, este ainda estava perdido novamente em seus pensamentos. Passados alguns momentos, achou que talvez devesse tentar algo, apenas aquela vez.

— Souma?

O chamou, e nada...

— Souma?

Falou um pouco mais alto e deu pra ouvir um muxoxo.

— O que foi agora Kouga? – Falou com a voz meio sonolenta.

Era a hora.

— Dorme comigo? – Falou bem baixinho e deu pra sentir o maior dar um solavanco da cama, e viu sua cabeça aparecer pela lateral do beliche, ficou mais envergonhado ainda.

— O que disse? – Respondeu com um meio sorriso – Repete aí.

Kouga cobriu sua cabeça com o lençol e disse novamente:

— Dorme comigo? – Sua voz saiu meio abafada– Se quiser, claro.

Souma achou que o outro estivesse fazendo uma brincadeira consigo, já que a cama era pequena não iria caber os dois ali, e resolveu brincar também.

— Mas é pequeno, quer dormir agarradinho comigo por acaso? – Não sabia se era efeito da bebida ou era ele mesmo que estava falando.

— Tanto faz – Respondeu Kouga, mais envergonhado ainda.

Souma pulou do beliche e se aconchegou na cama do menor, novamente em conchinha, mas dessa vez Kouga não reclamara, estava curtindo o momento enquanto estava acontecendo, sentia a respiração do outro em sua nuca, aquele hálito quente do maior o fazia perder o controle, decidiu que era agora ou nunca, mais uma vez.

— Souma? – Chamou pelo outro de novo e o viu erguer a cabeça, virou sua cabeça e capturou os lábios de quem tanto amava, o fazendo ficar surpreso pelo beijo repentino, mas passados alguns segundos, respondia na mesma intensidade, se entregando ao desejo, Kouga sentia que seu sonho estava realizado, poderia morrer naquele momento, os lábios de Souma eram tão viciantes que poderia sobreviver apenas de seus beijos, mas o beijo foi quebrado pelo estupido ar, ambos estavam ofegantes, assim que acabou, Kouga abraçou Souma.

— Souma, Eu te amo!!!! – Finalmente teve coragem, finalmente disse o que estava preso, poderia levar um soco do outro agora, mas não ligava, tinha acabado de tirar um peso das costas.

— Eu sabia – Falou correspondendo ao abraço do menor – Você não sabe disfarçar, mas isso não importa, já que eu também te amo cavalinho – Depois dessa aprofundou mais o abraço, como se quisesse proteger o menor dos males desse mundo.

Kouga agora sabia que tinha se preocupado à toa, já que quem tanto amava, o amava na mesma intensidade, e se tivesse contado antes, não teria perdido noites de sono, mas daqui em diante, coisas novas aguardavam o mais novo casal que dormia tranquilamente naquela cama apertada.

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