One More Chance

9 Capítulo 9 - O Salamandras


Notas iniciais
Então gente .. :D Espero que gostem desse capítulo. Ele foi MUITO difícil de escrever .__. Acabei dando um jeito no meu pulso direito enquanto eu dormia T~T Nada legal ~

Maldições são o chamamento do mal

As tragédias são o complemento...

1409 — Romênia , Idade das Trevas .

Deitada sobre a cama , Amalia por um momento, por um simples momento chegou a cogitar que talvez ela estivesse dilapidando seu tempo. Talvez tudo aquilo não passasse de um sonho tolo . De qualquer forma ela estava pagando para ver , para vê-lo . Ensinar a Lúzia como controlar seu demônio interior estava sendo bem mais fácil que o previsto. A

quela garotinha frágil não era tão frágil como todos pensavam e Amalia sabia disso. Sabia também que por ela ser a portadora do demônio Salamandras tudo seria mais complicado , entretanto não fora isso que a jovem princesa demonstrou.

Lúzia era focada demais e conseguia fazer tudo perfeitamente, como se de alguma forma isso já estivesse nela. Como se ela soubesse das coisas não de agora e sim de muito tempo atrás. Amalia julgou que talvez até mesmo Lúzia estava fazendo seu próprio jogo de calúnias , o que era cômico. Todos estavam formando uma batalha de mentiras onde o vencedor seria aquele que enganasse mais pessoas .

Perdida em cogitações, finalmente notou o quão fatigada estava desde o dia anterior. Lúzia havia queimado o espírito que encontrava-se dentro de uma garotinha. Salvara sua vida de forma excelente. Após isso , as duas voltaram para o palácio , todavia Amalia parecia doente , ou simplesmente cansada demais. Pediu uns três dias de descanso e Lúzia entendeu perfeitamente, a qual também encontrava-se exausta.

Acabou dormindo , mergulhada em saudades e futuros planos . Sonhara a noite toda com o dia em que conhecera aquele intrigante General.

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Lúzia estava deitada no chão de seu quarto , olhava para o teto deprimida . Naquela noite ela sentia extremamente falta de seu irmão, não o vira por um longo tempo. Se não fosse por Amalia, ela não estaria conversando com ninguém. Ninguém iria sequer notar sua presença. A jovem Necromante podia estar a menos de uma semana em sua casa , todavia era uma distração para Lúzia , algo que a tirava dessa rotina solitária.

Uma imensa janela no seu quarto estava aberta, o vento naquela noite era fraco e prazeroso. De onde Lúzia estava , dava para ver a lua pela janela aberta. E a lua estava incrivelmente linda naquela noite. Pegou-se sorrindo levemente , estava tranquila mesmo com tanta saudade de Ricardo. Agora ela podia fazer coisas novas , um novo mundo fora apresentado para si.

Enquanto olhava para lua , as chamas das velas em seu quarto estavam em constante dança. Umas apagavam e as outras ascendiam , aquilo parecia um incrível espetáculo. E a dona desse espetáculo era Lúzia. Agora que aprendera a fazer isso , sentia-se incrivelmente bem.

De repente, naquele chão frio , Lúzia começou a sentir pontadas em seu coração, levou a mão sobre o local . Algo puxava o seu fôlego , e fazia sentir muita dor em seu corpo. Foi sentindo o corpo cada vez mais pesado como se algo pesado caísse por cima dela e a fizesse ser esmagada. Uma imensa sonolência a cercou e ela não suportava mais manter-se acordada.

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Era noite, os cortes em seu rosto não se comparavam a calamidade que estava dentro do castelo. Não era hora de sentir dor . Era tarde demais. Assobiou e esperou uns segundos até que seu Clydesdales aparecesse. Como uma rajada negra , ele apareceu . Seu pelo castanho reluzia uma vida inteira de cuidados , era um cavalo belíssimo. A jovem, Lúzia , agradeceu a Deus pelo cavalo ter conseguido chegar até ela.

O castelo onde vivera sua vida inteira estava em chamas , e as chamas estavam consumindo todos que se encontravam lá dentro. Aquilo era uma extrema balburdia , a portadora do demônio estava sozinha , ensanguentada , apavorada . Estava frente a frente com o lago . Acima , podia se ver o castelo virando um borrão de cor viva , setas de fogo subiam rapidamente aos céus , eram faíscas de fogo.

Olhou para a floresta e viu uma sombra , e a sombra estava se aproximando dela cada vez mais. A cada passo para trás que ela dava , a sombra parecia mais perto . Quando chegou bastante perto dela o chão onde Lúzia pisava começou a se abrir , instintivamente ela segurou na primeira coisa que viu , ou pelo menos achou que havia visto.

Ao abrir os olhos, estava de volta ao seu quarto. Ainda era noite, como se o tempo não tivesse passado. Estava apenas em um sonho anteriormente . O peso que antes lhe sufocava havia ido embora. Lúzia estava atordoada demais para questionar-se sobre o que era o sonho. Resolvera falar sobre isso com Amalia outro dia , ela provavelmente iria saber de algo. Levantou do chão , trancou a janela e foi em direção a sua cama.

Após um tempo, finalmente pegara no sono.

Pela manhã , começou a sentir as estranhas pontadas no coração novamente . Decidida , reuniu forças e entrou no quarto ao lado, no quarto da Necromante. A qual ainda estava no mais profundo sono. Lúzia achou a situação um pouco irônica , a mulher a sua frente realmente estava exausta. Mas isso não importava, ela tinha que pedir auxilio sobre o sonho e sobre essas dores.

– Amalia ? — Começou a balançar a mulher e a chamar pelo nome dela. A dores estavam aumentando — Eu preciso de você , por favor , acorde!

– Max..ma ... Maximus — Sussurrou o nome do general — Cuidado! Não é o que parece!

– Não! — Gritou . Lúzia fez todas as chamas do local aumentarem, quase trinta centímetros de altura , entretanto ela não fez isso porque tinha a intenção. Havia perdido o controle sob a dor . A questão era , por quê ?

Sentindo toda a agitação e calor do local, Amalia finalmente abriu os olhos e se deparou com uma Lúzia completamente apavorada e confusa. Seus olhos não eram os mesmos, a tempestade se converteu em tragédia. Parecia uma pessoa insana , fazia expressões estranhas de dor , e as chamas iam apenas aumentando.

Até então, Lúzia estava sentada na cama de Amalia a qual ainda estava paralisada encarando a cena , porém jogou-se no chão ainda com expressões estranhas. Estava sucumbindo a dor.

– Isso dói Amalia! Me ajude! — Ela começou a sussurrar de forma lenta , como se não conseguisse falar.

Amalia pôs-se de pé e foi até a menina que se encontrava perto da outra extremidade da cama . Sentou-se no chão ao lado dela a qual estava deitada e agonizando.

– Lúzia, o que está acontecendo com você ?

– Aqui — Apontou para a região onde o coração se encontrava — Dói muito Amalia.

– Respire fundo criança.

– As minhas costas.... abrindo... — Nesse exato momento, Lúzia perdeu os sentidos . Desmaiou ainda com o corpo completamente enrijecido. Todas as velas do local extinguiram suas chamas. Amalia sabia que tinha algo muito errado.

Sem perder tempo , a Necromante virou a menina de costas . Abriu-lhe o vestido e nas costas finas viu imensas queimaduras. Tudo aquilo era muito estranho, pois um demônio do fogo não iria ser afetado por queimadura alguma. A loura sabia exatamente que não estava lidando apenas com um demônio normal. Aquilo ultrapassava os limites de qualquer conhecimento que ela tinha sobre as crianças amaldiçoadas.

Do jeito que as coisas estavam indo, Lúzia não iria aguentar por muito tempo. E se essa criança morresse , Amalia daria adeus a sua chance de ter Maximus com ela novamente . E isso era tudo o que ela menos desejava.

"Maldita problemática... "– Pensou .

Teria de começar um novo ritual para ajudá-la, e provavelmente o mais complicado de toda a sua vida. Puxou Lúzia até o centro de seu quarto, ao lado garota fez um círculo com sal. Isso servia como proteção, a energia pesada da entidade sugaria toda sua energia se ela não estivesse dentro do círculo e o que estava para ser evocado consumiria bem mais que energia . Em seguida , jogou as ervas no chão . Retirou do armário seis velas negras e uma vermelha. E entrou dentro do círculo depositando as velas em volta de Lúzia. Estava segurando uma adaga reluzente marcada em letras egípcias.

Lúzia estava deitada de bruços e ainda tinha alguns reflexos no corpo. O que Amalia estava para fazer era algo extremamente perigoso, se algo desse errado o mínimo que poderia ocorrer era as duas morrerem, apenas isso .

Ascendeu as velas e deixou que o fogo as consumisse. Tentou se concentrar o máximo possível.

– Quem eu chamo aqui é um demônio ígneo . Manifeste-se Lagarto de fogo.

E nada aconteceu, o ambiente ainda estava normal . Evocar um demônio era bem mais difícil, ainda mais evocar um demônio que habita o corpo de uma jovem.

– Apareça!

Pegou a adaga , Amalia cravou na carne da inconsciente Lúzia . Bem nas costas onde havia a queimadura . E o corte foi ficando cada vez mais fundo .

O Salamandras ainda não se manifestara então ela tinha que intensificar corte, começou a puxar para cima , arrastando e devastando a pele da garota . Não se preocupava com Lúzia , era ganhar ou perder.

A Necromante sabia que a queimadura era fruto do demônio, entretanto por que ele faria isso com sua hospedeira?

– Salamandras! Vinde a mim!

O ambiente ficou extremamente pesado, Amalia nem conseguia abrir os olhos direito. Ela sabia o que havia chegado. Adentraram em uma dimensão mais oculta do que a das entidades. Muito tempo nessa dimensão a faria falecer, ela deveria ser rápida.

"É muita ousadia ,Amalia"– A voz do lagarto era aguda, e queimara-lhe os ouvidos como fogo.

– Ela estava morrendo , sentia muita dor .- Amalia falou ainda com os olhos fechado, o peso no ambiente a fazia perder totalmente a energia.

"Eu a queimei, ela não iria morrer Necromante. "

– E por que você faria isso ?

"Para ela não sair antes da hora, audaciosa"

– Como assim ela ? — Tentou abrir os olhos, mas foi em vão . O peso no ambiente chegava a ser assustador.

"Aprecio muito o que está fazendo por ela. Ela está ficando cada vez mais forte com seus ensinamentos. Logo vamos matar todos aqueles que se atreverem ir contra o nosso poder. É um aviso para você também Necromante. "

– Você não vai dominar o corpo dela como qualquer demônio normal ?

"Eu não sou qualquer um , Lúzia é o recipiente perfeito para ambos os lados . Eu não perderei a minha presa."

– O que devo fazer para ajudá-la ?

"Ela sabe fazer tudo Necromante, está nela. Na essência dela. Mostre para ela como ela usar esse poder. Mostre a ela. Se não a ajudar , sofrerá as consequências"

Ao terminar a frase, o ambiente voltou ao normal, todo o peso que antes era avassalador agora encontrava-se leve.

Amalia conseguiu abrir os olhos , notou que o corte profundo que havia feito em Lúzia havia sumido. Ela só precisava descansar um pouco.

Atordoada , a Necromante começou a pensar no motivo do Salamandras não querer se apoderar do corpo da menina. Algo estava errado. Aquilo era uma distração, o demônio quer algo valioso com Lúzia. Cabia a Amalia descobrir o que era.

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Passara-se duas horas após o ocorrido com Lúzia. E ela não havia demonstrado nenhum sinal de melhora. Amalia caminhava de um lado para o outro daquele imenso cômodo. A situação não era tão mais fácil quanto ela imaginava.

Notou que Lúzia começou a mover os dedos e em seguida abriu os olhos, caçando o fôlego que lhe faltara. Engasgou-se com a agitação . Parecia que havia voltado da morte.

– Estou viva, como...meu peito doía tanto...

– Calada! Não notou que estou pensando ? — Amalia retrucou em agonia.

– Idiota . Eu pensei que iria morrer , meu peito doía demais .O que houve comigo ?

– A Entidade que vc expulsou outro dia queria se vingar de você e causou isso — Mentira mais uma vez.

– Entendo. Você me ajudou, certo ?

–Sim...- A hesitação era constante- Presta atenção Lúzia, irei te ensinar mais duas coisas , depois dessas duas coisas você vai começar a fazer as coisas sozinha — Falou por fim a Necromante.

– Como assim ? — Lúzia demonstrava muita confusão no olhar.

– Escute e aprenda, só isso . Imagine que existe fogo saindo dos seus dedos, faça sair fogo de verdade deles e lance para fora dessa janela — Amalia apontou para uma janela que estava aberta. A princesa indicou que sim com a cabeça.

– Que eu consiga, Necromante- Lúzia sem fechar os olhos dessa vez, imaginou o fogo saindo de suas mãos , acreditou firmemente nisso. Amalia estava ensinando um ataque a ela e isso era o mais interessante. Era como se de fato ela soubesse fazer isso, o fogo saiu perante seus dedos . As chamas cintilavam em suas mãos, sem hesitar, lançou contra a janela. E assistiu a bola de fogo caindo . Sentia-se vitoriosa , havia feito tão rápido o pedido de sua mestre — Próximo ?

Amalia soltou um riso leve.

– Você tem que aprender a meditar. O resto dos ensinamentos virão de sua própria mente. Entende ?

– Meditar não é tão difícil — Lúzia respondeu.

– Talvez não, mas você vai fazer isso muitas vezes durante o dia. Obviamente irá me acompanhar nos trabalhos. Eu preciso da sua ajuda.

– Eu me senti imensamente feliz quando salvei aquela menina ...

– A tendência é só melhorar, criança. Agora saia do meu quarto, você consome muita energia.- Amalia jogou-se em cima da cama , como quem necessitasse dormir por uma década.

– Eu tive um sonho estranho Amalia, eu vim pela manhã falar sobre isso — Lúzia olhou deprimida para a mulher exausta.

– Saia Lúzia, estou cansada. Depois falamos sobre isso — A portadora do Salamandras retirou-se do quarto, ainda angustiada pelo sonho. Todavia nada podia fazer.

1409 — Hungria , Idade das Trevas .

– Esse aqui é o seu novo quarto — O General empurrou Ricardo para dentro de um quarto abarrotado de livros, onde havia apenas um colchão jogado no chão — Tente ler esses livros também.

– Tudo bem, obrigado — Ricardo abaixou a cabeça ao agradecer seu superior.

– Antes que vá descansar, você tem uma irmã não é mesmo? — Perguntou Maximus como se não quisesse nada.

– Tenho sim — Ricardo estava meio suspeito.

– Quantos anos ela tem ?

– Acabou de fazer 16 anos- Disse Ricardo um tanto triste.

– Pois bem, estou procurando uma noiva- O sorriso irônico estava estampado no rosto do tirano General.

– Irá procurar outra. Lúzia é minha irmã , não é de sangue e é minha noiva — Ricardo rosnava como um cão.

– É uma lastima. Me apresente ela um dia, não que eu queria mais que ela seja minha noiva — Maximus saiu do quarto com seu sorriso mais descarado.

Estava certo, Ricardo não sabia sobre a irmã. O que o motivou a entrar fora algo totalmente diferente. Maximus conseguiu ler as emoções dele e todas indicavam um amor e uma proteção sem fim pela menina. Ele já sabia exatamente o que fazer e como fazer. Ricardo era a chave do futuro demônio que ele mataria.

Notas finais
Essa Amalia é complicada mesmo. Lúzia é a personagem mais misteriosa , você irão notar no decorrer da fic