One More Night
24 #24 Amor sublime amor
Notas iniciais
Tonight, tonight
It all began tonight
I saw you and the world went away
A platéia estava cheia, como nunca antes em um musical da escola. Estavam alunos, autoridades públicas e professores que nunca antes se interessaram em ver a peça. Mr. Shue sabia que isso tudo tinha influencia das fofocas envolvendo o glee club, mas não se importou. Se o clube glee estava ficando famoso por esses boatos, que continuassem então.
Tonight, tonight
There's only you tonight
What you are, what you do, what you say
Mercedes arrasava e sua voz era ouvida até fora das portas do auditório. Rachel, que fora forçada por Finn à ir, encarava a negra com os olhos arregalados. Jurava por todos naquela sala de coral que era a única que conseguia atingir essas notas, e por incrível que pareça, seu orgulho da amiga foi maior que seu egoísmo.
Today, all day I had the feeling
A miracle would happen
I know now I was right
Hoje era a abertura com Kurt, assim como as próximas noites. Blaine interpretaria Tony nas noites seguintes às do namorado. Uma vez sentado na platéia, não conseguia esconder o sorriso de ver o namorado brilhando e recebendo a atenção de todos. Era óbvio o brilho nos olhos de Kurt.
For here you are
And what was just a world is a star
Tonight
O público se esvaiu em aplausos, gritos e assovios.
A peça terminou tarde da noite. Blaine pôde ver Kurt descer do palco, já em suas roupas e correr para abraçar seu pai e sua madrasta. Finn e Rachel estavam ali também. Resolveu esperar um pouco antes de se aproximar. Os boatos de que Kurt estava namorando correram a cidade toda, não me surpreendia que chegara até a oficina do Hummel pai.
– Kurt, você foi maravilhoso. — Carole deu um abraço apertado no castanho, que retribuiu tentando esconder o sorriso e a alegria.
– A cidade toda estava aqui, cara. — Finn abraçou Kurt também.
– E-eu... — Rachel engasgou com as próprias palavras. Kurt a olhou com ternura. — Eu realmente estou orgulhosa de você, Kurt. — Abriu os braços para o castanho se jogar em um abraço forte também.
– Vamos para o carro, querido. — Carole sorriu para Burt e caminhou com o filho e a nora até o estacionamento. O pai ficou conversando com o filho enquanto isso acontecia.
– Vamos ao breadstix, você quer se juntar à nos? — Kurt abriu a boca para responder, mas Burt foi mais rápido. — V-você pode sair com seu namorado se você quiser.
– Pai... — Kurt tentou não sorrir.
– As notícias correm, Kurt. — O mais velho sorriu sem graça. — Você pode ir, mas volte para casa de manhã cedo porque amanhã você trabalha na cafeteria no turno da manhã por causa da peça. — Kurt assentiu rapidamente. — Seu namorado é aquele lá? — Apontou para Blaine, o único que ainda havia restado no auditório.
– É... — Kurt não sabia ao certo se podia chamar Blaine de namorado, mas estava surpreso demais com a atitude do pai para interrompê-lo.
– Parece ser um bom rapaz. — Deu um abraço no filho e antes de seguir para fora do lugar, completou. — Não pense que vou ser assim bonzinho sempre. É seu presente de noite de estreia, Kurt. Depois quero conversar com ele. Ok?
– Ok. — Disse quase num sussurro.
– Se cuidem, crianças. — Burt deu um último sorriso ao garoto e subiu as escadas em direção à saída do auditório, não sem antes acenar em despedida para Blaine.
O moreno levantou uma das sobrancelhas e Blaine deu de ombro, correndo até os braços do namorado. Burt antes de sair olhou pra trás e viu o carinho entre os dois, abrindo um sorriso enorme.
[...]
A noite estava fria e o garoto loiro voltava para casa escondido em baixo dos cachecóis, com as mãos nos bolsos e com passos largos.
– Eu vi você sentado na última fileira. — Ouviu uma voz conhecida atrás de si.
– Karofsky. — Disse se virando e encontrando o jogador.
– Oi. — Disse sem graça. — V-você deve ter ouvido das notícias, Nick.
– Sobre Kurt e Blaine estarem juntos? É, ouvi. — O jogador assentiu lentamente, encarando o chão. — Mas não é como se fossem assuntos meus, aliás. Eu e Kurt já havíamos terminado, se assim posso dizer. — Tirou as mãos dos bolsos, cruzando os braços na altura do peito. — Só me senti na obrigação de assistir à peça do meu amigo.
– Entendo.
– Engraçado. Não te vi lá.
– Eu não estava dentro, mas consegui ouvir de fora tudo que falavam. N-não tive coragem de entrar. — O jogador ainda encarava o chão.
– Você sem coragem? Posso morrer agora que já vi de tudo nessa vida. — Ambos gargalharam baixo. — O que você quer de mim, aliás?
– E-eu... — Hesitou. — Nada. Só te vi passando por aqui e quis te dar um oi.
– Já deu. — Deu de ombros, pegando as chaves de sua casa na mão pronto para entrar pela entrada de seu prédio.
– T-tudo bem. Uma boa noite pra você. — Karofsky soltou um sorriso sem graça e deu meia voltando, caminhando para longe do ex-namorado com passos curtos.
– Karofsky. — O loiro o chamou depois de alguns segundos. — V-você não quer entrar e tomar alguma coisa, ou se esquentar? Está um gelo aqui fora.
– Claro. — Abriu um sorriso sincero. Nick destrancou a porta e a abriu para o outro loiro, que agradeceu e entrou no hall do prédio. Nick entrou também. Subiram as escadas juntos.
[...]
– Você foi muito bem hoje.
A festa no breadstix rolava solta uma vez que era de madrugada já. Os clientes que estavam ali apenas jantando já haviam ido embora e apenas os estudantes do McKinley enchiam o local.
Santana levantou os olhos para encarar Brittany a olhando com ternura. Sorriu e antes de responder, pegou a loira pela mão e a puxou até o lado de fora do restaurante.
– Aqui dá pra te escutar melhor. Lá dentro a música estava começando a entrar em meu cérebro. — Sorriu. — O que você tinha dito?
– Eu disse que você foi muito bem hoje.
– Britt... — Sorriu e abraçou a amiga. — Obrigada. Você também foi maravilhosa, tanto na peça como na direção. Ensinar todos aqueles passos, e ajudar nos figurinos. Você conseguiu fazer tudo perfeito.
A loira sorriu sem jeito e então pôs-se à encarar o chão. A latina não entendeu o gesto da amiga e segurou em sua mão (como um ato tão comum poderia fazer o coração da líder de torcida palpitar tanto?) firme.
– Britt, linda, você está bem?
– Estou, é que... — Hesitou. — Deixa pra lá.
– Ei. — Santana segurou o queixo da amiga e o levantou, fazendo seus olhos azuis finalmente encontrarem os castanhos da latina. — Você pode me contar qualquer coisa.
– Tudo bem. É que ver Kurt e Mercedes hoje assumindo seu namoro daquela forma me fez perguntar se talvez você não quisesse... Não sei, assumir o nosso.
Lopez sorriu abertamente com a confusão da loira sobre a peça e a vida real, mas nem se importou em corrigi-la, apenas assentiu lentamente e segurou sua outra mão. As duras compartilharam um sorriso rápido e fecharam os olhos assim que os lábios se encontraram. Foi um beijo rápido, o suficiente para esquentar as coisas ali.
– Sant. — Sussurrou durante o beijo.
– Oi? — Perguntou ainda de bocas coladas.
– Meus pais não estão em casa.
– Ótimo. — Sorriu e puxou a loira para dentro do restaurante novamente, mas apenas para pegar sua bolsa e as chaves do carro. Em alguns minutos as duas seguiam para a parte alta da cidade.
[...]
– Parece que a cidade toda estava lá. — Finn puxou assunto assim que estacionou em frente à casa de Rach. Já havia deixado Carole e Burt em casa e pegou o carro para acompanhar a Berry.
– Eles vieram apenas para ver "o mais novo namorado de Blaine Anderson". — Fez aspas no ar com os dedos, jogando a cabeça pra trás.
– Oh, desculpa.
– N-não, digo, eu não me importei. A peça foi boa. — Sorriu sem graça. — Sabe qual parte mais gostei?
– Qual?
– A parte que Carole me chamou de nora. — Finn esboçou um sorriso fraco em seus lábios. — E-e eu poderia me acostumar à isso novamente, Finn. Só que...
A morena foi obrigada a se calar assim que os lábios de Finn pressionavam os dela. Foi um selinho rápido, e assim que o grandalhão colou sua testa com a da diva, soltou. — Você não sabe quanto tempo fiquei no fundo daquela sala de coral odiando cada passo que você dava com Blaine apenas pra te ter novamente.
– Eu meio que sei. — Gargalhou baixo, olhando Finn no fundo dos olhos.
– Esse é seu jeito de dizer que ainda me ama e sentiu minha falta? — Finn tentava esconder um sorriso, mas era quase impossível com aquele momento acontecendo.
– Não, esse é o jeito de dizer que ainda te amo e que senti sua falta.
E logo as bocas de Finn e Rachel se encontraram novamente em um beijo apaixonante e molhado, tirando todo aquele tempo perdido que ficaram sem repetir aquele ato. Era como duas almas se reconectando.
[...]
Infelizmente os pais de Mercedes não puderam comparecer ao show, não se sabe por quê. A negra entendeu, eles nunca se importaram com seu dom afinal. Era noite e a diva caminhava à caminho de casa quando sentiu uma mão em seu ombro. Pronta para ser assaltada, a negra fechou os olhos esperando o ataque.
– O-oi. — Disse um garoto branco alto e moreno, com franja nos olhos e óculos em seu rosto. Era um tanto "magrinho demais" no conceito da morena, mas agradeceu por não ser um assaltante qualquer. Ou seria cedo demais para julgá-lo do bem? — Eu adorei você em cima do palco hoje.
– Obrigada. — Sorriu com todos os dentes. — Você estuda no McKinley? Nunca te vi pelos corredores.
– Sou do primeiro ano, e é claro que você nunca prestou atenção em mim. S-sou um simples novato... Você é "MERCEDES JONES, A MARIA DE AMOR SUBLIME AMOR". — Sorriu fazendo gestos enquanto falava o nome da diva, que gargalhou um pouco.
– Não seja bobo.
– Seria muito estranho eu te convidar para comer uma pizza agora? — Perguntou meio tímido e a morena tinha certeza que ele ainda não havia a olhado nos olhos.
– Seria estranho acharmos algum lugar aberto essa hora. — Sorriu. — Mas amanhã de manhã estou livre se quiser tomar um café.
O garoto sorriu com todos os dentes e anotou o número de Mercedes na agenda, dando em seguida um beijo em seu rosto e seguindo ao lado contrário de onde a diva ia. A negra abriu um sorriso enorme e por um momento esqueceu que deveria ir para casa.
Pressionou as bochechas com os dedos, buscando em sua memória a imagem daquele garoto novo. Sorriu mais uma vez e continuou a caminhar na noite fria. Pelo menos a noite não havia sido tão ruim assim.
[...]
– Eu não quero ir para um hotel, Blaine. — Kurt cruzou os braços no banco de passageiro. Blaine ainda tinha o carro estacionado no McKinley, sem saber onde iriam.
– Não sei se seria uma boa ideia irmos pra minha casa... — Jogou o corpo contra o banco. — Já foi muito me aceitarem de volta em casa, não sei se iriam gostar que eu levasse meu namorado no dia seguinte.
– Namorado? — Levantou uma das sobrancelhas. — Whoa, vai com calma.
– K-kurt, m-me desculpa, eu... — Kurt interrompeu o moreno.
– Estava brincando. — Deu um selinho rápido em Blaine. — É isso que somos um do outro, certo?
– Certo. — Assentiu com certeza, escondendo um sorriso entre os lábios. Suspirou novamente e ligou o carro, dirigindo para a rodovia.
– Onde vamos?
– Pra minha casa. — Disse confiante, fazendo o estômago de Kurt se revirar com as borboletas que tinham dentro dele.
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