One More Time

2 Fall in the darkness


Notas iniciais
Um capitulo cheio de drama , amor e um pouco de tudo. Aproveitem a leitura

Depois de ouvir aquilo, realmente me irritei.

— Vocês são idiotas ou o quê? — Gritei.

— Não são vocês que decidem o que ele pode, ou não, fazer! Se meu avô aceitou, então por que vocês, idiotas, não param com essa baboseira?

Eles ficaram quietos, logo depois meu vô apareceu.

— Nina, o que houve? Eu ouvi você gritando. — Perguntou

— Ah, não foi nada vovô. E, desculpe por ter gritado.

— Bom, então... Acabamos as aulas por hoje, podem ir para casa.

— Não pensem que eu me esqueci de vocês só porque meu avô chegou. Se fizerem algo contra o Ren, vocês vão se ver comigo. Estamos entendidos? Não estou nem aí para o grupinho de vocês, se quiserem me excluir, fiquem a vontade! Mas não mecham mais com ele.

Todos ficaram quietos expressando não saberem mais o que argumentar; logo seus pais vieram lhes buscar. Meu vô veio até mim.

— Então, Nina, o que achou da aula com meus alunos?

— Gostei um pouco, mas, estou meio irritada agora, vovô.

— Ué, porque está irritada, pequenina?

— Vovô, o senhor nunca viu que o Ren estava sendo excluído do grupo das outras crianças?

— Oh, não, nunca percebi isso... — Ficou um tempo calado.

— Nina, você não estaria inventando isso, não é?

— Mas claro que não, vovô! Porque motivo o senhor acha que gritei àquela hora, hein?

— Não, imaginei que seria este o motivo. E agora? Terei que falar com os pais dos alunos.

— Isto não será mais necessário, vovô, eu já dei um jeito nisso.

— Jeito? O que você fez, Nina? Não me diga que... Ameaçou seus novos amigos?

— Amigos? — Ri com certa ironia.

— Não me faça rir, vovô. Não preciso de amigos que excluem os outros e são preconceituosos.

— Bom, se é assim, não me meterei no assunto. Se algo acontecer, me avise, certo?

— Sim.

–


O resto do dia foi calmo em relação às outras aulas que vovô dava. Como eu não podia participar, passei o resto do dia em casa. E, já que não tinha mais o que fazer, resolvi ir visitar os vizinhos, ou melhor, o Ren.


— Vovó, a senhora poderia me dizer onde é a casa dos Amamiya?

— Oh, querida, claro. Se quiser, eu te levo ate lá, estou indo jogar cartas com a avó do Ren.

— Tudo bem, então. Vamos.

Vovó tocou a campainha e a Sra. Amamiya atendeu, vovó entrou primeiro e eu estava atrás dela.


— Boa tarde, hã... O Ren está em casa?

— Boa tarde, querida. Sim, ele está. Deixa que eu te levo ate lá?

— Ah, ok.


Eu bati na porta e ele a abriu com uma expressão muito surpresa.


— O que está fazendo aqui? — Perguntou.


Eu respondi que tinha vindo conversar com ele e perguntar se ele gostaria de brincar comigo. Ele falou que não queria brincar, mas que aceitava conversar comigo.


Então eu eu pedi licença para entrar e perguntei se poderia me sentar, com um aceno em resposta, sentei-me no chão; perto de uma mesinha que tinha no meio do quarto, e ele se sentou em minha frente.


— Então, Nina, sobre o que você quer conversar?


Eu logo falei que havia discutido com as outras crianças da aula, depois de saber que elas o excluíam e maltratavam-no.


— Porque você tem que se meter nos assuntos de outras pessoas? — Ele se mantinha quieto antes, mas logo perguntou num tom de raiva.


Eu não liguei se ele estava bravo ou não, somente respondi.


— Eu me meti nesse assunto porque não gosto de gente que faz este tipo de coisa, não ia ficar quieta enquanto estão fazendo mal a algum dos meus amigos.


— Desde quando somos amigos? — Ele me olhou e perguntou.


— Ué, desde que você falou seu nome e conversou comigo, lembra? Antes da aula.


— Isto não é motivo para virar minha amiga, agora eles também vão te excluir.


— Eu não me importo com eles. E, se isto não é motivo para uma amizade, o que tenho que fazer para ser sua amiga? Ou será que você não quer ser meu amigo?


— Eu não disse que não queria ser seu amigo. Você interpreta tudo errado, por pensar demais.

Eu não falei nada, mas comecei a rir por impulso. Ele logo me fez parar ao me olhar bravo; pedi logo desculpas.


Eu disse que fazia tempo que não encontrava alguém que era totalmente sincero e legal. Ele não falou nada, mas percebi que ficou meio envergonhado, então, eu falei para ele que não precisava se preocupar mais com as crianças e que elas não fariam mais nenhum mal a ele. Ele me olhou seriamente.


— Obrigado. — Agradeceu.


— Mas... tem certeza de que é uma boa ideia?!


— Sim! Eu falei com o vovô, ele está ciente de tudo, agora.


Ele passou um tempo em silêncio, mas, resolveu quebrá-lo.


— Do que quer brincar?


Respondi que não tinha a menor ideia. Então ele sugeriu ir brincar de bola no quintal, eu assenti e fomos brincar.


Passaram-se cerca de meia hora brincando; nos dois realmente cansamos. Fomos tomar um suco e comer alguns doces que a vó dele tinha feito.


Meus dias seguintes foram bem calmos, mas, a medida em que o tempo passava, eu me sentia triste. Sabia que logo iria voltar para casa. A maior parte dos meus dias eu passava treinando, brincando ou visitando os pontos turísticos com minha mãe e meu pai.


Num sábado, resolvi treinar sozinha — pois não teria aula.


Repentinamente, senti alguém me observar. A principio, achei que era o vovô, mas, ao olhar bem, percebi ser o Ren. Ele veio me perguntar se poderia treinar mesmo sendo sábado, eu fiquei com vergonha por ele estar me encarando, mas respondi positivamente. Porém, disse que com a ausência do vovô ele teria que treinar algo que não o machucasse.


— 'Tá tudo bem? — Ele perguntou.


— Sim.


“Argh, que droga! Porque ele teve que vir justo hoje?” Pensei comigo mesma. Não é que eu não queira ver ele, é só que eu não estava preparada para falar com ele. Isso foi depois de perceber que quando ele me olhava, eu sentia um aperto no coração. Eu não sabia o significado disso! Eu não conseguia falar nada.


Então, depois de meia hora de exercícios leves.


— Ei, Nina, você aceita um desafio?


— O que seria? Se for uma luta, acho melhor não. Não há ninguém por aqui para supervisionar. E se alguém se machucar?


— Não tem problemas, só vamos tentar derrubar um a outro.

Teria que pensar bem antes de aceitar o desafio de Ren, mas, como ele disse, eu penso demais.

— O que custa, Nina? É só uma brincadeira, nada mais.

Ouvi ele falando algo, mas estava tão perdida pensando demais que apenas ouvi uma parte.

— Então, Nina, vai ou não?

— Vou, Ren. Mas se eu me machucar, juro que você fica sem dedos.

Ele riu com o que eu disse e não pude deixar de rir também. Ele era tão fofo e bonito.

— Certo. Nina, o desafio é simples: uma luta entre nós dois; o que ganhar tem que fazer uma surpresa para o outro.

Eu achei totalmente besta a proposta de Ren, mas, como já tinha aceitado não ia dar para trás — até porque, eu tinha chances de ganhar e uma surpresa não era nada demais.

— Vamos, Nina não me diga que está pensando em...

— Nossa, Ren, você consegue ser muito chato às vezes. E vamos logo antes que eu desista.

Começamos a luta e só tinha uma coisa a dizer: Ren era um ótimo lutador. Muito melhor que os outros mini-idiotas que excluíam ele.

Trocamos alguns chutes clássicos, socos e defesas. Ren me derrubava no chão, e mesmo cansada, eu levantava.

Eu realmente estou fora de forma.

Mais alguns golpes e ele me imobilizou no chão; o que declarou minha belíssima derrota.

— Você perdeu Srta. Nina.

— Não é justo, Ren! Você treina há mais tempo que eu.

— Ah, Nina! Prepare-se para a surpresa mais tarde. Me encontre no jardim, perto da fonte.

— Tudo bem. Até mais tarde, então.

Ele saiu e fiquei olhando-o enquanto corria. Era estranho porque, na hora, senti uma sensação de vazio, era como se perto dele eu me sentisse... Completa?

Resolvi ir para casa; onde todos já me esperavam.

— Mamãe, posso falar com a senhora?

— Claro, meu bem.

Fomos para o quarto da mamãe enquanto vovó terminava de fazer o jantar — e, pelo jeito, seria mais um prato típico da região.

— Mãe... Como se chama o sentimento que faz seu coração acelerar por outra pessoa?

— Querida, isso se chama amor.

— Não sei dizer se estou apaixonada, mas é estranho. Por que... Toda vez que ele vai embora, sinto um vazio, digo, algo diferente em mim.

Minha mãe riu docemente como sempre.

— Pelo que percebi, está sim, meu amor. Agora diz quem é “ele”.

— Ah, mãe! É um menino amigo meu, o Ren.

— O quê? Ele é até bonitinho, mas, você não é mais velha que ele?

— Sou sim, e isso é estranho.

— Não é. E, se está apaixonada, espero que seja um amor correspondido. E mesmo assim, a senhorita não está nova demais pra isso?!

— Não, mãe! Eu já sou uma mocinha. — Falei fazendo biquinho, nos duas rimos quando meu pai entrou no quarto nos chamando.

— Com licença, senhoritas, mas o jantar já esta na mesa.

Jantamos e conversamos sobre nossos próximos destinos antes da viajem acabar; meu pai planejou ir até Nagasaki, já que era uma das cidades próximas a nossa. Ao terminarmos, saí e disse que daria um passeio, disse também que voltaria antes das sete e meia.

— Tchau gente, não vou longe.

Todos se despediram e fui até o dojo, onde Ren já me esperava.

— Vem, Nina!

— Está bem, mas terei que voltar cedo.

— Certo. Será rápido!

Ele deu aquele sorriso rápido e pequeno, mas lindo. Eu me senti feliz, por isso; adorava vê-lo alegre.

Mesmo não entendendo muito de "amor", sem dúvidas, era isso que eu sentia por Ren.

Chegamos a uma pequena fonte no fundo do dojo; o lugar era lindo. Ficamos parados em frente a ela. Ren segurava minhas mãos.

— Nina, fecha os olhos, por favor.

Sem mesmo responder, fechei-os. Estava ansiosa para saber o que ele iria fazer.

Senti ele se aproximar de mim e encostar em meus lábios, abri os olhos de uma vez e, ao ver Ren, por impulso, empurrei-o. Ele acabou caindo na fonte.

— Ren, está doido?! O que você pensa? Porque fez isso?

— Argh, Nina! Doeu e agora estou todo molhado.

~Ren

Realmente, as meninas são estranhas! Faço uma surpresa e levo um empurrão! Acho que errei ao pensar que todas achassem bonito essas coisas românticas. Olhei para Nina, ela estava vermelha de raiva.

É, pelo jeito, nem todas realmente gostam; e eu achando que ela poderia gostar de mim.

— Anda, Ren, fala alguma coisa.

— Ni-Nina! eu só achei que você ia...

— Ia o quê? Te beijar de volta? Te conheço a menos de um mês!

~Nina

Eu estava com raiva, confusa e ao mesmo tempo feliz. Eu tinha acabado de dar meu primeiro beijo e estragar tudo, ao mesmo tempo.

— Quer saber, Ren? Eu vou embora antes que eu te jogue nessa fonte de novo.

Sai de lá e deixei Ren me observando; ele estava com cara de quem não tinha entendido nada.

Garotos idiotas.

Mas... Até que, não foi nada mal.

Fui direto para meu quarto. Quando cheguei, disse que arrumaria minhas coisas para o passeio de amanhã.

Na hora de dormir, caí no sono rapidamente e sonhei comigo e Ren, no dojo.

Amanheceu rápido.

Todos fomos para o carro, chegaríamos a Nagasaki cedinho; a tempo de pegar o início de um festival que todo ano tinha na cidade.

Meu pai dirigia e minha mãe ia ao seu lado, estávamos na pista quando ouvi alguns barulhos de longe, logo seguido de um som alto de carro freando. Sem tempo de pensar, um carro vinha em nossa direção.

Ele desviou do outro carro, mas parecia estar sem controle do volante, me segurei no Banco e ouvi minha mãe gritar quando o carro virou algumas vezes até parar bruscamente.

Minha cabeça doía... Na verdade, meu corpo inteiro parecia estar doendo.

Olhei para frente e vi minha mãe de cabeça pra baixo presa pelo cinto, eu estava deitada no teto do carro e não conseguia me mexer; procurei meu pai e vi o vidro da frente quebrado e alguém deitado na pista em frente ao carro, era meu pai lá fora. Meus olhos pesaram e minha cabeça doeu mais, acabei desmaiando.

— Como ela está? Ela vai acordar logo?! Minha menininha, eu não posso perdê-la! — Ouvi uma voz ao longe e de um homem, também. Meu corpo doía, mas consegui abrir um pouco os olhos.

— Ela acordou, olha! Por favor, cuide bem dela, por favor.

O rosto que falava era bem familiar, mas não conseguia reconhecer.

— Oi Nina, sou o Dr.Miyazaki, como se sente?

— Não sei... Tudo dói, e, não consigo me mexer.

— Tudo bem, você vai melhorar.

— Doutor, porque estou num hospital?

— Aconteceu um acidente na estrada e você estava lá, pequena. Você... Não lembra?

Neguei com a cabeça.

— Nina, do que você lembra?

— Que eu estava em um avião com meus pais, ia viajar de férias e...

Fiz um esforço enorme para lembrar mais algo, mas nada vinha em minha mente; nem uma pequena memória.

— Nada mais. Não me lembro de mais nada.

— Tudo bem, agora descanse. Eu voltarei mais tarde.

Depois dele ter saído, ouvi claramente um choro feminino do lado de fora. Reconheci-a. Era minha mãe lá fora.

— Doutor, como assim... Perder a-a memória? E-ela, perdeu o pai! Agora... Ela não se lembra de completamente nada?

— Não. Ela está inconsciente dos acontecimentos mais recentes. Mas é passageiro, irão voltar com o tempo... Podem demorar, mas voltarão.

Fechei meus olhos até adormecer, não consegui sonhar com nada. Era penas tudo escuro e vazio.

Mais tarde, acordei ainda no hospital e vi minha mãe ao meu lado.

— Mamãe. Eu não o vi. — Disse ainda não a olhando nos olhos. — O... Papai. — Levantei o olhar em direção ao dela.

— Ele... Está num lugar melhor. Olhando para nos duas.

— Ele mo-morreu?

— S-sim... Meu amor.

Nos duas choramos, eu não conseguia imaginar algo assim.

Passei dois dias no hospital e em menos de três dias já estávamos voltando para a França; onde meu pai seria enterrado. Havia um vazio crescendo em mim. Na minha mente e coração. E foi assim que os anos foram passando, sem me lembrar do que me sentia tanta falta.

— Nina, sai desse quarto, menina! Vem aqui me ajudar.

Era minha mãe chamando, desde que voltamos do Japão, era sempre assim: eu a ajudava na confeitaria e assim conseguia meu próprio dinheiro.

A confeitaria estava quase na hora de abrir.

— Mãe, eu quero treinar outro estilo de luta. É meio moderno, mas é bem interessante.

— Outro, Nina?! Já foram Judô, Muai Thai, Karatê, Jiu Jitsu e até Kung Fu. Qual é o da vez?

— Ah, mãe. É legal, pelo menos não fico só em casa.

— Qual é, Nina? Diz logo antes que dê um não.

— Ninjitsu. Eu falei com o vovô pelo telefone e ele me contou desse estilo. E, olha, tem uma academia que ensina ele aqui.

Entreguei o papel com o nome e endereço do local. Ela tinha que deixar e eu tinha que aprender; não sei por que, mas sempre senti necessidade em aprender essas coisas. Era como se um dia fosse defender alguém, como nos filmes.

— Tudo bem, eu vou ver. E, a propósito, Davi vem jantar conosco hoje.

Davi é meu futuro padrasto, o homem que quer tentar substituir meu pai.

— Ah, claro, ele sempre vem.

O dia passou rápido e a noite chegou mais ainda. Davi já estava em nossa casa; ele conversava com mamãe e eu apenas observava da cozinha. No momento, eu lembrava do meu pai e do dia em que ele morreu. E que, nesse mesmo dia, aquele vazio se instalou em minha mente.

— Nina, você não acha que esses esportes são... Violentos demais para uma moça como você?

— Davi, quem tem que achar sou eu, e, bem, eu não acho. Se quero praticar é problema meu.

Me irritei com ele, eu não suportava vê-lo ao lado da minha mãe achando que um dia seria meu pai.

— Nina! Se controle, por favor.

— Ah, mãe, já chega, né? Você acha mesmo que um dia ele vai ser meu pai?!

— Nina, que disse que já chega! Não toque nesse assunto!

— E porque não? É meu pai! Tenho direito de falar! O que tem de mal nisso?

— Nina, eu disse que já chega! — Ela levantou do sofá e gritou alto, nunca vi minha mãe assim.

— Tem razão, já chega mesmo.

Eu me sentia cansada, de tudo. Cansada de não ter um pai, cansada de não ter MEU pai. Cansada de não ter minhas memórias, e dessa sensação estranha de proteção. Eu tinha que entender tudo isso. E o melhor lugar é onde toda a desgraça aconteceu só de volta ao Japão eu iria entender tudo.

Peguei o celular e liguei para a casa da minha avó. Ela atendeu no segundo toque e fui bem direta e clara.

— Vó, eu quero ir para o Japão. Posso morar ai com vocês?

Notas finais
Antes de postar pensei em separar em duas partes este capitulo, mas no final resolvi por como um só. Espero que gostem.