One More Time

1 Mais Uma Vez


Notas iniciais
A música da songfic é: Britney Spears - Baby, One More Time.

Oh baby, baby (3x). How was I supposed to know. That something wasn't right here.

Oh, baby, baby (3x). Como eu poderia saber. Que alguma coisa por aqui não estava bem.

A lua já não tinha o seu brilho com a mesma intensidade de antes. Nada mais fazia sentido a não ser ficar ali, sobre o parapeito da janela, pensando por horas no que poderia ter dado errado em todos os sentidos que se possa imaginar. Mesmo que eu ficasse ali por horas, minutos e segundos nada adiantaria já que a vida continua mesmo que ela tenha os piores obstáculos.


Meus olhos ardiam com mais intensidade a cada noite quando eu ia me deitar, tudo por causa das lagrimas. Cada lágrima que eu derramei tentando entender como tudo aquilo simplesmente aconteceu. Por que eu não vi o problema que estava bem deixo dos meus olhos?


Desci as escadas da minha casa, saindo do parapeito que ficava na janela do meu quarto, indo para a sala me deitar no sofá. Abri as cortinas e vi a lua iluminar o cômodo fracamente, fiquei a pensar por uns segundos se tudo aquilo tinha um significado. Por que deixei um erro ir adiante e não fiz nada? A única coisa que fiz concordar, embora fosse essa a minha vontade.


Caminhei-me ate o sofá e deitei olhando para aquela gigantesca que tinha um céu pintado com estrelas iluminadas e uma lua que encantava a que quisesse. Era deslumbrante, mas não para mim, porque naquele momento eu me lembrei de uma coisa que me torturou mais ainda.


# Flashback #

Fui ate sua casa dois dias depois de ter recebido uma ligação do qual ele disse que era de extrema importância para mim. Peguei algumas coisas, mudas de roupas e pertences pessoais e coloquei no carro. Dei partida na ignição e dirigi por algumas horas ate chegar ao local informado. Bati na porta e esperei um pouco ate ser atendido por ele.

– Ola Joshua, entre! – Falou alegremente.

– Olá Alec, tudo bem? – Respondi. Olhei, ainda que fosse da porta de entrada cada detalhe. Entrei e caminhei um pouco olhando algumas fotografias na parede. A maioria deles na nossa banda, ou melhor, na sua banda.

– Sente-se Joshua. Vou pegar alguma coisa para a gente beber.

Enquanto ele foi para a cozinha pegar alguma coisa para a gente, eu fiquei observando os quadros de alguns shows que fizemos com os quatro integrantes nas fotografias. Percebi que ele estava retornando e sentei-me. Mantive minhas mãos juntas sendo pressionadas pelas minhas pernas já que fazia um pouco de frio.

– Então o que me trouxe aqui? – Perguntei curioso quando ele me estendeu um drink.

– Acreditaria se eu dissesse que foi saudade?

– Deixa a duvidar, mas posso repensar. – Dei um gole na minha bebida. – É, estamos de ferias só que desta vez é diferente, cada um resolveu fazer planos para as ferias e passá-las individualmente.

– É mesmo, você falando isso me fez lembrar de que sempre passamos as férias juntos. Eu, você, o Spencer e o Jon.

– Tem notícias deles? – Perguntei dando um gole na minha bebida.

– Nenhuma e você? – Bebeu um pouco e ficou esperando pela minha resposta.

– O Jon me mandou uma mensagem de texto dizendo que esta bem e que esta em Chicago e Spencer me ligou na semana passada dizendo que esta no Arizona.

– Como esses dois gostam de viajar para longe!

– É, quando passamos nossa ultima ferias juntos eles nem pensavam nessas viagens. E sem contar que não vai demorar muito para o Spencer voltar. Do jeito que ele é, é bem capaz dele aparecer nas portas qualquer dia desses.

– Você tem razão.

Ele levantou-se e foi para a cozinha espontaneamente. Voltou com alguns aperitivos. No começo eu ate entendi o conceito de saudade, mas depois eu vi que era outra coisa.

– Joshua, precisamos conversar. – Ele falou do nada e quase que eu me engasguei com minha bebida.

– Sobre o que? – Perguntei curioso por não saber do que se tratava a conversa, Cheguei a pensar que fosse algo relacionado ao amor, mas foi ai que meu tropeço foi grande.

– Sobre a gente e principalmente sobre a banda.

– Já imagino ate o que seja. Diga do que se trata.

– Joshua, eu e você bem sabemos que não estamos nos falando muito na banda e isso chega ate ser estranho. – Concordei positivamente com a cabeça. – Depois de pensar e repensar em cada detalhe acabei tomando uma decisão que não me agrada muito, mas que é necessário fazer.

– Alec você esta me assustando falando desse jeito. Que decisão é essa?

– Joshua, eu vou sair do Panic! Salamander. Eu compus algumas musicas com o Jon enquanto estávamos na estrada e resolvemos que é melhor assim.

– Resolvemos? – Meu estado emocional foi alterando-se aos poucos.

– Eu e Jon vamos deixar a banda. Você sabe que eu e você temos gostos musicais diferentes e isso tem atrapalhando um pouco.

– Alec, você não pode fazer isso. Como que vai ficar eu e o Spencer? Como vamos fazer tudo o que fizemos em outros shows sem o Jon e sem você? Alec eu preciso de você ao meu lado no palco.

– Vocês vão saber se cuidar sem mim. Algumas semanas antes do Spencer viajar sentamos para uma conversa e depois de tanto pensar no que seria feito decidimos que seria melhor assim. Se cada um fizesse suas coisas por um tempo.

Levantei-me e fui ate a janela observando a paisagem lá fora tentando absorver aquelas palavras que acabara de ouvir e que foram como um soco no estômago.

– Alec, tem certeza que será melhor assim? Porque não é o que eu imagino, o Panic nasceu de uma idéia sua e do Spencer e essa idéia cresceu. Eu vejo que teremos um futuro brilhante se você estiver ao nosso lado.

– Joshua, eu sei que deve estar doendo demais ai dentro. – Disse encostando sua mão em seu peito no lugar onde fica o coração. – Só quero que saiba que não esta sendo nada fácil para eu ter que tomar essa decisão.

– Então não tome. Esqueça tudo isso e fique na banda.

— Bem que eu queria, mas eu não posso Joshua.

– Eu te fiz alguma coisa? Alguma coisa que pudesse te magoar? Por que se eu fiz, me diga que quero tentar corrigir.

– Joshua você não fez nada, só que não há espaço para na banda para mim. Por enquanto vamos cada um fazer as nossas coisas com um tempo. Será melhor assim.

– Eu preciso pensar um pouco. – Disse me retirando da sala e indo ate o jardim que ficava nos fundos. Retirei um maço de cigarro e acendi, traguei duas vezes antes de me sentar no banco que ali havia. Ele não ousou me interromper. Sabia que eu estava precisando de alguns momentos a sós para que eu pudesse colocar casa pensamento no lugar. Terminei de tragar meu cigarro e fiquei pensando por mais alguns minutos. Entrei novamente para dentro da casa e vi que ele estava sentado no sofá esperando ansiosamente.

– Eu não vou ter outra opção a não ser superar isso, não é mesmo?

– Joshua, não é o fim do mundo e seremos amigos de qualquer jeito.

Sentei e fui abraçado inesperadamente por ele. Retribui o gesto de carinho e permaneci em silencio.


# Fim do Flashback #

Feridas dentro de mim estavam abertas e algumas de suas palavras ainda eram fortes presenças em minha jornada. Quase um ano depois e estamos quase gravando nossos respectivos álbuns, o dele ficou com o nome de “Take A Vacation!” e o nosso ainda não tinha um nome pré-definido.


E ficou assim, palavras que foram jogadas para o vento para deixar com que ele decidisse e traçasse um caminho para ambos. Dependeria de sorte, ou azar, para que tudo desse certo. Uma parte de mim queria que ele obtivesse sucesso, já que um talento como ele não poderia ficar preso em mim para sempre, e outra parte queria que nada ocorresse bem e que ele voltasse para a banda.



Oh baby, baby. I shouldn't have let you go. And now you're out of sight, yeah.

Oh, baby, baby. Eu não deveria ter deixado você partir. E agora você está longe de mim, yeah.

Agora eu vejo que os shows não são mais a mesma coisa sem você na sua guitarra junto com seus vocais que tinham a sintonia perfeita com a minha voz. Enquanto você já tem outra banda com todos os integrantes, Spencer e eu nos viramos como pode com nos dois em frente a banda. Seus lugares ainda não foram substituídos na esperança que um dia vocês irão voltar. Só espero que não seja tarde demais. Isso é uma coisa que tem me consumido aos poucos e roubando a minha vontade de viver como eu bem deveria. Por quê? Porque eu te prometi naquele dia.

Dirigi ate a praia e estacionei próximo. Tirei o meu calçado pisando na areia que tocava meus pés e preenchia os vãos dos meus dedos. Como se aquilo pudesse preencher o que realmente me faltava. Sentei um pouco distante do oceano e fiquei ali vendo aquele espetáculo da natureza, os pássaros que voavam para distante e pessoas que iam e vinham, sem se preocupar com o que poderia acontecer.


O que poderia existir alem dali? Se é que poderia existir. O oceano parece ser perfeito para quem esta precisando pensar um pouco. Suas águas calmas agora eram tocadas pelo sol e de longe se podia ouvir um barulho parecido com um grito, do sol tocando o oceano, revelando um contraste perfeito de cores que encantava a quem via.


“O que poderia existir atrás do oceano?” É o que eu me perguntava sem ter respostas, do mesmo jeito que eu fazia diversas perguntas a mim mesmo quando não entendia certas coisas, que para mim eram inexplicáveis. Como por exemplo, “Por que fui deixar tudo isso acontecer?” Eu simplesmente acabei concordando quando vi que precisávamos de um tempo longe de nós mesmos.


Se eu aceitei? Claro que não. Pode-se dizer que eu superei, mas jamais irei dizer que aceitei sua escolha. Por quê? Porque isso de doía profundamente por dentro. Dor que era difícil de ser controlada por existirem feridas ainda abertas. Levantei-me quando o sol se pôs e caminhei ate o meu carro, dirigindo de volta para casa.


Spencer apareceu na tarde do dia seguinte para finalizarmos a demo de uma musica que tínhamos feito no dia anterior. As gravações do nosso novo álbum estavam sendo na minha casa já que tinha montado um estúdio ali. Spencer me ajudou a compor varias musicas e deu algumas idéias para o álbum. Eu gravava os sons da guitarra, do teclado, do baixo, os vocais. Ele também opinava nisso.


Difícil seria substituir dois integrantes, que na minha opinião, são insubstituíveis. Nesse dia, Zack resolveu aparecer para ver a que passo as gravações andavam e ficou na parte de fora com John Feldmann que estava produzindo o nosso álbum.


– Joshua, faz desse jeito. – Disse Feldmann fazendo alguns gestos que pude ver através do vidro. Fiz um gesto positivo com a cabeça e continuei e tocar com Spencer.


Spencer e eu acabamos por decidir certo dia que nós dois, apenas nós dois participaríamos da gravação desse cd e assim seria. Mostraríamos para todos que ainda temos a mesma disposição de antes, mesmo tendo perdido dois integrantes, o resto viria com o tempo. Seria difícil escolher novos integrantes, seria difícil conviver sem a presença deles no palco, seria estranho não tê-los nesse álbum.


Ao mesmo tempo em que eu estava feliz e animado com o novo cd nascendo comigo e com o Spencer fazendo as gravações dos instrumentos, o tédio me consumia aos pouco porque eu não estava dormindo direito. Talvez por pressão para que esse cd seja lançado no mesmo dia de “Take A Vacation!” o álbum do The Old Veins, a nova excursão musical de Alec e Jon.


Eu precisava mais do que nunca ter um pouco de repouso senão eu enlouqueceria. Pedi um tempo nas gravações e todos entenderam o porquê, mais não o real motivo do descanso. Despluguei os instrumentos dos amplificadores e tomadas. Esperei que todos saíssem e Spencer acabou ficando um pouco para me ajudar com algumas composições que precisavam ser terminadas.


Algumas horas depois terminamos e ele foi embora me deixando sozinho. Quando fechei a porta fui direto para o banho para tentar tirar aquele cansaço que estava em mim. Enrolei-me na toalha quando terminei e coloquei minha cueca samba-canção, deitei me cobrindo e adormeci quando via um programa qualquer na televisão.


Acordei no dia seguinte sem noção do tempo de que horas eram. Caminhei ate o banheiro e vi que estava com uma aparência bem melhor do que nos últimos dias. Tive bons sonhos que me fizeram pensar em uma coisa: viajar seria uma boa opção para me acalmar.

Show me, how you want it to be. Tell me baby 'cause I need to know now, Ooh because

Mostre-me como você quer que seja. Diga-me, baby, porque eu preciso saber agora, Ooh porque

Arrumei minhas malas na parte da tarde e bem cedo no dia seguinte eu partiria para onde o destino me levasse. Na verdade eu já tinha planos para onde ir e nesse meio tempo de folga das gravações, eu teria tempo para entender certas coisas.


Deixei minha casa organizada e apenas Spencer iria aparecer por lá para cuidar do Bogart. Eu precisava me afastar ate do meu cachorro, justo ele que sempre esteve do meu lado e nunca reclamou quando eu gritei com ele por fazer coisa errada. Ele apenas olhou para mim e colocou seu rabo entre as pernas e entendeu o que ele estava fazendo era errado e agora eu precisava ficar sozinho.


Ao anoitecer coloquei as malas no carro e deitei cedo para ter um bom descanso e uma boa noite de sono. Estava mais disposto e consegui isso em menos de uma semana. Comi alguma coisa no café da manha, peguei meu celular e coloquei no bolso da calça já com as chaves do carro na mão na porta de entrada. Fui ver Bogart e me despedi dele, depois disso partir para o meu destino.


Dirigi por algumas horas, foi quando estacionei meu carro em uma frente a uma casa com paredes brancas. Fiquei sentado dentro do carro por uns instantes pensando se eu deveria mesmo sair do veiculo e fazer o que eu vim fazer. Se eu já estava aqui mesmo, deveria ser feito.


Desci do carro e passei pelo pequeno jardim que havia na frente ate chegar na porta. Bati e não demorou muito para que eu fosse atendido.


– Joshua, você por aqui?


– É, eu por aqui. Já que você não vai me visitar eu venho te fazer esse favor. – Respondi depois de ver sua cara de espanto.


– Entre Joshua. – Deu passagem para que eu pudesse entrar e me indicou o sofá marrom. Esperei por ele e nos sentamos juntos.


– E como você esta Alec?


– Na medida do possível, bem. Eu acho, e você?


– Do mesmo jeito desde que você saiu da banda.


– Tudo é muito novo para você ainda não?


Pensei em responder, mas achei melhor permanecer em silencio.


– Não estou te incomodando em nada?


– Não, só estava fazendo alguns biscoitos. Mais não se preocupe, acabei de colocá-los para assar.


– Você cozinhando? Isso para mim é novidade.


– Quando se decide morar sozinho, temos que aprender a fazer certas coisas. E você, tem onde ficar?


– Ainda não, pensei em ficar em um hotel que vi quando passei pela entrada da cidade.


– Bem, se você quiser ficar aqui há um quarto reserva onde você pode dormir.


– Não vou te incomodar?


– E desde quando você me incomoda Joshua? Pára com isso e fica aqui. — Falou colocando as mãos na cintura e fazendo cara de inconformado.


– Esta bem. Eu fico.


Fui ate o meu carro para pegar minha mala. Voltei e ele foi comigo ate o quarto onde eu ficaria, entrando junto de mim no quarto.


– Joshua, vou sair hoje à noite. Se quiser ir comigo, fique a vontade.


— Acho que hoje não tenho planos para sair. Muito menos tenho disposição para isso. Se não se importar, prefiro ficar aqui e descansar.


– Tudo bem, pode ficar. Eu te entendo, e é melhor mesmo já que você esta precisando.


– Esta insinuando o que com isso Ross?


– Não estou insinuando nada. Você viajou e esta cansado, precisando descansar.


– Ainda bem que é isso, senão você iria se ver comigo. – Falei em um tom assustador.


– Vejo que não mudou nada em relação ao seu humor.


– E era para mudar?


– Não. Claro que não! Eu gosto de você bem humorado e você sabe disso.


– É, eu sei. Alec se não se importa eu gostaria de descansar.


– Ah sim, claro. Vou te deixar em paz. – Disse saindo encostando a porta.


Assim que ele saiu me deixando sozinho naquele quarto, deitei-me na cama e nela pude sentir o cheiro dele que ficava impregnado nos tecidos. Eu me torturei com aquela essência que estava em tudo que era dele. Sempre foi assim. Abracei um travesseiro que me ajudou a ter boas lembranças.


# Flashback #

Estava deitado na cama do hotel onde estávamos hospedados para um show, encostado na cabeceira com o meu caderno secreto. Caderno que continha um pouco de tudo: letras, composições e os segredos mais secretos que se pode existir.

Enquanto eu escrevia, ele entrou no quarto sem bater já que dividíamos sempre o quarto em qualquer hotel que nos hospedássemos.

– O que você esta escrevendo ai? – Perguntou sorridente.

– Coisas. – Respondi sem desviar o olhar.

– Que tipo de coisas Joshua? – Ele perguntou novamente depois de não ter a resposta que desejava.

– As minhas coisas Alec.

– Credo Joshua, eu sempre deixei você ver o que eu escrevia. Agora você retribui assim?

– Ah, você esta querendo ver o que estou fazendo? – Perguntei seriamente, mas no fundo eu estava brincando. Ele fez que sim com a cabeça e eu ri disfarçadamente daquilo. Alec Ross fazendo bico é uma cena impagável.

– Senta aqui. – Falei dando uns tapinhas no colchão.

Ele se aproximou e sentou encostando-se à cabeceira, deixando um pequeno espaço entre a gente.

– Eu estava te desenhando de uma maneira engraçada, mas não deu muito certo.

– O que você realmente estava fazendo? – Perguntou olhando para mim e eu fitei seu olhar por alguns segundos ate que me recompus.

– Escrevendo isso. – Disse mostrando a letra que estava sendo rascunhada e que tinha começado a ser escrita. Ele passou os olhos por cada palavra e ficou pensando um pouco.

– Joshua, mas essa sua composição esta muito boa.

– Serio? – Perguntei arqueando as sobrancelhas.

– Serio. Já sabe que titulo vai dar para ela?

– Ainda não, mas acho que acabei de descobrir.

– Então me conta qual é. – Falou de maneira curiosa, querendo saber da novidade.

– Que tal “I Have Friends In Holy Spaces”?

– É um ótimo nome. – Comentou deitando-se de lado na minha cana de hotel a me observar.


# Fim do Flashback #

– Por quanto tempo eu dormi? – Perguntei para ele que estava parado na porta me olhando com aqueles olhos esverdeados.


– Por umas quatro horas, eu acho. – Respondeu. – Joshua, eu já vou indo.


– Ah sim, pode ir. – Falei enquanto esfregava meus olhos.


Eu o vi sair com a esperança de que ele fosse mudar de idéia no ultimo segundo e ficar comigo. Mais não foi bem assim. Naquele momento, eu realmente queria ficar sozinho sem ter sua presença pro perto.


My loneliness is killing me (And I). I must confess, I still believe (Still believe). When I'm not with you I lose my mind. Give me a sign. Hit me baby one more time.

Minha solidão está me matando (E eu). Eu tenho que confessar, ainda acredito (Ainda acredito). Quando não estou com você eu perco a cabeça. Dê-me um sinal, baby. Venha para mim, baby, mais uma vez.


Eu tinha acabado de levantar quando ouvi um barulho na porta e reconheci pela voz quando a pessoa do outro lado falou.


– Joshua, eu te acordei? – Perguntou preocupado colocando as chaves na mesinha do telefone.


– Não. Já estava acordado, e você?


– Estou chegando agora.


– Ah sim, entendo. Alec, você tem um violão aqui?


– Tenho, esta lá no meu quarto. Vou pegar para você, depois disso vou descansar.


Ele voltou me entregando o instrumento e foi caminhando para o seu quarto ganhado pelo cansaço. Só ouvi ele se jogar na cama e começar a resmungar alguma coisa enquanto dormia. Então era assim: agora ele saia e chegava só no dia seguinte, nem se importando com a própria vida. Quando vezes eu aconselhei a não fazer certas coisas que poderiam estragar o seu futuro. Sim, eu fiz isso. Por que todo amigo que quer o bem de outro aconselha, mesmo este não dando o braço a torcer. No fundo ele ouvia meus conselhos, porque sabia que eu estava certo e seguia eles a risca.

# Flashback #

Alecm Spencer e eu tínhamos saído para comemorar o disco de diamante de “A Fever Can’t Sweat Out” e Jon teve que voltar para casa porque a Cassie não estava se sentindo muito bem.

Entramos no Angels & Kings de Nova Iorque e estava uma noite fria com um céu estrelado.Sentamos em uma mesa e pedimos alguma coisa para beber. Acabei pedindo um refrigerante, já que não estava a fim de beber algo que tivesse álcool.

– O que te preocupa Joshua? – Pergunta Spencer dando um gole na sua cerveja ao me ver inquieto com meus pensamentos.

– Nada. – Menti. Olhei para Alec disfarçadamente que estava bebendo o seu terceiro copo. Dei um gole no meu refrigerante de guaraná e fique quieto. Alec falava algumas besteiras e outras entre a gente, nada de grande importância.

– Vou ter que ir embora, a Haley esta precisando de mim para solucionar um problema. – Comenta Spencer depois que termina de ver eu celular. – Joshua, você leva o Alec para casa?

– Levo. Daqui a pouco nós vamos.

– Ate Joshua. Alec comporte-se. – Falou o loiro se despedindo da gente. Fiquei ali ate terminar de beber meu refresco e Alec não bebia mais. Ficou debruçado sobre a mesa, talvez com um pouco de enxaqueca.

– Vamos para casa Alec. – Deixei uma gorjeta na mesa e ajudei o mais velho a se levantar colocando um de seus braços no meu ombro para que ele pudesse ter sustentação e ficar em pé. Caminhamos ate o meu carro com um pouco de dificuldade já que ele estava cambaleando. Coloquei-o no bando da frente e ajeitei o cinto de segurança. Entrei no carro e dei partida indo para a minha casa.

– Para onde estamos indo? – Pergunta pausadamente o outro que tinha o hálito cheirando a álcool.

– Vamos para minha casa Alec.

– Me leva na minha, eu sei me virar sozinho.

– Se virar sozinho? Você mal consegue ficar em pé Alec.

– Joshua...

– Não adianta resmungar Alec, hoje você vai dormir em casa e amanha eu te levo na sua casa.

Ele esfregou os olhos e me olhou forçando a visão para que pudesse me ver com maior nitidez. E sorriu. Logo depois chegamos a minha casa e o ajudei a sair do carro. Entrei jogando minhas coisas no sofá e o levei direto ate o chuveiro. Só um bom banho resolveria essa enxaqueca, e amanha poderia estar pior virando uma ressaca.

Ajudei-o a se despir deixando-o só de cueca e entrei debaixo do chuveiro junto com ele. Aos poucos ele foi tomando consciência do que tinha ocorrido e colocou as mãos na cabeça por causa da dor que estava sentindo. Saímos do chuveiro e o deitei na cama do quarto de hospedes.

– Joshua...

– Shh, aproveita para relaxar.

– Obrigado por tudo. É tudo tão confuso, eu acreditava que isso tinha que ser ao contrario.

– Eu também pensava assim, mas um dia eu resolvi parar de beber e agora só socialmente.

– Mesmo assim é tudo tão confuso... E minha cabeça dói.

– Você só precisa ter uma boa noite de sono. Amanha isso passa. Alec, onde já se viu você ficar bebendo ate chegar em um ponto que não agüentasse mais ficar de pé? Você sabe muito bem sobre o seu pai e ainda assim faz isso. Você não quer ser igual a ele, não?

– Longe de mim disso. – Disse se ajeitando debaixo das cobertas.

– Vou deixar você dormir em paz, amanha nós conversamos.

– Aonde você vai? – Perguntou o mais velho.

– Vou dormir no meu quarto, se precisar de alguma coisa é só chamar. Fica a vontade e boa noite. – Falei apagando as luzes, quando ele terminou de se endireitar na cama achando uma posição confortável.

# Fim do Flashback #

Será que agora era assim: ele saia e chegava a hora que bem entendesse? Maldita hora em que eu fui concordar e que não coloquei nenhum obstáculo e não impus minha vontade sobre ele sair da banda.



Oh baby, baby. A the reason I breathe is you (I do). Boy you got me blinded. Oh pretty baby.

Oh, baby, baby. Você é minha razão de viver. Garoto, você me cegou. Lindinho.


Era tarde de domingo quando a campainha tocou e eu fui atender já que Alec estava no banho. Abri a porta de vi uma garota de estatura mediana parada na minha frente.


– O Alec esta? – Perguntou ela.


– Esta no banho. E você é?


– Me chamo Liza Berg. A namorada dele.


Isso foi o mesmo que levar um tiro, ser apunhalado pelas costas com uma facada no coração.


– Entre, ele já deve estar saindo.


– E você, quem é? – Perguntou a garota com seu jeito petulante e mesquinho de ser.


– Joshua Urie.


– Ah sim, o Alec me falou alguma coisa sobre você.


A garota passou por mim sentando-se no sofá. Fiquei fazendo companhia pra ela ate que Alec saísse do banho. Levantei-me para disfarçar o ciúme que a cada segundo crescia dentro de mim. Ouvi o barulho da porta do quarto do Alec e este apareceu na sala com uma cara de arrependimento.


– Vejo que vocês já se conheceram. – Falou tentando amenizar o clima do ambiente.


– Quase isso Alec. – Disse a garota dando um selinho nele. Aquilo me matou por dentro. Fiquei fingindo que estava vendo televisão e me torturava com outra cena.


– Vamos sair hoje Alec? – Perguntou a garota que se aconchegava nos braços dele. Ele olhou para mim e sabia que precisávamos conversar. Quando ele olhou para mim, nossos olhares se encontraram e eu fiquei com medo do que ele pudesse responder.


– Hoje não Liza, não estou me sentindo muito bem. Vá para algum lugar com as outras integrantes do The UnLike.


– Tem certeza? Se quiser eu fico.


– Tenho, pode ir. Vou ficar bem. – Ela se despediu dele e depois de mim. Vi que meio a contragosto mais o fez. Ele evitou que ela o beijasse dessa vez e virou o rosto rapidamente para que o beijo fosse na bochecha. Ele acompanhou a garota ate a porta e ficou com ela do lado de fora ate as outras integrantes do The UnLike passarem lá e pegarem a garota. Fiquei espiando da janela ate o carro chegar e ela partir. Um pouco depois ele entrou e ficou me olhando mais não disse nada.

– Obrigado por ter ficado. – Falei quando percebi que ele não sabia como começar a conversa.


– Joshua, eu ia te contar.


– Alec, confesso que você me deixou muito decepcionado com essa noticia. Como se não bastasse você ter saído do Panic! Salamander, você esta começando a mentir. Sabe Alec, as vezes eu não te conheço mais, você mudou.


– Joshua, me desculpa. Eu ia te contar sobre a Liza. – Disse choramingando.


– Alec, você sabia e ainda sabe que eu sou louco por você e é assim que você me trai? Com a primeira que aparece.


– Não aponta o dedo para mim Joshua. Foi um momento de fraqueza e eu vacilei.


– Vacilou mesmo. E vacilou feio. Desde quando você saiu do Panic! Salamander eu só tenho visto você cometer erros e mais erros. Cadê aquele Alec Ross que eu conheci? Sabia que eu sinto saudades dele?


– Ele ainda esta aqui. – Falou sentando-se no sofá. Estava desapontado porque estava errado e tinha feito tudo errado.


– Se ele estiver ai mesmo, então corrija esses erros ridículos Alec. Veja bem o que você vai fazer pra não estragar a sua vida.


– Não seja cruel com as palavras Joshua. Você esta me magoando.


– Se eu não for cruel com elas você vai persistir nos seus erros!


– Quer saber a verdade?


Ele perguntou em tom furioso quando notou que aquela conversa poderia ficar pior.


– Quero.


– A verdade é que... – Levantou-se e foi ate a janela e virou-se para olhar para mim. -... Eu “tracei” meu destino com ela depois que sai da banda. Eu estava cansado de tudo e tinha que decidir o que seria melhor para a minha vida.


– Aposto que você nunca se cansou das investidas que eu te dei no palco. Porque em algumas delas você que procurava carinho. E nem vem falar que a questão não é essa, porque é essa sim.


– O que você esta querendo dizer com isso? – Perguntou confuso tentando entender.


– Alec eu sempre te aconselhei e você sempre seguiu meus conselhos, só espero que você siga esse também.


– Que conselho, Joshua?


– Você é inteligente e logo descobrirá. Agora com licença, eu vou dormir e acho melhor você ir dormir também.


Antes de retirar-me completamente dali, ouvi-o sentando no sofá. Eu sabia que ele iria ficar se martirizando com o que eu falei, e por mais que ele desse o braço a torcer, no fim ele sabia que eu estava certo. Depois disso ele iria para o quarto, abraçaria um travesseiro e choraria suas lagrimas com gosto do que realmente era certo junto com o que ele estava fazendo de errado.


Como eu sabia disso? Uma vez eu o vi fazer tudo isso, mas sem que ele notasse a minha presença. Eu apenas fiquei observando-o da porta sem fazer barulho algum.


– Alec, antes que eu me esqueça... – Comecei o a falar porque estava me esquecendo de algo. Ele endireitou-se para poder me olhar -... Você é minha razão de viver. – Ele sorriu. Fraco, mas sorriu.


There's nothing that I wouldn't do. That's not the way I planned it. Show me, how you want it to be. Tell me baby cause I need to know now. Ooh because.

Não há nada que eu não faria por você. Não foi assim que eu planejei. Mostre-me como você quer que seja. Diga-me, baby, porque preciso saber agora. Ooh porque.

Eu ate pensei em sair da casa dele e ir para um hotel, mas vi que isso seria burrice da minha parte e ele continuaria a persistir em alguns de seus erros.Alguns dias se passaram desde então e nesse meio tempo eu só a vi duas vezes. Sempre que ela aparecia, eu saia para dar um volta e ele ficaria se torturando como sempre com o que eu tinha dito. Alguma coisa mudou, porque naquela noite de sexta-feira ela não apareceu. E nem nos dias seguintes. Ele estava sentado na varanda e eu sentei-me em uma cadeira ao seu lado, olhando para o mesmo ponto fixo que ele.

– O que houve? – Resolvi perguntar.


– Ela pediu um tempo na nossa relação.


– Entendo.


– E por mais que eu sei que ela vai usar esse tempo para pensar um pouco, eu sei que não vai ter volta.


– E você?


– Pra ser sincero, eu estou feliz com isso. Porque eu sabia que não ia durar muito porque somos totalmente diferentes um do outro e as discussões que tínhamos não eram das boas.


– Vou te deixar sozinho. – Retirei-me voltando para o quarto. Feliz.


Alguns dias se passaram desde então e eu acabei percebendo que o acontecido foi como tirar um fardo muito pesado das costas. Percebi também que ele tinha ficado mais alegrem como se tivesse voltado à vida. Aos poucos alguns objetos de decoração, que foram dados por ela, foram substituídos por outros. Isso tudo para apagar algumas lembranças que não deveriam fazer parte da sua historia. Numa tarde, enquanto víamos um filme que tínhamos alugado o telefone toca.


– É ela. — Ele responde ao ver no visor o nome de quem estava ligando.


– Atende para acabar com isso de uma vez por todas.


A conversa dos dois durou poucos segundos e ambos já sabíamos o veredicto final, antes mesmo do telefonema. Ele acenou para mim com um gesto confirmando que tudo estava terminado.


– Vai ser melhor assim Alec. – Foi à única coisa que acabei falando e ele concordou com o que eu tinha dito.


Sem ter o que dizer e como dizer continuamos a ver o filme sem dizer nenhuma palavra. Talvez o silêncio seja a melhor resposta num momento como esse. O filme demorou a acabar e quando olhei para ele para ver se podia fazer mais pipoca ele já tinha adormecido. Carreguei-o em meus braços e coloquei na sua cama, cobrindo com uma coberta que tinha achado. Voltei para a sala desligando a televisão e fui me deitar também. Estava cansado e o termino de seu namoro tinha me deixado extremamente feliz.


Acordei cedo na manha terça-feira e fui caminhar um pouco ali por perto. Acabei achando um lugar que seria bom para colocar meus pensamentos em ordem. Meu celular tocou, quando ia começar a encaixar cada pensamento no lugar: Era Spencer.


– Olá Spencer, como vão às coisas?


– Na medida do possível, bem. Quando você volta?

– Dentro de uma semana no máximo. Antes que você diga, sei que precisamos finalizar o álbum. Assim que eu chegar, nos vamos nos dedicar para terminar esse álbum.


– E como esta o Alec?


– A Liza pediu um tempo e terminou com ele, mas mesmo assim ele queria o fim disso. Mais ele esta bem mesmo isso tendo acontecido.


– Joshua, vou ter que desligar. Vou levar o Bogart para passear.


– Estou com saudades de vocês.


– A gente também. – Nisso o canino latiu, fazendo meus olhos lacrimejarem. – Em breve nos vemos. – E desligou.


Resolvi voltar para casa com uma corridinha básica para dar uma aquecida já que o clima estava um pouco gélido. Cheguei e entrei pelas porta dos fundos. Fui para a cozinha e me deparei com um Alec Ross de cueca e com o seu corpo magro a amostra. Peguei algo para beber, mas não disse nada. Nada que eu não quisesse dizer sobre aquela cena. Apenas fiquei olhando-o disfarçadamente me consumindo com os meus pensamentos.


– O Spencer me ligou hoje, e perguntou de você. – Comentei.


– É ele quem esta cuidando do Bogart?


– É sim.


– Sinto saudades do Bogart. E de vocês.


– Posso te fazer uma pergunta Alec?


– Não fez ainda por quê? – Respondeu.


– Porque você não volta para o Panic! Salamander e deixa tudo isso de lado?


– Vou ter que ficar te devendo essa resposta Joshua.


– Você sabe que o The Old Veins é só um passatempo.

– Quando eu achar a resposta para a sua pergunta prometo que te conto. – Terminou de beber o seu leite e se retirou, indo rumo ao quarto.


Eu tinha mesmo presenciado isso? Um Alec Ross de cueca no meio da cozinha bebendo leite? E outra coisa: Aquilo tudo era arrependimento misturado com saudade? Não sei ao certo, mas alguma coisa estava mudando nele e eu já sabia o que era, mas não saberia como descrevê-lo. Pelo menos por enquanto.

Oh baby, baby (3x). How was I supposed to know. Oh pretty baby, I shouldn't have let you go. I must confess , that my loneliness. Is killing me now.

Oh, baby, baby (3x). Como eu poderia saber. Oh, lindinho, eu não deveria ter deixado você ir. Eu tenho que confessar que minha solidão. Agora está me matando

# Flash Back #

Eu estava caminhando pelos bastidores onde iríamos fazer o nosso show na noite seguinte. Gosto de conhecer o antes de subir ao palco para ter um pouco mais de segurança quando estiver olhando lá de cima todos que estão abaixo.

Comecei a andar pelo estúdio quando me deparo com o Alec andando de skate pelos corredores.

– Me acompanha Joshua? – Disse parando e entregando um outro skate para mim.

– Claro. Você vai comer poeira Ross.

– Quero só ver Urie.

– Esta querendo apostar Ross?

– Não foi bem o que eu estava pensando, mas pode-se dizer que sim. É uma aposta Urie.

– Se você ganhar o que você quer? – Perguntei.

– Ainda não sei. O que você quer?

– Se eu ganhar quero um beijo. Mais não um beijo qualquer, tem que ser O beijo.

– Esta bem, apostado então. Mas se eu ganhar vou querer o mesmo de você.

– Alec, você me surpreende a cada dia que passa.

– Você ainda não viu nada.

– Então qual vai ser o percurso? – Perguntei.

– Temos que andar no meio daquelas coisas esparramadas ali, fazer algumas manobras ate chegar ao nosso camarim.

– Certo. Quando eu falar três é que começou.

– Okay.

– Um. Dois. Três.

Saímos dando um impulso para ganharmos velocidade e chegamos rapidamente no meio das coisas que estavam bagunçadas, fizemos algumas manobras. Ele conseguiu ganhar alguns segundos de vantagem sobre mim, que acabei ultrapassando-o quando ele se desequilibrou ao tentar fazer um ziguezague em uns cones que estavam no corredor.

Dei impulsos para ganhar velocidade mais me desconcentrei e acabei me desequilibrando e caindo. Acabei vendo-o passar por mim enquanto me recompunha e por alguns metros ele acabou vencendo.

Subi no skate e dei uns impulsos para chegar ate ele, que sorria para mim com um ar vitorioso.

– Quando você vai querer seu premio?

– Que tal hoje à noite enquanto estivermos no camarim? O Jon e o Spencer se arrumam rápido mesmo, dá tempo de você pagar o que me deve.

– Alec, você esta me provocando falando desse jeito.

– Você ainda não viu nada. Agora vamos para o hotel descansar um pouco, porque a nossa noite vai ser longa.

– Noite longa é? Você é um pervertido que ama só que não assume isso. – Olhei para ele fazendo cara de malicioso e continuei meus passos quando terminei. Como retribuição, senti uma mão apalpando a minha bunda..

Quando anoiteceu, fomos para o camarim. Spencer e Jon já estavam prontos e Alec eu nem na metade estávamos. O show começaria dentro de uma hora. Spencer e Jon tinham saído para fazer uma passagem de som na bateria e no baixo e acabamos ficando sozinhos.

Ele foi se aproximando de mim, fazendo um jogo de sedução que só ele sabia fazer e como isso me provocava. Envolvi meus braços em sua cintura e ele encostou seu corpo no meu, olhando em meus olhos Ele encostou seus lábios nos meus, sentindo o melhor gosto que provei em minha vida.

# Fim do Flash Back #

– Hey, esta com essa cara de bobo porque?


– Faz tempo que você esta ai? – Perguntei me recompondo na cama.


– Desde quando você começou a sorrir.


– Faz tempo que não te vejo sorrir como antigamente.


– Esta fazendo o que? – Eu sabia que ele ia fugir de um assunto que ele mesmo começou.


– Organizando minhas coisas. Devo partir em breve.


– Entendo. Quantos dias para a sua partida?


– Dois no máximo. O Panic! Salamander tem um cd para finalizar.


Ele apenas ficou me olhando e se retirou do local onde estava indo para outro cômodo da casa. Voltei a fazer o que estava fazendo. Ate então não tinha entendido o motivo de sua tristeza repentina que sucedeu nos dois dias da minha partida.


Despedi-me dele ali mesmo embora a sua vontade fosse de que eu não partisse porque ele estava ferido por dentro e queria alguém que ajudasse suas feridas cicatrizarem por dentro. Embora eu quisesse ficar, tinhas coisas para terminar e os fãs da banda estavam esperando por isso. Antes de entrar no carro vi um Alec Ross com os olhos lacrimejando com a minha partida.


Don't you know I still believe. That you will be here. And give me a sign. Hit me baby one more time.

Você não sabe que eu ainda acredito. Que você vai estar aqui. E me dê um sinal. Venha para mim, baby, mais uma vez

Dois dias depois da minha chegada a minha casa, Spencer e eu retornamos ao estúdio e finalizamos as ultimas gravações das sete musicas que faltavam. Feldmann estava animadocom a finalização do nosso álbum e eu, bem, eu estava tendo manter as aparências. Spencer estava a par de tudo o que tinha acontecido na casa do Alec, acho que ele ate desconfiou de alguma coisa, mas não sei se tinha algo que pudesse merecer desconfiança.


Depois que terminamos a gravação de todas as musicas foi à vez de fazer a mixagem delas, o que durou um mês, que estavam ficando ótimas. Não tínhamos porque discordar, o álbum é bem mais aquilo que os fãs podem esperar. Esse mês de mixagem foi bem divertido, porque eu e Spencer aprontávamos com John Feldmann.


Já tínhamos decidido a data de lançamento depois que Spencer concordou com a minha idéia, em um dia que sentamos na sala da minha casa para discutir isso.


– Nada mais digno do que lançar o álbum nesse dia Joshua.


– Também acho.


No dia seguinte teríamos algumas entrevistas para revistas e íamos à MTV falar sobre o novo álbum. Sempre a mesma coisa e as mesmas perguntas, que Spencer e eu respondemos sem nenhum problema. Estávamos felizes por que em breve nosso álbum seria lançado.


– Então Joshua e Spencer quando o primeiro álbum sem Jon e Alec será lançado? – pergunta a repórter da MTV.


– Bem, a data de lançamento será 30 de agosto.


– E o que os fãs de vocês e da banda podem esperar desse álbum?


– Algo totalmente diferente e inovador. – Respondeu Spencer.


Mal sabiam os dois que do outro lado de um televisor Alec estaria vendo isso.


Pov do Alec


“Não acredito. Eles vão lançar o cd do Panic! Salamander bem no dia do meu aniversario?” – Pensei.


– Nem sei por que isso me surpreende. Não esperava isso do Spencer, mas do Joshua pode-se esperar qualquer coisa.


Voltei a prestar atenção na entrevista. Com novos pensamentos e um novo conceito na minha mente.


Fim do Pov do Alec

As entrevistas tinham acabado e Spencer e eu voltamos para casa exaustos. Sentamos no sofá com vontade de fazer nada.


– Joshua, você acha que Alec viu nossa entrevista?


– Não duvido nada. Não vai demorar muito e ele vai aprontar alguma coisa sobre termos escolhido sua data de nascimento como o lançamento no nosso álbum. Já volto, vou à cozinha pegar alguma coisa pra gente comer e umas bebidas.


– Vai lá.


– Não vejo a hora desse álbum ser lançado.


– Nem eu. Você recebeu uma mensagem Joshua. E é do Alec!


– Então pára de enrolar e leia.

“Vocês são os melhores amigos que eu poderia ter. Fico feliz por terem escolhido minha data de nascimento como o lançamento do álbum do Panic! Salamander. Vou ficar contente em ouvir o trabalho de vocês. Espero reencontrá-los em breve.”

– Quer que eu responda pra você?


– Pode deixar que depois eu mesmo faço isso.


– O Alec tem o dom de escrever cada coisa com as palavras que muitas vezes me impressionam.


– A mim também.


Voltei com alguns comes e bebes e ficamos conversando ate tarde da noite. Spencer acabou dormindo na minha casa, por estar um pouco bêbado. Eu também estava, mas nem tanto quanto ele. Ele não tinha o costume de beber muito, só socialmente. Fui para a janela desabafar meus sentimentos em silencio.



I must confess that my loneliness is killing me now. Don't you know I still belive that you will be here. And give me a sign. Hit me baby one more time.

Eu tenho que confessar que minha solidão está me matando agora. Você não sabe que eu ainda acredito que você vai estar aqui. E me dê um sinal. Venha para mim, baby, mais uma vez.

Alguns dias se passaram e a data de lançamento do novo álbum do Panic! Salamander se aproximava. Mandei uma mensagem de agradecimento pela mensagem do Alec que quase havia me esquecido. E Spencer resolveu tirar alguns dias de férias que antecedessem a data de lançamento. Outra vez acabei ficando sozinho com meus pensamentos e na companhia de Bogart.


Não fiz nada a não ser ficar em casa vendo o tempo passar. O inverno estava bem intenso esse ano e eu não queria adoecer, porque em breve teríamos uma festa de lançamento do novo álbum e eu precisaria da minha voz.


Eu estava com algumas preocupações em minha mente, mas adoecer não era uma delas muito menos com coisas pequenas da minha vida. Deitei-me no sofá na tarde de domingo e fiquei vendo Sherlock Holmes que tinha alugado. Quando o filme acabou algumas perguntas insistiam em não sair da minha mente.


“Por que você não volta para a banda Alec?”

“Por que você insiste em negar esse sentimento que você sente por mim?”

“Por que você nega o que eu sinto por você, sendo que isso não vai mudar?”

“Por que você engana a si mesmo com seus sentimentos?”

“Por que você não vê que eu sou a felicidade e que podemos ser felizes juntos?”


– Por quê? – Virei-me no sofá e fiquei com o olhar cabisbaixo, triste com algumas lembranças. Ouço um barulho vindo do meu celular: era uma mensagem. Pego meu celular para ler acessando a caixa de entrada.


“Joshua, a partir de agora as coisas vão mudar. Resumindo, fiz o que achei certo e conveniente e uma coisa que eu nunca deveria ter feito foi ter saído do Panic! Salamander. Isso mesmo, eu estou voltando! Não só para a banda, mas para você. Não conte para ninguém ainda, quero contar para todos quando estiver ao seu lado. Dessa vez estarei voltando para ficar, porque eu não sei viver sem ter vocês. Sem ter VOCÊ! E uma coisa que eu nunca te disse foi: Eu te amo. Isso mesmo, eu te amo Josh.”



Você chegou ao fim do livro. Parabéns!