One More Night
19 #19 Você não percebe seu efeito em mim?
Notas iniciais
Kurt e Nick tinham definitivamente algo.
Os meninos saíam todos os dias juntos depois de seu expediente, saíam juntos quanto estavam de folga e ficavam conversando o dia todo durante alguns minutos quando o café não tinha clientes. Trocavam sorrisos, toques e olhares. Não era como se fossem namorados ainda, mas estavam perto.
Kurt estava nos corredores do McKinley durante as aulas, havia ido ao banheiro, quando foi puxado bruscamente contra a parede. O braço do jogador de futebol foi ao pescoço do menor, prendendo-o.
– O que ele te contou? — Pressionava Kurt contra a parede.
– E-ele quem?
– Nick. O que ele te contou sobre mim?
– A-a verdade. — Kurt falava tentando esconder seu nervosismo e medo, mas duvidava muito que estivesse conseguindo. Suas mãos suavam frio e Karofsky o olhava com os olhos mais raivosos que o castanho já havia visto. — Q-que vocês namoraram.
– Você contou isso pra alguém? — Kurt não respondeu e Karofsky forçou o braço contra o pescoço de Kurt. — Hein?!
– N-não. — Estava começando a ficar sem ar.
– Ótimo. — Soltou um pouco. — Porque você é um homem morto se o fizer. — O jogador de futebol deu meia volta e, antes de sair andando, voltou a encarar Kurt. — E quero você longe de Nick. Entendeu?
– Por que se importa tanto? Não foi você que o largou?
Kurt se arrependeu naquele momento. Karofsky o jogou no chão com força, deixando o castanho sem ter o que fazer. Antes que Kurt levantasse, Dave chutou seu rosto com força.
– Isso não é de sua conta! Fique longe dele!
E saiu com um sorriso no rosto. Kurt ficou ali sangrando, com uma dor insuportável. Poderia jurar que seus dentes haviam todos sidos quebrados. As aulas acabaram quarenta minutos depois, e Kurt ainda estava lá (não mais jogado no centro do corredor, mas sentado no canto). Não teve coragem de se levantar, não teve forças.
– Seu pai já foi chamado, Sr. Hummel. — A enfermeira disse com um sorriso fraco, fechando a cortina atrás de si e indo cuidar de outro enfermo.
Kurt se sentia um lixo, a pior pessoa do mundo. Alguns passavam pelo castanho e gargalhavam, outros encaravam com curiosidade e outros sequer olhavam para o jovem sentado no chão ensanguentado. Mr. Shue o achou e o tirou daquele lugar, apenas o professor. Kurt não teve nenhum dente quebrado, apenas mordeu o lábio por dentro, o que gerou o sangue, além do roxo no lado esquerdo do seu rosto.
Kurt jogou a cabeça contra o travesseiro da enfermaria, esperando seu pai. A cortina se abriu lentamente e Kurt levantou a cabeça com o intuito de ver quem era, mas acabou gritando baixinho por causa da dor.
– Kurt! — Blaine disse desesperado, indo até o mais novo. — Q-quem fez isso com você? — O castanho apenas encarou o moreno, sem falar uma palavra.
– Quem você acha que foi? Aposto que foi o Karofsky. — Santana revirou os olhos. — Foi ele, não foi? — Kurt assentiu sem se mexer.
– Arg. Eu vou matar aquele desgraçado!
Blaine saiu correndo da sala de enfermaria e Santana correu atrás do amigo. Blaine não poderia simplesmente fazer isto após já ter brigado com Karofsky sobre Kurt uma vez.
– Blaine, espera! — Santana corria pelos corredores, e depois de um tempo conseguiu alcançar Blaine. — Você é surdo?!
– Eu estou com tanta raiva daquele cara... — Cerrou os punhos e fechou os olhos, respirando calmamente dessa vez.
– Pois é, mas enquanto eu estou aqui correndo atrás de você pelo colégio, o namorado de Kurt está lá com ele na enfermaria e você só — — Santana foi interrompida.
– ...O namorado de Kurt?
– O cara da cafeteria.
– Ele... Ele não é namorado de Kurt.
– Como não? — A latina puxou o celular de dentro do uniforme das Cheerios!, provavelmente de seu sutiã, e entregou para o moreno. Uma foto de Kurt com Nick no parque, dias atrás. — Pensei que você soubesse.
– Não, eu não sabia. — Andou em círculos, tentando entender o que estava acontecendo. — Merda! — Falou assim que socou um dos armários no corredor.
– Que ótimo, agora quem tem que ir à enfermaria é você!
Se referiu à mão ensanguentada de Blaine. O moreno pressionou o local com muita dor e caminhou com passos largos de volta até o local. Santana tirou o lenço que usou naquele dia pra amarrar o cabelo e fez uma pequena gaze na mão do amigo, que sorriu agradecendo.
– E-eu ainda não acredito que ele tenha feito isso! — Nick estava sentado na cama da enfermaria, assim como Kurt.
Um pouco depois de Karofsky ir embora, Kurt alcançou seu telefone e mandou uma mensagem desesperada para o loiro. Nick saiu da faculdade o mais rápido de pôde, pegando um táxi até o McKinley.
– Ele ainda gosta de você, não gosta? D-digo, você me contou que ele costumava te ligar até um tempo atrás... — Kurt encarava o chão.
– Geez, sinto que tudo isso é minha culpa! — Kurt sorriu sem graça e apoiou a cabeça no ombro do jovem ao seu lado. Ouviu então a enfermeira na sala ao lado.
"Meu deus, outro machucado? T-tudo bem, me espere aqui que vou trazer algumas gazes e analgésicos." E logo a mulher abria a cortina, se desculpando por interromper a conversa dos jovens ali dentro e indo até seu armário de medicamentos. Kurt encarou do lado de fora da cortina Santana conversando com Blaine e um pano ensanguentado em sua mão. Ficou preocupado, mas não poderia simplesmente ir até lá.
Nick seguiu o olhar de Kurt.
– Ele é Blaine? — Perguntou passivo.
– S-sim.
A enfermeira saiu com as coisas que viera pegar e consequentemente fechou a cortina atrás de si, deixando os dois homens sozinhos novamente. Nick encarou Kurt, que ainda tentava observar Blaine por uma fresta na cortina.
– Você ainda se sente atraído por ele, certo? — Kurt abriu a boca para responder o loiro algumas vezes, mas não conseguia formar uma frase com a resposta certa. — Kurt, o que temos é totalmente inocente e novo, e também está acontecendo muito rápido. Só quero ter certeza de que, — Segurou a mão do mais novo. — ...quando finalmente ficarmos juntos, você não se arrependa.
– Nick... — Hesitou.
– Então deixe-me saber quando estiver pronto, certo? — Nick se levantou, ainda segurando as mãos de Kurt. O castanho achou aquele ato adorável e assentiu lentamente. — Tenho que ir, mas logo seu pai estará aqui. — Sorriu para o castanho e inclinou-se dando um breve beijo em seus lábios, o primeiro.
– Te vejo à noite? — Kurt se referiu ao encontro que teriam. O loiro assentiu.
Nick deu uma última olhada para Kurt e caminhou até a cortina. Assim que se abriu viu uma Santana Lopez grudada, com cara de quem havia acabado de ser descoberta após espionar, e bom... Era isso mesmo que ela estava fazendo.
– Opa. — Soltou a latina corando e indo se sentar no sofá.
Nick deu de ombros e saiu. Blaine encarou Kurt por alguns segundos e logo depois voltou seu olhar para sua mão, onde a enfermeira fazia o curativo. Blaine estava com tanta raiva... Não de Kurt, mas de Nick e de Karofsky. Se Santana ouviu certo, Nick havia sido o motivo de Kurt acabar daquela maneira.
Assim que a velha senhora terminou os curativos, o adolescente saiu da enfermaria sem um sequer "obrigado" e correu pelos corredores, indo até o vestiário. Precisava descontar essa raiva em algum lugar. Suspirou e socou o saco de pancada, e a dor que sentia apenas o dava mais raiva para socar novamente.
Ficou ali por severos minutos.
– Pensei que você era do tipo "sem violência, salvem as árvores". — Finn falou caminhando até seu armário do vestiário, pegando sua mochila.
– É. — Respondeu grosso, dando outros socos. Outro motivo de estar estressado veio à tona. Kurt não respondia suas mensagens, evitava conversar e agora tinha um "namorado", e Santana estava o pressionando para terminar logo com Rachel, assim como Finn, que o lançava olhares raivosos sempre que Blaine passava com Rach pelos corredores.
– Na verdade, nunca parei para pensar o que achava de você. Só achei que você não fosse um desgraçado que mente para metade do mundo. — Falou com os dentes cerrados a ultima parte.
Blaine fechou os olhos, suspirou forte e deu um soco ainda mais forte no saco de pancadas, fazendo a gaze se encher de sangue, mas não se importou e continuou socando, cada vez mais forte.
– Eu sei o segredo que você esconde, Anderson. — Finn continuou. — Ele é meu irmão e eu prometi à Burt que o protegeria. Não sei o que você quer com ele, mas se for igual o que está fazendo com Rachel, é desonroso. Você não tem sentimentos? E-e sendo o cara mais popular da escola, vivendo de uma mentira... — — Blaine socou o saco pela última vez.
– O que você quer de mim?! — Gritou com raiva.
– Porque você não sai do armário? — Blaine revirou os olhos. — Seria menos doloroso pra você, e pra todos. Qual o problema de assumir quem você verdadeiramente é?
– Porque tem pessoas, igual você... — Voltou a socar o saco com cada palavra que saía da sua boca. — ...que julgam sem conhecer. Você mesmo acabou de falar que eu sou sentimentos! — Gritava pelo vestiário. — O que espera das outras pessoas?
– Bom, isso não é uma escolha. — Blaine parou de socar o saco e encarou Finn incrédulo. — Se você não contar à todos, eu conto!
E antes que Blaine pudesse falar alguma coisa, Finn já havia saído. Blaine colocou as mãos no rosto e enxugou o suor, vendo o vermelho do sangue escorrer pelos seus braços. Deu um último soco no saco de pancadas, pegou sua mochila e seguiu o caminho de casa.
Era muita pressão em cima de uma pessoa só!
[...]
Kurt havia acabado de voltar de seu encontro com Nick e as coisas não poderiam ter saído melhor do que o esperado. O beijo de despedida havia sido o ápice do encontro. Os lábios se tocando, os corpos próximos um do outro. Kurt tentava se convencer que Nick beijava melhor que Blaine (mesmo não conseguindo enfiar essa mentira em sua mente). Suspirou e colocou uma camiseta preta e uma cueca boxer para dormir. Deitou-se em sua cama, desligou a luz e virou para o lado, encarando o porta-retrato de sua mãe antes de fechar os olhos. Seria tudo tão mais fácil se ela estivesse aqui...
When I was twenty two the day I met you
When you took my hand through the night
It was getting late and you asked me to stay
And hold you until we see light
Kurt abriu os olhos e encarou o visor de seu celular aceso do outro lado do quarto. O toque era de Blaine. Pensou em alguns segundos em ignorar a ligação, porque afinal, ERAM TRÊS HORAS DA MANHÃ, mas achou que talvez pudesse ser importante. Se levantou e se arrastou pelo quarto, pegando o celular em mãos.
– A-alô? — Disse voltando para debaixo das cobertas.
– Kurt, te acordei?– Perguntou receoso do outro lado da linha.
– Meio que... — Kurt fechava os olhos com força.
– É-é que eu tive um pequeno probleminha com meu carro e... Kurt?
– Mhm?
– Kurt!
– Oi... fala.
– Sei que é tarde. Mas é que meu carro estragou e pensei se você não poderia vir aqui me pegar...– Mordeu o lábio do outro lado da linha.
– Você é o garoto mais popular do colégio, tem milhares de pessoas na escola que matariam para de dar uma carona. — Bocejou, abrindo os olhos e acordando oficialmente. — P-por que ligou pra mim?
– B-bom, é que... E-eu estou no Scandals. Pensei em ligar para Rachel vir me pegar, mas desisti quando minha mente fez a reconstituição da minha futura morte, sendo cheio de perguntas de "por que você estava três horas da manhã em um bar gay?"... Você é a única pessoa que sabe sobre meu segredo. Além de Santana e Finn, claro, mas acho que eles não me ajudariam... — Blaine se atrapalhava nas palavras.
– Blaine, eu estou de pijama e está frio lá fora. V-você não pode simplesmente pagar por um táxi? Ou pegar carona com alguém? — Se enrolou nas cobertas.
– J-já liguei para os taxistas que conheço, mas ninguém vem para esse lado de Lima à noite por causa da alta probabilidade de assaltos e tudo mais. E o bar está vazio. Fui praticamente a última pessoa a sair dele. Chamarei um mecânico amanhã, mas não posso dormir aqui. — Blaine suspirou. — M-mas se você não puder vir, t-tudo bem.
Kurt hesitou. — Tudo bem, eu vou. Me espere dentro de seu carro, com os vidros e portas fechadas. Você sabe como essa parte de Lima pode ser perigosa. Estarei aí o mais rápido possível.
– Obrigado, Kurt. S-sabia que podia contar com você.
– É, mas você fica me devendo uma. E uma das grandes.
Kurt desligou e encarou o visor. O que não faria por Blaine Anderson? Dirigiria até a China se o moreno pedisse. Suspirou e pegou suas chaves na escrivaninha, saindo de seu quarto e se deparando com um corredor escuro.
Escutava o ronco vindo do quarto de Finn, revirou os olhos. As paredes anti-som de seu quarto eram, realmente, a melhor coisa que Burt já havia inventado. Desdeu as escadas com passinhos de bebê e encontrou seu pai dormindo no sofá, com uma cerveja derramada no chão e na tv um filme antigo passando.
Andou lentamente até a porta, desativando o alarme e pedindo à uma entidade divina que seu pai não acordasse com o som da porta sendo destrancada. Burt apenas se revirou no sofá, mas não acordou. Quando o castanho percebeu, já estava ao lado de fora. Embarcou em seu carro e dirigiu até a parte "sombria" de Lima.
Na frente do Scandals havia apenas o carro de Blaine. Kurt viu o quão assustador aquele lugar podia ser à noite. Deu um toque no celular do mais novo para vir até seu carro. Blaine trancou o seu e entrou no do castanho, suspirando com o ar frio que havia pegado até bater a porta.
– Obrigado mesmo, Kurt. — Falava enquanto passava as mãos rapidamente sobre os braços gelados, tentando se aquecer. Kurt percebeu que o moreno estava morrendo de frio e poderia pegar uma doença desse jeito.
Antes de ligar o carro tirou o roupão que o cobria e entregou para o Anderson, que agradeceu. Kurt deu de ombros e continuou dirigindo, tentando ignorar o fato de Blaine não tirar os olhos de sua coxa e sua cueca enquanto dirigia.
– Então, pra onde vamos? — Perguntou tirando o foco de Blaine das suas partes íntimas.
– Um hotel qualquer. — Olhou pela janela, quentinho pelo roupão que o cercava.
– Brigou com seus pais novamente?
– Me conte quando isso for uma novidade. — Kurt agradeceu por ter um pai igual Burt, continuando focado na estrada. — Cheguei em casa e participei da briga entre meu pai e Cooper, a coisa foi feia.
– Então vai ser isso? Cada vez que brigar com sua família vai se trancar em um hotel barato e deixar as coisas acontecerem, sem se impôr?
– N-na verdade, eu fui expulso de casa. — Kurt freou o carro bruscamente, agradecendo pelas estradas estarem vazias essa hora da manhã. Encarou Blaine surpreso. — Eu os contei a verdade, sobre mim. — Kurt engoliu seco e respirava descoordenadamente. — Cooper ficou do meu lado, mas coisas foram atiradas e coisas voaram pela casa. Minhas coisas ficaram no meu carro. V-vou arrumar um hotel enquanto não acho lugar para ficar.
– V-você está dizendo que...
– Sim, eu os contei que sou gay. — Kurt sentiu uma pitada de culpa por ter pressionado Blaine à tomar esta atitude. — Bom, Cooper já sabia, então ficou do meu lado e disse que daqui a alguns dias sairia daquela casa também, e poderíamos morar juntos. Mas ele tem uma carreira a seguir, e não quero atrapalhá-la.
– Blaine...
– Não, não quero piedade. Fiz uma coisa que não tinha coragem desde o primário. Costumávamos ignorar esses assuntos lá em casa, mesmo quando fui pego beijando meu amigo debaixo do visco. — Kurt arregalou os olhos. — Finalmente a verdade veio à tona. E-estou me sentindo bem.
– E... E Rachel...?
– Ela ainda não sabe, e duvido que os Anderson contem alguma coisa para os Berrys, conservados do jeito que são. Por mais que Hirran e Leroy sejam gays, meus pais nunca aceitaram esse tipo de coisa. Assumir pra eles mesmo que, seu estimado filho, virou um deve ser o fim dos tempos. — Gargalhou baixo. — Blaine, sempre o rebelde da família.
– V-você não fez isso por mim, não é? — Perguntou a coisa que queria perguntar desde que ouviu a história. Tentou evitar, mas não conseguiu.
– Meio que sim. — Gargalhou baixo, encarando o chão. Kurt havia voltado à dirigir. — Principalmente depois de saber que você está com aquele loirinho do café... — Kurt sentiu seu rosto queimar. — V-você sabe que eu não queria que aquilo acontecesse.
– Sei... — Sussurrou, não tirando os olhos da estrada.
– E-ele ainda vai te machucar, Kurt. E eu estarei aqui pra quando isso acontecer. — Blaine suspirou, ainda encarando o chão. — Eu posso ter sido um babaca nesses últimos meses com você, mas as coisas que te falei, nunca irão mudar. Eu ainda sou aquele Blaine romântico, você só tem que me deixar mostrar.
Kurt estacionou o carro na frente de um hotel perto de sua casa (conveniente, não, Hummel?), desligou o carro e encarou Blaine como se ele fosse a coisa mais preciosa que tivesse em mãos.
– Quem disse que não estou? — Kurt sorriu sem graça. Blaine se inclinou e capturou os lábios do castanho nos seus, tomando Kurt em um beijo desajeitado, porém de longe melhor que o de Nick. Blaine percebeu a mudança no beijo de Kurt por causa do outro, mas ignorou e voltou a apreciar aqueles lábios.
Blaine se afastou, tentando esconder um sorriso.
– Boa noite, Sr. Hummel. — Assentiu e abriu a porta. Kurt não conseguia falar nada, apenas tinha um sorriso atordoado no rosto. Viu Blaine entrar na recepção do hotel e ficou alguns minutos ali na frente, com as mãos no lábio.
Sabia que estava fazendo algo errado, pois estavam com Nick agora, mas Blaine era seu sonho adolescente. Sempre sonhou com aqueles lábios nos seus, e fingir que o beijo havia sido ruim era uma mentira descarada qual Kurt não podia fazer. Balançou a cabeça e seguiu o caminho de casa, tentando achar um jeito de resolver todas as perguntas que brotavam em sua mente.
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