One More Year

1 Capítulo Único - One More Year


Francis Bonnefoy abriu a garrafa de champanhe e separou duas taças, indo para a varanda de seu apartamento, onde Arthur Kirkland observava o céu daquela noite de ano novo. O francês se sentou em uma cadeira ao lado dele, servindo as duas taças e oferecendo uma ao inglês ao seu lado, que deu um sorriso discreto de canto, que não passou despercebido pelo francês. Arthur havia chegado no seu apartamento há pouco, com uma expressão solitária e sem dizer muita coisa, muito menos explicar o motivo da visita repentina. Ele apenas entrou e caminhou em silêncio até a varanda, onde ele se sentou e observou as estrelas, que logo seriam cobertas pelos fogos de artifício de ano novo, deixando o francês a se perguntar o que teria acontecido com ele para ele resolver aparecer em seu apartamento por vontade própria e aparentemente sem motivo algum.

–E então? O que veio fazer aqui? — perguntou Francis finalmente, não se aguentando mais de curiosidade, mas falando com o tom mais doce que pôde, imaginando que para ele resolver visitar algo deveria ter acontecido. Algo ruim. Ele sabia como o inglês era, e tratá-lo carinhosamente era o mais seguro na opinião de Francis.

–Eu estava me sentindo só. Estava lembrando dos anos novos que passei com Alfred quando ele era pequeno. Agora o garoto está dando uma festa de arromba e bebendo como um idiota. Nem parece o mesmo garoto que ficava todo feliz quando eu chegava para vê-lo. Quando foi que ele... Cresceu? — dizia o inglês, olhando pro horizonte pensativo, lembrando-se do passado.

–Passa rápido. Me lembro do pequeno Mattie crescendo. Ele era tão fofo... E ainda é. Me mandou um cartão de Natal com as palavras mais doces, junto de uma caixa de chocolates. Os preferidos dele pelo que o cartão dizia. — contou Francis, sorrindo ao lembrar de seu pequeno e adorável canadense. Todos os anos Matthew sempre se lembrava de mandar algo no Natal e no Ano Novo, e o francês sempre apreciava os presentes e guardava os cartões.

–Pois é... Matthew é um garoto tão bom... Liguei para o Alfred no Natal e ele fez o Kiku, que estava só de visita ali, atender. Foi péssimo. Kiku foi muito gentil em atender, e até me desejou feliz natal, mas o Alfred? Ele não dá a mínima para mim. Ninguém dá. Eu tinha tantas colônias e... Nenhuma me ama... — oh. Então esse era o problema. Francis deveria ter imaginado.

–Arthur... Eu... Eu sinto muito. — disse Francis, sinceramente. Ele sabia como Arthur era apegado às colônias, principalmente à Alfred, mas o garoto havia crescido e não era mais o menino dedicado e fofo que Arthur conhecera, e o inglês não conseguia superar a perda. Francis entendia isso, afinal, sempre que o inglês estava triste, Francis era quem o recebia em sua casa com palavras gentis e lhe oferecendo um sentimento de segurança, então ele sabia bem o que incomodava a mente de Arthur e o que o deixava triste, e a independência do americano era e sempre seria um assunto delicado. Bom, pelo menos o francês tentava fazê-lo se sentir melhor, e ambos sabiam disso. Ele se levantou e foi até o inglês, segurando seus ombros e dizendo: — Você pode contar comigo. Eu sempre estive aqui, lembra?

–É. Por que acha que eu vim justo para a sua casa? — disse Arthur, sorrindo de leve, lágrimas se formando em seus olhos, como o francês esperava que acontecesse em algum momento, como sempre. — Brigando, nos entendendo, discutindo ou nos beijando você sempre esteve ao meu lado. Por mais irritante que você seja eu aprecio sua companhia, eu acho.

–Ah, Arthur... — Francis o puxou para um abraço, logo ouvindo o menor soluçar contra o seu peito e sentindo sua camisa ficar molhada com as lágrimas do inglês. Lágrimas que doíam no francês a cada vez que o inglês as deixava escapar. Ele já não ligava para como ficariam as suas roupas até o final da noite, ele só precisava acalmar o seu pequeno inglês, que agora parecia tão frágil em seus braços. — Shh... Tudo bem... — dizia Francis, acariciando os cabelos de Arthur, mantendo o abraço carinhosamente. — Eu estou aqui... Eu estou aqui...

–F-Francis...!

–Tudo bem, mon amour. Eu estou aqui. Eu sempre estive aqui, e sempre vou estar. Sempre vou estar... — Francis desfez o abraço quando Arthur começou a soluçar menos, limpando as lágrimas com os dedos com toda delicadeza do mundo até que ele estivesse mais quieto e calmo. — Tudo bem. Alfred não precisa amar você. Eu já amo você o suficiente.

–Francis... — murmurou Arthur, comovido. Francis era extremamente pervertido, mas quando ele queria dizer palavras doces e fazer alguém se sentir amado, ele conseguia sem dificuldade. Arthur sabia que apesar do seu lado pervertido, quando Francis era romântico e dizia aquele tipo de coisa, ele realmente estava sendo sincero, e esse era o lado dele que Arthur amava mais. Ele sorriu e segurou o rosto do maior com as duas mãos, puxando-o para um beijo. Isso surpreendeu, e muito, o francês, que esperava só conseguir aquilo depois que Arthur bebesse demais, como de costume. Com carinho, Francis segurava a cintura de Arthur, aprofundando o beijo enquanto passava uma mão por dentro da camisa de Arthur. Por mais que aquele momento estivesse sendo delicado, Francis não se contentava em tocá-lo por cima das roupas, e sabia que Arthur gostava do toque do francês contra sua pele. O inglês começou a abrir os botões da camisa de Francis, para a surpresa deste. Ele estava realmente tão carente assim para querer aquilo sem precisar da bebida o incentivando? Antes que pudessem continuar, um barulho soou no céu. Era o primeiro dos muitos fogos de artifício. Os dois se separaram e Arthur olhou no relógio, sorrindo. — Feliz ano novo, Francis.

–Feliz ano novo, Arthur. — Francis murmurou de volta, dando um selinho rápido logo depois. Ele se sentou na cadeira que Arthur antes ocupava e puxou o mesmo para o seu colo, não tendo resistência por parte do menor. O inglês o abraçou e afundou o rosto em seu peito, suspirando enquanto o francês acariciava seus cabelos loiros.

–Vai ser só um ano como todos os outros... — murmurou Arthur, abraçando Francis e inspirando seu perfume.

–Por que diz isso? — perguntou Francis, preocupando-se em não ter conseguido acalmar o menor.

–P-Porque você vai estar ao meu lado, como sempre. Pelo menos eu espero que sim. — respondeu Arthur, corando.

–É claro que vou estar. — concordou Francis, sorrindo ao perceber que sim, ele conseguira fazer o seu inglês se sentir melhor. Amado. Porque ele realmente era. Arthur se acomodou em seus braços e relaxou, sabendo que ali ele sempre estaria seguro.

Notas finais
Finalmente! Esse é o Fruk e agora eu finalizo a Traditional Series. E depois de escrever quatro one-shots seguidas para postar, eu tô morta até o dia dos namorados kkkk Até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!